Entre a Luz e a Escuridão

6 Capítulo 6 - O primeiro confronto.


Notas iniciais
chegou a hora de iswa agir, ela não pode mais ficar a parte dos problemas desse mundo, sua revolta pode gerar o caos

(Quase 17 Anos Atrás)

Uma noite de céu limpo e uma lua cheia brilhante era um sinal de que Tenebra estava de bom humor, e se sua deusa estava feliz seus súditos também estavam.

Pensando em aproveitar melhor o frescor da noite Kyara estava sentada em uma parte plana do telhado do seu palácio, admirando a beleza que era a noite e alisando a barriga que já estava grande por abrigar sua primeira filha.

Kyara achava engraçado como ela que servia a uma deusa que não dá importância alguma a vida podia está agora gerando um ser vivo, suas crenças eram de que assim como a vida era passageira ninguém deve se apegar a ela e que todos podem ser felizes mesmo que não tenham mais vida.

Os seus planos para o futuro também não eram nada comuns, ela sonhava em ver sua filha crescer, educa-la e quando um dia sua vida se esgotasse pudesse se erguer como uma morta-viva e continuar cuidando de sua filha até que ela própria tivesse seus filhos, quem sabe Kyara ainda estivesse nesse mundo quando a quarta ou a quinta geração nascesse.

Seus pensamentos sonhadores foram interrompidos quando uma imensa sombra bloqueou a luz da lua sobre ela, uma sombra de um ser alado quase tão escuro quanto a noite e que emanava uma aura majestosa.

O ser alado pousou próximo a ela se segurando numa das hastes de uma torre, o ser alado que agora mostrava ser um dragão encarava a mulher que aproveitava a brisa que suas asas produziram.

- Não deveria está aqui em cima – disse o réptil alado com sua voz poderosa.

Dragões estão acima de praticamente todas as coisas que existem nesse mundo, seres de imenso poder e sabedoria eles não morrem de velhice e acumulam mais poder e medida que o tempo passa, cada um ligado a um dos elementos da natureza estão abaixo apenas dos seres que habitam as moradas dos deuses.

- Que evento raro ver um dragão negro preocupado com a segurança dos seres inferiores – comentou Kyara sorrindo.

- Não estou preocupado com sua segurança – respondeu Zariesk irritado – mas você está levando minha cria, então não posso me dá ao luxo de perdê-la agora.

Kyara riu mais ainda da maneira como Zariesk tentava esconder seus sentimentos, era um fato conhecido que dragões negros estão conectados a escuridão e tudo que existe de ruim no universo, por isso mesmo é muito difícil que algum membro dessa raça demonstre algo de bom ou amor genuíno.

Mas Zariesk amava Kyara de todo o coração, pois ela foi o único ser que já lhe derrotou, ela era um ser que vivia mergulhada nas trevas e mesmo assim se mantinha pura, toda essa pureza só fazia ele ter desejo de corrompe-la e toma-la para si, mas o que aconteceu foi justamente o contrario, Kyara com sua delicadeza, generosidade e compaixão foi conquistando a fera e pouco a pouco ele se rendeu aos encantos dela.

Zariesk envolveu o próprio corpo numa aura negra e quando esta se dissipou em seu lugar estava um homem de longos cabelos negros e usando trajes nobres, ele se aproximou de Kyara que não tirava os olhos dele e mantinha um sorriso encantador nos lábios.

- Quanto ainda falta para ela nascer? – perguntou ele se referindo ao bebê que Kyara carregava.

- Para um ser eterno você está muito impaciente – respondeu ela se esquivando da pergunta – venha, sente-se ao meu lado.

Zariesk fez uma expressão de irritação e sem dizer nada sentou-se ao lado de Kyara bufando como uma criança contrariada.

Kyara suspeitava que toda a irritação de Zariesk era por não poder tê-la na cama durante todo esse tempo, sempre que faziam amor era de uma forma agressiva e intensa, ela sabia que gentileza e prazer eram duas coisas que não andavam juntas para um dragão negro mas ela tinha que preservar o feto seguro dentro dela.

Percebendo que não conseguiria irritar Kyara nessa noite ele tentou outra abordagem, pensou em deixá-la preocupada com problemas.

