Entre a Razão e o Coração!

23 Capítulo 23 - Lâmina Branca.


Notas iniciais
Oii, tem alguém aí? Tá, sei que demorei horrores dessa vez! Mas como disse antes, não vou abandonar minha fic. E hoje é meu niver e resolvi presentear vocês com a continuação de "Entre a Razão e o Coração". :) Capítulo dedicado a ShihouinEveline e Nanda Kuchiki, fieis leitoras que me lembraram que tenho uma fic e não desistiram de mim, rsrs. De verdade, obrigada, meninas. Capítulo pra vocês. :) Desculpem os erros ortográficos. Enfim, sem mais delongas... Boa leitura!

CAPÍTULO 23 – LÂMINA BRANCA.

Envolta pelo manto negro da noite, Rukia pouco sabia o quanto havia se afastado dos territórios da família Kuchiki. Ao seu redor, nada. Um terreno vazio, por assim dizer, semelhante aqueles que abrigavam as singelas casas dos moradores de Rukongai.

Estaria em Rukongai? Não tinha certeza.

Pela voz que constantemente ecoava em sua cabeça, mostrando-lhe a direção, pode chegar até ali. Aquela voz que um dia soara tão suave e aconchegante, que lhe transparecera alegria a cada palavra.... Mas que agora, despertava os piores sentimentos em seu coração.

Tristeza, sofrimento, impotência, desilusão... raiva.

A voz de Hyega Dan não a fazia sentir mais que isso.

Rukia segurou forte a empunhadura de Sode no Shirayuki, continuando a correr com passos de shunpo. Até que em meio aquele nada, diante de seus olhos, surgira uma luz...

… Uma áurea semelhante ao fogo.

Estava a poucos metros de distância. E dali, ela já conseguia enxergar a fonte daquela luz tão intensa, que era o seu destino.

Hyega Dan.

***

— Como ele consegue? É simplesmente impossível esconder por completo o rastro de reatsu. Como ele pode fazer isso?! — o Capitão Abarai falava indignado, fechando o punho forte sobre a mesa.

Há poucos minutos, Ichigo e Renji haviam voltado de sua busca pelo filho de Rukia. Era tarde da noite, e apesar de terem percorrido, em uma velocidade impressionante, grande parte da Soul Society, não encontraram nada. Nenhum mínimo rastro de reatsu que pudesse mostrar o possível paradeiro de Dante e seus filhos.

Era inútil permanecer lá fora buscando o inexistente.

Era como correr em círculos. Eles não tinham um destino.

— Creio que a palavra impossível há muito tempo não faz mais sentido para Dante. — Seiji, que estava sentado ao lado de Renji, respondeu vagamente aquela pergunta, na opinião do Capitão de cabelos ruivos.

— Então ela também não existe pra nós! — Ichigo falou, aproximando-se da mesa.

— Temos que encontrar alguma forma de desvendar o caminho de reatsu. Mesmo que for pequeno, já servirá pra alguma coisa. — Renji ressaltou.

— Talvez ele não tenha deixado um caminho. — Seiji ponderou. — Dante pode muito bem ter ensinado os seus filhos a controlar a grande pressão espiritual. Contudo, eu acredito na possibilidade de um encantamento, como uma barreira que os envolva e que oculte qualquer poder.

— Uma barreira... — o Kurosaki murmurou pensativo.

— E você não consegue ultrapassa-la, Seiji-san?

— Não é tão simples assim, Capitão Abarai. — respondeu o Kuchiki. — Tudo o que eu acho são apenas especulações. Eu não tenho certeza do que seja, só a consciência de que Dante tem a capacidade de criar uma barreira que cubra seus rastros. Esse é o mais provável, pelo que conheço das habilidades dele. E o que devemos fazer é encontrar uma lacuna nesse encantamento. Alguma falha. Algo como...

— … A pressão espiritual do meu filho.

Surpresos, ambos dirigiram o olhar para Byakuya, que mesmo calado, esteve ali desde o inicio. Com um olhar sério, o nobre se aproximou deles, dizendo:

— Hyega Dante pode ter submetido ao encantamento todo aquele que estivesse naquela mansão, inclusive Rukia. — lembrava-se do dia em que foi resgatar a esposa. — Mas não pôde fazer isso exatamente no momento em que o meu filho nasceu.

