Entre Trevas e Luz
2 Capítulo II
Capítulo II
Scorpius Malfoy.
Quando Yoko finalmente despertou, acompanhei ela e Minerva até a diretoria. Todos a olhavam como se fossem louca por ter sentido a cobra chegar.
Ao adentrar a sala da diretora, encontramos lá ninguém menos que Harry Potter. Seu rosto estava contorcido de raiva.
– O que você quer conosco? – Questionou Yoko, o encarando.
– O que você quer comigo?! – gritou o Potter, se levantando. – Fala com cobras! Assim como seu avô!
– Meu... o que? – Perguntou ela, totalmente confusa.
– Senhor Potter. – chamou Minerva. – Não foi assim que o eduquei na Grifinória. Sentem-se todos. – ordenou, indo para sua cadeira.
Eu sentei ao lado de Yoko, e Harry Potter se sentou ao meu lado.
– O que quer conosco, diretora? – Questionei direito.
– Com você, Sr. Malfoy, nada. Mas sua namorada não tinha condições de vir sozinha. – pontuou Minerva, me calando. Velha chata! – Bem, Senhorita Dledir, nos conte exatamente o que aconteceu.
– Depois que Scorpius me pediu em casamento, ouvi a alguma coisa, que depois descobri ser o basilisco, sussurrando alguma coisa, vinha das paredes. – Respondeu ela, assustada.
– Vê, professora Minerva? Ela é claramente a herdeira perdida! – gritou Potter.
– Eu fui criada por Blásio e Pansy Zabinne, meus padrinhos. Minha mãe era Cho Chang, mas não sei quem é meu pai. – Respondeu Yoko, calmamente.
Yoko Dledir.
– Bem, Yoko... A última pessoa que falou com cobras, além de Harry, foi Tom Riddle. E, como sabe, sua mãe morreu no parto, devido a uma espécie de magia que lançaram nela... – começou Minerva, mas eu a cortei.
– Não, não, não! Não sou filha de Voldemort! – gritei.
– Ah, garota burra! – Gritou o Potter.
– Harry Potter! – Repreendeu Minerva. – Se elevar esse tom de voz novamente, será expulso de minha sala. – Voltou-se para mim. – Senhorita Yoko, não é filha de Tom Riddle, mas sim neta.
– Sou tão burra que minhas notas são maiores que as de Hermione Weasley. – Respondi. – Vocês estão errados, diretora. – Suspirei.
A diretora se levantou e veio até mim, me estendendo a mão.
– Pode me acompanhar num passeio? – pediu.
– É comigo, diretora? – Questionei sem entender.
– Sim, senhorita Dledir. Preciso contar-lhe algumas coisas, mas receio que este não seja o melhor ambiente. – ela apontou com os olhos para Harry Potter.
– É melhor ir, Yoko. – incentivou Scorpius.
– Claro, diretora. Amor, te vejo no almoço. – Disse, antes de dar um beijo no rosto de meu noivo.
– Devo dizer, senhorita Dledir... – começou Minerva, mas sua frase foi cortada assim que toquei sua mão.
Algo me sugou, e eu não estava mais na diretoria. Estava girando freneticamente para todos os lados, passando por todos os lugares. Fechei os olhos para não ter que ver o que acontecia enquanto eu girava, mas isso só piorou tudo. Eu não sentia o vento, o que indicava que eu esta indo rápido demais até para isso.
– … Que é terminantemente proibido esse tipo de afeto na frente da diretora. – terminou sua frase anterior, mas ligando para mim. – A senhorita está bem? – inquiriu rindo.
– Não, tá tudo girando. – murmurei, tonta.
– Já pode abrir os olhos, já pareamos. – ouvi-la dizer, soltando minhas mãos.
Pisquei os olhos e olhei ao redor, mas tudo parecia ainda estar girando.
– Acabou de aparatar, não se esforce muito. Quer um chá? – Só então percebi que estávamos em uma espécie de cafeteria americana, mas sem ninguém lá dentro.
– Sim, por favor. – Falei, depois de me sentar.
Minerva puxou do balcão duas xícaras com um líquido claro e um prato com alguns biscoitos.
– Senhorita Dledir, pode me dizer o que o Basilisco lhe sussurrou? – pediu.
