Entre Sangue e Feitiços

6 Capítulo 6 - Kryptonite


Notas iniciais
Olá lindegas da minha life :)
Bom estar aqui de novo postando pra vocês. Esse capitulo ficou perto de como eu queria que ficasse e também ficou bem grandinho, mas vocês merecem depois dessa minha demora.

\"\"



Música tema: Kryptonite — 3 Door Down



Trilha sonora do capítulo: Better Than I Know Myself — Adam Lambert


POV — Bonnie Bennett



O fato é que eu não consigo imaginar um Damon diferente do que já conheço. Um Damon bom, que realmente se importe ou que tente fazer as coisas do jeito certo sem machucar nenhum inocente, certamente era algo eu não tinha esperança que algum dia ele se tornasse. Tudo o que conheço é aquele Damon, um vampiro sádico, maquiavélico, manipulador e definitivamente perigoso.



De qualquer forma eu sabia que não podia simplesmente ignorar o sonho que tivera, mas deixaria pra pensar nele em outro momento, pois agora estava com um bom humor indestrutível, que se tornaria destrutível caso pensasse mais um pouco naquele assunto. Me vesti para ir a escola e entrei em meu carro, liguei o rádio que tocava uma música agitada e deixei naquela estação mexendo os quadris em uma dança desajeitada no banco do motorista.



Comprei um cappuccino na primeira cafeteria que vi aberta e segui meu caminho, quando o som alto invadiu o estacionamento aberto do colégio, muita gente olhou em minha direção, parei de dançar no banco meio constrangida com tanta gente me olhando, porém continuei cantando a música até parar o carro.



– ♪ You the one that I dream about all day, You the one that I think about always, You are the one so I make sure I behave! My love is your love, your love is my love... ♫



Desliguei o rádio e também o carro. Os olhares em minha direção cessaram e então me senti menos envergonhada. Procurei alguém que eu conhecesse e enxerguei Elena em um dos bancos perto da entrada da escola, porém ela não estava sentado no banco e sim na grama, sua bolsa ao lado de seu corpo e tinha um pequeno caderno apoiado nos joelhos, reconheci de imediato seu diário. Peguei minhas coisas e desci do carro indo até ela.



– Oi Elena. – cumprimentei sorridente.



– Bonnie – ela sorriu também –, vejo que está de bom humor.



– E por que acha isso? – sentei ao seu lado.



– A poluição sonora que você trouxe já disse isso por si só.



Fiz uma expressão ofendida, mas acabei caindo na risada junto com ela. É desde sempre que Elena critica meu gosto musical e minha paixão pela cantora Rihanna, mas já superamos isso, assim como tive que aceitar o fato da ela ser uma apaixonada pela 3 Door Down, que não é lá uma das minhas bandas preferidas.



– É bom ver que está melhor, não te vejo sorrir desde... – Elena fez uma pausa receosa, sabia o que ela iria dizer e ela sabia o quanto eu ficara abalada por Caroline ter virado vampira.



– Tudo bem. – respirei fundo antes de dizer.



– Mesmo? – ergueu uma sobrancelha ao perguntar.



– Eu sabia dos riscos quando Damon se ofereceu para dar sangue a ela. – encolhi os ombros fitando a grama – E agora que ela já é uma vampira não dá pra desfazer.



Ele me olhou com compaixão.



– Ela precisa de nós agora, mais do que nunca. Todas as emoções dela se multiplicaram e estará tudo muito difícil pra ela se nós que somos amigas dela lhe dermos as costas.



– Eu sei, sei que vou ter que lhe dar com isso mais cedo ou mais tarde. Sei que também que ela ainda é a Caroline.



Elena sorriu e me abraçou de lado guardando o diário na bolsa.



– Como está sua relação com Damon depois que ele matou Jeremy?



– Nula. Perguntei a Damon se ele sabia do anel da imortalidade que Jeremy usava quando foi morto e ele confessou que não. Damon não sabe lidar com rejeição, Bonnie. Isso é perigoso.



Meneei a cabeça positivamente, mas antes que ela continuasse, Jeremy apareceu acompanhado de Stefan. Jer disse que tinha algo importante pra falar então nos levantamos para ir até um local onde houvessem menos pessoas. Adentramos o colégio e Stefan logo nos conduziu até uma sala onde se encontrava Alaric de braços cruzados como se nos esperasse.



– E então? – Elena perguntou sentando em uma das carteiras da frente.



– O tio John – Jeremy começou –, antes de ir embora no outro dia além de me dar o anel que me ressuscitou, também disse algumas coisas sobre Katherine e mais...



– Não acredito que estão fazendo reuniões sem mim. – a voz de Damon adentrou a sala pegando todos de surpresa. Stefan respirou pesadamente, Elena nem eu o olhamos, Jer o seguiu com os olhos enquanto ele entrava na sala e se posicionava perto da janela – Podem continuar, não se incomodem com minha presença indesejada.



Jeremy e Elena se entreolharam e em alguns segundos Jeremy continuou.



– Hm, eu iria te contar Elena, mas quando ia fazer isso o Damon me matou. – Jer fitou Damon sério, mas ele fingiu que não era com ele –, e ontem você ficou o dia fora, chegou tarde... Enfim, Segundo John, a linhagem dos Lockwood é descendente de lobisomens, como vocês já comprovaram. E ele também falou sobre um ritual, não entrou muito em detalhes, mas pelo que entendi deve haver o sacrifício de um doppelganger humano. Bem, você é uma doppelganger e é humana.