Analisando as palavras do sobrinho, pensativamente, Seiji disse:

— É um detalhe interessante, Byakuya. Talvez a criança não esteve submetida ao encantamento desde o seu nascimento... Talvez haja essa possibilidade. Mas não passaria de segundos e, particularmente, confesso que ela é pouco provável. Pense, meu sobrinho, Dante já deveria saber que-

— Sem querer ofender, Capitão Kuchiki. — Renji interrompeu, de repente.

Byakuya o olhou e ele continuou:

— Me desculpe Capitão, mas se isso for possível... Bem, quando o seu filho nasceu... E-eu não senti praticamente nada. Era uma reatsu tão pequena, que não parecia ser uma criança natural da Soul Society. Como espera encontrá-lo assim?

E o fato que Renji apontou, com certeza, era algo raro.

Sendo filho de dois shinigamis com pressões espirituais de alto nível, como de Byakuya e Rukia — além do fato de ter o sangue nobre da família Kuchiki -, era esperado que Kuchiki Niki viesse a ter nascido com uma reatsu mais elevada e consideravelmente digna de elogio. Era mais do que esperado.

No entanto, não fora isso que acontecera.

A pequena criança aparentara não possuir o dom, aquilo que a faria ser, um dia, um shinigami, um talento. Era como se ele jamais fosse ser um...

Entretanto, Byakuya decidiu apenas ignorar a situação. Poderia se lembrar em alguma hora (e questionar-se a respeito), mas, no momento, não era apropriado. O que mais importava era ter o seu filho em casa.

Isso era sua prioridade. E faria qualquer coisa para tal.

— Encontraremos uma maneira, Renji. — respondeu, por fim, a pergunta de Abarai.

Alguns minutos de silêncio se seguiram, sendo este o tempo em que cada um buscava em seu consciente uma forma de resolver aquele problema que os cercava e que, principalmente, atingia constantemente um de seus entes mais queridos.

Rukia.

Eles precisavam agir. E não sabiam como!

Até que...

— Inoue! — Ichigo praticamente gritou, assustando a todos. — É isso, Inoue!

— Do que você está falando, garoto? — Seiji o encarava como a um louco.

— Eu não sei como, mas acho que a Inoue pode sentir a presença de alguém, por mais que esteja envolto por uma barreira. Foi assim que ela me encontrou quando eu estava treinando com o Shinji e os outros. A Inoue pode nos ajudar a encontrar o filho da Rukia!

— Você tem certeza? — Renji já estava de pé, aguardando com os olhos atentos.

— Eu não tenho certeza de nada! Mas e daí? Isso já pode ser alguma coisa! — dizia afoito, andando em direção à porta.

— Então chame esta garota, shinigami substituto. — ordenou Seiji sem demora, mas Ichigo já tinha essa intensão.

No entanto, antes que pudesse cumpri-la, Inoue aparaceu na porta perante Ichigo. Em seu rosto, uma mistura de medo e angustia. Sua respiração era difícil e acelerada.

Alguma coisa havia acontecido, era notável no semblante da garota.

— Inoue... O que aconteceu? — perguntou Ichigo, cautelosamente.

Ela olhou nos olhos dele. Puxou o ar dos pulmões com força, como se não tivesse fôlego para falar, e finalmente disse:

— Kuchiki-san sumiu.

***

Ele estava diante dela. Sim, ele estava ali.

Hyega Dan.

Apesar disso, Rukia continuava imóvel, olhando-o. Com firmeza segurava Sode no Shirayuki em sua mão direita, pronta para usá-la se necessário.

Ele olhava para ela, como se não a visse há muito tempo e que precisasse guardar cada pedacinho daquela imagem em sua mente, e talvez, em seu coração.

Aquela áurea de fogo que mostrou para Rukia a direção certa como um farol no horizonte, sim, vinha dele — rodeava o corpo de Dan, e agora não sendo mais necessária já que a Kuchiki se encontrava ali, a áurea de reatsu começou a dissipar-se.

Encaravam-se há um tempo considerável. Dan pensava em várias coisas, palavras de consolo que poderia dizer. Mas como? Tudo era culpa dele.