– Potter. Potter. Potter. – Sussurrei, bebericando o chá.
– Entendo... – ela murmurou, também bebendo de sua xícara. – Isso é um tanto preocupante. Sabe quem foi o último falador da língua das cobras, Yoko?
– Harry Potter. – Respondi direta.
– Sim, e sabe por quê?
– Ele era uma Horcrux. – Falei, me lembrando das aulas de história da magia.
– Sim, uma Horcrux de Voldemort. E sabe... Tom se envolveu com uma garota em sua mocidade, e eles tiveram um filho. Essa garota se escondeu com o bebê, mas, alguns anos depois, Voldemort a achou. Seu filho conseguiu escapar, mas nunca mais ouvimos falar dele.
– Mas Tom não foi o único bruxo capaz de falar com cobras, diretora. – Suspirei, me sentido acusada, acusada de algo que eu não podia controlar.
– Bem, não sou eu que vou ou não provar isso, senhorita. Receio que teremos que esperar suas próprias conclusões. Só lhe peço algo: Fique bem longe da Sonserina, e bem longe da abertura da Câmara Secreta. – resmungou, sua voz me causando arrepios.
– Eu não vou ficar longe de Scorpius Malfoy. Eu não sou uma profecia e Harry Potter está cada vez mais soberbo. – Retruquei sorrindo.
– Senhorita Dledir, temo não entender o porquê de ter colocado o Senhor Potter nessa conversa. – ela esbravejou. – Não tente mudar de assunto.
– Porque ele me toma por erros que eu não cometi e eu nunca dei nenhum problema, ao contrário, salvei um dos filhos dele de serem mortos por uma cobra gigante. – Ressaltei.
– Receio que não deva falar assim com sua diretora. – ela disse, se controlando e bebericando seu chá.
– Vocês estão me acusando de ser um mostro e qual foi o problema que já causei? Minhas notas são maiores que as de Hermione Weasley e Scorpius Malfoy melhorou desde começamos a namorar, como quer que eu me sinta? – Questionei perdida.
– Ninguém quer saber sobre seus grandes feitos! Entenda que é o maior perigo que encontramos desde o período de paz! – ela gritou, me assustada, mas logo se recompôs. – Creio que não queira ajuda, senhorita Dledir. Pois bem, se vire sozinha. – Dito isso, ela segurou em meu braço por cima da mesa e aparatamos novamente em sua sala.
– Sabe, diretora, só uma sugestão: dá próxima vez que quiser contar a um aluno que seu pai pode ser filho de Tom Riddle, não tenha nenhum Potter por perto ou me acuse de coisas que eu não fiz. Como pretendia me ajudar? Me enviando para Askaban? – Eu me sentia frustrada.
– Vamos, Yoko. – ouvi Scorpius sussurrar em minhas costas, me puxando pelos ombros.
– Vou pedir transferência para a Acadêmica de Magia Brasileira. – Comentei decida. – Que fossem Merlin! E, mesmo assim, eles não podem jogar em mim a culpa de algo que eu não fiz!
Eu estava exasperada.
– E vai me deixar sozinho aqui? – ele sussurrou contra meu ouvido, ainda abraçado em mim, enquanto andávamos pelos corredores. Pelo seu tom de voz, Scorpius tentava me acalmar.
– Venha comigo. – Sussurrei de volta, me apoiando no peito dele.
– Estamos no último ano, Yoko. As coisas vão voltar ao normal, mas, caso ainda queira, providenciarei com meus pais nossa mudança. – ele ofereceu, nos guiando por um corredor que desconhecia.
– Eu não sei... Eles acham que eu sou um mostro. – Eu não queria chorar, mas meus olhos ardiam pelas lágrimas.
– É cedo demais para dizer isso, meu bem. – ele murmurava, acariciando minhas mãos. – Feche os olhos. – Ele mandou.
Fechei os olhos e comecei a andar, encostando a cabeça no queixo dele.
– Não pode contar a ninguém que esteve aqui. Minerva não gostaria de saber que descobrimos. – o ouvi sussurrar, me empurrando e me fazendo dar dois passos. Me surpreendi quando não senti meu nariz se chocar com a parede. – Abra os olhos.
