Negociações tensas.

Soichiro Yagami nunca imaginou que tão cedo teria que participar de uma negociação de um sequestro. Estava lá por exigência do criminoso, que mantinha uma jovem como refém. O superintendente de polícia fazia parte da equipe de apoio que investigava o paradeiro do criminoso e sua vítima. Graças a um dos comparsas, que fora apanhado antes, conseguiram encontrá-los próximo a Shibuya. Os policiais souberam, através do sujeito, que a jovem era mantida refém havia cerca de uma semana, e que era submetida a sessões de tortura e estupro.

E, quando os policiais “estouraram” o cativeiro, o marginal conseguira fugir com a jovem e invadir uma residência nas proximidades. Os moradores da casa foram liberados imediatamente. Dentro da casa, permaneceram apenas os dois. O sequestrador – Hiro Okuda – cumpria pena por estupro, cometido contra a agora refém. E havia exigido um policial veterano para conduzir as negociações, bem como um veículo, dinheiro e armas para assegurar sua fuga.

Soichiro, apesar de tudo, estava conseguindo conduzir bem as negociações, porém surgia um impasse a respeito do valor do resgate. E, nisso, Okuda já dava sinais de cansaço físico e mental. Foi quando resolveu se entregar.

- Okuda – Soichiro falou através do megafone. – Liberte a refém primeiro e permita que ela traga a arma. Depois, venha com as mãos na cabeça. Eu lhe asseguro que a sua integridade física será mantida.

O sequestrador, por fim, cedeu vencido pelo cansaço. Libertou a refém, que chegou até eles com a arma. A jovem logo foi acolhida pelos familiares e por alguns policiais que davam apoio à operação.

- Muito bom. – Soichiro disse. – Vejo que é um homem de palavra. Agora ponha as mãos na cabeça e venha.

Hiro Okuda se deslocou como fora instruído por Yagami. Porém, a alguns passos dos policiais, ele logo pôs a mão no peito e fez expressão de muita dor.

Logo, Soichiro teve uma forte sensação de déjà-vu, enquanto os outros policiais acudiam o homem. Seria possível que...?

- Chefe Yagami! – um dos paramédicos o chamou. – Ele acaba de ter um ataque cardíaco!

- E como ele está?

O paramédico verificou a pulsação de Okuda. Sua expressão ficou ainda mais séria:

- O ataque cardíaco foi fulminante. Ele está morto.

Inevitavelmente, lembrou-se de perseguição a Higuchi. Seria possível que Kira estivesse atacando?

Mas... Como...? Kira estava preso! Light estava preso. Como ele agiria, estando isolado e encerrado numa solitária? Existiria a possibilidade de Kira ser outra pessoa, a não ser seu filho?

- Chefe Yagami? – o paramédico o arrancou de seus pensamentos.

- Sim?

- Já levaremos o morto ao instituto médico legal.

- Certo. Solicite aos legistas que faça a autópsia o mais rápido possível.

- Seria um novo Kira?

- Não podemos descartar nenhuma possibilidade. Todas elas devem ser levadas em conta.

- Entendido.

Enquanto Soichiro observava a remoção do cadáver e toda a movimentação dos demais policiais, seu telefone celular tocou. Imediatamente atendeu:

- Alô? Superintendente Yagami falando!

-Há quanto tempo, Sr. Yagami.

- Ryuuzaki?

- Sim, sou eu.

- Pelo jeito, já sabe o que acabou de acontecer, não é mesmo? Você sempre está alguns passos à frente da polícia.

- Sim, eu já estou sabendo do que aconteceu aí. Mas gostaria que viesse ao mesmo lugar de onde concentrávamos as nossas investigações do Caso Kira. Só por uma questão de prudência.

- Certo.

- Eu reunirei toda a equipe de novo. Já chamei o Matsuda, o Aizawa e o Mogi.

- Então, assim como eu, você não trata como um caso isolado o que aconteceu aqui.

- Não, até porque em outra cidade da região metropolitana de Tóquio outro criminoso foi morto nas mesmas circunstâncias.

- Entendo. Irei até aí o mais rápido possível.

Soichiro se despediu do detetive e desligou o celular, certificando-se de que ninguém o observava. Após a área ser liberada, saiu dali, diretamente ao local combinado. O acesso seguia sendo o mesmo.

