Notas iniciais
agora sim a guerra chegou ao fim e os arranjos para a paz começaram, eu ainda não tenho certeza mas esse deve ser o penultimo capitulo!!
O nível de destruição que afligia a cidade do deserto era catastrófico, a cidade inteira estava em ruínas e nada sobrou em pé, apenas os abrigos resistiram e a metade da população sobreviveu e agora os feridos eram curados e os que ainda estavam presos nos escombros eram resgatados, os corpos reunidos nas ruas apenas traziam comoção, tristeza e dor.

- Malditos monstros! – gritou uma senhora no meio da rua – levaram meu filho de mim!!

- Mamãe cadê você?? – perguntava uma pequena criança perdida nas ruas.

Por todo lado era isso que se via, pessoas agonizando, entes queridos mortos e dor e revolta nos olhares daqueles que ficaram, quando a guarda da cidade anunciou que a princesa se pronunciaria muitos imaginaram que uma retaliação seria organizada, todos desejavam vingança pelo que aconteceu, e assim ao meio dia que era a hora sagrada desse reino o pátio de frente para a pirâmide foi ocupado por todos os sobreviventes, a princesa que apareceu no portão principal escoltada por sua guarda observou aquilo com uma enorme tristeza e sabia que seria difícil anunciar para todos a verdade encoberta pelo tempo e a atual decisão que o conselho tomou.

- Venho até vocês como sua nova líder nessa hora de pesar após a guerra que destruiu nosso reino – começou ela tentando buscar as palavras certas – hoje sofremos com nossas perdas, mas o lamento tem que chegar ao fim e devemos nos re-erguer para um novo dia.

Euforia geral da parte do povo, todos clamando vingança, todos desejando marchar reino adentro e encontrar o inimigo para uma nova batalha mesmo ao custo das vidas que afortunadamente escaparam da batalha anterior, o ódio parecia inflamar o ar e Menefer sentia isso.

- Sei o quanto é doloroso para vocês, eu mesma sofri muito com tudo que perdi, mas agora não é hora de vingança, não é hora de jogar suas vidas foras em uma batalha sem sentido criada pelo meu pai, meu pai traiu a todos nós e foi a sua inconseqüência que trouxe esse desastre para nós e nosso próprio ódio por aqueles que são diferentes de nós nos levou a esse fim, agora é a hora de mudar!

Como ninguém parecia entender do que a princesa estava falando ela começou a contar toda a verdade revelada durante a noite, a verdade por trás da traição de Muhat assassinando o faraó anterior e acusando Tenebra desse crime, todo o plano por trás de sua ascensão ao trono por gloria pessoal, toda a verdade que levou a guerra contra Houran e a decisão de Azgher sobre isso.

- Não podemos aceitar isso! – gritou um soldado mais exaltado – eles são nossos inimigos, eles nos atacaram impiedosamente e destruíram nosso reino e mataram nossas famílias!!

- E por acaso não fomos nós a fazer isso com eles primeiro? – gritou Menefer revoltada com tal egoísmo – não fomos nós os primeiros a marcharem pelo reino deles destruindo seus lares, matando suas famílias e condenando os sobreviventes a uma vida de miséria ou a escravidão? Por acaso temos algum direito de exigir alguma vingança quando fomos nós os primeiros a atacar??

- Nós só fizemos aquilo que nossos ancestrais fazem a milênios! – reclamou um clérigo de Azgher – destruímos o inimigo do grande Azgher que protege nosso reino e nos abençoa diariamente, eles é que são os monstros!!!

- Se você diz que seguiam a vontade de Azgher então agora não será diferente – disse o sumo-sacerdote se manifestando – a vontade de Azgher é que essa guerra seja esquecida e recomecemos uma nova vida, o passado deve ficar para trás e uma nova pagina da historia deve ser virada!

A aparição do servo mais importante de Azgher fez todos se calarem e se ajoelharem, ninguém era mais importante e poderoso que ele, durante a guerra foi a sua presença que deu uma nova esperança a essa gente e permitiu que o massacre fosse evitado.

- Nosso grande deus Azgher lamenta que tal destruição tenha se abatido sobre seu povo amado – continuou ele – mas essa guerra tem que chegar ao fim e ele concordou em aceitar a ajuda da nova rainha de Houran.