– Onde estamos, Malfoy? – Questionei curiosa, olhando ao redor.
– Sala Precisa. – ele sorriu, me soltando. – É só dizer o que precisa, e ela dará.
Um cenário de colina tomou conta do lugar, e podia até mesmo sentir a brisa suave dali.
– Você ainda ficaria comigo se eu fosse...? – Sussurrei, não conseguindo terminar a frase, pois comecei a chorar.
– Eu lutei por você durante anos, não vai se livras de mim tão fácil, Yoko Dledir. – ele confirmou, me sentando em seu colo no gramado e limpando minhas lágrimas.
– Meu loirinho, eu amo você. – Sussurrei, mordiscando o queixo dele.
– Eu sei, é impossível não me amar. – ele suspirou, recebendo uma cotovelada minha.
– Meu bebê – Deitei a cabeça no ombro dele.
Percebi então que ele estaria ali, comigo. Que não importava o quão estranha eu poderia ser, Scorpius ainda me veria como a lufana desengonçada que eu era. Eu agradecia por isso.
Capítulo II
Scorpius Malfoy.
– Amor, acha que devemos falar com seus pais e meus padrinhos o que houve? – Questionou Yoko, antes de beijar a ponta do meu nariz.
Pensei bem naquilo que meus pais me falaram quando vos contei sobre Yoko. Disseram que namorar alguém com a linhagem duvidosa não era bom para nossa família, mas, depois de muito esforço meu, consegui que aceitassem.
– Acho melhor não, docinho. Entenda, ainda não sabemos o que aconteceu e não quero que nos afastem. – murmurei, a apertando mais contra meu corpo
– Se tudo isso for verdade, promete que vai ficar seguro? – Pediu ela, beijando meu pescoço. – Seus pais não gostavam de mim no começo por causa da incerteza de meu sangue puro ou impuro, que diriam ao descobrir que eu posso ser nata do... – Yoko abaixou o olhar.
– Primeiramente, quero ressaltar que você tem um namorado tarado em você, então pare de beijar esse lugar. – Tentei fazê-la rir. – Segundo, eu vou ficar seguro, e vou te manter segura também. – Prometi. – E terceiro, não importa o que eles pensam ou não. Você é minha agora.
– Eu te amo, Scorpius, você sempre foi minha constelação guia. – Sussurrou ela, acariciando meu cabelo. – Achei que gostava de carinho. – Disse manhosa.
– Esse é o problema. – Ri, beijando seus lábios levemente. – Eu gosto até demais.
– Você quer dar o próximo passo, não é? – Perguntou minha mestiça, direta.
– Nossa, você realmente enganou o Chapéu Seletor. – disse brincalhão, mas ela me fitou séria. – Não entenda mal, Yoko. Já tenho dezessete anos e você é o tipo de mulher... Atraente. – Me enrolei. – Mas não vou deixar isso acontecer até nosso casamento.
– Olha, sobre o Chapéu Seletor, eu não sei, mas a convivência contigo me ensinou algumas coisinhas. – Afirmou ela. – Quer que eu me case virgem? Quem é você o que fez com Scorpius Hyperion Malfoy? – Questionou ela, me olhando incrédula.
Gargalhei alto, me jogando por cima dela na grama.
– Acredite, quando nos casarmos, você estará perdida. – sussurrei contra sua pele, continuando a rir. – Só ressaltando: você que começou com isso.
– Comecei com o quê? – Perguntou ela confusa, acariciando meu rosto.
– Com esse assunto. Pode não parecer, mas bem difícil falar disso com você. – Confidenciei.
– Eu confio em você, sei que nunca me traiu. – Garantiu ela. – Mas, sei o quanto isso deve ser difícil para você, era o maior pegador da escola.
– Nem pense nisso. Jamais pense que troquei “tudo aquilo” por você. – Fiz aspas com as mãos, me sentando. – Eu só não sabia como podia me satisfazer só de ter você perto de mim.
E foi então que ela me olhou com lágrimas nos olhos e eu me assustei, não sabia o que tinha dito ou feito de errado. Acho que não a via chorar há muito tempo.
– Você é bom demais para mim. – Murmurou ela.
Segurei em seu pescoço, trazendo seu rosto para perto do meu.
