Entre a Luz e a Escuridão

32 Capítulo 27 - O Senhor da Luz


Notas iniciais
a medida que a fic se aproxima do fim (será???) as batalhas ficam mais intensas, um inimigo poderoso se envolve no campo de baatlha, e isawa terá que mostrar todo o seu poder ao lutar com menefer que tambem dará tudo de si.

Era raro um evento no reino dos mortais que chamasse a atenção direta de uma divindade, e quando mais de um deus prestava atenção em algo que acontecia era por que se tratava de um evento sem precedentes que podia mudar toda a historia a partir dali, mas o que significava quando quase todo o panteão está de olho na guerra que consome o deserto?

- Apreciando o espetáculo? – perguntou Tenebra se materializando ao lado de Sszzas numa duna próxima.

- De vez em quando é divertido ver os mortais em seus conflitos – respondeu o deus serpente sem tirar os olhos do que acontecia.

- Principalmente quando é um conflito que você começou não é? – ela sentou-se ao lado do outro deus.

- Acho que você se confundiu querida Tenebra, foi você que começou essa guerra, a mais ou menos 100 milhões de anos atrás.

- Não tente se fazer de santo que essa aparência não lhe cai bem – disse ela sorrindo – eu sei muito bem o que desencadeou a batalha de 17 anos atrás e também sei quem deu o primeiro passo, pude sentir o cheiro do seu veneno mesmo lá de casa!

O deus da corrupção sibilava um riso cínico que era quase inaudível, um riso cheio de malicia e maldade que poderia despertar desejos sórdidos em um mortal que o ouvisse.

- Se você sabe quem realmente começou isso por que não contou a ela? – perguntou Sszaas diante da afirmativa dela.

- Minha querida Isawa vai descobrir sozinha, se é que ela já não sabe – respondeu a outra – além disso esse detalhe é irrelevante pro resultado que chegamos hoje.

As duas divindades sentiram uma presença poderosa atrás deles, logo o deus da guerra se manifestou com sua falta de sutileza através de chamas infernais, ele gargalhava ao ver a cidade do deserto em chamas.

- Esse ai parece uma criança numa festa de aniversario – comentou o quarto deus a surgir.

O deus da morte também se fez presente com os outros três, ele surgiu através de uma brisa gélida que poderia congelar a alma de um mortal e estava usando sua forma de esqueleto coberto por um manto carregando uma foice, nessa forma ele era mais sutil e menos violento.

- Parece que todos vieram assistir isso – comentou Sszaas meio incomodado com tanta atenção.

- Guerras são minha área de atuação – disse Keen se divertindo.

- E nem preciso dizer o que me trouxe aqui não é? – o deus da morte Ragnar também estava se divertindo.

- Que bom que minha pequena Isawa pode agradar tantos deuses ao mesmo tempo – brincou Tenebra sorridente.

Todos os deuses presentes acabaram gargalhando, era divertido para eles como uma única mortal estava beneficiando diretamente para os planos de 4 deuses ao mesmo tempo e estragando os planos de outros 3, era extremamente raro aparecer alguém que pudesse mover o panteão dessa forma, e era mais raro ainda que fosse apenas uma mortal que não tem qualquer ligação direta com os deuses, mas de repente algo cortou a alegria deles, algo que despertou seus sentidos sobrenaturais para uma outra direção e mesmo que esse algo estivesse longe para eles era algo preocupante.

- Alguém perigoso apareceu – comentou Sszzas.

- Pensei que ele não fosse aparecer por aqui! – disse o deus da guerra zangado.

- É melhor você fazer algo Tenebra, ou esse homem irá por tudo a perder! – o deus da morte também estava preocupado.

- Tudo bem, acho que vou ter que mover minha ultima peça – disse ela – eu esperava não ter que fazer isso pra não correr riscos.

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Podia se dizer que a batalha na cidade já estava no fim e a vitória seguia para o exercito negro, pouquíssimos soldados ainda resistiam mas considerando a desvantagem era só uma questão de tempo até serem massacrados, a maior parte da defesa restante se concentrava em volta da pirâmide formando uma linha defensiva para evitar que o governo da cidade caísse, a intenção deles eram resistir até o amanhecer quando os poderes máximos deles poderiam ser usados e o poder de Tenebra caia drasticamente.

Nesse momento as forças das trevas se reuniam para atacar a pirâmide, eles não estavam dispostos a dar uma chance deles revidarem caso não tomassem logo o poder.