- Os servos do sol andam meio agitados, eles estão tramando alguma coisa – disse ele.

- Deve ter haver com a profecia, eles acreditam que nossa filha é aquela que thyates previu em sua visão.

- Acha mesmo que é ela? Que ela é a criança destinada que trará as trevas para o mundo?

- Ela escolherá se vai ser aquela que vai trazer trevas ou paz a esse mundo, de qualquer forma eu sei que a escolha dela será a certa.

Kyara passava a mão na barriga como se acariciasse a filha que ainda nasceria, ela mantinha um sorriso bonito no rosto e por mais que odiasse admitir Zariesk estava feliz em ver aquele sorriso.

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O céu noturno desse mundo era infinitamente mais bonito que o da terra, era isso que Isawa pensava enquanto voava agarrada a um dos chifres de Vulthar, sem as luzes artificiais dava pra ver melhor todas as constelações no céu.

- Não importa o que digam, a noite é uma ótima fonte de inspiração – comentou Daneth ao lado dela.

- Eu sempre amei a noite – confessou Isawa – sempre linda e misteriosa eu sempre gostei de ficar acordada até tarde brincando e sonhando, pena que eu era a única criança que pensava assim.

Os dois estavam sobre a cabeça de Vulthar que voava pela noite, desde que anoitecera o réptil mágico assumiu sua verdadeira forma e levava os dois até um templo de Tenebra.

Na verdade eles até já tinha passado por dois deles, mas ambos estavam nas mesmas condições do anterior.

Agora eles decidiram viajar para o país natal de Isawa, com certeza encontrariam um templo inteiro por lá, isso de certa forma deixou Isawa feliz.

- Como é o país da minha mãe Daneth-san? – perguntou Isawa curiosa.

- não é muito diferente dos outros paises desse reino, mas acho que você já pode vê-lo.

Isawa olhou em direção ao horizonte, se fosse em seu mundo provavelmente estaria vendo as luzes dos prédios agora, mas por enquanto não via nada em particular.

Percebendo que Isawa desejava ver suas terras Vulthar voou mais baixo, agora dava pra ver uma cidade a muitos quilômetros de distancia.

Ao se aproximar da cidade Vulthar vôo mais baixo ainda passando pelo meio das torres assustando a população enquanto ria disso.

- Você é sempre assim? – perguntou Isawa para Vulthar.

- Só quando estou feliz, no resto do tempo eu sou pior – respondeu ele.

Eles cruzaram a cidade muito rápido e seguiram em frente, como faltava pouco mais de uma hora para amanhecer eles iriam procurar uma lugar para ficarem até o próximo anoitecer.

- Por que temos que parar ao amanhecer?

- Você é uma jumenta mesmo, eu só posso voar a noite, alem disso é perigoso para nos viajarmos de dia, o melhor que fazemos é dormir o dia inteiro e nos movermos a noite.

Isawa só notou o quanto estava cansada agora, já fazia mais de um dia que ela não dormia desde que fugiu de seu mundo e vagou por esse.

- Perto daqui tem um vilarejo – avisou Daneth – podemos ficar lá como viajantes até o anoitecer.

Vulthar vôo o mais longe que pode até pouco antes dos raios de sol surgirem atrás deles, depois de aterrissar ele voltou para sua pequena forma de serpente e subiu no corpo de Isawa.

- Acho que isso lhe cai bem senhorita – disse Daneth puxando uma capa para cobrir o corpo dela – assim ninguém vai ver o Vulthar enrolado em você.

- Eu agradeço a capa, mas tem um jeito melhor de escondê-lo.

Isawa pegou sua mochila e depois de ajeitar um espaço enfiou Vulthar lá dentro.

- O QUE VOCE PENSA QUE TA FAZENDO? – gritou a cobra enfurecida.

- Você disse que é perigoso chamar a atenção não é? – justificou-se ela – então o melhor a fazer é tirar você da vista.

Isawa começou a gargalhar enquanto olhava para Vulthar que mesmo que não pudesse expressar facialmente dava pra notar que estava enfurecido e humilhado.

- Isso, divirta-se agora, eu me vingarei mais tarde – ameaçou a serpente.

Ainda inconformado Vulthar adormeceu lá dentro e Isawa agradeceu o maravilhoso silencio que conseguiu.

