Entre Tropeços
1 Capítulo Único - Entre Tropeços
Notas iniciais
Esperamos que curtam! ;)
PS: nas notas finais deixaremos o link de outras Ones da nossa parceira.
Regina não sabia o que estava acontecendo, apenas lembrava-se de algo súbito a envolver, algo que só agora ela fora perceber que era magia, uma magia que se dissipava aos poucos fazendo com seus pés tocassem o chão verde.
Grama, aquilo era grama. Regina olhou a sua volta e franziu o cenho. Estava no meio da floresta ou sua visão estava a enganando? Lembrava-se de segundos atrás estar sentada em sua mesa do escritório.
Não sabia se deveria caminhar a procura do que causara aquilo ou se deveria permanecer ali, esperando o quê quer que fosse aparecer ou acontecer.
— Isso te lembra o passado, não lembra? – a voz soou atrás de si e a morena virou-se se deparando com Malévola. – Você era tão nova, eu também. – caminhava sorridente em volta de Regina.
— Posso saber o quê está acontecendo aqui? Por qual motivo eu fui retirada do conforto do meu escritório e trazida para o meio desse... nada? – inquiriu com um arquear de sobrancelha. Malévola deu de ombros e sorriu maliciosamente se aproximando um pouco mais.
— Relembrar os velhos tempos, minha querida amiga. – A loira debochou do título que dera a Regina.
— Eu realmente estou sem tempo para os seus jogos. – Regina disse um pouco irritada cruzando os braços.
— Quero apenas conversar. – Malévola ofereceu inocentemente, ainda com o sorriso malicioso plantado em seus lábios. – Afinal, você me deixou trancafiada por quase 20 anos naquela caverna subterrânea. Achei que poderíamos conversar um pouco longe da Úrsula e Cruella.
— Você sabe muito bem, que merecia estar lá em baixo. Aliás, deveria continuar por lá. – A morena respirou fundo tentando organizar a falta de controle que tinha dentro dela.
— Eu só quero saber o que aconteceu... Você sabe, essa tal de Salvadora, o seu namoradinho ladrão. – A loira arqueou uma das sobrancelhas ao ver a tensão corporal de Regina. – Ele se foi não é? Você realmente é patética com seus finais felizes.
— E quanto a você que não foi capaz de cuidar de sua filha. – Regina esbravejou com raiva, sentindo a cólera invadindo cada poro de sua pele. – Parece que somos fadadas a infelicidade não é mesmo, minha querida?
Malévola sustentou o olhar por longos segundos, suas íris se dilataram e Regina pode vê-las grandemente brilhando, e foi só então que se dera conta do quanto havia sido dura com as palavras.
— Perder amores para a morte é uma coisa, Regina. – a loira desviou o olhar. – Agora saber que sua filha está viva, mas foi tirada de você... – soltou um riso fraco e irônico. – Com isso não há comparação.
— Eu sinto muito! – deixou os ombros caírem.
Por mais que Regina e Malévola tentassem se odiar arduamente, demonstrarem o quanto podiam ser inimigas, havia algo no caminho que falhava.
— Eu de fato não posso imaginar Henry sendo tirado de mim. – continuou e encaminhou-se para um tronco caído no chão e sentou-se nele. – Mas então, queria conversar.
— Eu já disse os motivos.
— Sim, eu os ouvi e confesso que não acreditei em nenhum. – sorriu arqueando uma sobrancelha. – Agora o quê você quer deve ser muito urgente para me trazer aqui a força e escondida.
— Eu preciso da sua ajuda. – Malévola confessou, relaxando um pouco.
Ela não queria demonstrar sua superioridade, ou sua raiva que escondia por anos, estava ali realmente para pedir ajuda. Afinal, depois de 20 anos trancada por causa de Regina seria difícil ela negar.
— E o que seria? – Regina perguntou com interesse evidente.
Esperava não ser enganada por Malévola. A Rainha Má poderia ter inúmeros motivos para virar e ir embora, mas resolveu escutar o que a loira tinha a dizer. Elas já passaram por muitas coisas para Regina simplesmente ignorar um pedido de ajuda, ela estava tentando mudar. Por Henry, ela então tinha que ficar. E Malévola também parecia agora um pouco mais apreensiva e de alguma maneira suas palavras soaram verdadeiras.