- Tenho certeza que Isawa não vai gostar disso! – alertava Daneth.

- Estamos nos reunindo para tomar a pirâmide – esclareceu Turok – mas não vamos interferir nos planos da princesa.

Nesse momento os dois avistaram Fou voando até eles, o rapaz dragão pousou do lado deles que observavam a movimentação das tropas do alto de um prédio dominado.

- Não disse que ia ficar com Isawa? – perguntou Daneth.

- Ela me obrigou a ficar longe, então eu pensei em defender a grande entrada mas depois que aqueles caras se reuniram eu não pude segura-los!

- Isso quer dizer que agora a princesa está sozinha lá dentro e cercada? – reclamou Turok – você deveria ter ficado e lutado até a morte!

- Você com certeza gostaria disso não é? – perguntou Fou achando a atitude dele irritante.

- Digamos que seria conveniente – respondeu ele.

- Vamos parar com isso vocês dois! – Daneth botou ordem na situação – já que as coisas ficaram assim vamos usar as tropas pra manterem eles ocupados, ou eles defendem a entrada ou procuram por ela lá dentro.

Quando cada um ia tomar seu rumo pra organizar a invasão uma grande explosão foi ouvida no ponto onde uma grande parte do exercito se concentrava, uma coluna de chamas subiu ao céu e a maior parte dos zumbis e guerreiros que estavam lá foram dizimados.

- Mas o que diabos foi isso? – perguntou Daneth espantado.

Nisso Vulthar que trazia Karin pousou ao lado do prédio deixando sua cabeça rente a eles, a pequena feiticeira pulou de cima dele e se juntou aos outros três.

- Tenebra mandou avisar que um peixe grande apareceu – avisou Vulthar.

- E o quão grande é esse peixe? – Fou tinha medo da resposta.

- Digamos que nós somos sardinhas e ele uma baleia – respondeu a serpente alada.

No local onde ocorreu a explosão os poucos soldados do exercito negro que restaram tentavam conter a chegada do guerreiro mais forte do exercito de Azgher, o sumo-sacerdote de Azgher estava trajando sua armadura dourada e sua mascara de falcão que lembrava a face do deus horus do Egito antigo, entre todos os servos de Azgher ele era o único que não perdia parte dos poderes durante a noite por trajar uma armadura feita com o ouro retirado do próprio sol.

- Era esse o peixão que Tenebra mencionou? – perguntou Daneth após o grupo chegar lá.

- De fato esse cara é um problema! – Turok estava furioso com a presença dele.

O sumo-sacerdote utilizou seu grandioso poder e invocou vários celestiais, guerreiros alados trajando armaduras e mascaras, todos eram da mesma raça que a mãe de Menefer.

- Vocês são companheiros daquela cria das trevas? – perguntou o sacerdote após notar a presença deles.

- Somos sim! E qual é seu nome mesmo? – perguntou Fou se preparando pra lutar – já que provavelmente ficarei bem famoso ao matar você!

- Meu nome é Raz-all-Baddin – anunciou ele – mas todos me chamam apenas de Baddin, não será necessário formalidades já que vocês serão destruídos!

- Eu não vou permitir que encoste um dedo na nee-san! – Karin manifestou seu poder sombrio.

- É lamentável que uma alma tão jovem já esteja tão corrompida – disse o sacerdote sacando sua espada – o melhor que posso fazer é libertá-la da escuridão.

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Dentro da pirâmide no maior dos salões a luta entre as duas destinadas começaria, sentindo que era necessário Menefer sugeriu mudarem de local para não envolverem os servos da pirâmide que estavam no local anterior, Isawa aceitou o pedido e acompanhou a amiga pro salão de festas no andar superior onde elas lutariam, lá elas estavam isoladas do resto da pirâmide e Naziah após ser curado por Menefer se encarregaria de manter outras pessoas longe, essa seria a luta decisiva e não era permitido que ninguém interferisse, na verdade a única testemunha da luta era a fada Dalap que assistia tudo segura no candelabro mais alto do salão.

- Se eu perder essa luta aceitarei minha derrota e encerrarei a guerra – avisou Isawa – mas em troca lhe peço que permita aos meus soldados que se retirem daqui sem problemas.

- Eu não posso lhe prometer nada sobre isso pois essa decisão dependerá do meu faraó e do grande Azgher – avisou Menefer em resposta – mas posso lhe prometer que farei o possível pra atender ao seu pedido.