- Podemos ir Daneth-san?

Ele fez que sim com a cabeça e com um belo sorriso se pos a caminhar ao lado dela, eles caminharam por certo tempo até avistar o vilarejo, não parecia grande coisa mas serviria para descansar.

- Vilarejos como esse nem nome costumam ter – explicou Daneth – e é muito difícil aparecer algum soldado de Azgher por esses lados.

Andando pelo vilarejo eles não viram muitas pessoas, mas de longe dava pra ouvir um certo tumulto, aproximando do centro da vila eles notaram uma grande concentração de pessoas em volta de algo que soltava fumaça, provavelmente uma fogueira recém apagada.

- Com licença senhores – começou Daneth com um jeito educado de cavalheirismo – aconteceu alguma coisa por aqui?

Os dois homens para quem ele perguntava olharam Daneth e Isawa de cima a baixo e depois falaram.

- Ontem nos capturamos a bruxa que aterrorizava as redondezas – disse um deles com uma certa satisfação nos lábios – nos demos a ela o castigo merecido para aqueles que usam o poder profano.

- E agora a pouco nos capturamos a outra bruxa que andava com ela, agora é a vez dela! – completou o outro quase gritando de alegria.

Isawa se lembrou de algo que leu em livros de historia, a perseguição das bruxas de Salem que quando eram capturadas eram queimadas vivas em fogueiras.

- Vamos embora daqui Daneth-san, não quero ficar num lugar como esse – pediu Isawa aflita.

A expressão dela ficou pior quando ela sem querer viu entre as pessoas as fogueiras armadas, uma delas ainda soltava fumaça indicando que ela queimou a pouco tempo, amarrada com correntes estava um corpo de uma pessoa queimada até a morte num estado horrível.

Mas o pior de tudo era a outra fogueira, nela estava amarrada uma criança muito jovem e adorável que olhava vidrada para a fogueira em frente a ela e derramava muitas lagrimas.

- Mas o que é aquilo?!!! – perguntou Isawa aterrorizada.

- Aquela é a outra bruxa – explicou um rapaz – se não me engano é filha da bruxa anterior, pegamos ela a uma hora atrás.

Um homem velho se preparava pra tacar fogo na madeira, a menina amarrada começou a berrar de pânico e a chorar sem parar, Isawa sem pensar duas vezes atravessou a multidão correndo em direção a fogueira e num único salto chegou até a menina e começou a tentar solta-la.

- O que você pensa que ta fazendo sua louca? – gritou o homem que segurava a tocha – ela é uma bruxa demoníaca!!

- Ela é só uma criança seus animais!!! – defendeu Isawa – que tipo de monstros são vocês que queimariam viva uma criança indefesa??

As pessoas em volta da fogueira começaram a jogar pedras em Isawa que usava o próprio corpo para proteger a menina, depois ela sacou a katana presa a sua mochila e cortou as correntes que a prendiam.

- Pronto mocinha – disse Isawa para a jovem – não vou deixar ninguém machucar você.

- Mamãe... – sussurrou a menina enquanto chorava.

Isawa percebeu que ela se referia ao corpo incinerado a sua frente, ficou imaginando que tipo de trauma essa menina desenvolveria vendo algo tão terrível, e desejou que todas aquelas pessoas fossem pro inferno por isso.

A multidão furiosa se preparava pra avançar sobre Isawa, o homem com a tocha subiu na grande fogueira e a segurou pelo braço, nisso Vulthar que estava dentro da mochila o picou fazendo o homem cair de lá gritando de dor pelo veneno que em breve o mataria.

- Você tinha que arranjar confusão não é? – reclamou Vulthar parcialmente fora da mochila.

- Eu não podia deixar a menina morrer!! – justificou-se ela se colocando em posição de defesa.

Nisso Daneth que até o momento não tinha feito nada apareceu ao lado de Isawa com seu sabre a mão e uma expressão seria no rosto.

- Desculpe a demora senhorita, estava pensando no que fazer para sair daqui.

- E pensou em algo? – disse ela vendo o povo avançar.

As pessoas estavam armadas com inchadas, ancinhos e foices, típico de filmes de monstros, Isawa não queria machucar ninguém mas se tivesse que lutar por sua vida e daqueles que estavam com ela faria de qualquer jeito.

