Entre a Escuridão há Esperança
11 Investigação
Notas iniciais
No dia seguinte, acordei zonza de tanto sono. Tinha dormido muito pouco, e o pouco que dormi foi povoado por pesadelos. Levantei-me em silêncio e com cuidado para não acordar Natsu. Precisava de um bom banho para relaxar, mas quando vi o estado do banheiro quase caí para trás, então achei melhor tomar meu banho em um lago ali perto. Estava tão bom que nem percebi quando o Natsu chegou e entrou na água.
– O que está fazendo aqui?- gritei pegando a toalha que tinha deixado na margem e me enrolando.
– Por que está fazendo isso? Eu já vi tudo e tantas vezes que até perdeu a graça.
– Pode ao menos se virar?- pedi
Ele se virou e eu rapidamente terminei meu banho e saí, dei alguns passos e senti alguma coisa agarrando meu pé, pulei com o susto.
– Ai, que bicho te mordeu, ein? – perguntou ele fazendo um careta
– Diz logo o que você quer. — revirei os olhos e suspirei
– Será que você poderia pegar uma toalha para mim?- ele me olhou com um sorriso.
– É sério?- perguntei encarando-o- Tá, eu pego. — peguei a toalha extra que tinha trazido, enrolei em uma pedra e joguei.
– Ai!- o ouvi reclamar- Por que fez isso?
– Te peguei! – comecei a correr e ele correu atrás de mim. Quando pude perceber, estava com as costas apoiadas em um tronco olhando para aqueles olhos que não pareciam não ter fim. Ele aproximou a boca do meu ouvido e falou:
– E agora? Quem pegou quem?- sua voz estava baixa e rouca, fazendo me causando arrepios. Ele me soltou e nós voltamos para a sua casa. Vesti minha roupa e finalmente ele criou coragem para perguntar:
– Então... Porque você chegou daquele jeito ontem?
– É complicado. — respondi sem querer entrar no assunto.
– Então descomplique. – rebateu ele
– Onde está o Happy? — tentei mudar de assunto
– Ele foi dormir com a Wendy e a Charles.
– Gente, quem diria aqueles dois! – falei com um sorriso.
– Dá pra parar de enrolar e contar logo!
Mordi o lábio e olhei em seus olhos, algo neles me dizia que era seguro contar. Contei tudo exatamente como tinha acontecido e ao final ele falou:
– Bando de viados, vão pagar pelo que fizeram. — seu rosto demonstrava a raiva que estava sentindo. Ele estava sombrio, tremi com medo do que podia acontece. Chegamos ao meu apartamento e tudo estava como ontem, ou melhor, quase tudo, a mensagem tinha desaparecido juntamente com o sangue, mas encontramos o mesmo símbolo que eu tinha visto marcado em uma das paredes. Natsu achou melhor falar com o mestre. Contei novamente a história e o levei para ver a marca na parede, ele ficou pensativo e chamou o Natsu para conversar. Por curiosidade, segui-os fazendo o mínimo de barulho possível e consegui ouvir uma parte da conversa:
– Natsu, não a deixe sozinha, ela ainda não está pronta para isso. — falava o mestre
– Pronta para quê? O que isso significa?- perguntava Natsu.
– Não posso contar meu filho, só faça de tudo para protegê-la.
Não aguentei mais e saí. O que será que o mestre estava escondendo? Eu precisava descobrir. Fui tirada dos meus pensamentos por uma mão que foi colocada gentilmente sobre o meu ombro, era o mestre.
– Eu já vou indo, se cuidem. Até logo.
Olhei para Natsu, mas ele desviou o olhar.
– Bem, é melhor eu começar a limpar essa bagunça. — falei
– Eu ajudo.
– Não, não precisa. Eu me viro sozinha.
– Ei, eu preciso recompensar a última vez. – pude notar que ele estava envergonhado, então cedi ao pedido.
Enquanto limpava, encontrei perto da escrivaninha uma pedra roxa na forma de um triângulo que cabia na palma da minha mão. Coloquei a pedra em uma gaveta antes que Natsu visse e continuei a limpar. Demorou menos do que eu esperava. Natsu pediu para dormir aqui e eu deixei, pois ainda estava com medo. Fui tomar um banho e vesti meu pijama — um shortinho e uma blusa de mangas – e fui para a cama, o encontrei deitado ocupando quase todo o espaço, me espremi no pouco que tinha sobrado e dormi.
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