- Vamos nos submeter a aqueles que tiraram tudo de nós? – disse um homem indignado – como espera que nós possamos conviver ao lado daqueles que mataram nossas famílias??

- Eles também estão dispostos a nos ajudar a reconstruir nosso lar em uma nova terra – argumentou ele – se continuarmos aqui mesmo reconstruindo nosso reino ele estará fardado a decadência em alguns anos.

Enquanto as maiores autoridades tentavam explicar tudo ao povo e convence-los de que o rumo atual era o melhor pra eles Isawa continuava dentro da pirâmide na sala de reuniões, ela estava cabisbaixa como se estivesse triste, da janela Fou observava a movimentação do que sobrou da cidade.

- Parece que não vai ser fácil – disse ele caminhando até ela.

- Não vai ser fácil também por lá – comentou ela – afinal vamos acolher aqueles que destruíram nosso reino.

Fou sentou-se ao lado dela colocando a mão sobre seu ombro, Isawa segurou a mão dele confortada pela presença e pelo apoio.

- Você fez o que tinha que fazer – disse ele – não arrependa-se nunca ou do contrario aqueles que foram sacrificados não descansarão em paz.

- Eu sei que tive que fazer tudo isso, mas depois que a poeira baixou e eu vejo essa gente sofrendo me sinto o pior dos monstros.

- O pior dos monstros não teria oferecido a generosidade que você mostrou – disse Fou – eu mesmo jamais teria perdoado as pessoas que me tirassem aquilo que eu amasse, eu teria matado até o ultimo sobrevivente e ainda gargalharia sobre isso.

- Me lembre de te levar pra uma terapeuta – brincou Isawa que ao ver a cara de confuso dele começou a sorrir.

Enquanto os dois conversavam Naziah apareceu na sala trazendo uma bandeja com frutas, Menefer mandara servir Isawa acreditando que ela já não comia nada a um dia.

- Eu espero que estejam do seu agrado – disse ela – não sei bem o que você come ou o que gosta.

- Eu gosto de tudo o que uma pessoa normal gosta – respondeu ela – exceto pizza, cachorro quente ou empanado de caranguejo, acho que uma pessoa normal não come essas coisas mas eu gosto assim mesmo.

Enquanto ela e Fou se serviam das frutas Naziah a observava, nem pareci aquela guerreira que a pouco tempo atrás estava devastando a cidade e destruindo tudo o que seus ancestrais construíram, mas ai ele pensou em como deve ter sido em Daí-Lung quando o exercito do sol faz a mesma coisa, certamente lá foi muito pior, Naziah não conseguia se decidir se a odiava ou se sentia pena dela.

- Você parece querer me dizer alguma coisa – disse Isawa notando a forma como era observada.

- Eu quero saber se realmente podemos confiar em você – disse ele direto – não sou ingênuo o bastante para acreditar que tudo que fazemos é certo, mas também não consigo acreditar nas suas boas intenções depois do que fez aqui.

- Fique livre pra acreditar em mim ou não – disse ela como se não importasse – eu fiz esse acordo por que essa era a melhor saída para todos os nossos problemas, mas se vocês não aceitarem e tudo voltar a ser como era antes não hesitarei em fazer tudo de novo!

- Você não precisa se preocupar com isso Isawa – disse Menefer se juntando a eles – eu acredito nas suas palavras e intenções, na verdade eu jamais deveria ter duvidado de você.

- Você não tinha motivos para acreditar em mim Akiko-chan – disse ela – mas fico feliz que agora nossas diferenças foram resolvidas.

- Eu já falei com nosso povo, apesar de tudo no final vamos acabar aceitando o tratado, o que você vai fazer agora?

- Quando anoitecer eu voltarei pra Daí-lung – explicou ela – também tenho que botar a casa em ordem.

Menefer olhava pra Isawa com o mesmo olhar que Naziah dirigia a ela, por fim a jovem princesa sentou-se ao lado da velha amiga, os outros dois percebendo a intenção da princesa deixaram as duas a sós pra conversarem melhor, assim que ficaram sozinhas Menefer começou a falar com ela.

- Minha mãe morreu lutando contra o seu pai – começou ela – e sua mãe morreu pelas mãos do meu pai.

- É uma sina bem ruim não é?

- Eu tentei te matar e você tentou me matar também, no final aqui estamos nós conversando como se fossemos amigas novamente.

