Entre a Razão e a Loucura
9 Ativo
Negociações tensas.
Soichiro Yagami nunca imaginou que tão cedo teria que participar de uma negociação de um sequestro. Estava lá por exigência do criminoso, que mantinha uma jovem como refém. O superintendente de polícia fazia parte da equipe de apoio que investigava o paradeiro do criminoso e sua vítima. Graças a um dos comparsas, que fora apanhado antes, conseguiram encontrá-los próximo a Shibuya. Os policiais souberam, através do sujeito, que a jovem era mantida refém havia cerca de uma semana, e que era submetida a sessões de tortura e estupro.
E, quando os policiais “estouraram” o cativeiro, o marginal conseguira fugir com a jovem e invadir uma residência nas proximidades. Os moradores da casa foram liberados imediatamente. Dentro da casa, permaneceram apenas os dois. O sequestrador – Hiro Okuda – cumpria pena por estupro, cometido contra a agora refém. E havia exigido um policial veterano para conduzir as negociações, bem como um veículo, dinheiro e armas para assegurar sua fuga.
Soichiro, apesar de tudo, estava conseguindo conduzir bem as negociações, porém surgia um impasse a respeito do valor do resgate. E, nisso, Okuda já dava sinais de cansaço físico e mental. Foi quando resolveu se entregar.
- Okuda – Soichiro falou através do megafone. – Liberte a refém primeiro e permita que ela traga a arma. Depois, venha com as mãos na cabeça. Eu lhe asseguro que a sua integridade física será mantida.
O sequestrador, por fim, cedeu vencido pelo cansaço. Libertou a refém, que chegou até eles com a arma. A jovem logo foi acolhida pelos familiares e por alguns policiais que davam apoio à operação.
- Muito bom. – Soichiro disse. – Vejo que é um homem de palavra. Agora ponha as mãos na cabeça e venha.
Hiro Okuda se deslocou como fora instruído por Yagami. Porém, a alguns passos dos policiais, ele logo pôs a mão no peito e fez expressão de muita dor.
Logo, Soichiro teve uma forte sensação de déjà-vu, enquanto os outros policiais acudiam o homem. Seria possível que...?
- Chefe Yagami! – um dos paramédicos o chamou. – Ele acaba de ter um ataque cardíaco!
- E como ele está?
O paramédico verificou a pulsação de Okuda. Sua expressão ficou ainda mais séria:
- O ataque cardíaco foi fulminante. Ele está morto.
Inevitavelmente, lembrou-se de perseguição a Higuchi. Seria possível que Kira estivesse atacando?
Mas... Como...? Kira estava preso! Light estava preso. Como ele agiria, estando isolado e encerrado numa solitária? Existiria a possibilidade de Kira ser outra pessoa, a não ser seu filho?
- Chefe Yagami? – o paramédico o arrancou de seus pensamentos.
- Sim?
- Já levaremos o morto ao instituto médico legal.
- Certo. Solicite aos legistas que faça a autópsia o mais rápido possível.
- Seria um novo Kira?
- Não podemos descartar nenhuma possibilidade. Todas elas devem ser levadas em conta.
- Entendido.
Enquanto Soichiro observava a remoção do cadáver e toda a movimentação dos demais policiais, seu telefone celular tocou. Imediatamente atendeu:
- Alô? Superintendente Yagami falando!
-Há quanto tempo, Sr. Yagami.
- Ryuuzaki?
- Sim, sou eu.
- Pelo jeito, já sabe o que acabou de acontecer, não é mesmo? Você sempre está alguns passos à frente da polícia.
- Sim, eu já estou sabendo do que aconteceu aí. Mas gostaria que viesse ao mesmo lugar de onde concentrávamos as nossas investigações do Caso Kira. Só por uma questão de prudência.
- Certo.
- Eu reunirei toda a equipe de novo. Já chamei o Matsuda, o Aizawa e o Mogi.
- Então, assim como eu, você não trata como um caso isolado o que aconteceu aqui.
- Não, até porque em outra cidade da região metropolitana de Tóquio outro criminoso foi morto nas mesmas circunstâncias.
- Entendo. Irei até aí o mais rápido possível.
Soichiro se despediu do detetive e desligou o celular, certificando-se de que ninguém o observava. Após a área ser liberada, saiu dali, diretamente ao local combinado. O acesso seguia sendo o mesmo.