— Aconteceu alguma coisa? – Regina retornou a falar apertando os olhos momentaneamente.
— Como você consegue? – Malévola falou rapidamente sentindo-se frustrada.
— Consegue o que? – A Rainha Má franziu o cenho sem entender o que a loira queria dizer.
— Como consegue viver nesse mundo? Como consegue ser mãe? Como consegue tentar ser boa, sem querer fazer uma enorme bola de fogo e destruir tudo? – Malévola disse rapidamente.
Regina por alguns instantes apenas refletiu sobre aquela pergunta. Como de fato conseguia? Será que realmente conseguia? Ou faltava algo para tudo ser completo? Algo ou alguém? Foi tirada de seus pensamentos quando sentiu a loira sentar-se ao seu lado.
— Henry. – disse sem encará-la. – Minha vida gira em torno do Henry, eu o amo e ele me faz querer seguir em frente e ser a mãe que ele quer que eu seja.
— E se Lily não quiser que eu seja quem eu sou? Eu nunca irei mudar?
— Se isso fizer Lily feliz. – a morena se viu dizendo aquelas palavras como se escapassem de seus lábios involuntariamente. – Quero dizer... Se está me perguntando isso é sinal de que você quer mudar, ou estou errada?
— Não, não está. – sentiu-se leve ao dizer aquilo e o pequeno sorriso que brotara em seus lábios denunciava isso. – Eu apenas estou procurando um motivo para concretizar isso.
— Lily não te parece suficiente?
— Henry te parece?
Mais uma vez Malévola fazia uma pergunta que pegara Regina despreparada. Se Henry era o único motivo de toda sua mudança?
– Sim. – Admitiu ela como continuação de seu pensamento. – A gente pensa no nosso amor verdadeiro em alguém amorosamente, como Mary e David. Mas acho que o amor verdadeiro não é apenas isso. Para mim, meu amor verdadeiro é meu filho. Henry não nasceu de mim, mas confesse quando você vê seu filho pela primeira vez, você é capaz de tudo, até mesmo mover montanhas, é um amor incondicional que de repente brota no nosso coração. Até mesmo no nosso coração lotado de escuridão Mal. – Regina suavizou a voz usando o apelido intimo que ambas usavam anos atrás.
— É como se Lily fosse minha luz no meio de tudo isso. – A loira sorriu tristemente.
— Pois então, a mudança não vale à pena? – Regina disse se aproximando mais um pouco, enquanto fitava Malévola perdida em seus próprios conflitos internos.
— É claro que vale, mas se os filhos são esse amor incondicional todo que você falou, eles estarão lá por nós em todos os momentos, inclusive nas nossas recaídas.
Fixou seu olhar nas íris castanhas que a fitavam com genuíno interesse. Regina refletiu sobre aquilo que acabara de ouvir e chegou de fato ao cerne daquela conversa. Ela concordava.
— Você tem razão. – desviou o olhar. – Faz sentido ter chamado justamente eu para ter essa conversa, eu só não sei o quê você espera que eu diga.
— Que sente o mesmo que eu... – a morena voltou a fitá-la boquiaberta. – Quero dizer, que sente esse vazio e não sabe o que fazer, ou a quem recorrer.
— E por que justamente eu aliviaria seu vazio? Nunca tenho nada positivo para dizer, essa pessoa é a Mary.
— Você me entende, você me conhece... – sua mão alcançou a mão de Regina e a puxou para si. – Nós procuramos pelo mesmo.
— Malévola... – Regina sussurrou, liberando o ar pela boca. – A gente não se entende, a gente nunca se entendeu. Você sabe disso. Nossa relação sempre foi de interesse, desde o dia que nós nos conhecemos. Acho que desde então nada mudou...
A loira ainda segurava a mão de Regina e apertou levemente reafirmando seu toque, trazendo a para o seu peito.
— Você trouxe minha filha de volta, se hoje eu consigo sorrir ou trocar alguma palavra com Lily é por causa de você. Eu não costumo fazer isso, mas eu nunca vou poder agradecer o suficiente.
