Entre a Razão e o Coração!
12 Capítulo 12 - A dor por te amar!
CAPITULO 12 – A dor por te amar!
A mansão Hyega neste momento se encontrava em um verdadeiro alvoroço. Vasos com flores, mesas, cadeiras; eram carregadas e colocadas em posições estratégicas pelo grande salão. O casamento do líder do Clã Hyega iria acontecer em poucas horas, e mesmo que faltassem apenas pequenos detalhes a serem acertados, os empregados da mansão não conseguiam ficar calmos.
Tudo deveria ser perfeito, foi a única condição imposta por Hyega Dan.
~o~o~o~
Na mansão Kuchiki não era diferente, especificamente no quarto de Rukia, que estava cercada por várias mulheres que deveriam ajuda-la a se preparar para a cerimonia.
Deveriam. Porém...
- Acho que este broche é melhor. — disse uma das mulheres segurando um pequeno broche dourado para os cabelos.
- Não. Eu prefiro este aqui. — retrucou outra – Combina mais com o kimono de Rukia-sama.
- Como deveremos fazer a maquiagem? Chamativa ou delicada? — perguntou outra inocentemente, recebendo um olhar reprovador de suas companheiras.
- Estamos discutindo sobre o penteado de Rukia-sama, e você nos pergunta sobre maquiagem!?
- Bem, é que eu achei...
Rukia realmente estava se sentindo deslocada em meio a toda aquela discussão. Claro, como noiva, deveria decidir cada mínimo detalhe, isso era mais do que racional.
Mas a verdade era: passava tanto tempo usando sua roupa de shinigami, que quando chegava essas situações não sabia o que fazer. As roupas dos nobres eram cheias de mínimos detalhes, etiquetas e frescuras... Principalmente em meio a esta ocasião, que dobrava a sua produção, adicionando mais detalhes em suas vestes, ou seja, coisas que não estava acostumada a lhe dar.
Sendo assim era bem mais produtivo a discussão entre suas “ajudantes”. Pelo menos assim teria chance de chegar a uma decisão aceitavel...
- O que a senhorita acha, Rukia-sama? — elas indagaram em unicismo a olhando atentamente.
Perfeito! Agora sim estava perdida...
- E-Eu... — elas continuavam a olhando esperando uma resposta. Droga!
- Vejo que estão em meio a um pequeno choque de idéias estilísticas, não é verdade?
Aquela doce voz, com um pingo de ironia, chamou a atenção das mulheres que estavam no quarto.
- Emi-sama. — disse uma delas, e todas se curvaram imediatamente ao ver de quem se tratava.
Rukia foi a única que não se moveu. Permaneceu olhando, com uma certa curiosidade, aquela mulher que andava em sua direção. O seu longo kimono da cor marrom, com uma flor de lírio bordada em dourado em suas costas, e com mangas que se estendiam e caiam levemente em suas mãos; deslizava graciosamente pelo piso do chão. Parecia que ela estava flutuando, pode notar isso.
Emi-sama. Aquele nome não lhe era estranho, mas não conseguia se lembrar...
- Seiji me disse que você provavelmente estaria precisando de ajuda para se arrumar... — disse a mulher parando a frente de Rukia e a olhando dos pés a cabeça – Agora vejo que meu marido estava certo.
Espera um minuto... Seiji. Marido. Ela era...
- Emi-sama. — Rukia fez uma reverencia ao ver que estava em frente a esposa de Kuchiki Seji.
- Se recomponha, criança. — disse ela – O atraso é um privilegio que a noiva recebe no dia do casamento, mas não devemos abusar. — sorriu.
- Hai. — assentiu Rukia.
Kuchiki Emi, autentico perfil de uma mulher nobre. Sua postura, suas vestes e até mesmo o seu olhar, lembravam a mais alta nobreza. Seus cabelos da cor castanho mel, presos por um coque muito parecido com os de uma gueixa; combinavam perfeitamente com os seus olhos verde esmeralda.
Apesar de não estar mais no brilho da juventude, aquela mulher madura ainda chamava a atenção por onde passava. Dava jus ao nome que recebeu, Emi – abençoada com a beleza.
Ela com certeza sabia como uma mulher nobre e fina deveria se portar, e como uma noiva deveria se arrumar; Rukia pode comprovar isso ao ver seu reflexo no espelho após alguns minutos.
- A senhorita está linda, Rukia-sama! — exclamou uma das mulheres.
