Notas iniciais
☯ ☯ ☯
Assim como o vento lá fora, o castelo era escuro e sinistro a noite, não passavam- se das oito da noite, mas mesmo com todas as luzes ligadas era impossível não sentir um frio na barriga estando ali. Faltava duas semanas para a colheita, os frutos e vegetais estavam verdes prontos para amadurecer, o céu estava a escurecer pronto para a maldição e eu estava em meu posto. Não fora difícil entrar muito menos passar pelos guardas, nenhum viu o que lhes atingiu e pelo jeito todos os reis estavam em seus quartos desfrutando a última noite que tinham, antes do desastre. Avistei a princesa estirada contra um sofá na biblioteca lendo algum livro qualquer sem finalidade, aparentemente ela fazia muito isso para fugir de sua realidade horrível. Na verdade, a maioria das pessoas que gostam de ler, procuram mundos fictícios para fugir de sua realidade restrita e cheia de erros. Ela não era diferente, uma sonhadora, cheia de esperança na vida mesmo com uma vida predestinada a ser horrível, pelo menos ela tinha fé. Algo que eu nunca tive, que fui treinada a não ter. Quando se está no controle da situação não é preciso ter fé que tudo irá dar certo, pois a vitória está nos planos, nem um passo a mais nem um a menos.
Ninguém escutou o tamborilado das minhas botas, e aparentemente não deveria ser difícil ter êxito. Entrar fora fácil como me tinham prometido, agora era executar. Com um sorriso presunçoso passei pelo corredor e escalei a escada de incêndio que transportava do porão para diretamente o assoalho do teto, aonde eu teria que somente atravessar o escritório e parar na porta do quarto do príncipe. Os guardas eram um obstáculo besta, então com passos suaves e com precisão passei seguramente pelos escritórios onde estava o rei e cheguei no ambiente, com um capuz negro os guarda não teriam a chance de me ver, cerca de cinco estavam distribuídos ali a frente da porta, deslizei a mão no bolso e tirei dali um pequeno caninho de bambo, o comprimento perfeito e com uma base para boca, tomando uma respiração eu soprei com força cerca de dois para cada homem parado. Eles nem viram o que os acertou, e como bonecos deslizaram até o chão caindo, como fumaça andei por entre eles e apliquei um pedaço de erva que fazia esquecer instantemente o que ocorreu, quando fossem despertados não lembrariam de nada nem mesmo o que faziam ali. Sorri comigo mesma, e girei a maçaneta entrando suavemente pela porta encontrando então seu prêmio.
Príncipe Dominc estava acomodado confortavelmente em sua cadeira, o cenho franzido e os olhos focados em alguma leitura fútil, os lábios entre apertos, os pés batiam convulsiosamente contra o assoalho e bem como ela previa, ele era magnifico para um homem qualquer e com antepassados tão repugnantes. O queixo estruturado, e as bochechas redondas no rosto deixavam seu rosto mais másculo, tirando os pequenos olhos negros e as sobrancelhas finas de uma criança, ele era de tirar o folego, com uma simples camisa branca desabotoada e calças negras com pés descalços, ele não me notou, mas sorri comigo mesma novamente. Com um suspiro sussurrei:
-Nunca entendi o porquê de Demétrio não ficar com Helena desde o começo, que homem não deseja uma mulher doce e serena como ela? – com um baque ele pulou de seu assento e a estudou, a boca puxando ar para dentro e os olhos arregalados, ele não via seu rosto, mas o sobretudo negro assim como a capa eram aterrorizantes- O príncipe deve entender isso, já que adora comandar sua esposa como uma boneca.
-Quem é você?
Ri suavemente e andei em um círculo, os olhos eram somente um brilho na escuridão e Dominic pareceu estar prestes a atacar ou gritar sendo uma mulher ou não.
-A velha pergunta de sempre, as vezes as pessoas perguntam coisas que realmente não querem saber. Tenho certeza que o príncipe deseja que eu suma assim como vim, correto?
Ele não respondeu, e com passos aproximou- se da espada presa ao lado da cama a pegando e apontando para a bela dama a metros de si disse asperamente:
-Acho melhor sair daqui senhora, ou irei gritar meus guardas.
-Como pode ofender-me assim? Senhorita para mim e mais apropriado não? Mesmo sem ver meu rosto, pela voz deveria saber que sou uma jovem.
-Jovem ou não, terá que sair. Guardas! — Gritou mais alto agora, os olhos presos nela, quando não viu movimento algum voltou a gritar e depois de segundos ficou em silencio somente olhando a traiçoeira a sua frente, mas eu somente deslizava de um lado para outro, com as mãos em belas luvas vinho pegou o livro na mesa e folheou despreocupada.