Foi o último a chegar, acompanhado por Watari.
- Já estou aqui, Ryuuzaki. E suponho que já estejam todos aqui.
- Sim, Sr. Yagami. – L respondeu. – O grupo já está completo.
- Já podemos começar, não? – Aizawa disse.
- Claro. A razão pela qual chamei vocês aqui é sobre as duas mortes recentes de criminosos. Uma delas testemunhada pelo próprio Sr. Yagami hoje.
- Ah, sobre aquele sequestrador, o Okuda? – Matsuda perguntou.
- Sim, foi o Okuda. – Soichiro disse. – E o outro caso de morte de criminoso? Como foi?
- Foi o caso de um atirador que invadiu uma escola. Matou cinco estudantes e, logo que o crime foi noticiado, ele morreu de forma instantânea. Ele se chamava Gendou Yoshiwara. Quando os policiais entraram no local, ele já estava agonizando devido a um ataque fulminante.
- Diante disso, dá pra se concluir que a causa é um Death Note?
- É meio difícil de se afirmar com exatidão, Aizawa. Mas podemos trabalhar com duas hipóteses sobre isso.
- Que hipóteses, Ryuuzaki?
- Na verdade, as duas hipóteses recaem no fato de existir um novo Kira à solta. A primeira seria esse Kira agindo sob ordens de Light. Ele está isolado, mas não significa que o shinigami não esteja. Porém, acho que essa possibilidade seja pequena, porque geralmente os shinigamis não interferem nas ações dos humanos. A probabilidade de isso acontecer fica abaixo de cinquenta por cento. Já a segunda hipótese tem uma possibilidade bem grande de se ocorrer... Possivelmente esse “novo” Kira age independente de outra pessoa. E isso pode incorrer em outra coisa: Muitos vão contestar a prisão de Light e colocar todo o nosso processo de investigação em xeque, mesmo que o julgamento tenha sido feito com toda a transparência possível.
- Tem certeza de que querem que eu continue como parte da equipe? Posso ser tendencioso.
- Sr. Yagami, acho que está equivocado. Nunca o achei tão tendencioso assim em nenhum momento mais grave. Está sendo menos tendencioso do que a média dos pais de presos.
Um sinal sonoro se fez ouvir no ambiente. Não era um som irritante ou coisa do gênero, mas chamou a atenção de todos os presentes. L prontamente correu até um dos computadores, seguido pelos demais.
Ali eles viram uma cena assustadora. Todos os agentes penitenciários e os policiais que estavam num corredor jaziam estirados no chão. Poças de sangue se formavam próximas às cabeças deles. Outras pessoas corriam, adentrando o local e se deparando com tal cenário de horror. Médicos, enfermeiros e técnicos logo entraram em cena. Por fim, todas as pessoas estiradas no chão foram cobertas com lençóis brancos e levadas embora em macas.
- R-Ryuuzaki... – Matsuda, assombrado, rompeu o silêncio. – O que foi isso...?
- Seja lá o que for, aconteceu enquanto a gente conversava.
- E não dá pra saber o que foi? – Aizawa perguntou.
- Dá, sim. Essas imagens são automaticamente gravadas. Tomei a liberdade de pedir a Wedy que instalasse essas câmeras no corredor da penitenciária onde Light está preso.
- Como é que o Light faria alguma coisa, trancafiado na solitária? – Soichiro se alterou.
L não respondeu. Apenas se limitou a procurar pela imagem a recuperar, enquanto em outro monitor o Canal 6 noticiava:
- Interrompemos a programação para uma notícia de última hora: Acaba de ocorrer, agora a pouco, uma grande chacina na penitenciária de segurança máxima de Tóquio, deixando catorze vítimas fatais. Tudo o que se sabe das mortes é que todas essas vítimas foram mortas com tiros na cabeça. No entanto, a polícia trabalha com a hipótese de suicídio coletivo. E tudo isso ocorre em meio a outro evento... A fuga de Light Yagami, conhecido como “Kira”. O grupo de operações especiais está fazendo uma varredura por toda a área, porém não obteve sucesso até o presente momento. As buscas pelo foragido ainda continuam.
- Seria... Coincidência...? – Matsuda ainda estava impactado com tudo aquilo, bem como os outros policiais.
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