Outra coisa que elas haviam decidido era lutarem em suas formas humanas, lutarias como iguais sem qualquer trapaça ou vantagem sobre a outra, dariam tudo de si por essa luta e sem qualquer arrependimento, depois de estarem devidamente preparadas pra começar cada uma avançou sobre a outra com espada em punho, as armas se chocaram e faíscas voaram, a força física das duas era idêntica e elas se encaravam com um olhar firme enquanto disputavam forças com o primeiro ataque.

- Você melhorou muito Isawa – elogiou a outra – da primeira vez que trocamos golpes de espada você caiu de bunda no chão!

- Mas nossa primeira luta séria eu me lembro de ter feito um buraco em você! – rebateu Isawa.

As duas tomaram impulso pra trás separando suas armas, uma grande distancia se abriu entre elas que se avaliavam, a força das duas eram igual, Menefer tinha mais experiência de luta mas Isawa tinha um instinto guerreiro que era herança do seu pai dragão e também uma estranha determinação de sua mãe humana.

- Flecha de chamas solares! – uma grande rajada de fogo saiu da mão de Menefer e vôo em direção a Isawa.

- Vento gélido da morte! – um vento branco que lembrava uma nevasca foi disparado por Isawa e se chocou contra a flecha de chamas.

As duas magias poderosas se chocaram a meio caminho de suas conjuradoras, um redemoinho de força mística se formou e se elevou ao teto do salão causando um dano considerável, Menefer não conseguia acreditar no que tinha testemunhado.

- Você aprendeu a usar magia? – perguntou ela incrédula – mas levam-se anos pra aprender mesmo as magias mais simples!

- Essa é uma das magias que minha mãe usava – respondeu Isawa satisfeita – graças ao sangue dos meus pais até que não foi difícil, mas ainda assim eu estou aperfeiçoando!

- Parece uma piada que seja justamente uma magia de gelo – reclamou Dalap lá do alto que por pouco não foi atingida pelo turbilhão.

- É mais do que natural – respondeu Isawa – o dia traz luz e calor, a noite traz frio e escuridão.

- Já que é assim... explosão de luz! – Menefer juntou as mãos e um feixe de luz brilhou intensamente.

- Escudo de sombras! – Isawa bateu a mão no chão e sua própria sombra se ergueu formando uma cúpula ao redor dela protegendo-a do efeito da luz intensa.

Quando o escudo de sombras foi consumido pela luz Isawa viu que Menefer aproveitou essa brecha e a atacou, felizmente ela já esperava por algo assim e conseguiu se defender atacando ao mesmo tempo, as duas ficaram com um pequeno ferimento perto do rosto, no caso de Isawa uma queimadura acompanhou o ferimento e pra Menefer foi a dor corrosiva.

- Acho que não vamos muito longe com habilidades limitadas – avaliou Isawa.

- Eu concordo, que tal esquecemos as restrições e usarmos nossos verdadeiros poderes? – sugeriu Menefer.

Aceitando a proposta Isawa liberou sua verdadeira forma e transformou-se completamente exibindo seus chifres, pele negra escamosa, cauda e asas, mesmo que Menefer já tivesse visto isso antes ela não deixava de ser impressionante.

- Até hoje você só viu minhas asas – disse Menefer – mas eu também tenho uma forma evoluída.

- E por que nunca usou essa forma antes? – perguntou Isawa.

- Isso porque essa é a forma que mais se aproxima da minha mãe – respondeu ela – eu só queria mostrar essa forma quando eu estivesse a altura dela.

Uma aura luminosa cobriu Menefer da cabeça aos pés, logo as asas volumosas e emplumadas surgiram em suas costas, mas a transformação não parou por ai, o cabelo dela se tornou ruivo e ouriçado e marca douradas se espalharam por seu corpo, suas mãos se transformaram em garras e alguns tufos de pena surgiram em algumas partes do seu corpo, em seu rosto sua expressão ficou mais fina e ela parecia uma ave de rapina como um falcão do deserto.

- Agora estamos iguais – disse Menefer.

- Não, você é mais bonita – elogiou Isawa.

E novamente elas se atacaram, mas dessa vez a força do golpe era inigualável a força anterior, uma onda de impacto se espalhou com a potencia da primeira investida.

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Na cidade um bairro inteiro já estava em ruínas fumegantes devido a batalha intensa contra o sumo-sacerdote de Azgher, apenas os mais poderosos guerreiros do exercito negro estavam lá pra enfrentá-lo e mesmo assim um por um eram derrotados, poucos ainda estavam de pé contra ele.