– Eu sou bom demais pra você? – Inquiri indignado. – Yoko Dledir, você me salvou daquilo que eu era. Tudo bem que às vezes sou meio prepotente, mas a única pessoa boa demais para alguém é você.
– Você é a única família que eu tenho, meus padrinhos me tratam bem, mas são frios comigo, você é meu porto seguro, nunca mais repita que não é bom o bastante para mim.
– Viu? Somos dois machucados que precisam um do outro. – Informei, fazendo uma trilha de beijos em seu pescoço.
– Hum... Isso é tão gostoso... – Sussurrou ela, enquanto acariciava meus cabelos com carinho.
– Nem imagina. – murmurei em transe, sentindo seu cheiro. – Quanto tempo já passamos aqui?
– Não sei, mas estou com fome. – Sussurrou ela.
– Eu ofereceria que comêssemos aqui, mas podem perceber nosso sumiço. – Disse a contragosto.
Ela se levantou e tentou me puxar, mas eu não me movi.
– Levanta, tô com fome, seu gordo. – Pediu Yoko.
– Não sou gordo. Você que é fraca. – Debochei, levantando minha camisa para mostrar meus abdome para Yoko, mas ainda não me movia.
Yoko me olhou boquiaberta, com os olhos brilhantes e arregalados. Uns segundos depois, ficou tão vermelha quanto os cabelos de um Weasley.
– Agora que já me comeu com os olhos, podemos ir. – Sorri travesso e me levantei. – Vamos? – Coloquei um dedo em seu queixo, fechando sua boca e tive que controlar uma gargalhada.
Se ela soubesse que me causa isso todas as vezes que a vejo...
– Você é muito pervertido. – Acusou-me, antes de dar um soco de leve no meu braço esquerdo.
– Eu? Bem, admito que também te como com os olhos, mas sem você perceber. Se precisar, te ensino uns truques pra isso. – Ri, desejando que a porta da pequena casa ali nos colocasse de volta em Hogwarts.
– É que eu não tinha visto você assim, mas sempre te achei lindo. – Confessou ela num fio de voz.
Suguei a respiração, me forçando a não agarrá-la no meio do corredor que viramos.
– Sorte sua que estamos em público. – Resmunguei, fechando a cara.
Ela me abraçou pela cintura enquanto caminhávamos até o Salão Comum.
– Sorria, eu amo você. – Sussurrou ela.
– Vou sorrir assim que aquele cara parar de olhar para você... – rosnei, reparando que um grifinório a fitava com desejo. Chegamos perto o suficiente para eu perceber ser Albus Severo.
– Eu sou sua. – Sussurrou ela.
– É... Vou mostrar isso para ele.
Não me importando se algum inspetor ou professor passaria, agarrei a cintura de Yoko, chocando nossos corpos. Beijei seus lábios com intensidade, mas, ainda sim, amor.
– Amo você. – Sussurrou ela, depois que o beijo terminou.
– Sei que não falo muito, mas também te amo. – Encostei nossas testas.
– Gosto quando você diz isso, e mais ainda quando demonstra. – Sussurrou ela.
– Vem... – Sussurrei. – Vamos, você está com fome. – A lembrei, passando meus braços por seus ombros.
– Em qual mesa nos sentamos? – Questionou ela, antes de seu estômago roncar.
– Eu quero realmente te dar liberdade de expressão, mas vamos sentar na minha. – Sorri de lado, adentrando o salão e atraindo alguns olhares.
Andamos até a mesa da Sonserina e Yoko pediu para Luck Zabinne abrir espaço para ela sentar ao meu lado. Me senti incomodado com os olhares que meus colegas lançavam para minha namorada.
– Vamos fazer um troca? Você coloca minha capa da Sonserina e eu coloco a sua da Lufa-Lufa. – Falei alto, só para provocá-los.
Yoko gargalhou.
– Vocês têm algo pra me dizer ou perguntar? Façam logo. – Instruiu ela.
– Só estão com inveja porque a maioria das garotas e até alguns garotos queriam estar no seu lugar. – Sorriu Luck, bebendo um gole de seu suco.
– Você vai ser nosso padrinho, certo, Luck? – nós perguntamos ao mesmo tempo.
***
Yoko Dledir.
