Entre a Razão e o Coração
9 Capítulo 8
Notas iniciais
A porta da sala de convivência foi aberta. E por ela entrou quem o grupo menos esperava.
_ Oi pessoal! – ela disse sorridente.
Nem ao menos parecia que havia ficado afastada do trabalho por duas semanas. Podia se dizer que ela estava radiante, feliz.
_ Sara! – exclamou a equipe em uníssono.
Cada um da equipe abraçou a amiga que retornava.
_ Que bom te ver aqui Sarinha – disse Greg.
_ É bom ver você também Greg – ela não estava mentindo.
Nick aproximou-se dela.
_ Juro que pensei que o Ecklie ia te despedir, Sara.
_ Eu também Nick. Eu também... – ela respondeu.
Realmente chegou a pensar que não trabalharia mais ali. Que o chefe do Departamento iria despedir-lhe depois da insubordinação. Mas como um milagre isso não aconteceu. Embora suspeitasse de que esse milagre tinha nome e sobrenome: Gilbert Grissom. Mas ele nunca confirmaria. Não era do feitio dele. Resolveu seguir em frente. Não queria lembrar daquele momento.
_ Bom pelo menos você teve duas semanas de folga. Forçadas... mas não deixou de ser folga – disse Warrick sorrindo – Já a gente teve que trabalhar dobrado enquanto você não estava aqui.
_ Essas foram as duas semanas mais longas da minha vida. Achei que não ia acabar nunca. Já estava sentindo falta disso aqui e de vocês, é claro!
Ela olhou ao redor. Grissom ainda não havia chegado. Ela estava com saudades não o havia visto na noite anterior, nem na outra. O jeito era esperá-lo.
A única que ainda não havia falado com ela era Catherine. Provavelmente ainda estava magoada com ela, por ela ter passado dos limites com a perita mais velha. Aproximou-se de Catherine. Ainda não sabia como falar com ela.
_ Cath...
_ Sim – ela respondeu friamente.
_ Eu queria... sabe... – ela realmente não sabia como pedir desculpas – ai droga! Para mim é difícil pedir desculpas...
_ Espera um pouco. Deixa eu ver se entendi. Você está me pedindo desculpas? Sara Sidle pedindo desculpas?
_ É, é isso – ela respondeu envergonhada – você me desculpa, por ter passado dos limites com você?
_ É sério isso? – Catherine ria do embaraço de Sara.
Sara fuzilou-a com o olhar.
_ Vai me desculpar ou não?
_ Essa é a Sara que eu conheço. Tudo bem desculpas aceitas – ela gaguejou – Bem... eu também tenho... tenho... que você sabe...
_ Eu sei o que?
_ Você sabe... o que você me pediu ainda há pouco... – Catherine também não conseguia pedir desculpas.
_ Você está me pedindo desculpas também?
Catherine suspirou.
_ Si, estou. Você me desculpa também? Também fui um pouco arrogante e passei dos limites com você.
_ Desculpas aceitas!
Elas se abraçaram como um sinal de acordo de paz.
Resolvido o mal entendido entre as duas mulheres, elas começaram a conversar animadamente. Grissom ainda não havia chegado.
_ Alguém sabe onde está o Grissom? Ele ainda não chegou – comentou Greg.
_ Quem disse isso? – respondeu uma voz na porta.
Eles se voltaram e deram de cara com Grissom.
_ Já cheguei, não fiquem preocupados crianças... – ele respondeu de bom humor. Será que o amor fazia isso? Talvez...
Ele ainda não havia percebido a presença dela. Mas devia ter percebido. O perfume dela estava lá, impregnado na sala. Julgou que era o seu subconsciente pregando-lhe uma peça, por sentir saudades da perita. Fazia dois dias que não a via. Levantou o olhar e deparou-se com ela. Ela lhe lançava um sorriso maravilhoso. Se conteve para não retribuir na frente dos outros. Apenas disse:
_ Seja bem vinda de volta Sara – ele disse tentando disfarçar – Bem vamos aos casos...