-Nunca gostei de Shakespeare, e creio que o príncipe também, já que não suporta os sonhos e devaneios de Diana.
-Gosto de Diana, mesmo não concordando com seus gostos, ela encanta-me. Aliás, não conhece nada sobre mim ou minha noiva.
Ela voltou a olhar para ele, largando o livro na mesa bruscamente e acompanhando em passos leves até ele, a uma polegada da espada ela parou e o encarou profundamente.
-Gosta? Encanta- lhe? Mas é o amor? O afeto? Não tem com ela certamente.
Não fora uma pergunta, e sim um fato, sem argumentos ele não disse nada, somente discordou e falou a pergunta clichê:
-O que quer?
-O senhor irá comigo, agora.
-Por que achas que pode adentrar aqui e mandar-me em mim? Sou o príncipe, seu superior.
-Não.- bradou ela, agora mais alto, o queixo levantado enquanto deslizava o capuz para trás e mostrava os belos olhos- Sirvo a Aarão, meu senhor.
Ele empalideceu, o choque fora tão grande, mas ela viu o reconhecimento em seu rosto agora duro, com belos olhos violetas era uma claramente descendente de Aarão, seu inimigo.
-Como pode dizer isso, ele está morto.
-Mas irá reerguer- se. Comigo. E contigo também, meu príncipe. Creio que agora e melhor calcar suas belas botas de pato e acompanhar-me de bom grado.
Dominic riu sem humor algum, o maxilar travado e os olhos faiscando para ela, sem um movimento somente o encarei, superior e calma, enquanto ele parecia prestes a explodir.
-Não sei de onde tirou essa ideia. Pode ter feito o que sabes com meus guardas, mas senhorita eu estou armado e tenho anos de conduta com essa belezura, creio eu que a senhora agora irá se ausentar.
A vez de gargalhar foi dela, enquanto ele me olhava atordoado puxei do bolso do casaco um pequeno botão comprido, o vermelho brilhava assim como seus olhos, como em um xeque mate disse por fim:
-Acho que ambos iremos nós ausentar, senão sua bela noiva será explodida de bom grado. E eu príncipe, tenho anos de conduta com bombas. E creio eu que o senhor não quer ter uma morte em sua consciência, agora abaixe a arma. Principezinho.
Com isso, ele desarmou- se e manteve- se parado, apontei para as botas e eles prontamente as colocou, enquanto recolocava a espada afiada no seu devido lugar e com um giz desenhei lentamente um círculo na varanda, um portal para sair dali mais facilmente, poderia sim ter entrado assim, mas qual seria a graça? Eu amava desafios, e com os anos que aprenderá a entrar ali fora mais fácil pegar o que queria, pegando um pequeno dente de leão do bolso sobrei ao vento e depois peguei meu colar colocando no meio do círculo, um brilho magico iluminou, um forte violeta e com passos lentos, mostrei o buraco negro sorrindo que formará ali aonde antes era a varanda e sorri para príncipe sinalizando para ele pular, Dominic me olhou e esboçou:
-Quer que eu entre ali? Está maluca, sua bruxa.- o xingamento não me agravou, já que era mesmo uma bruxa, pegando o livro da mesa colocou no bolso, e verificou se tudo estava no lugar antes e mostrar de novo o explosivo e somente sussurrar em seu ouvido.
-O principezinho está com medo? Talvez eu deva chamar Diana para vir também, ela parece ser bem mais corajosa e aberta a aventuras.
Sem falar nada, ele parou em frente ao buraco e olhou para trás, seu quarto aonde podia nunca mais ver, a esperança para ele era algo besta, mas antes de cair no buraco negro, ele me encarou, os olhos frios e vazios.
-Não a conheço, mas acho que nem preciso disso, já lhe odeio e tenho repugna de você, senhorita.
E ele sumiu.
Não deixei-me abalar, as palavras tiveram o efeito desejado dele, me ferir, mas nunca deixaria ninguém ter o poder para ver eu me perder- se. Recolhendo um suvenir, passei pela varanda e com um estralar de dedos tranquei a porta, para não deixar resquícios, ouviu uma voz abafada de grito antes de pular do buraco.
A noiva sentiu falta de seu príncipe.
Como um sonho de verão, como dizia Puck, o príncipe sumiu.
Agora era somente esperar.