“Eu estava sozinha. Correndo desesperadamente de algo que era muito mais rápido do que eu. Scorpius há muito sumira de meu campo de vista, e eu me sentia culpada por não ter conseguido chegar até ele. Escutei um barulho alto, e percebi que era meu corpo ao ser lançado contra o corpo daquela coisa.
Uma cobra gigantesca se erguia em minha frente, seus olhos eram gigantes e negros, como um céu com estrelas.
Ela avançou contra mim, suas presas apontadas em minha direção...”
Gritei assustada, caindo da cama. Scorpius saltou da mesma, correndo até mim, seus olhos estavam angustiados.
– O que aconteceu? Foi o pirraça? Alguém esteve aqui? Fala comigo! – ele falava muito rápido.
– Você só me trouxe problema. – Sussurrei para a cobra.
Scorpius me olhou magoado, se afastando de mim.
– Eu... Mas o que eu fiz? – Sussurrou.
– Você não... Eu. Me leva para enfermeira. – Pedi.
Scorpius sempre fora muito desesperadamente exagerado, então me jogou pelo ombro e começou a correr pelos ombros.
– Eu vi o basilisco, ele entrou na minha mente. – Sussurrei tremendo.
– Quase chegando. Vai ficar tudo bem. – ele sussurrou ofegante, tentando me acalmar.
Adentramos a enfermaria, e Scorpius me colocou na primeira maca que viu, gritando a Medibruxa.
A medibruxa chegou esbaforida.
– Estou tendo alucinações. – Sussurrei, apertando uma das mãos de Scorpius.
– Oh, me diga: Tomou ou comeu algo que não está acostumada? Encostou em plantas estranhas ou alguém lhe lançou algum feitiço? – perguntou preocupada.
– Vi um basilisco. – Sussurrei com honestidade.
Ela se afastou um pouco e vi seus olhos se arregalarem, mas ela tentou disfarçar.
– Você é Yoko Dledir, querida? – sua voz saiu trêmula.
– Sim, desde que nasci. – Concordei com ela.
Scorpius soltou um risinho com minha ironia, mas logo sua expressão quando a mulher disse que chamaria a diretora para conversar sobre isso.
– Vamos embora daqui. – ele sussurrou após ela sair.
– Acho que ela sabia quem eu sou por sua causa. – Sussurrei me levantando.
– Como assim? – perguntou confuso, me jogando pelo ombro novamente em andando comigo pelos corredores.
– Você é popular, todos aqui sabem quem é você. – Sussurrei. – Sabe que eu consigo andar, certo?
– Sei, mas gosto da visão das suas coxas. – ele riu baixinho, parando em frente a um corredor desativado.
– Pra onde? – Sussurrei, acariciando suas costas.
– Vou te mostrar meu antigo quarto, lá em casa. – Ele murmurou, e a porta da Sala Precisa se abriu.
– Vamos morar juntos? – Propus sonhadora.
– Sim, hoje sim.
Logo eu estava dentro de um ambiente um tanto escuro, mas muito limpo e organizado. A chuva batia nas grandes janelas de vidro, e a grande cama de lençóis cinza estava perfeitamente dobrada.
– Seu quarto é lindo, amor. – Disse ao olhar ao redor, antes de me atirar na cama.
– Você fica bonita nele. – Ele sorriu, se deitando ao meu lado.
– Eu tô ferrada. A Madame Gato não vai deixar ninguém me ajudar.
– Eu ajudo. Sempre. – Se pôs sobre mim, encostando sua testa na minha e fechando os olhos.
– Você é tudo para mim, Scorpius. – Sussurrei contra os lábios dele e nos cobri. – Sei que é egoísta, mas quero fazer o voto. – Sussurrei mordiscando seu lábio inferior.
– Tudo que quiser. – Ele sorriu. – Com uma condição.
– Qual? – ele me deixara muito curiosa.
– Vai ter que se casar comigo ainda no feriado desse mês. – Ele me fitou, sério.
– Quero um vestido de noiva.
– Claro! – Ele se jogou na cama, sorrindo abobado. – Um grande vestido branco, flores por todos os lados, um bolo de três andares...
– Queria um estilo espartilho. – Sussurrei, mordiscando seu lábio inferior.