Mas não foi preciso lutar, a fogueira onde estava o corpo da mãe da menina voltou a queimar, mas dessa vez era um fogo negro e malévolo, as correntes que prendiam o corpo derreteram e o esqueleto carbonizado começou a se mexer em meio ao fogo sinistro.

- A bruxa voltou a vida!! – gritou uma pessoa desesperada antes de fugir.

O esqueleto em chamas saltou e começou a atacar as pessoas, tudo que tocava incendiava no mesmo instante.

- O que está acontecendo? – perguntou Isawa assustada.

- A alma da mulher se revoltou e reuniu poder para proteger a filha – explicou Vulthar – agora ela não vai parar até destruir tudo e punir aqueles que ousaram machucar sua criança.

A criatura destruía e matava tudo em seu caminho, Isawa achou aquilo aterrorizante demais.

- Mamãe!!! – gritou a menina.

A menina se debatia nos braços de Isawa tentando correr em direção a versão monstruosa de sua mãe.

- Se você for até ela vai se queimar! – avisou Isawa segurando ela.

O esqueleto flamejante ouviu os gritos da menina, estendendo o braço como se quisesse alcança-la foi andando em direção a eles.

- Temos que sair daqui – avisou Daneth – mesmo que talvez não seja a intenção dela seremos queimados se nos alcançar.

Isawa colocou a menina nos braços e junto com Vulthar e Daneth fugiram da vila, foram se refugiar numa mata próxima.

- O que diabos aconteceu lá? – perguntou Isawa ofegante pela corrida.

- Você não sabe mesmo? Foi o seu desejo – respondeu Vulthar saindo de dentro da mochila.

- Meu... desejo?

- Você sentiu ódio e repulsa por aquelas pessoas não foi? Seu poder não traz apenas a paz para os morto-vivos, ele traz também o tormento para os vivos, foi o seu ódio que alimentou aquele ser e o fez lutar por vingança.

Isawa se sentiu a pior das pessoas, graças ao sentimento negativo dela uma vila inteira estava em chamas e varias pessoas mortas, por outro lado ela também não conseguia perdoa-los pelo que fizeram a mulher e tentaram fazer com a criança.

E lembrando-se da criança que trouxe só agora pode prestar atenção nela, uma menina tão jovem que não deveria ter mais de 11 anos, cabelos lindos cor de vinho, usava um vestido velho preto que realmente a fazia parecer uma bruxinha, o mais curioso nela eram os olhos que lembravam olhos de serpente com pupilas verticais.

- Qual é o seu nome? – perguntou Isawa.

- Karin – respondeu a menina chorando.

- Karin? Um nome bonito para uma menina bonita, o meu nome é Isawa.

Karin parecia não ligar pra isso.

- Eu não sei o que posso fazer ou dizer para tentar ajuda-la, mas eu não vou te deixar sozinha.

- Minha mãe não fez nada! – dizia a menina chorando – nunca fizemos mal a ninguém, só morávamos perto dessa vila.

- Eu acredito em você Karin, aquelas pessoas que são culpadas.

- Isso é culpa da guerra – disse Daneth – desde que os seguidores de Azgher venceram a ultima batalha que aqueles que eram considerados suspeitos são caçados.

- Mas isso não justifica matar gente inocente! – gritou Isawa.

- Na visão deles ninguém é inocente, antes era a rainha Kyara que mantinha o reino em ordem, e o lorde Zariesk cuidava para que ninguém invadisse o reino ou descumprisse as leis, agora que os dois se foram o caos reina nessas terras.

- Eu preciso ver minha mãe – dizia Karin – ela está sofrendo por minha causa.

- Não Karin, a culpa é toda minha, e eu tenho que me responsabilizar por isso.

Isawa largou sua mochila e ficou apenas com sua katana.

- O que pretende fazer menina? – perguntou Vulthar.

- Vou acalmar o espírito da mãe de Karin – disse ela com a certeza do mundo todo.

- Não vai ser tão fácil quanto antes, alem de ser um tipo diferente está de dia, seus poderes são menores agora.

- Se eles foram fortes o bastante para acordá-la serão para acalmá-la.

Depois ela se voltou para Karin, tinha um sorriso nos lábios que de certa forma acalmaram a menina.

