Entre a Escuridão há Esperança
36 Entre a Escuridão há Esperança
Notas iniciais
NATSU POV’S
Não. Não podia ser verdade, ela não podia ter morrido. Uma parte de mim queria acreditar que ela ainda estava viva, mas a outra parte – a parte maior – queria vingança. Nunca tinha entendido como eu me sentia a respeito dela, e agora, quando eu finalmente sabia, ela era tirada de mim. Sem ela, a escuridão tomava conta do meu mundo e não havia mais esperança. Tudo que eu conseguia pensar era em vingança. Olhei uma última vez para ela, sentindo meu coração se partir.
– Ela ainda não está morta. – falou uma voz, me virei para ver, Zeref. Ao seu lado estava o portal semiaberto, aquilo era o motivo da Lucy estar assim.
– O que quer dizer? – falei com raiva e um pouco de esperança talvez. Verifiquei novamente, sem pulso.
– Que ela ainda não morreu, só está a deriva. Mas não por muito tempo. – ele falou sem emoção – Então, parece que você está finalmente pronto para cumprir o seu destino.
– Do que está falando? Que destino? E mais uma coisa, como você me conhece? – perguntei me levantando. – Eu quero algumas respostas.
– Se faz tanta questão, vou lhe contar sobre o seu destino. Antes de tudo, preciso que saiba que eu era uma boa pessoa, e tudo graças a uma garota, Mavis era o nome dela, ela era muito bondosa e gentil. Passamos a viajar pelo mundo juntos, e, quanto mais eu via a destruição, as guerras, mais sombrio eu me tornava. Chegou o dia em que nós nos separamos, afinal luz e trevas não podem conviver juntas. Ela foi para Magnólia e criou a Fairy Tail, tenho certeza de que era um meio para me destruir, e eu passei a vagar pelo mundo, onde quer que houvesse guerras, lá eu estava. Séculos se passaram e eu cansei de tudo e acabei indo para Tenroujima, cansado de toda a destruição que eu tinha causado.
– E o que eu tenho haver com isso? – perguntei sem entender nada.
– Foi previsto que uma pessoa de coração puro e vontade inexplicável nasceria para me derrotar.
– E você acha que essa pessoa sou eu?
– Por vários anos eu o observo. Sabe, esse seu cachecol foi um presente do seu pai, ele já conhecia o seu destino, e lhe deu como uma forma de proteção contra mim. Quando nos encontramos em Tenroujima, você ainda não estava pronto para me enfrentar. Aquele foi o dia em que os outros me despertaram, despertaram a maldade que eu mantive guardada por década novamente.
–E é por isso que você quer destruir o mundo todo?
– Eu irei destruir esse mundo e criar um novo, um mundo sem guerras, com esperança, um mundo como a Mavia queria, antes de eu virar o que sou hoje e dela sentir que eu era uma ameaça. E agora eu consertarei tudo.
– Eu nunca te vi como uma ameaça. – falou uma voz doce e suave ao meu lado. Olhei. Era a Mavis. – Eu criei a Fairy Tail como uma esperança, de que um dia, uma geração pudesse te livrar da sua escuridão. E agora nós vamos te purificar. Venha conosco. – ela estendeu a mão e ele levou as mãos à cabeça e sussurrou furiosamente.
– Não! Se afastem, eu estou perdendo o controle, não quero machucar ninguém. – uma aura negra se formou ao seu redor e se expandiu.
“Porra, a Lucy!” pensei e corri na direção dela protegendo seu corpo com o meu. Imediatamente meu cachecol ficou negro.
Ele se levantou e nos olhou decidido.
– Não quero a sua ajuda, você me abandonou aquela noite e fez fica pior o que eu tinha me tornado. – falou ele para a Mavis – Mas agora eu irei criar um novo mundo, com tudo como deveria ser, mesmo que para isso eu tenha que te matar.
Investi contra ele aplicando um soco potente em seu queixo, meu corpo reagia a raiva automaticamente.
– Você fala tanta merda que poderia passar por uma privada. Toda essa baboseira sobre criar um novo mundo, e isso pra quê? Não precisamos de outro mundo, já temos o nosso, temos nossa vidas e vamos vive-las, e se você continuar com essa conversa fiada, eu mesmo vou enfiar razão na sua cabeça. – gritei irritado.
– Como eu disse, eu sou o que as pessoas fizeram de mim. Não tenho outra escolha, esse é o meu destino. – ele falou cuspindo um pouco de sangue.
– Que porcaria de destino! Você acredita mesmo nessas bobagens? Todos têm escolha e nós temos que fazê-las. Se você ficou assim, culpa sua que não quis escolher outro caminho. Você não pode destruir o mundo apenas porque fez escolhas erradas. Ainda há tempo de mudar, se arrependa de tudo e venha conosco. – nesse momento os outros irromperam pela porta ruidosamente.