Rukia usava um kimono longo branco, com detalhes florais prata e azul, que vinham desde o busto até um pouco acima de seu joelho. Uma faixa prateada com um grande laço marcava sua cintura, enquanto os cabelos estavam semi presos por um broche de perolas, deixando apenas aquela mecha rebelde que insistia em ficar em seu rosto. Jóias em prata com pérolas adornava ainda mais seu visual, enquanto no rosto uma leve maquiagem dava o toque final.
Agora sim! Estava apropriada e pronta para o dia que iria mudar a sua vida...
- Realmente você está uma noiva muito bonita, criança. — Emi sorriu – O menino Hyega tem muita sorte por recebe-la como esposa.
...Hyega Dan...
Sem perceber, acabou tomando uma expressão melancólica em seu rosto. Sem perceber. Não era a sua intensão. Não queria estar assim. Queria transparecer felicidade, confiança... sorrir e mostrar que estava satisfeita, que tinha certeza do que estava fazendo.
Sorria...
Sorria.
Sorria!
Droga! Iria se casar! Não deveria ser tão difícil assim mostrar um pingo de felicidade...
- Não fique assim, criança.
Rukia fitou Emi confusa. Ela percebeu...?
- Escute, criança, você só estará casada após dizer “sim” perante todos... — deu uma leve mexida na mecha de cabelo de Rukia – Antes disso, você pode fazer o que quiser. — sorriu cúmplice.
- O que?
- Toda noiva precisa de alguns minutos para refletir antes do casamento. — começou a andar em direção a porta – Lhe aguardarei na sala de recepção. — ao dizer isso, uma das mulheres que a seguia fechou a porta.
Rukia ainda continuou olhando em direção a porta confusa. O que ela estava falando? Nunca tinha tido um contato direto com Emi, e mesmo assim ela falava coisas que... Como assim refletir?
Olhou mais uma vez para seu reflexo no espelho. Em que mais poderia pensar? Já havia tomado a sua decisão. Em poucas horas iria ser Hyega Rukia, esposa de Hyega Dan. Esse era o correto a se fazer. O que o seu Clã esperava, e o que já tinha se convencido. Não era uma inútil, um estorvo...
Deu uma breve olhada em sua volta. Logo aquele não seria mais o seu quarto. Em pouco tempo não iria mais morar naquela mansão. Não iria mais... vê-lo. Por mais que não o visse com tanta freqüência, o simples fato de sentir a pressão espiritual já bastava. Teria que se acostumar a viver sem a “sombra” dele...
Os olhos começaram a ficar úmidos. Chorar? Por que chorar?
Tratou de limpar as lágrimas com as costas das mãos. Não deveria ficar assim. Se antes era ele que a estava a evitando, agora era ela que não queria vê-lo. Iria evita-lo. Tudo seria mais fácil se estivesse longe, pelo menos assim ele iria se livrar da promessa que fez a sua irmã. Ela não seria mais problema dele.
A distancia irá facilitar as coisas. Sempre iria sentir admiração, respeito... amor? A ultima opção era sua meta principal. Deveria apaga-la de qualquer jeito, não importa o que aconteça.
- Rukia.
Estremeceu ao ouvir aquela voz gélida e cortante.
Virou rapidamente para traz para poder fitar o seu dono.
- Nii-sama...
Estava tão perdida em seus pensamentos, que não pode percebe-lo entrando. Afinal, o que ele estava fazendo ali?
- Nii-sama, o que faz aqu... Digo, o senhor não deveria estar aqui. — se reprovou tomando um tom mais ríspido — Ira se atrasar para a cerimonia.
Byakuya por um momento não disse nada, apenas olhou, com um certo fascínio, a mulher que estava a sua frente. O que ele estava fazendo ali? Nem ele mesmo sabia. Mas manter a postura poderia ser uma ótima saída. Poderia dizer: “Estava lhe aguardando.”, mas o melhor era:
- Acho que não há motivo de pressa, já que serei eu que a levarei para o altar.
Ela desviou o olhar. Ainda estava tão ferida...? Não sabia como explicar o que estava sentindo ao olha-lo. As palavras que vieram como facas até o seu coração, voltavam a sua mente tornando a sangrar.
O problema que ele tanto se preocupava, não iria mais ficar calado diante de suas decisões.
- Nii-sama, me desculpe, mas eu não quero que o senhor me leve. — o olhou novamente – Espero que não seja indelicadeza de minha parte, mas será que Seiji-sama me levaria ao altar?