- E por que acha que não somos mais amigas? – perguntou Isawa encarando-a.

- Por que eu não sei como você poderia me perdoar por tudo isso – disse Menefer derramando lagrimas fartas.

Isawa sorriu e se levantou cortando a distancia que a separava de Menefer e a abraçou com força, apoiando sua cabeça no ombro da amiga Menefer relaxou como se finalmente tivesse tirando um peso enorme das costas.

- Eu acho que no final das contas quem mais sofreu foi você não é? Afinal é você quem vai ter que pagar pelos erros do seu pai.

- Erros que também são meus – disse ela pesarosa – fiquei cega pelo que acreditava e não dei valor ao que meu coração me dizia, eu sabia que estava seguindo um caminho errado e mesmo assim não fui capaz de sair dele.

Menefer mostrou o que tinha surgido em suas costas depois que o pacto foi firmado, uma serpente enrodilhada com suas presas vertendo veneno, esse era o símbolo sagrado de Sszaas e significava que ela agora pertencia a ele.

- Não sei quando e como ele virá cobrar o preço que meu pai pagou pelo poder que conseguiu – ela dizia olhando no grande espelho – mas eu juro que vou fazer o melhor possível pelo meu povo antes que esse dia chegue!

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- Então eu poderei vê-la de novo? – perguntou Kyara empolgada.

- Tão breve eu consiga fazer o maldito Azgher engolir todas as suas palavras e obriga-lo a aceitar obedientemente o acordo proposto por Khalmyr – respondeu Tenebra vitoriosa.

Kyara sorriu imaginando a filha re-erguendo o seu amado reino, enquanto sonhava com isso o seu marido Zariesk aparecia bem revoltado.

- Quando vai terminar esse traje? – perguntou ele tentando-se ajustar a roupa inacabada.

- Tenha calma querido, temos que estar apresentáveis pra coroação da nossa menina! – disse ela ajeitando o traje.

- Por que acha que eu quero ver isso? – perguntou ele tentando parecer indiferente.

- Por que você está doido pra se gabar dela pro seu amigo Shinmon.

Zariesk teve que conter o sorriso que se formou nos lábios, estava muito a fim de esfregar na cara de Shinmon o quanto sua filha era poderosa.

- A propósito lady Tenebra, quando vai ser o grande momento?

- Khalmyr está preparando o local da reunião, quando estiver pronto eu e Azgher vamos ter uma conversinha como não tínhamos a cerca de 800.000 de anos.

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E assim um mês se passou e a reconstrução de Daí-Lung seguia firme e rápida, com uma legião de mortos trabalhando dia e noite sem parar metade da cidade já havia sido re-erguida, no vale que liga o reino com o deserto uma cidade também estava sendo construída num ritmo um pouco mais lento o povo do deserto finalmente se mudara e agora construíam um novo lar, apesar de odiarem seus vizinhos eles aprenderam a aceitar a ajuda deles para que tudo terminasse logo.

O evento mais importante foi a coroação de Isawa como nova imperatriz de Houran, uma coroação onde não só seus pais estavam presentes como a própria deusa das trevas que abençôo a cerimônia, Menefer e Naziah também compareceram em troca de ter Isawa como madrinha do futuro casamento que viria no inicio do verão do ano que vem, a festa de coroação durou uma noite inteira e após isso quando o palácio finalmente estava totalmente restaurado Isawa iniciou o processo de restaurar a ordem do reino inteiro.

- Eu pensei que nunca mais veria isso – disse o regente Asako ao avistar um esqueleto alado pousando sobre o terraço do palácio.

Asako era o regente do reino de Yogo, uma das varias cidades que compõem o reino de Houran, esse regente era um dos que permaneceram leais a Kyara e a política dela e foram uma dos poucos reinos que não tomaram partido na batalha contra as forças de Tenebra em daí-Lung, Asako quando soube do retorno de Isawa ao poder comemorou animadamente o que ele acreditava ser a restauração do reino e agora ele recebia uma mensagem dela através do mensageiro oportuno.

- O que diz a mensagem? – perguntou um dos conselheiros.

- “Em nome da rainha Isawa sua presença é solicitada em Daí-Lung nos próximos 10 dias” – começou ele lendo – “uma reunião é solicitada com todos aqueles leais ao império, os que não comparecerem serão considerados traidores”.

- Essa nova rainha é bem direta não é? – brincou o conselheiro.