Assim como o vento lá fora, o castelo era escuro e sinistro a noite, não passavam- se das oito da noite, mas mesmo com todas as luzes ligadas era impossível não sentir um frio na barriga estando ali. Faltava duas semanas para a colheita, os frutos e vegetais estavam verdes prontos para amadurecer, o céu estava a escurecer pronto para a maldição e eu estava em meu posto. Não fora difícil entrar muito menos passar pelos guardas, nenhum viu o que lhes atingiu e pelo jeito todos os reis estavam em seus quartos desfrutando a última noite que tinham, antes do desastre. Avistei a princesa estirada contra um sofá na biblioteca lendo algum livro qualquer sem finalidade, aparentemente ela fazia muito isso para fugir de sua realidade horrível. Na verdade, a maioria das pessoas que gostam de ler, procuram mundos fictícios para fugir de sua realidade restrita e cheia de erros. Ela não era diferente, uma sonhadora, cheia de esperança na vida mesmo com uma vida predestinada a ser horrível, pelo menos ela tinha fé. Algo que eu nunca tive, que fui treinada a não ter. Quando se está no controle da situação não é preciso ter fé que tudo irá dar certo, pois a vitória está nos planos, nem um passo a mais nem um a menos.
Ninguém escutou o tamborilado das minhas botas, e aparentemente não deveria ser difícil ter êxito. Entrar fora fácil como me tinham prometido, agora era executar. Com um sorriso presunçoso passei pelo corredor e escalei a escada de incêndio que transportava do porão para diretamente o assoalho do teto, aonde eu teria que somente atravessar o escritório e parar na porta do quarto do príncipe. Os guardas eram um obstáculo besta, então com passos suaves e com precisão passei seguramente pelos escritórios onde estava o rei e cheguei no ambiente, com um capuz negro os guarda não teriam a chance de me ver, cerca de cinco estavam distribuídos ali a frente da porta, deslizei a mão no bolso e tirei dali um pequeno caninho de bambo, o comprimento perfeito e com uma base para boca, tomando uma respiração eu soprei com força cerca de dois para cada homem parado. Eles nem viram o que os acertou, e como bonecos deslizaram até o chão caindo, como fumaça andei por entre eles e apliquei um pedaço de erva que fazia esquecer instantemente o que ocorreu, quando fossem despertados não lembrariam de nada nem mesmo o que faziam ali. Sorri comigo mesma, e girei a maçaneta entrando suavemente pela porta encontrando então seu prêmio.
Príncipe Dominc estava acomodado confortavelmente em sua cadeira, o cenho franzido e os olhos focados em alguma leitura fútil, os lábios entre apertos, os pés batiam convulsiosamente contra o assoalho e bem como ela previa, ele era magnifico para um homem qualquer e com antepassados tão repugnantes. O queixo estruturado, e as bochechas redondas no rosto deixavam seu rosto mais másculo, tirando os pequenos olhos negros e as sobrancelhas finas de uma criança, ele era de tirar o folego, com uma simples camisa branca desabotoada e calças negras com pés descalços, ele não me notou, mas sorri comigo mesma novamente. Com um suspiro sussurrei:
-Nunca entendi o porquê de Demétrio não ficar com Helena desde o começo, que homem não deseja uma mulher doce e serena como ela? – com um baque ele pulou de seu assento e a estudou, a boca puxando ar para dentro e os olhos arregalados, ele não via seu rosto, mas o sobretudo negro assim como a capa eram aterrorizantes- O príncipe deve entender isso, já que adora comandar sua esposa como uma boneca.
-Quem é você?
Ri suavemente e andei em um círculo, os olhos eram somente um brilho na escuridão e Dominic pareceu estar prestes a atacar ou gritar sendo uma mulher ou não.
-A velha pergunta de sempre, as vezes as pessoas perguntam coisas que realmente não querem saber. Tenho certeza que o príncipe deseja que eu suma assim como vim, correto?
Ele não respondeu, e com passos aproximou- se da espada presa ao lado da cama a pegando e apontando para a bela dama a metros de si disse asperamente:
-Acho melhor sair daqui senhora, ou irei gritar meus guardas.
-Como pode ofender-me assim? Senhorita para mim e mais apropriado não? Mesmo sem ver meu rosto, pela voz deveria saber que sou uma jovem.
-Jovem ou não, terá que sair. Guardas! — Gritou mais alto agora, os olhos presos nela, quando não viu movimento algum voltou a gritar e depois de segundos ficou em silencio somente olhando a traiçoeira a sua frente, mas eu somente deslizava de um lado para outro, com as mãos em belas luvas vinho pegou o livro na mesa e folheou despreocupada.