- Não entendo porque...
- Por favor, Nii-sama. — ela o interrompeu – Me desculpe, mas é o que eu quero.
Ela o olhava firmemente, enquanto ele sem saber como agir, apenas retribuía o gesto.
Tentava parecer digna. Procurava mostrar a Rukia forte e decidida. Não iria desrespeita-lo, mas também não poderia somente ignorar o que estava sentindo. Provavelmente ele não diria nada diante disto. O jeito frio e incorruptível iria continuar. Nunca o havia visto se abalar com nada, e achava praticamente impossível acontecer agora e...
- Me perdoe.
Ela ficou surpresa.
Será que tinha escutado direito?
- Eu...- ele continuou, mas exitou por um momento.
Kuchiki Byakuya não estava acostumado a mostrar seus emoções. Isso mesmo, emoções. Havia se lembrado que tinha um.
Estupido Seiji!
- Eu... — ele tentou novamente – Sempre magoou você... mesmo que essa nunca tinha sido minha intenção, eu simplesmente faço. Por isso, me perdoe.
Ela o continuou olhando sem dizer uma palavra.
Poderia ser aquilo uma mostra de fraqueza em seu gélido coração? Por que havia escutado direito, ele pediu perdão a ela, algo que só havia feito uma vez e por achar que estava abeira da morte. Mas agora a situação era diferente, não tinha nada que ele pudesse perder ali... ou tinha?
- Eu não quero. — ele se viu incapaz de segurar suas palavras diante do silêncio dela. — Eu não quero que você se case com Hyega Dan.
- O que? — as palavras escaparam de sua boca.
- Vamos. — ele deu as costas a ela — Você não deve se atrasar. — após dizer isso saiu.
Ela continuou com a expressão confusa e atordoada, olhando para onde ele não estava mais.
O que foi isso? Não estava mais entendo nada...
~o~o~o~
- Não chore, Inoue-san. — dizia Ishida tocando os ombros dela. — A cerimonia ainda nem começou.
- K-Kuchiki-san vai c-casar... — falava em meios aos soluços – Que l-lindo!
- Isso é patético! — resmungou Ichigo cruzando os braços – E está demorando muito.
- Noivas sempre se atrasam. — comentou Renji.
- Serio? — Ichigo não pode perder a oportunidade – Que descoberta, Renji. Você tem um cérebro.
- Seu idiota!
- Então vocês vieram! — aquela voz alegre chamou a atenção de todos.
- Hyega Taichou?
- Não precisa disso, Abarai. Eu não estou em meu esquadrão agora, lembra? — ele sorriu voltando a atenção para o garoto de cabelos alaranjados ao seu lado – E você, Kurosaki? Não vai querer estragar o meu casamento... ou vai?
- Hunf! Claro que não! — virou a cara emburrado – A Rukia faz o que ela quiser da vida dela.
- Fico feliz que já esteja convencido disso. — deu de ombros – Fiquem a vontade e espero que aproveitem a festa. Comida de graça, vocês tem que aproveitar! — riu.
Dan começou a andar, mas ainda pode ouvir os resmungos de Ichigo e Renji. Decerta forma, adorava provoca-los, afinal, eram amigos de sua futura esposa e provavelmente iria conviver com a presença deles pelo resto de sua vida, já que os três eram tão amigos.
Não conseguia nem acreditar. Minha nossa! Hoje era o seu casamento!
Na verdade, hoje não era para ser tal dia. Planejava fazer uma festa de noivado antes, um mero capricho seu e também gostaria de dar um tempo a mais para Rukia, pois sentia que ela não estava... preparada. Mas ao ver ela indo até sua casa e dizer que queria se casar com ele o quanto antes, não pode deixar de mostrar sua surpresa.
Claro, ficou confuso com tal atitude. Ainda tentou argumentar, mas ela disse que estava preparada e que esse era o melhor. Ele, por outro lado, não via isso, mas resolveu aceitar a decisão dela.
O fato era, já fazia um tempo que desejava adiantar esse casamento. Antes achava que por ser um casamento arranjando — mesmo que tenha sido ele a dar a proposta — poderia ser algo entediante, ou que a relação com sua noiva seria apenas “oca”, sem transparecer nada.
Mas Rukia mudou esse conceito. Ela era diferente. Era uma mulher com personalidade que ainda não sabia como explicar em palavras. Rukia o conquistou. A prova disso era que não conseguia passar um dia sem visita-la na mansão Kuchiki ou no 13º esquadrão.