- Ela quer deixar claro que vai fazer mudanças – respondeu Asako – e ela quer a ajuda de todos aqueles que prezam por esse reino.

- E qual será sua resposta?

- Prepare a carruagem, partirei imediatamente para Daí-Lung – disse ele mais direto possível.

Em Daí-Lung Isawa percorria seu novo lar admirada em como tudo foi restaurado tão rápido, os anões ajudaram a restaurar a estrutura básica e os magos contratados restauraram a parte interior com magias especificas, então em apenas um mês o castelo de Daí-lung estava com toda a sua gloria restaurada.

- Esse lugar ficou muito mais bonito depois da reforma – brincou Karin sentada no colo de Isawa na sala do trono.

- Pois é, gostou do seu quarto? – perguntou Isawa abraçando-a – você disse que queria ficar perto de mim então escolhi o quarto que seria meu a muito tempo.

- Eu gostei do quarto mas você e o Fou ficaram fazendo barulho o dia todo no seu quarto – disse ela – não consegui dormir nada!

- Bem, então devo ficar grata por não estar lá quando meus pais iam “dormir” – brincou Isawa sabendo que Karin não entenderia qual era a graça.

Enquanto Karin exigia uma explicação para a piada de Isawa Daneth e Turok entraram na sala do trono, pareciam bem animados com tudo o que estava acontecendo nos últimos dias.

- Todos os convites já foram enviados como pediu – disse Daneth fazendo reverencia pra ela – deseja mais alguma coisa minha imperatriz?

- Corta essa Daneth, vocês não precisam ficar com essas frescuras palacianas comigo – exigiu ela – antes de qualquer coisa vocês sãos meus companheiros, minha segunda família!

- Família ou não ainda há coisas que devem ser seguidas a risca – avisou Daneth – você tem que ostentar seu titulo e sua nobreza para que os outros reinos que não pensam como você a levem a sério, tem que mostrar que uma imperatriz de verdade governa esse reino.

- Eu agradeço seu conselho Daneth, eu prefiro não ter que me tornar uma pessoa diferente pra governar esse reino, mas já que as regras são assim vou mostrar a eles que posso seguir suas regras.

- E eu gostaria de lhe informar que estamos pronto pra cumprir a outra parte do pacto – informou Turok respeitosamente – já reuni o exercito que irá desapropriar as terras do norte para que as crias de Megalokk se apossem delas.

Como parte do pacto firmado com Dislik as terras próximas as cordilheiras sangrentas pertenceriam aos monstros, três cidades ficavam dentro desse território, felizmente para Isawa essas cidades era habitadas por invasores do seu reino e ela estava se livrando desses incômodos ao mesmo tempo que cumpria sua parte no pacto, se eles não saíssem por bem acabariam servindo de comida e escravos para os monstros.

- Eu também não esqueci do seu povo Turok-san – disse ela – eu devolverei a eles as terras que lhe são de direito.

- Nada me deixaria mais feliz minha imperatriz – disse ele visivelmente emocionado.

- Parece que o Turok vai chorar! – brincou Karin infantilmente – e ele também arranjou uma namorada não é?

O licantropo tigre ficou quase vermelho ao ouvir isso e tratou de disfarçar sua vergonha, para ele um soldado não deveria ficar mostrando suas emoções na frente dos superiores.

- Bem, já que vamos ter um evento assim tão importante precisamos arranjar mais empregados pra manter esse lugar em ordem – disse Isawa – como minha mãe fazia pra arranjar gente?

- A rainha Kyara escravizava os criminosos do reino e aqueles que atentavam contra o reino – respondeu Turok – mas geralmente as famílias de Daí-Lung ofereciam seus parentes mortos como força de trabalho pra pagarem alguma divida ou apenas por consideração.

O olhar de Isawa deixou bem claro que ela não gostou nem um pouco disso, ela sabia que sua mãe tinha um jeito peculiar de resolver problemas e que esse jeito especial lhe rendeu uma fama enfadonha fora de Houran, talvez ela tivesse que agir igual a sua mãe mas não significava que ela tinha que gostar disso.

- Definitivamente tenho que fazer reformas nas leis desse reino – disse ela séria.

- Você subiu ao trono a apenas um mês – disse Daneth – geralmente levam-se anos pra re-estruturar um reino inteiro depois de quase 2 décadas de ausência de um governante legitimo.

