Entre a Escuridão há Esperança
15 Sumiço
Notas iniciais
Passaram-se dois dias e finalmente Cana veio ver como estavam as coisas.
–E aí, o que eu perdi nesses dias? – ela perguntou, eu e Levy nos encaramos e olhamos novamente para ela.
– Nada. — falamos juntas.
Ela nos deu um olhar que significava: “ Tô fingindo que acredito!”.
– Bem, como vocês duas não querem falar, eu tenho meus meios de descobrir. — ela deu um sorriso – Mas não vim aqui para falar disso. Vim para avisar que amanhã decidiremos quem ganhará, e para isso vocês participarão de um teste que se realizará ao nascer do sol. Encontrem-me na entrada da floresta. Esse teste irá medir suas capacidades como equipe, estejam com suas duplas e não se atrasem. – ela piscou e acenou para nós indo em direção a porta.
Achei melhor contar logo para o Natsu. Procurei-o pela casa, mas não o encontrei em lugar nenhum. Comecei a ficar preocupada, já era noite e ele ainda não tinha chegado. Fiquei esperando na calçada até que o avistei vindo na minha direção cambaleando. Corri para ajuda-lo e consegui o segurar antes que ele caísse no chão. Seu corpo estava machucado e ele estava ardendo em febre. Levei-o para o quarto e o deitei na cama, coloquei um pano molhado em sua testa para ver se a febre abaixava. De repente, ele agarrou minha mão. Tomei um susto e olhei para seus olhos, estavam bem fechados. Soltei sua mão com cuidado da minha para que ele não acordasse, notei que nela havia vários cortes. Peguei o kit de primeiros socorros e comecei a fazer os curativos.
Assim que acabei, fiquei esperando ele acordar, mas estava tão cansada que acabei dormindo. Acordei sentindo dores por todo o corpo. Notei que estava deitada por cima da barriga dele e que sua mão estava nos meus cabelos. Levantei a cabeça e vi que ainda não tinha amanhecido. A mão dele agarrou novamente a minha e eu me virei para encarar seus olhos, ainda continuavam fechados, mas ele estava gemendo muito, parecia estar sentindo muita dor. Sentei-me ao seu lado, apoiei sua cabeça em meu colo e acariciei seus cabelos, achando que talvez ajudasse. Os gemidos diminuíram até que pararam de vez e ele lentamente abriu os olhos.
– O que você está fazendo? Como eu vim parar aqui? – ele se levantou, mas eu o empurrei de volta para a cama.
– É melhor ficar deitado. – me sentei na cadeira que estava ao lado da cama – Então, do que se lembra?
– Me lembro de estar dando uma volta por aqui perto e acabei encontrando a Cana, ela disse que precisava falar comigo. Segui-a até um bar, lá ela começou a fazer várias perguntas sobre você e eu. Aí ela me contou que você... – ele me encarou -... Tinha beijado o Gray. – abaixei a cabeça esperando. – Depois tudo que ela saiu eu me lembro de ter pedido uma bebida e depois o mundo começou a rodar e eu não me lembro de mais nada. – ele continuava me olhando. Mexi-me na cadeira, desconfortável com o momento. – Então, você beijou mesmo ele?- pude sentir a raiva em sua voz.
– Não, quer dizer sim, quer dizer mais ou menos. Na verdade, foi ele que me atacou. – mordi o lábio e olhei para ele esperando sua reação. Estava claro que ele estava com raiva.
– Aquele filho da puta, ele teve coragem de fazer isso?- abaixei a cabeça. Sua mão apertou levemente meu queixo me fazendo levantar os olhos. — Se você diz que não foi culpa sua, eu acredito. Mas se aquele pervertido chegar perto de você novamente, eu quebro a cara dele.
Olhei para o céu pela janela, o sol já estava nascendo. “ Ao nascer do sol” a voz de Cana passou pela minha cabeça. A competição! Já estava quase na hora! Levantei-me com um pulo.
– Vamos Natsu!- puxei-o pelo braço – estamos atrasados.
– Atrasado para quê? – ele estava confuso.
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