Ela se tornou...
- Hyega-sama. Sua noiva chegou.
~o~o~o~
- Meu sobrinho, pensei que iria ter casamento sem a noiva. — saudou Seiji com o largo sorriso.
- Sua esposa. — retrucou Byakuya simplesmente.
- Só poderia ser Emi. — comentou com uma certa ironia — Eu digo para ela ajudar a noiva e essa mulher só faz atrasar ainda mais as coisas.
- Mesmo assim, eu aprecio a gentileza de sua esposa. Creio que Rukia estava tendo problemas para se arrumar apropriadamente para a ocasião.
- Claro, claro. Foi essa a intensão.
Ficaram em silencio por alguns segundos, até que Byakuya se viu na ocasião de dizer:
- Seiji-sama, o senhor poderia levar Rukia até o altar?
- O que? Mas porque isso? Pensei que você como irmão dela e líder do Clã Kuchiki pudesse-
- Este foi o pedido de Rukia. — ele o interrompeu passando por ele em curtos passos – Ficaria muito agradecido se o aceitasse.
Seiji pode perceber uma certo tremor na voz de seu sobrinho. Byakuya não estava bem. O conhecia perfeitamente para notar isso.
- Claro. Ficaria honrado. — respondeu.
O Kuchiki apenas assentiu com a cabeça e continuou a andar em direção ao templo da mansão Hyega.
“Eu lhe avisei, Byakuya.”
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- Esta perfeita, criança. — Emi estava dando um últimos toques no cabelo de Rukia enquanto falava – Preparada para o dia que vai mudar sua vida?
Ela abriu a boca para responder, mas as palavras não queriam sair de forma alguma. Por isso, apenas assentiu com um leve gesto.
Seiji que estava a sua frente, estendeu sua mão e ela aceitou.
- Me sinto honrado em leva-la até o altar, Rukia-chan.
- Eu é que fico, Seiji-sama. — ela respondeu dando um leve sorriso, mas que não foi tão convincente assim para o tio de Byakuya.
- Você está bem?
- Estou... — sussurrou ela – Será que poderíamos entrar agora?
- Como quiser.
-
A porta do templo se abriu, e nela surgiu Rukia acompanhada de Kuchiki Seiji. Todos os olhares se voltaram para ela. A caçula dos Kuchiki realmente estava muito bonita.
O olhos prateados de Dan faiscaram como diamantes recentemente polidos ao vê-la, um brilho sem igual.
- A Kuchiki-san está linda! — Inoue estava emocionada.
- Eu ainda não acredito no que estou vendo. — confessou Ichigo diante de tal cena.
- Eu também. — Renji assentiu – Nunca pensei que a Rukai fosse se casar.
- Espero que não façam nada agora. — advertiu Ishida levantando os óculos.
- Não. Não dessa vez. — Ichigo passou a mão pelos cabelos em meio a um suspiro – Depois de tudo que fizemos, nem o Byakuya conseguiu convence-la ao contrario. Não podemos fazer nada agora.
Rukia começou a andar em curtos passos até onde seu noivo a aguardava, enquanto o som de um violino acompanhava os seus passos.
- A Kuchiki está muito bonita, não é Byakuya? — indagou Ukitake sorrindo.
Byakuya nada respondeu. Apenas seguia com o olhar a garota que caminhava a poucos metros de si.
Ele havia sido patético, não é? Aquelas poucas palavras que disse antes não adiantaram em nada. Mas o que ele esperava que acontecesse? Pensava que pedindo desculpa ela iria desistir do casamento? Como? Aquilo não era o bastante perante tudo o que ele tinha feito.
Agora lá estava ele. Olhando-a ir para o altar com outro homem, sem poder fazer nada. Nunca pensou estar nessa situação, ainda mais por causa dela.
- Vou lhe dizer a mesma coisa que disse a sua irmã antes de chegarmos... — ele fitou a mulher que estava ao seu lado – Ela só estará casada após dizer “sim” perante todos no altar. — concluiu Emi.
- O que quer dizer? — indagou franzindo o cenho.
- Eu não estou dizendo nada, apenas obvio. — respondeu inocentemente – E eu quero que saiba, menino Byakuya: eu e meu marido somos muito sinceros um com o outro.
Byakuya a continuou olhando indagativo. Poderia muito bem continuar o questionamento, mas resolveu não faze-lo a ver Rukia chegar ao altar.