- Esse povo já esperou demais para isso – disse Isawa pensativa.

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Enquanto isso no vale Trakod que ligava o continente com o deserto uma grande cidade era erguida aos poucos, era o povo do deserto que agora migrava para o vale seguindo o acordo estabelecido entre Isawa e Menefer, apesar de não ter o mesmo tamanho ou glamour da antiga cidade esta era uma obra impressionante, as pessoas trabalhavam freneticamente erguendo seus próprios lares, as outras construções ficaria pra depois mas a primeira construção erguida foi a sede do governo, em respeito a soberania de Houran não haveria uma grande pirâmide que representava o poder de Azgher sobre a terra, e também não haveria o enorme cristal que iluminava a cidade a noite, como parte do tratado entre Azgher e Tenebra a noite não deveria ser maculada com a luz do sol artificial e em troca esse reino estaria livre de qualquer ameaça dos seres da noite, de fato nem mesmo o frio implacável da noite ameaçava a cidade.

- O novo carregamento de mantimentos e materiais já chegou minha princesa – avisou um soldado se curvando diante de Menefer.

- Ela agora é nossa rainha – avisou Naziah – tenha isso em mente.

- Eu sinto muito capitão – disse ele envergonhado – demora a mudar os velhos hábitos.

- Eu não ligo para detalhes tão insignificantes – disse ela – mas vamos olhar essa entrega agora mesmo.

Menefer com suas asas vôo direto para onde estavam as entregas enviadas por Houran, ao chegar lá ficou impressionada com as enormes bestas semelhantes a dinossauros quadrúpedes que trazias as grandes caixas nas costas, eram ao todo 6 bestas trazendo toneladas de coisas necessárias, uma pequena escolta formada por homens lagartos acompanhavam a entrega e na frente dela Fou liderava a comitiva.

- Mande meus agradecimentos a Isawa por mim – disse Menefer após encontrar Fou.

- Diga você mesma quando for a reunião que teremos daqui a 10 dias – avisou ele – ela está convocando todos os regentes e lideres de aldeias para uma reunião para determinar as novas leis e medidas que ela vai tomar a partir de agora.

- Ela está mesmo empenhada em governar não é?

- Kyara governou Dai-Lung por quase 80 anos, quero ver que tipo de reino a filha vai construir a partir de agora.

- Você por acaso não acredita nela como governante? – perguntou ela.

- Isawa é uma garota ainda, uma garota de outro mundo que não está acostumada a nosso modo de vida – respondeu ele – ela sente saudades de casa e se revolta facilmente com o modo como as coisas fluem aqui.

- E mesmo assim você continua do lado dela, você realmente gosta dela – afirmou Menefer sorrindo.

- A mesma pergunta se aplica a você – disse ele – está pronta pra governar?

- Não tenha duvidas que farei o meu melhor – respondeu ela – mas você pergunta isso por precaução política ou por que quer que eu e Isawa continuemos nos dando bem?

Fou foi embora sem nada responder, mas Menefer sabia que ele tinha sangue de dragão e por isso como qualquer dragão ele não mostrava seus sentimentos facilmente, depois de agradecer mais uma vez a ajuda enviada Menefer voltou a cuidar da construção do novo lar.

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Os 10 dias passaram rapidamente e o dia da reunião chegou, Isawa que não estava acostumada a agir como uma líder política constantemente tomava aulas com Daneth, sendo ele filho de nobres tinha muita pratica nesse assunto, assim que anoiteceu ela já estava pronta para receber os regentes que aceitaram sua convocação, colocou um vestido adequado, sua coroa imperial e seu manto negro, assim que se sentiu pronta adentrou o salão de reuniões e lá encontrou os 20 regentes que compareceram, era cerca de dois terços de todos os lideres oficiais que regiam as grandes cidades de Houran, presentes também estavam um clérigo de Khalmyr que atuaria como juiz das decisões, um clérigo de Tenebra como representante da mesma e Menefer representando seu povo e também o seu deus Azgher.

- Eu passei dias tentando imaginar um jeito correto de conversar com vocês – começou ela – mas sou uma forasteira nesse mundo e ainda não entendo muitas coisas, portanto tentarei ser o mais simples possível.