- Qual é o nome de sua mãe? – perguntou ela gentilmente.

- Sansara – respondeu Karin.

- Pois bem Karin-chan, eu vou ajudar sua mãe a descansar em paz, você fique aqui com eles me esperando certo.

E depois de alisar a cabeça da menina ela seguiu em direção ao vilarejo.

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Menefer voava com suas asas angelicais desde que o sol se levantou, estava ansiosa para encontrar logo Isawa e dar cabo dela, mas já fazia mais de um dia que estava no encalço dela e não conseguia encontra-la, sempre que podia mandava sua fada pedir informações no templo de Azgher para saber onde sua presa estava.

Uma pequena explosão e sua fada surgiu em pleno ar, ela trazia um sorriso zombeteiro na cara.

- Alguma noticia do meu alvo Dalap? – perguntou Menefer aborrecida.

- Já de mal humor em plena manhã mestra? Vai ficar parecendo um demônio assim.

Menefer rangeu os dentes, se perguntou por que aturava uma fada de fogo tão atrevida.

- Seu alvo foi avistado, eu lhe mostrarei o caminho – respondeu a fada antes que se encrencasse mais.

Dalap subiu no ombro de sua mestra e seguiu na direção onde estava Isawa, se não parassem poderiam alcançá-la em duas horas.

- Por que tem que fazer isso mestra? Por que não deixar que outro faça o serviço?

- Eu tenho que provar para meu pai que carrego o sangue da minha mãe em minhas veias, ela não falharia em sua missão.

Menefer se lembrou de quando recebeu a noticia da morte de sua mãe, na época ela tinha apenas cinco anos, aliás ela era mais velha do que parecia, Menefer por ser metade celestial envelhecia mais devagar e hoje tinha 22 anos embora parecesse ter só 16.

Sua mãe morreu na mesma batalha que tirou a vida dos pais de Isawa, ela liderava um esquadrão de soldados e foi morta pelo dragão que protegia o castelo imperial, todos lhe disseram que ela morreu com honra matando a fera e perdendo a vida no processo, mas nada disso tornava menos doloroso a perda da mãe tão amável, por isso Menefer jurou que expurgaria do mundo todos os seres malignos de Tenebra.

- “Me vigie ao lado de Azgher” – rezou Menefer – “eu vou livrar nosso mundo do mal”

Voando ainda mais rápido Menefer foi atrás de Isawa, não se conformaria em deixar que outra pessoa a matasse, mas um certo sentimento se mantinha no coração de Menefer, o sentimento de piedade por Isawa que já foi sua amiga, se tinha que fazer isso faria de uma forma rápida para evitar o sofrimento dela.

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Isawa retornou para a vila que deixara pra trás antes, muitas casas em chamas, corpos carbonizados pelas ruas e uma atmosfera pútrida e corrompida.

Isawa procurou por Sansara, andando pelas ruas ela notou que alguns sobreviventes teimavam em ficar nas casas que não queimaram, quando estas pessoas viram Isawa tentaram atacá-la.

- Seu demônio! Você trouxe aquele monstro até nos!

- Foram vocês mesmo que provocaram isso, por que mataram a Sansara se ela nunca fez nada a vocês?

As pessoas não responderam, estavam prontas para partir pra cima de Isawa quando notaram as chamas negras e fugiram desesperados, o esqueleto de Sansara voltou e andava lentamente em direção a Isawa.

- Minha filha – gritava o esqueleto com uma voz ecoante – devolva minha filha.

Através da voz dela Isawa pode perceber todo o sofrimento que aquele espírito carregava.

- você só queria viver em paz com sua filha não é? – disse Isawa sentindo tudo – vocês nasceram diferentes e por isso eram perseguidos, e nem aqui encontraram a paz.

O esqueleto flamejante parou de andar e ficou a poucos metros de Isawa como se esperasse algo, as chamas que eram muito grandes não chegavam a tocar Isawa.

- Minha..... filha – sussurrou o esqueleto.

Isawa novamente sentiu a dor daquele ser, a preocupação dela com a filha era tão forte que nem a morte poderia impedi-la de proteger Karin, agora Isawa compreendia perfeitamente por que algumas pessoas aceitam de bom grado o toque da morte eterna, para jamais se afastarem daqueles que amam.

