Entre a Razão e o Coração
6 Capítulo 5
Notas iniciais
Sara baixou o olhar, não tinha mais coragem de olhar Grissom nos olhos.
_ Eu preciso saber Grissom, eu realmente preciso saber o que você sente por mim. Preciso saber se tenho alguma chance, ou se devo fazer o que minha mente está me mandando fazer.
Grissom arqueou a sobrancelha, tinha medo da resposta que ela daria a sua pergunta.
_ O que sua mente está mandando você fazer?
_ Deixar Las Vegas, voltar para São Francisco e tentar construir minha vida com uma pessoa que realmente se importe comigo...
Aquelas palavras feriram o coração de Grissom. Sua Sara indo embora? Longe dele? Não isso não podia acontecer. Tinha que fazer algo, ou seria tarde demais.
_ Sara, eu te amo, como nunca amei alguém em minha vida.
_ Se você me ama, por que não podemos tentar? O que há de errado no relacionamento entre dois adultos?
_ No relacionamento entre dois adultos não tem problema algum. No entanto, quando essas duas pessoas trabalham juntas, e um é o superior da outra, aí temos um grande problema. É violação do regimento interno do laboratório.
Ela deu de ombros.
_ Normas foram feitas para serem quebradas.
_ Além do mais, olha a minha idade Sara, eu não sou mais nenhum jovem. Você me contou um segredo, agora vou contar um para você. Lembra aquele caso da enfermeira morta no banheiro da casa dela?
_ Aquela que se parecia comigo? Como eu poderia esquecer?
_ Naquele dia, eu pensei que se eu estivesse envolvido com você, e te perdesse de qualquer forma, por morte ou abandonado por você, eu não agüentaria, não suportaria...
_ Tenho outra coisa para te contar. Nesse dia eu ouvi o que você falou para o assassino da enfermeira. Você disse que não teve coragem para arriscar tudo por alguém mais jovem...
Grissom estava surpreso, não esperava que ela tivesse escutado aquele desabafo na sala de interrogatórios.
_ Esse alguém era eu Grissom?
Ele apenas assentiu afirmativamente.
_ Vamos tentar, Gil! Não temos nada a perder...
Grissom tomou as mãos de Sara sob as suas. Era tão bom sentir a pele dela junto da dele...
_ Eu não quero te magoar, Sara.
Sara soltou uma risada, um sorriso alegre, Grissom estava confuso, como ela podia rir em um momento daqueles?
_ Do que você está rindo?
_ Parece que estamos em um jogo de cabo de guerra. Um mostrando os prós de uma possível relação e o outro mostrando o contra.
Grissom deixou-se contagiar pela simplicidade daquele comentário, começou a rir também.
_ Uma verdadeira batalha entre a razão e o coração.
_ Vamos deixar rolar. Se não der certo, saberemos superar, somos adultos.
O desejo que sentiam um pelo outro era visível, palpável. Faíscas invisíveis pipocavam pelo quarto. Grissom não pode mais resistir, tomou os lábios de Sara sob os seus. Uma onda crescente o invadia. Aprofundou o beijo, explorando cada centímetro daquela boca macia. Com as mãos acariciava a pele alva de Sara, queria provar cada pedaço. Há muito que esperava por isso. Começou a despi-la lentamente, deixando trilhas de beijos por onde passava. Ela também começou a retirar-lhe a roupa, explorando cada centímetro do seu corpo, agora em chamas.
_ Você não tem idéia do quanto sonhei com este momento – dizia Grissom entre suspiros.
_ Acho que posso fazer uma idéia. – dizia Sara em resposta.
Voltou a beijá-la, dessa vez com mais ímpeto. Havia uma urgência em ambos, queriam recuperar o tempo perdido. Não havia mais empecilhos, as roupas estavam jogadas ao chão. Uma fome, uma necessidade os avassalava, já não suportavam mais esperar.
_ Sara, eu não agüento mais... eu preciso de você... – dizia Grissom entre gemidos.
_ Eu também Gil... não suporto mais... também preciso de você.
Era tudo o que ele precisava ouvir. Abriu as pernas delgadas de Sara, colocou-se no meio dela, e com uma investida rápida e precisa penetrou-a. Sara arqueou o quadril para poder senti-lo melhor. Grissom acelerou os movimentos, calando os gemidos de Sara com um beijo. Logo atingiria o orgasmo, acelerou um pouco mais, deixando-se levar pela melhor das sensações que já tivera ter Sara em seus braços, perdendo-se em um mar de emoções. Não deixaria que ela fosse embora, estava disposto a lutar para que o que começava agora desse certo. Explodiram em gozo, Grissom derramou-se em Sara.
Grissom esperou que a respiração voltasse ao normal, precisava fazer uma pergunta muito importante.
_ Você vai mesmo embora? Vai deixar Vegas? Você vai me deixar?
Sara olhou-lhe nos olhos, aqueles mesmos olhos azuis que lhe perseguiam há tantos anos.
_ Não! Não posso ir. Meu coração está aqui. – disse beijando-lhe a boca.
Grissom interrompeu o beijo, havia ainda mais uma coisa que ela precisava saber. Manteve seu olhar fixo nos dela, para que dessa forma ela pudesse perceber a sinceridade de suas palavras.
_ Sabe, Shakespeare disse certa vez que nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com freqüência, poderíamos ganhar por simples medo de arriscar. Eu quase perdi você. Se você não tivesse insistido, se não tivesse lutado, provavelmente nós não estaríamos aqui.
_ Você ainda tem dúvida a respeito do nosso relacionamento? – perguntou Sara curiosa.
_ Não mais. Tenho somente certezas. Certeza de que te amo e de que fui muito tolo em não obedecer ao meu coração antes.
Os lábios de ambos voltaram a unir-se, como se houvesse um ímã que os atraísse. Voltaram a amar-se dessa vez sem pressa, travavam uma batalha erótica, na qual não havia vencedores ou vencidos, somente dois amantes deixando-se levar pela melodia do prazer: explorando, conhecendo, provando, mordiscando, provocando um ao outro. Tombaram na cama exaustos, suados, saciados. A respiração estava acelerada, mas nada importava para o casal, a não ser a satisfação que desfrutavam agora.
Estavam deitados. Sara estava sob o braço esquerdo de Grissom, ele logo atrás brincava com o braço de Sara, fazendo uma suave carícia.
_ Hum... Nós temos um pequeno problema.
_ Qual? – perguntou Sara de olhos fechados, sentindo a leveza da mão de Grissom em seu braço.
_ Nosso relacionamento tem que ficar em sigilo. Ninguém, absolutamente ninguém deve saber, nem mesmo o pessoal do laboratório. Acha que consegue?
_ Vai ser difícil para mim, mas vou tentar. E você consegue?
_ Sou bom para manter segredos. Você sabe disso muito bem – ele riu – Quanto ao nosso pequeno segredo...
Sara não deixou que Grissom completasse a frase.
_Nós não queremos que o Ecklie descubra, não é?
_ É exatamente isso. É por isso que eu te amo. Você é muito inteligente.
_ É só por isso? – perguntou fingindo-se indignada.
_ Por isso e por outras coisas...
_ Então me prova!
_ Os seus desejos são uma ordem!
E recomeçaram a exploração dos corpos que já conheciam. A noite foi longa para o casal, mas nada mais importava para eles, estavam felizes um nos braços do outro.
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