E distribuiu os casos da noite. Ele fez par com Sara. Fora de propósito. Precisava falar com ela. E o que melhor do que se ela formasse par com ele? Assim ninguém descobriria.
Já dentro do carro ele disse:
_ Você está linda!
Ela corou.
_ Obrigada!
_ Sara... a respeito de ontem ...
_ Gil você não me deve explicações. Você tem a sua vida e eu tenho a minha.
_ Mas eu sou o seu namorado...
_ É meu namorado, não meu marido.
_ Sara, isso me leva a te fazer um pedido...
Ela permaneceu calada.
_ Venha morar comigo!
_ Não – ela respondeu.
_ Não!?
_ Não Grissom. Não quero que a rotina de um relacionamento acabe com o que estamos começando a construir... Cada um de nós tem suas manias. Se fôssemos morar juntos talvez nos sufocaríamos e o que estamos começando agora não resista. Eu não quero isso.
_ Mas Sara... Me ouça...
_ Não! É minha última palavra.
Ela tinha medo. Como explicar para ele que tinha receio. Nunca uma pessoa demonstrara cuidado ou carinho por ela. Essa era uma experiência totalmente nova para ela. E isso a assustava.
Fizeram o restante do trajeto calados. Cada um perdido em seu pensamento.
Ótimo Grande maneira de começar a noite e matar a saudade do homem que você ama. Ao qual você não vê há dois dias. Parabéns Sara Sidle! Você conseguiu um feito memorável! Vocês tiveram a primeira discussão! Ela pensou.
-o-
Eles ainda permaneciam brigados. Mal se falavam. Realmente a discussão ganhou grandes proporções. Estavam todos envolvidos em um mesmo caso. Uma mulher fora assassinada em sua própria casa. Ela estava caída na escada. Os paramédicos haviam feito tudo o que podiam para salvar-lhe a vida mas nada adiantou.
Grissom e Sara estavam analisando os quartos. Era difícil para os dois permanecerem no mesmo ambiente depois do desentendimento. Ela analisava um e ele o outro. Ele caminhou em direção ao quarto onde ela estava. Precisava falar com ela. O caso era mais importante que a briga deles.
_ Hey.. – ela disse quando o viu entrar pelo quarto – o marido dormiu no outro quarto. Os óculos de leitura dele estão na mesa de cabeceira e há roupa no armário.
Isso ele sabia. Também tinha visto. Mas era tão bom ouvir a voz dela...
_ Isso é estranho... um homem e uma mulher que não dormem no mesmo quarto, tomam providências para estarem sozinhos numa noite, mandam a filha para a casa de um parente, vão jantar fora, bebem uns shots na piscina, mas dormem em quartos separados...
Ela podia sentir a mágoa na voz dele. Tentou achar uma explicação.
_ Talvez... um deles ressonasse, ou tivesse insônia, ou gostasse de trabalhar a noite.
_ Ou talvez estavam sufocando um ao outro e ele não conseguia respirar.
As palavras de Grissom a atingiram como uma facada. Agora ela tinha certeza. Ele estava magoado com ela. Estava muito magoado. Não foram essas as suas palavras para negar o pedido dele para que morassem juntos? Bem feito para mim! Pensou.
Recuperou-se do choque e voltou sua atenção para a mesa de cabeceira do quarto, Abriu a gaveta. E lá encontrou um objeto que lhe chamou atenção. Mostrou para ele.
_ Lubrificante Sexual. Está meio vazio... pegajoso. Sabe, as pessoas não precisam dormir na mesma cama para fazerem sexo ou existir paixão...
Nada mais foi dito. Continuaram a análise da casa sem mais trocar uma palavra. Mas de uma coisa estavam certos. Precisavam conversar. Não poderiam ficar nessa situação por muito tempo. Eram dois adultos e não duas crianças. Decidiram cada um consigo que conversariam um com o outro. Se acertariam ou terminariam tudo de vez.
Notas finais
Aguardando os reviews lindos de vcs!!
Bjos!!
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