– Natsu, o portal! – gritou Gray apoiado na Juvia. Virei-me para olhar e vi que ele tinha se aberto completamente. Ao longe se podiam ver várias sombras indistintas que ao passarem pelo portal, tomavam a forma de demônios.
– Natsu. – chamou Mavis – Cuide do porral, eu cuido do Zeref. – assenti e ela desapareceu junto com ele. Fui me reunir com os outros.
– Você conseguiu? Onde está a Lucy? – perguntou Erza.
– Wendy, preciso que dê uma olhada nela, o Zeref disse que ela ainda não estava morta. – a pequena correu – Agora temos que dar um jeito naqueles demônios, eles estão aumentando a cada minuto.
– Que tal uma ajuda? – falou uma voz vinda de trás.
– Mestre, pessoal! Estão todos aqui! –falei ao ver todos parados – Ótimo, vamos ao trabalho. – Mas antes que pudéssemos dar um passo, ouvimos um grito vindo da Wendy. Corri para ela e vi a Lucy de pé.
– Lucy, você está... – parei ao vê-la abrir os olhos, estavam de um dourado-fogo profundo, com certeza não era a Lucy. – O que está acontecendo? – puxei Wendy para longe e me aproximei um pouco mais – Lucy, é você?
Enquanto isso...
MAVIS POV’S
Deixei que Natsu e o resto do pessoal cuidassem das coisas por lá. No momento, eu precisava ter uma boa conversa com o Zeref. Transportei-nos para uma zona familiar a nós dois, era o lugar onde nos conhecemos. Encarei-o tristemente, lembrando dos bons momentos que havíamos passado, quando as coisa haviam chegado a esse ponto? Por que amá-lo tinha que ser tão difícil? Se eu o amava? Claro. Depois de anos convivendo juntos, eu passei a me aproximar cada vez mais dele, e assim, um sentimento que antes era amizade, se tornou amor. Ele me encarou de volta, sua expressão era um misto de tristeza e raiva. Senti os meus olhos arderem ao encarar seus olhos, queria voltar no tempo, concertar os erros do passado, e, quem sabe assim, poderíamos ser felizes agora. Mas estes não foram os planos do destino, e aqui estava eu, e lá estava ele, dois lados de uma moeda, condenados a viver eternamente em batalha. Mas se dependesse de mim, isso iria mudar.
– Por que aqui? – ele falou quebrando o silêncio. – De todos os lugares, por que justo aqui?
– Você se lembra de quando nos conhecemos? Eu estava só, abandonada e você também, mas mesmo assim fez de tudo para me ajudar.
– O tempo passa, as pessoas mudam. – falou.
– Isso mesmo, as pessoas mudam, por fora, mas elas nunca mudarão o que são por dentro, a sua verdadeira natureza. – falei dando um passo na sua direção, ele apenas encarou a grama morta ao seu redor, antes esse lugar havia sido lindo- uma campina verdejante salpicada de flores – mas agora, ele estava destruído.
– Não entendo o que você quer Mavis. Eu sou o que sou e nada pode mudar isso, nem mesmo você pode retirar toda a escuridão que existe no meu coração. Então porque não se junta a mim, juntos nós criaremos um novo mundo, um mundo onde possamos viver sem restrições, onde a vida seria mais fácil.
– Essa é a questão, nem sempre é melhor seguir o caminho mais fácil, às vezes o caminho difícil é o melhor, pois ele faz com que compreendemos melhor os nossos erros e tentemos concertá-los, o caminho difícil nos ensina lições importantes. Você diz que o seu coração se tornou escuro, mas mesmo na maior escuridão de todas, há um fio de esperança que nos motiva a ir sempre em frente, não importando o caminho. – ele balançou a cabeça e eu vi uma lágrima solitária escorrer pelo seu rosto, continuei – Vamos Zeref, deixe isso de lado, venha comigo, eu serei o seu fio de esperança. – estendi a mão sorrindo gentilmente, ele deu um passo na minha direção e inclinou o rosto, me beijando suavemente. Afastei-me com o rosto ardendo de vergonha e surpresa.
– Sinto muito Mavis, mas meu caminho já foi escolhido, e quando escolhemos, é preciso continuar nele até o fim. – ele sorriu tristemente e se virou para ir – Mas antes do fim, eu quero que saiba que eu também amo você, e é por isso que eu estou fazendo tudo isso, para ter uma nova chance, uma que eu deixei de lado há muito tempo. Até logo, Mavis. – ele foi embora. Por quê? Por que tinha que ser assim? Parece até que o destino conspira contra mim, fazendo o contrário do que deveria ser. Mas isso não ia ficar assim. Eu vou livrar você da sua escuridão, Zeref.
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