Se ao menos ela pudesse enxergar a minha real intenção, pensava.

Ele queria fazê-la feliz a qualquer custo. Até mesmo por aquele meio tão confuso.

Nada importava. Porque ele a amava demais.

— Fico feliz que tenha vindo, Rukia. — sua voz não saiu como planejado; ele deveria estar neutro, mais sabia que não conseguiria.

Nos olhos de Rukia, nenhuma manifestação de emoção, apenas gelo. Um gelo tão intenso quanto aquele emanado por sua zanpakutou. Os olhos de Dan tremeram perante aquele frio.

— Rukia, eu imagino o que você esteja pensando a respeito de mim... e sentindo. Mas eu quero lhe dizer que tudo vai mudar. Eu fiz tudo por-

— Onde está o meu filho? — ela o interrompeu com a voz firme.

Dan se calou, apenas olhando aquelas feições delicadas manchadas pela raiva que ela, naquele momento, sentia por ele. Como tudo pôde mudar?

Ao não ouvir nenhuma resposta, Rukia insistiu:

— Onde está o meu filho?! – falou cada palavra com cuidado, em uma lentidão tenebrosa.

— Rukia, por favor, escute...

E ela não disse mais nada. Sua próxima ação foi avançar contra Dan com ferocidade, flutuando no ar pela força de sua zanpakutou contra ele. Em menos de um segundo, Hyega defendeu o golpe, e surpreendentemente, teve os pés arrastados levemente na terra.

Rukia não hesitou. Começou a ataca-lo com vários golpes, vindos de todas as direções em conjunto com o shunpo. Por mais que ele não demonstrasse surpresa e defendesse cada um deles, sempre com o rosto sereno e imutável em direção a ela, Rukia não desistia.

Atacava e atacava, mais e mais.

Queria que ele sentisse. Queria que ele percebesse no instante em que suas zanpakutos se chocassem, tudo o que ela sentia. Tudo.

Mas Dan já havia notado isso bem antes de tudo aquilo começar. Antes de tomar o filho dos braços de Rukia. Antes de fazê-la chorar em desespero. Ele presumira o que causaria a ela. Havia se preparado para isso. Seu pai lhe advertiu. Ele mesmo se lembrava a cada segundo dos dias que passaram.

Pois tudo tinha um propósito.

Ele poderia falhar com suas atitudes por certos momentos, poderia enganar-se e agir por impulso. Entretanto, jamais perderia o controle totalmente. Não permitiria a si mesmo perder o controle da situação.

Era perigoso, em todos os sentidos. Mais do que o nobre Hyega imaginava.

Por isso ele continuava ali, deixando-a descarregar sua fúria com golpes de espada. Minutos se seguiram daquela forma, até que ele notou o cansaço nos movimentos dela. Insinuando um possível ataque, Dan fez com que Rukia recua-se, ficando mais uma vez a sua frente.

Tendo a oportunidade de falar, Dan não a desperdiçou:

— Rukia, escute-me. Você tem que entender-

— Cale a boca! — ela não se mostrava disposta a ouvi-lo. — Nada do que você me disser mudara alguma coisa!

— Você está enganada. Tudo mudará.

— Tudo já mudou, Dan! Não percebe? Você não é mais o mesmo. Você não é o Dan que um dia eu conheci. — colocou a mão no kimono negro, retirando deste um pequeno objeto. — Você se lembra disso? — mostrou o objeto a ele, logo reconhecido. — O Dan que um dia me deu este anel não existe ou nunca existiu. Era tudo uma farsa! — com raiva, ela jogou o delicado anel ao chão.

Sim, aquele era o mesmo anel que ele deu para ela quando ficaram noivos. Aquele anel que pertenceu ao seu avô e que daria unicamente para a mulher que se apaixonaria.

Ele o entregou a Rukia. E agora, ela o devolvia daquela forma.

Após agachar-se e pega-lo, Dan suspirou desolado, olhando para a Kuchiki novamente:

— Rukia, você tem que compreender. — balançou a cabeça negativamente, dando um passo a frente e, em contra partida, Rukia recuou. — Você não consegue ver? Eu sou o mesmo Dan. Tudo o que estou fazendo é por você. Eu quero fazê-la feliz, eu lhe disse isso.