Alguns dos presentes riram, outros permaneceram sérios esperando alguma coisa da nova imperatriz que valesse a pena tanta expectativa, alguns poucos notaram com tão poucas palavras que estavam diante de uma pessoa incrível.

- Como todos vocês sabem a pouco mais de 17 anos atrás uma grande batalha devastou Dai-Lung e desestabilizou todo o reino de Houran – começou ela – minha mãe rainha naquela época sacrificou-se para garantir que eu sobrevivesse em um outro mundo para retornar algum dia.

- Essa é a historia que todos conhecemos – comentou um dos regentes – mas creio que não nos convocou de forma tão persuasiva apenas para contar a historia da sua vida não é?

- Eu vou direto ao assunto, eu não sei governar um reino, talvez nunca aprenda – disse ela de forma direta – sei que preciso de ajuda e por isso chamei vocês aqui, por que preciso de pessoas que tenham experiência ao meu lado.

Murmúrios dominaram o salão quando Isawa revelou sua insegurança quanto a governar, era verdade que ninguém queria um líder que não soubesse liderar, mas também era bom saber que sua líder era prudente o bastante pra não se deixar dominar pela arrogância e prepotência.

- Eu ainda irei definir todas as leis que serão validas no nosso reino, mas eu quero que saibam desde já que minha intenção é construir um reino para o povo e não para os nobre, poderosos e ricos – revelou ela – uma das coisas que não admitirei no nosso reino será a exploração do povo para ganho pessoal, seja um regente, um nobre ou comerciante ou algum clérigo ousado.

De fato era algo que muitos já tentaram mas nunca conseguiram, vários governantes tem esse tipo de desejo mas banir a corrupção e a ganância era algo impossível, ainda mais num mundo onde deuses malignos cuidam pra que as coisas continuem como estão ou até piorem.

- Vocês sãos os regentes que mais se importam com o povo que governam, por isso eu pedi que comparecessem – continuou ela – eu gostaria que vocês fossem meus conselheiros, aqueles que vão compor a nova corte de Dai-Lung e me ajudar a governar o reino.

O pedido da nova rainha pegou todos de surpresa, não era comum esse tipo de escolha, normalmente quando o governante achava necessário ter conselheiros ele reunia os mais influentes e poderosos da região visando mais poder do que a ordem.

- Minha imperatriz, se não for muita arrogância de minha parte eu gostaria de ajudá-la a tornar o vosso reino um lugar para todos nós – disse Asako se curvando diante dela eu gostaria de retribuir com meus serviços a confiança que a rainha Kyara depositou em mim a vários anos atrás.

- A maioria de vocês são os regentes que recusaram a aliança contra a restauração do governo legitimo não é? – questionou o clérigo de Khalmyr – de fato são os mais confiáveis para o cargo.

Quando Isawa acenou positivamente concordando em aceitar todos que se oferecerem Menefer se levantou, ela parecia preocupada com algo.

- Me perdoe a interrupção rainha Isawa – começou ela – mas esse convite se estende a mim também?

- Se estende não só a você como a qualquer um que preze pelo reino – respondeu ela – mas suspeito que você não deseja aceitar não é?

- Infelizmente meu povo e minha cidade ainda estão numa fase delicada – esclareceu ela – portanto eu tenho que me dedicar exclusivamente a eles.

- Eu compreendo, mais alguém aqui tem algo que os impeça de formar esse conselho? – perguntou ela olhando diretamente pra todos.

Ninguém se pronunciou, então Isawa determinou que cada um voltasse para suas respectivas cidades e escolhessem um substituto a altura para o cargo de regentes pois desse dia em diante eles entregariam o conselho de Dai-Lung, a reunião ainda durou mais duas horas onde Isawa determinou quais seriam as leis mais importantes que teriam valor dentro de todo o território de Houran, uma dessas leis foi a determinação de que todos eram livres pra adorar a qualquer divindade que desejassem não sendo discriminados ou perseguidos por isso mas que cada um seria responsável por seus próprios crimes cometidos em nome dessas divindades, outra lei importante era que nenhum deus deveria interferir no futuro dessa nação e nem usar seus servos dessa nação para se voltarem contra outros servos ficando assim impossível que uma nova guerra santa se iniciasse nesse reino, outras leis foram apresentadas sendo a maioria leis que funcionavam bem na terra e que Isawa acreditava que funcionariam bem em Houran.