- Eu juro a você Sansara, cuidarei da sua filha como se fosse minha irmã, e a protegerei no seu lugar, acredite em mim.

A alma de Sansara acreditou, as chamas que antes eram negras se tornaram azuis, toda a dor foi convertida e se transformou em algo próximo de esperança, quando as chamas diminuíram o esqueleto tombou no chão e se desfez em pó que se reuniu na forma de uma jóiaazul brilhante.

- Acho que devo dar isso a Karin-chan – disse Isawa depois de pegar a jóia e guardar no bolso.

O coração de Isawa estava aliviado por ter ajudado Sansara a descansar em paz, também achou interessante a idéia de ter uma irmãzinha.

Mas sentindo seu estomago roncando ela viu que tinha necessidade de juntar comida, olhando pra todos os lados ela viu uma grande casa meio queimada que lembrava um pouco uma loja e foi até lá, pegou uma sacola de pano e começou a juntar a comida que encontrou lá.

- O que você pensa que ta fazendo?!!! – reclamou um homem que parecia ser o dono do estabelecimento.

- Pegando comida pra mim, meus companheiros e pra menina que deixaram órfã é obvio – respondeu ela simplesmente – e se tiverem algo contra eu posso trazer de volta aquele esqueleto e manda-lo destruir o que sobrou da vila.

Era uma ameaça vazia, Isawa nem saberia se conseguiria fazer isso, mas ela já estava de saco cheio desse povo e não iria deixar de castigá-los um pouco, juntou o maximo possível de comida e pos a sacola nas costas para voltar pra mata.

E foi quando viu akiko parada na rua olhando pra ela.

Isawa praticamente travou ao rever a ex-amiga, com suas asas de anjo, seu traje de guerreira e a arma em punho.

- Então você fez isso? – perguntou Menefer olhando a destruição – finalmente mostrou quem você é na verdade.

- Está enganada! Eu não....

- Cala a boca! – gritou Menefer apontando a arma para ela – eu cheguei a pensar que você fosse diferente dos outros, achei que sem a influencia maligna das trevas pudesse ser uma boa pessoa, mas o que vejo aqui é que você realmente não pode negar sua origem.

- Esta enganada akiko-chan! Essas pessoas mataram uma mulher apenas por que ela era uma feiticeira e queriam matar uma menina inocente, veja as fogueiras ali!!

- Não me chame de akiko, meu nome é Menefer!

Dizendo isso ela atacou Isawa que largou a sacola no chão e se defendeu com a katana, o golpe foi forte o bastante para jogá-la contra a parede.

- Realmente a espada japonesa é a melhor arma criada pelo homem – comentou Menefer se lembrando das aulas de historia – qualquer outra arma teria partido ao meio com meu ataque.

Isawa sabia que ela dizia a verdade por que a força do golpe foi muito maior que daquela vez que ela lhe atacou a noite, provavelmente isso era a força total dela.

- Você vai pagar pelas pessoas que matou hoje Isawa.

- Eu não matei ninguém, você só vê um lado da historia akiko-chan.

- Para de pronunciar esse nome!

Ela atacou mais uma vez, Isawa não conseguiria se defender dessa vez, mas uma chama azul poderosa saiu de seu bolso e avançou contra Menefer que foi envolvida pelas chamas e começou a bolar pelo chão em agonia.

- Akiko-chan!!!!

Isawa correu até ela sem nem pensar na chamas, agarrou Menefer e tentou abafar o fogo que não parava de queimá-la embora nem mesmo esquentasse a pele de Isawa.

- Mestra Menefer! – a fadinha de fogo vôo ate sua mestra e a envolveu numa luz forte, as duas desapareceram dali deixando Isawa para trás toda desnorteada.

Isawa sentia como se de alguma forma tivesse traído a amizade que tinha com akiko, dessa vez ela se sentia culpada, pegou a sacola que tinha deixado no chão e foi embora de uma vez.

Continua.

Notas finais
o proximo capitulo será bem interessante.
e para aqueles que tiverem interesse eu postei o orkut varias imagens legais, muitas representando os personagens da fic.

http://www.orkut.com.br/Main#Album.aspx?uid=642106685910403565&aid=1237541489