- Você está bem pequena? – perguntou Turok enquanto protegia Karin.

- Eu estou bem sim – respondeu ela cobrindo o ferimento no braço – foi só um arranhão.

No centro da destruição estava o Raz-All-Baddin e ao seu redor todos aqueles mais próximos a Isawa, Kaliope e Yoriki também se juntaram a batalha.

- Esse ai vai ser difícil! – disse Fou se abrigando atrás de uma parede destruída.

- Eu até tenho um plano, mas vai doer bastante! – avisou Yoriki também se abrigando.

Enquanto isso Baddin andava pelo terreno destruído acompanhado pelas chamas, ele estava disposto a não deixar nenhum inimigo vivo, ou como é o caso do exercito de zumbis ele não deixaria nenhum deles inteiro.

- Isso é o esperado de criaturas que vivem nas trevas – provocou ele – se acovardam e se escondem em qualquer buraco que encontram.

- Pois vamos lhe mostrar quem é o covarde! – desafiou Fou ao sair do seu esconderijo.

Fou correu na direção de Baddin brandindo sua espada, o sacerdote ergueu o punho e disparou uma violenta rajada de fogo que apanhou Fou em cheio, mas para sua surpresa o rapaz estava ileso e continuava avançando contra ele, no fim Baddin teve que se defender do ataque dele.

- Entendo, você é um meio-dragão vermelho – observou ele – no meio de tantas feras, zumbis e demônios eu acabei confundindo você com um demônio do inferno!

- Pois é figurão, eu posso nadar em lava derretida e nem sinto calor – disse Fou pressionando o sacerdote para trás – vai ter que se esforçar mais comigo.

- Não seja por isso! – avisou Baddin – destruição sagrada!

Uma explosão de luz envolveu Baddin e o impacto arremessou Fou longe que se chocou contra uma parede, quando a luz diminuiu Baddin só viu um enorme machado girando na direção dele, o sacerdote só teve tempo de fazer uma barreira mágica que bloqueou o ataque, mas o homem tigre que empunhava a arma não desistia de tentar acertar-lo, e tentou esmurrar o sacerdote que conseguiu segurar a mão dele.

- Acho que você não é imune a fogo não é?

Baddin incendiou a mão de Turok que urrou em fúria, mas ele não deixaria de aproveitar a brecha pra tentar acertar Baddin e girou o machado mais uma vez, o sacerdote achou prudente se afastar dessa vez e tomou distancia, Turok estava com seu braço esquerdo sangrando pelo ferimento da queimadura.

- Todos vocês são determinados ao extremo, mas essa determinação é perdida se você luta por uma causa indigna – disse Baddin revoltado com a determinação deles.

- Só porque você não nos entende não tem o direito de julgar nossa causa! – gritou Karin revoltada.

- Você é uma criança perdida no escuro, não deve se meter em assuntos de adultos – reclamou o sacerdote.

- Seus servos não se importaram se eu era uma criança ou não quando quiseram me queimar numa fogueira! – gritou ela furiosa – se não fosse a Isawa eu teria morrido junto com minha mãe!

Karin concentrou uma bola de fogo negra na ponta do cajado que carregava e disparou contra Baddin, mas o sacerdote se defendeu facilmente daquela magia negra.

- Seja isso verdade ou não saiba que a ordem de Azgher jamais condena humanos que não sejam seguidores das trevas – disse ele – e nem executamos crianças na fogueira!

De forma inesperada duas flechas voaram em direção a Baddin que se defendeu com uma barreira mágica, as flechas estavam carregadas com uma magia negra e tentavam penetrar na barreira, depois de muita insistência as flechas caíram no chão e a barreira se desfez, essa foi a oportunidade que Yoriki aproveitou pra atacar Baddin com sua larga espada, ela chegou perto de acerta-lo mas um dos celestiais invocados por ele apareceu na frente e recebeu o golpe no peito, o celestial morreu e desapareceu em chamas brancas.

- Vai pagar por isso bruxa dos infernos! – Baddin ergueu sua espada para atacá-la.

- Esqueça a mulher, você tem mais o que se preocupar agora – disse uma voz que ecôo no vazio.

Baddin sentiu um familiar calafrio e viu uma gigantesca sombra se erguer de um canto escuro, a sombra tinha mais de 12m de altura e trazia em sua mão um anão vestindo um manto negro e trazendo um cajado tão escuro que parecia engolir toda a luz que o tocava, o anão tinha a pele muito cinza e sua barba que não era muito longa era ruiva, seus olhos eram brancos de uma tonalidade leitosa.