-
Rukia sentia como se a cada passo que dava em direção ao altar, era um passo para longe dele. E ao ver Dan a tomando pelas mãos, parecia que era quase a consumação de seu afastamento.
- Rukia. — o sorriso dele se estendeu ao dizer o nome dela.
Ela tentou retribuir do mesmo jeito, mas o sorriso não foi igual. Ele, em meio a sua satisfação, não pode perceber.
A cerimônia começou com o discurso do ancião da família Kuchiki, responsável em fazer todos os casamentos envolvendo o Clã, e Hyega não se importou com isso. Para ele tudo estava perfeito.
Apesar da cerimônia já ter se iniciado, a mente da noiva não estava ali.
Como? Como!? — se questionava debilmente.
- Hyega Dan, você aceita Kuchiki Rukia como sua esposa?
- Eu aceito. — respondeu sem exitar.
Rukia despertou de seus pensamentos ao ouvir a resposta. Já havia chegado o momento? Tão rápido!
- Kuchiki Rukia, você aceita Hyega Dan como seu esposo?
Mas uma vez todos os olhares se voltaram para ela. A respiração ficou presa em sua garganta diante disto.
Vamos. Diga!
- Eu...
“Eu não quero que você se case com Hyega Dan.”
Cerrou os lábios após tais palavras invadirem os seus pensamentos.
“Eu sempre magoou você... mesmo que essa nunca tinha sido minha intenção, eu simplesmente faço. Por isso, me perdoe.”
Como ele conseguiu? Porque somente com essa pouca manifestação de emoções, ele conseguira abalar todo o seu preparo? Porque não conseguia esquecer aqueles olhos acizentados e frios?
- Rukia? — Dan se viu na obrigação de falar ao vê-la tão “distante”.
Todos tinham o mesmo anseio que ele.
- O que está acontecendo? — Ukitake não pode guardar a sua curiosidade.
Byakuya continuava olhando firmemente o casal a poucos metros. Poderia...?
- Eu... — Rukia abriu a boca novamente, desta vez com a intenção de dizer o que já havia decidido. Com a intenção de consumar o certo. — Eu aceit... Não.
- O quê? — Dan ficou espantado.
- O quê!? — a mesma pergunta soou em meio aos convidados.
Seiji e Emi compartilharam um sorriso cúmplice.
- Dan. — Rukia se pronunciou ao ver a expressão no rosto dele – Eu... Eu preciso de um tempo para pensar. Somente alguns segundos.
- Como assim? O que esta acontece-
- Eu já volto. — sem pensar duas vezes, Rukia estendeu a barra do kimono branco e foi em passos largos em direção a porta, na verdade correndo; não ligando para os olhares incrédulos e confusos que a acompanhavam.
- Rukia! — Hyega tentou acompanha-la, mas foi impedido pelas mãos de Seiji que tocaram o seu ombro, meneando com a cabeça um sinal negativo.
- Deixe-a. Ela disse que iria voltar.
-
- Minha nossa! Agora a Rukia ficou louca! — Renji exclamou colocando as mãos na cabeça, representando o seu espanto.
- Kuchiki-san? — foi a única coisa que escapou da boca de Inoue.
- O que esta acontecendo? — Chad e Ishida disseram em unicismo.
- Eu vou falar com ela. — se pronunciou Ichigo com o seu olhar confiante. Viu que aquele era o momento de Rukia receber ajuda, receber uma solução. Dessa vez ele iria ajuda-la.
- Eu vou com você. — o ruivo tatuado começou a segui-lo. Não iria deixa-la também.
- Eu também vou. — Ukitake surgiu de repente mostrando o mesmo desejo dos dois, que o olhavam curiosos. De onde ele havia saído?
- Isso não será necessário.
Ao ouvir tais palavras, fitaram o dono daquela voz.
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Sem conhecer a direção em que os seus passos a levavam, surpreendentemente Rukia acabou chegando no jardim da mansão Hyega.
Droga. Droga! Se sentia irritada consigo mesma.
Em vez de dar um passo a frente em sua vida, mostrar o quão era digna de estar no Clã Kuchiki e provar que não era um simples problema; acabou fazendo algo que só iria confirmar o que já pensavam.
...Com tudo isso, já começava a se convencer. Será que ela não era mesmo um problema? Sera que ela só causava vergonha para o seu Clã? Porque tudo o que parecia ser normal e certo, ela acabava transformando em algo errado. Se sentia surpresa por ter esse “dom” tão desagradável.