Aparentemente cansada, ela o olhava com uma curiosidade enigmática, e provavelmente, não acreditando em nenhuma palavra que saia da boca do Hyega.

Perante isto, Dan franziu o cenho, com olhos inexpressivos, falando em um tom singelamente revoltado e curioso:

— O que ele fez com você?

- Do que você está falando?

— O que Kuchiki Byakuya fez com você? Rukia, você não se lembra? Nós tínhamos planos. Ele deve ter feito algo para mudá-la! Ele deve ter feito algum feitiço!

— Está louco.

A reatsu de Dan começou a se elevar. Rukia sentia a tensão envolta de seu corpo, o ar mais denso, sua pressão espiritual ao ponto de ser esmagada em contraste com a do nobre.

— Você não percebe que, enquanto estiver ao lado dele, nunca será feliz?

Rukia nada falou, apenas olhava para ele. Aquilo o irritou, de certo modo.

— Se você não acordar dessa ilusão, você nunca verá o seu filho novamente. Eu mesmo o matarei com as minhas próprias mãos!

— Não!

Inconscientemente ela avançou contra ele, sem ter a certeza se o acertaria ou não. Ela agia por instinto. O instinto de lutar, proteger um ser importante. Era disso que vinha a sua força.

Assim, quando a espada estava prestes a furar a carne, Rukia teve o seu golpe parado. Não pela defesa da espada de Dan, mas sim pela própria mão dele que segurava fortemente o seu pulso. Surpresa, ela o encarou, presenciando a melancolia naquela clara visão.

— Eu vou abrir os seus olhos. — ele falou.

O que pensou? Que ele perdera o controle? Não, isso não aconteceria. Hyega Dan apenas sabia como usar meios para trazer Rukia para perto. Não colocaria nada a perder, logo agora que tinha os minutos contados, pois sabia o que se aproximava ou quem.

Era sua chance.

Sem desviar os olhos do rosto alvo, começou a aproximar-se. Rukia tentou recuar, mas o aperto dele era forte. A face de Dan estava cada vez mais próxima. Perto... Porém, contradizendo o que imaginava, os lábios de Dan não chegaram a sua boca, mas ficaram a centímetros de seus ouvidos.

Em sussurro, ela escutou a voz lhe dizer:

— Perdoe-me.

E num ato inesperado, Dan a afastou com um empurrão.

Choque. Inevitavelmente Rukia caiu sobre a terra árida. E enquanto se levantava, sentiu a presença de outra pessoa no local, não sendo este desconhecido, tendo a certeza de quem era ao ouvir a invocação do encantamento:

Bakudou#63: Sajou Sabaku.

Logo as correntes douradas a aprisionaram. Impossibilitada de se mexer, Rukia pode ver o novo individuo que se juntou a sua reunião com Dan. Sim, lembrava-se dele com perfeição.

Era Hyega Dante, o legitimo líder do Clã Hyega.

Uma cilada.

E além do espanto que surgira por vê-lo ali, outro detalhe foi notado pela Kuchiki.

As correntes do Sajou Sabaku não somente a aprisionavam, mas também estavam sugando sua pressão espiritual, impedindo qualquer reação que pudesse liberta-la. Dante lançara o mesmo encantamento que, dias antes, imobilizou Byakuya.

— O q-que está acontecendo? — Rukia perguntou nervosa, não recebendo nenhuma resposta.

Ignorando-a, Dante começou a fazer símbolos com suas mãos, recitando silenciosamente um encantamento desconhecido, enquanto uma reatsu negra emanava ao redor de seu corpo. Os seus olhos prateados tomaram um tom completamente escuro, negro.

— Diga adeus a sua vida. — foi a única coisa que Dante disse ao finalizar, estendendo uma das mãos e tocando a testa de Rukia. Ela estava presa, não poderia se defender, somente falar:

— O q-que... você está fazendo? P-pare. — a pele dele contra a sua gerava uma ardência, uma dor que entranhava a carne, como se estivesse esmagando sua cabeça. — Pare com isso!