Foi o último a chegar, acompanhado por Watari.

- Já estou aqui, Ryuuzaki. E suponho que já estejam todos aqui.

- Sim, Sr. Yagami. – L respondeu. – O grupo já está completo.

- Já podemos começar, não? – Aizawa disse.

- Claro. A razão pela qual chamei vocês aqui é sobre as duas mortes recentes de criminosos. Uma delas testemunhada pelo próprio Sr. Yagami hoje.

- Ah, sobre aquele sequestrador, o Okuda? – Matsuda perguntou.

- Sim, foi o Okuda. – Soichiro disse. – E o outro caso de morte de criminoso? Como foi?

- Foi o caso de um atirador que invadiu uma escola. Matou cinco estudantes e, logo que o crime foi noticiado, ele morreu de forma instantânea. Ele se chamava Gendou Yoshiwara. Quando os policiais entraram no local, ele já estava agonizando devido a um ataque fulminante.

- Diante disso, dá pra se concluir que a causa é um Death Note?

- É meio difícil de se afirmar com exatidão, Aizawa. Mas podemos trabalhar com duas hipóteses sobre isso.

- Que hipóteses, Ryuuzaki?

- Na verdade, as duas hipóteses recaem no fato de existir um novo Kira à solta. A primeira seria esse Kira agindo sob ordens de Light. Ele está isolado, mas não significa que o shinigami não esteja. Porém, acho que essa possibilidade seja pequena, porque geralmente os shinigamis não interferem nas ações dos humanos. A probabilidade de isso acontecer fica abaixo de cinquenta por cento. Já a segunda hipótese tem uma possibilidade bem grande de se ocorrer... Possivelmente esse “novo” Kira age independente de outra pessoa. E isso pode incorrer em outra coisa: Muitos vão contestar a prisão de Light e colocar todo o nosso processo de investigação em xeque, mesmo que o julgamento tenha sido feito com toda a transparência possível.

- Tem certeza de que querem que eu continue como parte da equipe? Posso ser tendencioso.

- Sr. Yagami, acho que está equivocado. Nunca o achei tão tendencioso assim em nenhum momento mais grave. Está sendo menos tendencioso do que a média dos pais de presos.

Um sinal sonoro se fez ouvir no ambiente. Não era um som irritante ou coisa do gênero, mas chamou a atenção de todos os presentes. L prontamente correu até um dos computadores, seguido pelos demais.

Ali eles viram uma cena assustadora. Todos os agentes penitenciários e os policiais que estavam num corredor jaziam estirados no chão. Poças de sangue se formavam próximas às cabeças deles. Outras pessoas corriam, adentrando o local e se deparando com tal cenário de horror. Médicos, enfermeiros e técnicos logo entraram em cena. Por fim, todas as pessoas estiradas no chão foram cobertas com lençóis brancos e levadas embora em macas.

- R-Ryuuzaki... – Matsuda, assombrado, rompeu o silêncio. – O que foi isso...?

- Seja lá o que for, aconteceu enquanto a gente conversava.

- E não dá pra saber o que foi? – Aizawa perguntou.

- Dá, sim. Essas imagens são automaticamente gravadas. Tomei a liberdade de pedir a Wedy que instalasse essas câmeras no corredor da penitenciária onde Light está preso.

- Como é que o Light faria alguma coisa, trancafiado na solitária? – Soichiro se alterou.

L não respondeu. Apenas se limitou a procurar pela imagem a recuperar, enquanto em outro monitor o Canal 6 noticiava:

- Interrompemos a programação para uma notícia de última hora: Acaba de ocorrer, agora a pouco, uma grande chacina na penitenciária de segurança máxima de Tóquio, deixando catorze vítimas fatais. Tudo o que se sabe das mortes é que todas essas vítimas foram mortas com tiros na cabeça. No entanto, a polícia trabalha com a hipótese de suicídio coletivo. E tudo isso ocorre em meio a outro evento... A fuga de Light Yagami, conhecido como “Kira”. O grupo de operações especiais está fazendo uma varredura por toda a área, porém não obteve sucesso até o presente momento. As buscas pelo foragido ainda continuam.

- Seria... Coincidência...? – Matsuda ainda estava impactado com tudo aquilo, bem como os outros policiais.

Notas finais
Continua...