– Pode usar um espartilho na noite de núpcias, mas não vou deixar que te vejam. Só eu posso. – Ele fez bico.
– Quer me ver? – Questionei curiosa.
Ele arregalou os olhos e engoliu em seco. Era engraçado ver Scorpius Malfoy tímido com algo.
– Eu... Eu... Digo, você... E... – ele gaguejou, sem conseguir formar uma frase.
– Quer, amor? – Questionei curiosa, acariciando seu ombro.
– Eu não quero te forçar a nada que não quer, Yoko. – ele sussurrou. – Não pense que sou um desesperado que... – Deixou a frase morrer.
Me sentei na cama e arranquei a blusa do pijama, ficando só com um sutiã cinza de malha, bem confortável.
– Olha para mim. – Disse amável.
– Eu não posso. – Ele murmurou. – Eu sou fraco demais pra me controlar.
– Amor, olha para mim, eu estou vestida.
Ele se virou lentamente, e me fitou. Seus olhos se arregalaram e desceram para meus seios, cobertos pelo sutiã.
– Eu já te vi mais vestida que isso. – ele murmurou consigo mesmo.
– Sim, viu, mas não estou pelada. – Sussurrei, mordiscando seu lábio inferior.
– Está me provocando... – ele continuou, mordendo e meu lábio dessa vez.
– Te amo muito. – Sussurrei antes de me afastar.
Scorpius se jogou novamente na cama, cobrindo a cabeça com o travesseiro e soltando uma risada.
– Você ainda me enlouquece, Yoko Dledir. – ele disse com a voz abafada pela espuma.
– Você tem esse mesmo efeito sobre mim, quando eu estava no quarto ano, já gostava de você, mas você era galinha. – Sussurrei enquanto me vestia.
– Por que sempre fala tão baixo? – perguntou, se sentando em minha frente.
– Tenho vergonha de dizer essas coisas, você é experiente nisso, eu não.
– Não sabe o quanto sou feliz por isso. – ele me beijou, passando os dedos em minha face.
– Meu Malfoy, tô com sono. – Disse manhosa.
Ele se deitou na cama, me puxando para si. Há uns dois meses atrás começamos a dormir juntos, então era parcialmente normal agora. Scorpius nos cobriu, enrolando seus braços ao meu redor.
– Boa noite, vou estar aqui. – beijou o topo de minha cabeça.
– Como nunca me expulsaram do seu dormitório ou vice-versa? – Questionei, acariciando seus braços que me envolviam.
– Sua Casa é bem receptiva. A minha gosta de mim. – Ele soou convencido.
– É, principalmente elas. – Disse enciumada.
– Pena que elas nunca vão entender que sou só seu, não é? Durma. – Pediu, esfregando meus cabelos, já sonolento.
– Você é meu e isso é o que importa. – Disse, antes de ser arrastada para a inconsciência.
***
Scorpius Malfoy.
Acordei com a claridade do Sol batendo nas janelas de meu quarto. Sabia que devia ter fechado as cortinas.
– Yoko... – Sussurrei, a chacoalhando de leve. – Hora de acordar.
– Tá bom, amor. – Disse ela com voz de sono.
– Quais suas aulas hoje? – perguntei interessado.
– As mesmas que as suas. – Respondeu bocejando.
– Decorou meus horários, sua perseguidora? – brinquei, me deitando sobre seu corpo pequeno.
– Você tem todas as aulas comigo, o perseguidor é você. – Yoko gargalhou.
Concordei rindo, enquanto me levantava e ia até minha antiga janela.
– O dia está nublado lá em casa, como sempre.
– Amor, vamos comer, estou faminta. – Pediu ela, depois de voltar limpinha do banheiro.
– Você é muito gorda, está sempre com fome. – Gargalhei, pegando em sua mão.
– Eu você gosta de eu estar sempre com fome. – Retrucou ela gentilmente, enquanto caminhávamos pelo salão.
Abri a porta para ela entrar e enlacei sua cintura com meus braços.
– Em que mesa hoje? – perguntei.
– A minha. – Disse ela, me puxando para a mesa da Lufa-Lufa. Eu virei um pontinho verde num mar amarelo.
– Isso chega a ser cômico. – ri, vendo a mesa se encher com o café da manhã.