Dan nada fazia, nada transparecia em sua expressão facial. Ele só olhava, simplesmente assistia tudo sem mover um músculo, como se já estivesse esperando aquilo — cada etapa, cada reação que viesse dela, a dor que iria causar.

Os impulsos protetores queriam agir. Suas mãos, pernas tremiam, o coração acelerado mostrando que sua amada precisava dele, de sua ajuda, proteção. Porém nada fez. Deveria suportar cada segundo.

Afinal, este foi o caminho escolhido por ela. Tentou mostrar outra maneira, no entanto, Rukia não lhe deu ouvidos. E ele não se importava com isso, repetia por várias vezes para si mesmo, tentando se convencer. Ele não se importava em vê-la sofrer naquele momento.

Iria até o fim. Não recuaria.

Pois Dan acreditava que tudo seria possível. Deveria acreditar, confiar.

— AAAHHH!

***

- É aqui. – disse Orihime quando chegaram a um terreno vazio, nas redondezas de Rukongai.

- Tem certeza, menina? – indagou Seiji. – Não há nada.

- Sim. Eu senti a pressão espiritual de Kuchiki-san minutos atrás vindo deste lugar.

Por alguma razão Inoue foi a única que sentira a pressão espiritualde Rukia. Assim pôde guiar Byakuya, Seiji, Ichigo e Renji ao lugar de onde partira a manifestação de reatsu da garota.

Com isso, a suposição da existência de uma barreira criada por Dan para camuflar a reatsu de sua família — e a solução sugerida por Ichigo antes — foi aceita por Seiji. Agora ele tinha certeza. Essa era a técnica.

Mas olhando atentamente ao redor, dúvidas surgiam na mente do Kuchiki a respeito. Poderia a humana ter se enganado?

- Não tem nada aqui, Inoue. — Ichigo disse o mesmo que Seiji, querendo chamar a atenção dela para esse fato.

- Nem sinal da Rukia. Melhor procurarmos em outro lugar. – declarou Renji, pronto para partir.

Inoue Orihime só poderia ter se enganado. Eles acreditaram nisso.

Entretanto, bem próximo a eles, Byakuya olhava em silêncio cada canto daquele terreno baldio. Havia algo diferente ali, ele sentia. E esse sentimento guiava o seu olhar. O coração e a razão agiam em conjunto, mas não em perfeita sintonia.

Naquele momento, a razão buscava ajuda-lo, dizendo que Rukia estaria bem. Não poderia ter ocorrido nada. Ela apenas saíra para procurar o seu filho, só isso. E quando a encontrasse, juntar-se-ia a ela.

Sim, sim, era isso. Precisava acreditar.

Mas era uma tolice. Tentava enganar a si mesmo.

O coração não aceitava essa resposta. Byakuya sentia o seu peito espremido por dentro, corroendo em angustia e prestes a sufoca-lo.

Medo. Quanto medo. O maior que já sentira em toda a sua vida.

Pois Byakuya sabia que algo havia acontecido.

E o coração nunca se enganara. Sempre era a razão que o levava para um caminho duvidoso, ao qual poderia ser certo ou não. Ora, a razão era guiada por ele, Byakuya. Ele poderia se enganar.

Mas o coração não; era mais forte, muito além dele. Nunca encontrara a resposta por ter conseguido prende-lo por tantos anos. Por ter se afastado daquilo que desejava.

Deixaria ser guiado por essa força interior. Traria Rukia para ele, tinha certeza.

De repente, o que os seus olhos viram adiante comprovaram isso.

- Esperem. – Byakuya falou, recebendo a visão de todos.

- O que foi, meu sobrinho? – indagou Seiji.

Fez alguns minutos de suspense, como se quisesse ter certeza do que via, mesmo que de longe. Até que disse:

— Ali. – e usou o shunpo de imediato.

— Ei, Byakuya, aonde você vai?! – Ichigo o seguiu.

Ao chegar perto, fitou aquele objeto sobe o chão empoeirado. Era...

Sode no Shirayuki?

— A zanpakutou da Rukia? – o Kurosaki perguntou para si mesmo, e Renji aproximou-se ainda mais, assim como Orihime.

Sim, Sode no Shirayuki estava estendida no chão, metade de sua lâmina coberta pela terra árida. Confuso, Byakuya nada fez, apenas olhando a zanpakutou perante si.