— Apenas mude pela sua filha, seja a mãe que ela merecer ter. Lily sofreu muito também com sua ausência. Eu sei que não é a sua culpa, sei que não dá para recuperar o tempo perdido, mas Malévola, sei que se eu consegui, você também consegue. – Regina falou fitando os olhos de sua amiga.
Ela mesma tinha que admitir a estranheza dessa aproximação, Regina não era uma mulher que se abria facilmente. Entretanto, se via no lugar de Malévola. Sabia que a bruxa verdadeiramente queria mudar. Regina teve ajuda de Henry, Emma e até mesmo Mary para mudar. Malévola também merecia.
— Sim, você tem razão, mas ainda assim tem algo mais que me falta... – sua voz era um pequeno sussurro. – Eu não perdi só minha filha no passado, eu perdi mais alguém também, eu deixei ir.
— Quem? – alternava o olhar entre as íris da loira a sua frente. Era como se pudesse ler a resposta neles.
— Você!
— Malévola... – sentiu um nó se formar em sua garganta enquanto via a loira sorrir com os olhos brilhando. – Nós... nós nos destruiríamos.
— Nossos filhos estarão lá para nos recompor se isso acontecer. – aproximou-se mais da morena e em momento algum soltou sua mão. – Escute, por que não tentar? Talvez seja apenas isso que nos falte.
— E se não for?
— É necessário descobrir, não acha?
Regina sorriu ante a declaração da loira, não podia negar que concordava com cada uma de suas palavras. Malévola estava derrubando suas barreiras junto dela, por que manter suas erguidas?
Viu Malévola inclinar sua cabeça para o lado e involuntariamente fez o mesmo para que seus lábios pudessem encontrar o encaixe perfeito, e assim que se tocaram, ela agradeceu a si mesma por ter permitido aquilo.
O beijo não era estranho, era familiar de anos atrás já provado. Só que ali havia um frescor, algo diferente, não somente a urgência de desejo, mas uma cumplicidade que as duas partilhavam. Malévola desenhou suas mãos no quadril de Regina trazendo-a para mais perto e hesitantemente a Rainha Má foi levando seus braços ao redor do pescoço da loira. Elas ficaram ali, perdidas entre os beijos saudosos e familiares. Um gemido saiu dos lábios de Malévola e a mesma não pode deixar de sorrir dentro dos lábios de Regina.
— Ainda com o mesmo beijo inocente. Muita coisa mudou nesses últimos anos, mas algumas continuaram exatamente as mesmas. – A voz rouca de Malévola fez com que Regina corasse levemente.
— O que estamos fazendo? – Regina perguntou para si mesma com um riso cansado. – Você sabe que isso é loucura, não sabe? E perigoso também... – A Rainha Má disse fitando os olhos azuis de Malévola, que agora estavam com a pupila dilatada e apenas era possível ver um pequeno aro da cor de sua íris.
— E nós, sendo quem somos, fazemos algo mais que não seja loucura ou nos metermos com o perigo? – ambas sorriram ante a pergunta. – Se é para correr riscos Regina, que seja ao seu lado.
— Você vai acabar me convencendo. – a morena riu e fixou seu olhar no de Malévola sem se desprender dela. – Acho que você tem razão. Eu não tenho para onde fugir.
— Agora você tem a mim e se precisar fugir, nós encontraremos uma maneira.
Regina sorriu junto da loira antes de colarem novamente seus lábios. Ali no meio da floresta de Storybrooke selaram algo iniciado no passado e que havia ficado preso naquele vazio de cada uma durante todos esses anos. Agora haviam encontrado o momento certo para desfazerem seus tropeços ou para uni-los.
— Venha. – a morena levantou-se e a puxou pela mão a fazendo levantar-se também. – Temos nossos outros amores incondicionais nos esperando.
— Eles precisam viver essa loucura conosco! – o som das risadas das duas perdurou naquele local, mesmo depois que já haviam partido abraçadas, rumo a um futuro onde a única certeza era de que nenhum perigo poderia ser maior do que não viverem aquilo.
Notas finais
Aqui estão outras Ones nossas, caso tenham gostado da parceria e queiram ler:
Law and Order: SVU - CaBenson: https://fanfiction.com.br/historia/709751/Tempo_Perdido/
O Diabo Veste Prada - MirAndy: https://fanfiction.com.br/historia/710421/Visita_Inesperada/
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