– Isso o quê? – Questionou minha noiva, me olhando curiosa enquanto mordia uma generosa fatia de bolo de laranja.
– Você na Lufa-Lufa. Simplesmente não consigo te imaginar aqui. – Informei, colocando café preto em minha xícara.
– Você não é o único, apesar de Yoko ser a melhor de nós em quase todas as matérias. – Comentou o monitor da casa dela.
– Sem falar na prepotência de minha noiva, não é meu amor? – A fitei brincalhão. – Ninguém consegue ser tão doce e ruda ao mesmo tempo como ela.
– Cala a boca e come, Malfoy. – Ela disse amavelmente.
Ri de seu jeito, não a contestando. Me coloquei a devorar alguns bolinhos, enquanto conversava animadamente com as pessoas lufanas.
– Você se dá melhor com eles do que eu. – Sussurrou em meu ouvido.
– Se fosse há algum tempo atrás, eu me acharia bom demais para estar aqui, mas você me ajudou muito. – Sorri. – Aliás, você e os garotos da Sonserina se dão bem também. – Bufei enciumado.
– Eles têm medo de você, meus colegas de casa. – Expliquei. – No começo, você os aturava por minha causa, não é? – Inquiriu ela.
– Sim, com o tempo percebi que era bobagem. Eu poderia facilmente ensinar uma lição para eles. – Soei convencido.
– Ah, vá plantar mandrágoras. – Yoko mandou, caindo na gargalhada em seguida.
– Com licença. – Ouvi a voz de Minerva às minhas costas. – Posso trocar uma palavra ou duas com os senhores?
– Claro... – respondi, antes de me virar com Yoko.
A diretora nos guiou até um corredor vazio ali, nos olhando de forma estranha.
– Madame Pomfrey me disse que foram ontem à enfermaria. – começou, intercalando os olhares entre Yoko e eu.
– Sim, fomos. – Concordou Yoko.
– Por favor, se a senhorita tiver outros sonhos com o basilisco, me avise. Vou tomar as devidas providências. – Pediu.
– Eu achei que o efeito do basilisco sobre mim era me causar alucinações. – Esclareceu Yoko, apertando minha mão.
– Receio que não... – Minerva murmurou. – Devo dizer que não é bom contar isso para todos, Yoko. Algumas pessoas ainda não superaram aquilo que aconteceu.
– Só Scorpius sabe, e achei que a medibruxa manteria o sigilo médico-paciente. – Minha lufana respondeu.
– Sim, mas... Entenda que esse tipo de assunto tem que chegar aos meus ouvidos. Devo pedir que não conte para ninguém. – Ela pediu, a olhando com expectativa.
– Por que se importa? – Questionei Yoko, firme. – Você disse que não iria me ajudar.
– Estou ajudando seus colegas. Entenda, não é boa coisa colocar montes de lufanos em perigo.
– Quero transferência para a Acadêmica de Magia Brasileira. – Informou Yoko.
– Ah, mas não quer mesmo! – gritei, a agarrando pela cintura. – Diretora, eu cuido dela agora. – Informei, e saí correndo dali.
Não deu cinco minutos e senti Yoko me abraçar por trás.
– O que foi aquilo, amor? – Questionou ela, beijando minha nuca.
– Você simplesmente não vai me deixar, Yoko. Você não vai. Não posso mais viver sem você. – Sussurrei irritado, cerrando os punhos.
– Vamos juntos, você disse que iria comigo, lembra? A gente casa no feriado dessa semana, falando nisso, temos que avisar meus padrinhos e seus pais. – Disse ela, acariciando meu abdômen sob a camisa.
– Yoko, nós temos toda a nossa vida aqui... – Disse tristonho. – Mas se vai te fazer feliz, então vamos. Só não garanto que meu português seja um dos melhores.
– Desculpe, estou sendo egoísta. É só que... Seria ótimo ir para um lugar onde não me tacariam pedra por uma mera possibilidade. – Argumentou.
– O que acha de tirarmos umas férias para planejar nosso casamento. – propus, me virando para ela.
– Eu quero. Nosso casamento... Tenho sonhado muito.
Sorri com seu momento de pureza.
– Se considere de férias. Vamos arrumar as malas, meus pais dão um jeito nas matérias depois.
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