O que significa isso?

Finalmente, não sabendo como conseguira mover-se, Byakuya se ajoelhou e pegou Sode no Shirayuki, olhando atentamente a espada branca em suas mãos.

— A zanpakutou da Rukia está aqui... Mas... Cadê ela? – Renji perguntou para si mesmo em um sussurro que apenas Seiji ouviu.

Após isso, o Kuchiki mais velho fechou os olhos, respirando profundamente. Deu as costas e começou a andar, pouco ligando quando Inoue o chamou:

— Kuchiki Seiji-san?

Orihime não recebeu resposta.

Continuou vendo-o se afastar. Entretanto, como em um piscar de olhos, uma fraca luz branca chamou o seu olhar. Imediatamente viu que vinha das mãos de Byakuya. Não compreendeu.

Gotas. Singelas gotas cristalinas escorreram pelas mãos de Kuchiki Byakuya, como a neve tornando-se água novamente.

O que realmente acontecera era irreal. Inacreditável. Deveria ser um sonho.

Sode no Shirayuki virara neve.

Estáticos, nenhum se moveu. Pretendiam digerir o que acabara de acontecer.

Só poderia ser um sonho, é.

— Rukia deve estar aqui por perto. Vamos continuar procurando. – Ichigo foi o primeiro, dando de ombros e começando a andar, pronto para voltar à busca.

— O q-que aconteceu, Kurosaki-kun? – Inoue pousou as mãos sobre o peito, olhando-o aflita.

— Não se preocupe, Inoue. Vamos continuar procurando a Rukia. Pode me mostrar a direção? Onde foi que você sentiu a-?

— Para com isso.

Renji o interrompeu de repente, falando friamente. Ichigo virou-se para ele, dizendo:

- Se você não quer mais procurar a Rukia, eu vou. Ela não pode estar longe-

- Já disse pra você parar. – Renji franziu o cenho. – Você sabe o que aconteceu.

- Não. Não é isso.

- Mas é, seu idiota! Não pode ser outra coisa! – o ruivo fechou os olhos com força, lágrimas começando a sair de seus olhos.

A este ponto, o mesmo já acontecia com Inoue, que escondia o rosto com as mãos e chorava descontroladamente. Ichigo brevemente olhou para ela. Depois para Renji. E por fim, para àquela figura imóvel. Ele, ainda ajoelhado, com o semblante curvado em direção ao lugar onde antes estava Sode no Shirayuki.

Sem demora, num impulso, partiu pra cima dele e depositou um murro em seu rosto.

Byakuya foi jogado para trás, caindo ao chão.

- Isso é culpa sua! Você fez isso com ela! – Ichigo gritava; os olhos marejados. – Se ela tivesse se mantido longe de você, nada disso teria acontecido!

Byakuya se recompôs aos poucos, sentindo o gosto de sangue na boca. Porém, não reagiu e muito menos olhou para o Kurosaki irado a sua frente.

Naquele momento, Byakuya nada sentia. Perdera os sentidos. Poderiam cortá-lo e tinha certeza que nenhuma dor se manifestaria em seu corpo.

O que sentia? O que ele era?

Nada.

E aquela reação aumentou à ira de Ichigo, que foi segurado por Renji desta vez, mas ainda continuava a dizer:

— Você fez isso com ela, Byakuya! Você não protegeu a Rukia! Você a matou!!

Uma zanpakutou nasce com um shinigami. Ela vive, cresce com ele, e morre no exato momento que seu dono fecha os olhos para a vida.

A zanpakutou desaparece com a morte do shinigami que a empunha.

Não havia dúvidas. Não tinha outra opção, outra resposta.

Kuchiki Rukia estava morta.

Continua...

Notas finais
Não me matem! Foi necessário, mas tudo vai ser compreendido depois! Agora, creio que todos saibam que a zanpakutou nasce e morre com o shinigami, né? Referência em: Bleach, capítulo 167 (final da luta Ichigo x Byakuya) e a não tão recente "Saga das Zanpakutous" (Bleach, 11º temporada). Enfim, até a próxima, meus leitores. Fiquem com Deus! ^-^/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.