Entre Sombras e Segredos
14 📖 Capítulo 13 - O Sepulcro das Sombras
O silêncio da prisão era absoluto, interrompido apenas pela respiração contida de Elion.
Abyssus permanecia diante dele, imponente, como uma estátua viva feita de sombras e ferro.
— Então… o Abismo está preso? — perguntou Elion, tentando manter a voz firme.
— Preso, sim!
— respondeu Abyssus, seus olhos cintilando com uma luz sombria.
— Mas não no Vazio. O Vazio foi apenas o berço. Ele foi trancado no Sepulcro das Sombras, uma dimensão onde até a eternidade se desfaz.
Elion engoliu em seco.
— Quem teria poder para trancar algo assim?
O sorriso de Abyssus desapareceu, e por um instante, sua expressão carregou respeito.
— Uma mortal. Aquela que chamavam de A Guardiã do Sepulcro.
O coração de Elion gelou. Conhecia aquele título. E o choque atravessou seus ossos como lâminas.
— Você… está falando dela. Mas Ayla… ela está morta!
Abyssus inclinou o queixo, contemplativa.
— Morta, sim. E ainda assim, foi ela quem selou o Abismo. A morte dela não apagou o peso de sua lâmina.
O silêncio pesou sobre eles. Elion fechou os olhos, incapaz de aceitar como alguém que partira havia manipulado os destinos dos vivos.
— Então… tudo isso… ele tentou, mas as palavras falharam.
— Pergunte rápido, Elion cortou Abyssus, impaciente. O tempo não espera.
— Por quê? Por que me arrastar nisso? ele indagou, a tensão crescendo.
— Porque você é necessário
— respondeu ela, breve. E porque as coisas no mundo mortal estão se movendo.
Ela estendeu a mão. As correntes que o prendiam tremeram, e em um estalo metálico, se despedaçaram como vidro estilhaçado. Elion caiu de joelhos, livre, mas sentindo-se mais preso ao destino do que nunca.
No chão da cela, algo impossível surgiu: um corpo idêntico ao seu, imóvel e pálido. Morto.
— O que…? murmurou Elion, olhando o cadáver falso.
— Um presente para os anciões disse Abyssus, com um sorriso frio.
— Que eles encontrem consolo nessa mentira.
Ela o puxou pelo braço, e as sombras ao redor se agitaram, engolindo os dois.
— O mundo mortal está em movimento, Elion. E nós vamos nos mover com ele.
Do alto de uma torre oculta, Xyros observava.
O capuz escondia seu rosto, mas nada escapava ao seu olhar atento.
O corpo falso de Elion jazia imóvel na prisão, mas ele sabia que não era o verdadeiro.
— Interessante… sussurrou, a voz se perdendo na noite.
— O mundo mortal está despertando… e eu também.
A cela ficou vazia, mas o peso da verdade pairava no ar.
E, nas sombras, algo antigo e perigoso começava a se mover.
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