-Nunca gostei de Shakespeare, e creio que o príncipe também, já que não suporta os sonhos e devaneios de Diana.
-Gosto de Diana, mesmo não concordando com seus gostos, ela encanta-me. Aliás, não conhece nada sobre mim ou minha noiva.
Ela voltou a olhar para ele, largando o livro na mesa bruscamente e acompanhando em passos leves até ele, a uma polegada da espada ela parou e o encarou profundamente.
-Gosta? Encanta- lhe? Mas é o amor? O afeto? Não tem com ela certamente.
Não fora uma pergunta, e sim um fato, sem argumentos ele não disse nada, somente discordou e falou a pergunta clichê:
-O que quer?
-O senhor irá comigo, agora.
-Por que achas que pode adentrar aqui e mandar-me em mim? Sou o príncipe, seu superior.
-Não.- bradou ela, agora mais alto, o queixo levantado enquanto deslizava o capuz para trás e mostrava os belos olhos- Sirvo a Aarão, meu senhor.
Ele empalideceu, o choque fora tão grande, mas ela viu o reconhecimento em seu rosto agora duro, com belos olhos violetas era uma claramente descendente de Aarão, seu inimigo.
-Como pode dizer isso, ele está morto.
-Mas irá reerguer- se. Comigo. E contigo também, meu príncipe. Creio que agora e melhor calcar suas belas botas de pato e acompanhar-me de bom grado.
Dominic riu sem humor algum, o maxilar travado e os olhos faiscando para ela, sem um movimento somente o encarei, superior e calma, enquanto ele parecia prestes a explodir.
-Não sei de onde tirou essa ideia. Pode ter feito o que sabes com meus guardas, mas senhorita eu estou armado e tenho anos de conduta com essa belezura, creio eu que a senhora agora irá se ausentar.
A vez de gargalhar foi dela, enquanto ele me olhava atordoado puxei do bolso do casaco um pequeno botão comprido, o vermelho brilhava assim como seus olhos, como em um xeque mate disse por fim:
-Acho que ambos iremos nós ausentar, senão sua bela noiva será explodida de bom grado. E eu príncipe, tenho anos de conduta com bombas. E creio eu que o senhor não quer ter uma morte em sua consciência, agora abaixe a arma. Principezinho.
Com isso, ele desarmou- se e manteve- se parado, apontei para as botas e eles prontamente as colocou, enquanto recolocava a espada afiada no seu devido lugar e com um giz desenhei lentamente um círculo na varanda, um portal para sair dali mais facilmente, poderia sim ter entrado assim, mas qual seria a graça? Eu amava desafios, e com os anos que aprenderá a entrar ali fora mais fácil pegar o que queria, pegando um pequeno dente de leão do bolso sobrei ao vento e depois peguei meu colar colocando no meio do círculo, um brilho magico iluminou, um forte violeta e com passos lentos, mostrei o buraco negro sorrindo que formará ali aonde antes era a varanda e sorri para príncipe sinalizando para ele pular, Dominic me olhou e esboçou:
-Quer que eu entre ali? Está maluca, sua bruxa.- o xingamento não me agravou, já que era mesmo uma bruxa, pegando o livro da mesa colocou no bolso, e verificou se tudo estava no lugar antes e mostrar de novo o explosivo e somente sussurrar em seu ouvido.
-O principezinho está com medo? Talvez eu deva chamar Diana para vir também, ela parece ser bem mais corajosa e aberta a aventuras.
Sem falar nada, ele parou em frente ao buraco e olhou para trás, seu quarto aonde podia nunca mais ver, a esperança para ele era algo besta, mas antes de cair no buraco negro, ele me encarou, os olhos frios e vazios.
-Não a conheço, mas acho que nem preciso disso, já lhe odeio e tenho repugna de você, senhorita.
E ele sumiu.
Não deixei-me abalar, as palavras tiveram o efeito desejado dele, me ferir, mas nunca deixaria ninguém ter o poder para ver eu me perder- se. Recolhendo um suvenir, passei pela varanda e com um estralar de dedos tranquei a porta, para não deixar resquícios, ouviu uma voz abafada de grito antes de pular do buraco.
A noiva sentiu falta de seu príncipe.
Como um sonho de verão, como dizia Puck, o príncipe sumiu.
Agora era somente esperar.
☯ ☯ ☯
Notas finais
Uma boa leitura.
O primeiro capitulo sairá em breve.
Deixem sua criticas e opiniões.
Até em breve comuns.
☯
Fale com o autor