Mas não receberia a culpa sozinha desta vez. Era culpa dele também. Extremamente dele. Ele. Ele!
Tornou a cabeça para traz ao sentir a presença do causador de tudo aquilo.
- A culpa é sua, Nii-sama. — disse sem conter as palavras. — Toda sua!
Byakuya não disse nada ao vê-la tão irritada.
Sim, ela estava irritada. Com ele. Com ela.
- Porque você fez isso? Poque não deixou eu seguir com a minha decisão? — cerrou os punhos, enquanto a testa franzida mostrava sua indignação. — Porque você não deixou eu fazer o que era certo? Assim eu não seria mais um problema para o senhor!
Mas uma vez ele não disse nada.
- Porque fez isso, Nii-sama!? — ela se viu gritando perante o silêncio dele. Havia perdido todo o respeito e a compostura que deveria ter em frente a ele.
Estava abalada. Suas emoções estavam abaladas e confusas. O coração já estava pequenininho. A própria respiração a sufocava. Respirar havia se tornado difícil e sufocante.
Estava ferida. Ferida por dentro.
- Por que? — comprimiu os lábios com força – Porque dói tanto te amar? — confessou sem ter mas controle de seus atos.
Em relação a eles, tudo era errado. Tudo era complicado.
O amor andava ao lado da dor.
Ele a matava aos poucos. Ele a deixava viva.
- Rukia...
- Por favor, não diga nada. Eu sou uma tola por achar que-
Rukia estava preparada pra tudo. Esperava que ele a retrucasse. Que a colocasse em seu devido lugar por tal ousadia, por trata-lo sem respeito algum. Esperava até que ele a expulsasse do Clã Kuchiki... Só não esperava aquilo.
Repentinamente Byakuya a beijou. Um beijo diferente do que compartilharam antes. Um beijo com mais paixão, intensidade e...?
Não. Tudo estava errado!
Tentou afasta-lo com sua mãos, mas elas a traíram o puxando para mais perto. Retribui o beijo, apesar de não estar acostumada com o ritmo. As mãos dele apertavam firmemente sua cintura, como num ato de não querer mais solta-la.
Era apenas um beijo, no entanto significava mais. Significava alegria, gratidão, remorso, abandono... Mesclava vários sentimentos confusos.
Por não saber expressar suas emoções, um gesto valia mais do que simples palavras.
Ele era assim, e ela sabia disso!
Porém, aquele beijo foi interrompido pelo ar que começou a faltar de seus pulmões. Instintivamente afastaram os lábios, mas não o olhar ou os corpos.
- Me desculpe. — ele sussurrou fazendo com que a respiração levemente tocasse as bochechas rosadas dela.
- Não. — sussurrou, afogando o rosto nos ombros dele cerrando os olhos– Não precisa se desculpar.
Ficaram abraçados. Palavras não eram necessárias para expressar a loucura de seus corações. O som de suas respirações e do vento movimentando suas roupas já bastava para aquele momento.
Agora era definitivo. O coração havia vencido!
- Acho que agora... — Rukia cortou o silêncio se afastando um pouco para olha-lo no rosto, por mais que tivesse dificuldade, graças a sua estatura – Eu terei muito o que explicar aos meus convidados.
- Um Kuchiki não precisa dar explicações a ninguém. — disse ele em um tom sério, mas o que a fez sorrir.
Mas Byakuya pode notar nos estantes seguintes, o sorriso de Rukia se desfazendo aos poucos, tomando uma expressão de panico.
Inicialmente não compreendeu, mas logo pode notar a presença e causa de tal espanto.
- Dan!?
Continua...
Notas finais
Fiz algumas pesquisas sobre os casamentos japoneses, mas não achei quase nada. Só algumas pequenas informações, como: as noivas trocam de roupa quatro vezes durante a cerimonia (Me surpreendi! O.O)
Mas já que eu não sei como é a cerimonia por completo, resolvi colocar desse jeito. Espero que tenha ficado bom! 8/
Sobre a Emi, a esposa de Seiji - Fiquei pensando em um momento para ela aparecer, e achei que esse era o melhor: ela ajudando a Rukia, pois acho que baixinha precisa de alguma ajuda em relação a isso, e a Emi sabe tudo! ;D
Enfim... Reviews, por favor? Ficaria muito feliz! *-*
Agradeço a todos que leram! ^^
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