Entre Sombras e Segredos

13 📖 Capítulo 12 - Ecos do Caos


Durante sete dias após ser invocada ao mundo mortal, Abyssus se entregou aos seus próprios desejos.

Nos pensamentos dela, a sensação de liberdade ainda ecoava como um presente proibido.


Ela lembrava da primeira noite, quando apenas quis brincar com os mortais. O rastro de medo era doce demais para ignorar.

Nos dias seguintes, deixou-se levar pela ganância, pelo prazer de sentir a vida se desfazendo em suas mãos.

Mas tudo mudou quando, numa aldeia esquecida, dois anciões a encararam.


-Eles riram,Chamaram-na de lenda, De mentira, De invenção de Elion antes de sua prisão.


Abyssus não hesitou. Arrancou-lhes os corações e devorou-os ainda pulsando. A fúria era um sabor amargo, mas delicioso.


Na prisão, Elion aguardava em silêncio.

E, diante dele, Abyssus surgiu novamente, trazendo consigo um sorriso esplêndido, quase irônico.


— Sete dias... a voz dele cortou o ar. — O que você esteve fazendo durante esse tempo?


Abyssus deu de ombros.

— Ah, nada demais. Brincando com alguns mortais, matando outros... ela riu baixinho. Coisas que não são da sua conta.


Elion a olhou com calma.

— Imaginei... Mas mudando de assunto, como eu vou sair daqui?


A expressão dela se tornou mais séria.

— Você ainda não percebeu? Abyssus se aproximou.

_A liberdade já está comigo. Não se preocupe com os anciãos. Eles não são um problema.


Ela ergueu o queixo, a sombra em seus olhos parecia ganhar vida.

— Eu sou Abyssus, a Ganância. Entre as doze entidades, sou a única que pisa no mundo mortal agora.


[pensamento de Abyssus]

Não apenas eu... o Abismo também está aqui.


Por um instante, o sorriso se desfez. Uma sombra de preocupação cruzou o rosto dela.


Elion percebeu a mudança.

— Você ficou... diferente de repente. Está escondendo algo?


Abyssus desviou o olhar, como se aquilo a incomodasse.

— Apenas detalhes que não interessam a você.


— Nos livros que li...

— Elion insistiu. Só encontrei o seu nome,Nunca nada sobre outras entidades.


Um riso breve escapou dela, carregado de ironia.

— E é melhor assim. Poucos ousam escrever sobre nós. Das entidades, apenas eu e mais um já caminhamos no mundo mortal.


A voz dela desceu de tom, quase como um sussurro.

— Mas o Abismo... ele é diferente. Algo além de nós.


Elion franziu o cenho, intrigado.


— O Abismo é caos primordial continuou Abyssus.

— Uma das cinco forças que existiram antes de tudo. Foi ele quem criou o Vazio. E dentro desse Vazio... nós nascemos.


Ela respirou fundo, os olhos cintilando com um temor contido.

— Nenhum de nós o conhece de verdade. Mas houve um tempo em que ele falou com a décima segunda entidade.


Elion se inclinou para frente.

— E o que aconteceu com ele?


— Hoje somos apenas onze respondeu ela.

— O décimo segundo está aprisionadobdentro do Abismo, condenado pelos seus erros.


Elion estreitou os olhos.

— Que erros?


Abyssus hesitou, mas respondeu.

— Ele se envolveu com uma mortal. Gerou um filho.


O silêncio tomou a prisão.


— Ninguém sabe quem é essa criança.

ela continuou. — Apenas sabemos da profecia.


Elion ergueu a cabeça, atento.

— Que profecia?


Abyssus ergueu o olhar para as sombras da prisão, como se recitasse algo antigo e inevitável.

— A profecia de Kaorath. Um ser de pura escuridão, nascido de uma mortal e de uma entidade.

Aquele que desviará o caminho das pontes...


A voz dela desapareceu no ar, deixando apenas o silêncio que parecia mais pesado que as correntes.