- Rondarin Blackforge o sumo-sacerdote de Tenebra – Baddin parecia bem furioso com a presença do outro.

- A quanto tempo meu caro colega – brincou o anão – minha grandiosa Tenebra disse que você estava aqui, senti que lhe devia uma visita a muito tempo!

- Como ousa pisar seus pés profanos nessa terra sagrada? – esbravejou o outro.

- Tecnicamente ainda não pus meus pés na cidade – o outro parecia extremamente feliz com esse encontro – e também não tenho interesse m pisar num lugar sem graça como esse.

As outras pessoas em volta sentiam a presença e a pressão que duas pessoas tão poderosas exerciam quando se encontravam, de certa forma eles estavam agradecidos por terem sido deixados de lado.

- Vocês podem continuar o que estavam fazendo – pediu Rondarin – eu me encarregarei de acertar as contas com esse cara.

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Dezenas de soldados já se acumulavam diante da grande porta do salão da pirâmide, todos aflitos com o que ouviam lá de dentro, a única coisa que os impedia de entrar era Naziah que insistia em preservar a vontade de sua amada em não ser atrapalhada por ninguém, mesmo que eles protestassem todos os presentes acabaram tendo que aceitar relutantemente, o som de mais uma explosão despertou de novo a angustia deles.

- Deixe-nos ajudá-la capitão Naziah! – implorava um soldado – ela pode estar perdendo lá!

- Se ela estiver perdendo será por contra própria, mas ela não quer vencer com ajuda de outros – explicou o rapaz.

- E o que será de nós sem nossa princesa?

- Lutaremos como pudemos com nossas próprias forças como tem que ser – respondeu ele novamente.

Lá dentro a destruição já estava bem evidente, quase nada no salão estava completamente inteiro e as duas continuavam a lutar mesmo após tantos ferimentos que receberam, cada uma já tinha cortes, hematomas, contusões e varias marcas causadas por magias, e mesmo assim nenhuma das duas recuava ou enfraquecia, sua determinação lhe dava forças pra continuar a lutar.

- Vá pro inferno Isawa! Você sempre foi uma teimosa cabeça dura! – gritou Menefer furiosa.

- Eu?? Você é que discutiu com o professor de geologia quando ele explicou a formação dos planetas!! – Isawa falava ao mesmo tempo que golpeava com sua espada.

- Tudo blasfêmia! Como ele pode não levar em conta que os deuses moldaram os mundos?? – ela se defendia tanto do golpe físico quanto do golpe moral.

Ao que outros pareceria uma discussão idiota para elas era uma forma de lutar como ela sempre foram, sem levar mais nada em conta além de suas vontades, nesse momento não havia nenhuma guerra lá fora, não havia o rancor do passado, não havia nenhum deus controlando tudo, havia apenas elas duas lutando.

- Eu já estou ficando cansada – reclamou Isawa – o que acha de acabarmos isso no próximo movimento?

- Está sugerindo que já poderia ter acabado com isso a mais tempo? – provocou Menefer.

- Eu te daria uma surra com as duas mãos e a cauda amarradas nas costas!

Uma seriedade se formou entre elas, cada uma avaliando qual seria o melhor movimento pra vencer a outra, se estudavam tentando entender o que a outra pensava e procuravam qualquer sinal de hesitação, por fim cada uma tomou sua iniciativa e atacaram simultaneamente.

Mas ao invés de um ataque físico elas optaram por magias, cada uma gerou um efeito diferente.

- Explosão solar! – Menefer invocou uma minúscula faísca do sol e essa faísca foi forte o bastante pra gerar uma luz explosiva que queimava ao toque.

- Escuridão profunda! – Isawa fez em torno de si um globo de pura escuridão.

As duas magias se colidiram, a explosão solar incendiou completamente a escuridão profunda mas graças ao globo de trevas Isawa conseguiu sair ilesa do ataque, mas o tempo que ela ficou sem enxergar nada foi suficiente para Menefer aproveitar e ataca-la.

- Eu vou vencer! – gritou Menefer enquanto dava uma investida voando.

Menefer transpassou sua cimitarra flamejante no peito de Isawa que deu um grande urro de dor, o olhar de Menefer estava quase apagado e ela fazia uma expressão deprimida no rosto.

- Eu sinto muito, mas é assim que tem que ser – disse Menefer derramando uma lagrima.