Ao final da reunião quando todos os regentes partiram Menefer foi a única a ficar, assim que ficaram a sós elas finalmente puderam relaxar e agir como velhas amigas.

- Sabe, fiquei impressionada como você se portou nessa reunião – elogiou ela – parecia mesmo uma nobre, está agindo como uma rainha digna!

- Passei o mês inteiro aprendendo com o Daneth e na cerimônia de posse peguei umas dicas com minha mãe – respondeu ela enquanto saboreava uma fatia de bolo – mas eu odeio essa politicagem!!

- Trate de se acostumar – avisou a outra – dois terço de sua vida ativa serão só reuniões e trabalho, se você não tiver fibra e determinação não vai durar muito tempo.

- Eu vou me esforçar ao maximo para agüentar tudo isso, por mim, pela minha família e pelo meu povo – disse ela – além disso em pretendo aproveitar bem o ultimo terço restante da minha vida.

Menefer notou um certo olhar em Isawa que ela nunca tinha notado antes e ficou feliz com isso.

- Isso tem alguma coisa a ver com o vermelhinho que está com você? – perguntou a outra rindo.

- Sabe que por baixo daquela carranca mal humorada ele é um rapaz bem legal? – respondeu a outra – nunca pensei que sentiria por ele o que sinto, ainda mais levando em conta que ele era um dos piores criminosos da região!

- Você sempre teve gosto pra rapazes problemáticos – comentou Menefer – você só tinha olhos pros “bad boys” da escola.

- Bem, não troco isso pelos rapazes caretas e certinhos, alias seu noivo é a sua cara! – brincou ela.

- Mas não se engane, Naziah é tudo de bom – respondeu ela suspirando.

- Principalmente na cama, no sofá, na varanda a noite... – disse a pequena fada que chegava.

Com a chegada de Dalap Menefer engasgou com o bolo que mastigava, a fada flamejante vôo até sua mestra e pegou um pequeno pedaço de bolo pra comer, Isawa ficou gargalhando disso.

- Quantas vezes eu já falei pra você não ficar comentando sobre minhas intimidades por ai? – gritou a princesa furiosa.

- Intimidade? Você e ele não fazem muita questão de deixar isso intimo – provocou a fada.

Menefer tentou esmagar Dalap que saiu voando e rindo, Isawa se divertia com a cena da sua amiga perseguindo uma bola de fogo.

- Eu também sofro com meu “assessor” – reclamou Isawa – Vulthar me tira do sério sempre que está por perto!

- E onde está aquela cobra encrenqueira? Fica até estranho quando ele não está aqui soltando seu veneno.

- Vulthar e Turok saíram pra organizar os soldados por todo o reino – explicou ela séria – eu quero recuperar cada pedaço e terra que já pertenceu a esse reino, seja com diplomacia ou com violência!

- Disputas de fronteira é uma coisa séria Isawa, você vai batalhar muito para ter essas terras de volta e vai continuar lutando sempre para manter suas fronteiras livres de invasores e usurpadores.

- Foi por isso que nos formamos aquele exercito especial – disse Isawa – nosso povo está disposto a lutar para recuperar tudo o que lhes foi tirado, e Khalmyr está do nosso lado.

- Eu lamento informar mas está na hora de voltar pra casa – avisou Dalap – nosso povo ainda não está acostumado a ficar no escuro e ficam mais nervosos ainda quando a rainha não está.

- Quem diria que tantos iam desenvolver medo do escuro... – reclamou Menefer se levantando – eu voltarei outro dia pra pormos a conversa em dia.

- Ou quem sabe eu te visite em breve – disse Isawa se levantando e a acompanhando até a saída – mas isso só depois que eu tirar umas férias, a política me cansa!

- Férias? Me em quê você está pensando?

- Acho que vou visitar a terra! – respondeu Isawa empolgada – trazer meus avós pra cá e mostrar aos outros como é o meu mundo, tenho certeza que vai ser inesquecível!

Antes de Menefer partir Isawa lhe deu um abraço apertado como duas amigas que eram, após se despedirem Menefer subiu em seu dragão Oreades e partiu de volta para seu reino em construção, certa de que o futuro desse reino estava em boas mãos e que jamais se arrependeria ou lamentaria por tudo que passou pra chegar até ali.

Continua.

Notas finais
o que acharam desse cap? talvez eu faça um especial contando o que aconteceu nesse intervalo de um mês.