- Eu sei disso, mas ainda não acabou – respondeu a outra sorrindo.

A imagem de Isawa ficou turva e se transformou num borrão escuro que se apagou depois, na verdade o que Menefer tinha acertado era uma ilusão muito bem feita de ultima hora, quando Menefer se deu conta a verdadeira Isawa estava em um canto afastado e recitava a conjuração de mais uma magia.

- Grande aranha do fundo do abismo, empreste-me sua morada negra como piche e vazia como a morte, teia devoradora! – da ponta da mão de Isawa uma enorme rede de teia negra se abriu e saltou sobre Menefer.

A teia parecia que tinha vida própria e uma fome incontrolável, Menefer tentou golpear a rede antes que esta a tocasse mas sua espada assim que tocou o fio negro ficou grudada e perdeu seu poder mágico, a teia envolveu Menefer fazendo um casulo que só deixou a cabeça dela de fora, a princesa do deserto tentava lutar contra a teia mas a cada segundo que passava ela se sentia mais fraca e cansada como se toda a sua força estivesse desaparecendo, quando já não lhe restava força para ficar de pé ela caiu no chão exausta e fraca.

- O que você fez comigo? – perguntou Menefer ofegantes e com a vista turva.

- Essa teia suga a energia vital daquilo que prende, normalmente ela lhe deixaria seca como uma múmia mas eu a preparei para roubar apenas sua energia física – Isawa se aproximou e sentou ao lado de Menefer – essa magia foi a que minha mãe usou na ultima vez que lutou com meu pai, ele era imune ao dreno mas teve dificuldades pra se soltar.

Isawa sorriu triunfante, ela finalmente havia derrotado Menefer de uma forma definitiva e com seu próprio esforço, essa vitória tinha um valor para ela que não podia ser medido por ninguém, Menefer sentindo-se derrotada concordava que isawa merecia isso no final das contas, haviam lutado de forma justa e fora derrotada, sendo assim ninguém poderia negar o que aconteceu ali naquele momento.

- Você pode tirar minha vida agora e ter sua vingança – pediu Menefer ainda fraca – você conquistou sua vitória e eu não guardo ressentimentos.

Isawa pegou sua espada caída do lado e apontou para Menefer, a jovem princesa apesar de não demonstrar nenhum rancor sentia medo por dentro, sua vida estava preste a ser tirada dela, Isawa apenas introduziu a ponta da espada no ombro da ex-amiga mas dessa vez não houve nenhuma corrosão, devido ao corpo entorpecido Menefer quase não sentiu a lamina perfurando-a mas ela sabia que dali pra frente era bem possível que Isawa a torturasse lentamente e ela tinha esse direito.

- Minha espada é feita com os ossos do meu pai – explicou Isawa – o acido coroe qualquer um que seja meu inimigo e nesse momento você não é minha inimiga.

Menefer olhou para seu ombro e viu que realmente a espada não lhe causava nenhum ferimento além da perfuração, Isawa com sua garra cortou a teia que prendia Menefer e esta se sentiu mais leve depois de libertada, mas ainda assim ela não entendia o que estava acontecendo.

- Você não quer mais sua vingança? Não era isso que você queria? – perguntou a princesa confusa.

- Eu ainda quero vingança por tudo que aconteceu, e quero fazer justiça e reaver meus direitos – respondeu Isawa – mas não será matando você que eu conseguirei isso, você não é minha verdadeira inimiga.

- Então quando você estará satisfeita? Quando essa guerra vai acabar?

- Quando eu degolar essa infeliz e pregar sua cabeça numa lança ao meio-dia! – gritou uma voz do outro lado.

A voz chamou a atenção das duas, era o faraó em pessoa que estava do outro lado do salão trajando sua armadura de cota de malha dourada e carregando sua espada e sua lança, ele trocou sua mascara por um elmo fechado que só revelavam seus olhos que queimavam em fúria por estar diante de sua inimiga tão odiada.

- Finalmente você apareceu seu maldito! Finalmente você teve coragem de me encarar sem se esconder atrás de sua filha ou seu deus! – esbravejou Isawa furiosa – você matou minha mãe e tentou me matar, tirou tudo o que eu tinha, toda minha vida e tirou o orgulho e a liberdade do meu povo! Antes desse sol nascer e seu deus dar as caras eu juro que você vai implorar pela sua vida miserável!!

Continua.

Notas finais
como será que acabará essa guerra? garanto que não vou ser tão previsivel quanto parece!
aguardo os reviews de voces