Todos ficamos em silêncio sem nos olhar por longos minutos que pareceram curtos demais para socializar em minha mente tais informações.



– Então, – Stefan foi o primeiro a falar – Elena é o sacrifício de um ritual?



– É o que parece. – concordou Alaric.



– John disse que existem vampiros poderosos atrás dela. – completou Jeremy para apreensão de todos – Vampiros que não podem ser mortos por simples estacas de madeira.



– Que tipo de ritual é esse exatamente? – Damon se pronunciou pela primeira vez a respeito de assunto.



– John disse que isso ele não sabia, mas Katherine sabe. – a voz de Jeremy ao mesmo tempo que parecia séria também parecia apreensiva e tensa. Eu não esperava menos de alguém que tivesse que dar a irmã a noticia de que vampiros sádicos queriam matá-la em um ritual – Ele falou que se fosse você Elena, sairia de Mystic Falls o quanto antes, a notícia de que você existe se espalhou. – Elena não dizia nada mas eu vi claramente o medo em seu olhar.



– Vamos falar com Katherine. – Damon decidiu, Stefan nem hesitou em discordar já que se tratava da vida de Elena e precisavam saber contra o que estavam lutando.



Elena permanecia calada com o olhar baixo. Larguei minha bolsa no piso da sala e sentei ao seu lado, ela deitou a cabeça em meu ombro e seu olhar estava distante enquanto eu afagava seus cabelos.



– Eu preferia ter ficado sem saber. – sua voz soou baixa.



– Mas sabendo você pode se preparar pro que vier. – tentei mostrar um ponto positivo, mas mediante aos fatos, esse ponto não parecia tão positivo – Stefan, Damon, Jeremy, todos farão o que for preciso para evitar que morra. E até eu posso ajudar com algum feitiço.



– Não quero que se envolvam. – sua voz soou firme dessa vez – Ouviu o que ele disse? É perigoso e não quero que pessoas que amo corram risco por minha causa.



– Sabe que vamos nos envolver mesmo assim. – fui firme também. Elena se calou percebendo que eu estava certa em relação a isso.



Passei a prestar atenção na conversa dos rapazes lá na frente.



– Como pretende abordar Katherine? – Jer questionou Damon.



– Não acha que vai só chegar com ela fazer perguntas e ela vai te responder de livre e espontânea vontade né? – Stefan perguntou.



– É claro que não. – Damon respondeu pensativo – Não sou tapado como algumas pessoas. John não quis dizer nada quando vocês foram procurá-lo no hospital, Katherine provavelmente não queria que soubéssemos. Mas agora sabemos. Ela não contava com isso. – falava como se tivesse total vantagem.



– Katherine é esperta Damon. – advertiu Stefan – Provavelmente está preparada pra tudo.



– Não vamos saber se ficarmos aqui parados. – Damon rebateu.



– E como pretende fazer? – Alaric perguntou.



Damon silenciou com a mão no queixo por quase um minuto, virou-se em minha direção parecendo hesitar em pedir minha ajuda, mas por fim perguntou:



– Consegue derrubá-la?



Neguei com a cabeça.



– Quando tento atacar a cabeça dela, ela não sente dor.



– Quer dizer... – ele apoiou as mão na cintura rindo e eu percebi sua expressão de deboche – Que Katherine é imune aquela coisinha que você faz. – revirei os olhos, ignorando.



– Não temos tempo pra isso Damon. – Stefan o interrompeu.



– Posso tentar um feitiço pra desacordá-la, mas terão que ser rápidos.



– Se não percebeu está falando com vampiros, é claro que somos rápidos. – Damon e seu exibicionismo.



– É melhor irmos logo com isso. – Jeremy disse atraindo um olhar desdenhoso de Damon.



– Não acha que vem com a gente né?



– Porque não? Elena é minha irmã, quero fazer alguma coisa pra ajudar.



– Vou te dizer porque. – Damon começou – Katherine é uma vampira centenária dez vezes mais forte que você. Não pense que pode vencê-la só porque tem um anel que te ressuscita, pois ela vai arrancar seus dedos como fez com seu titio. E você não ajuda ninguém se estiver morto. – Jer revirou os olhos, mas sabia que o vampiro estava certo.



Finalmente Stefan e Damon decidiram ir atrás de Katherine.



[...]



Stefan entrou na mansão Salvatore abrindo passagem para Damon que carregava Katherine desacordada em cima dos ombros, entrei em seguida vendo Damon jogar a vampira inconsciente em uma cadeira próxima a uma janela com cortinas escuras. No final das contas eles nem precisaram que eu fizesse algo, pois quando ela tentou me atacar atrás do Grill, Damon apareceu de surpresa quebrando o pescoço dela, deixando-a desmaiada por alguns minutos.



Ou então, o plano era me usar como isca, mas prefiro a primeira opção.



– Tem certeza que quer ver isso? – Stefan perguntou quando ela começou a acordar.



– Quero ouvir o que ela vai dizer. – respondi assentindo.



Damon apareceu de algum lugar segurando correntes enormes e pesadas e prendeu os braços e pernas de Katherine a cadeira.



– Sabe que quebro essas correntes e arranco sua cabeça em dois segundos. – ela ameaçou.



– Sei que para o bem de todos e principalmente o seu, é melhor colaborar. – ele respondeu fazendo pouco caso enquanto tirava dela o anel que a protegia do sol.



– O que está pensando em fazer Damon. – perguntou desdenhosa.



– Hoje quem faz as perguntas somos nós. – Stefan tomou a vez – Primeiro: porque voltou?



– Já disse, – ela sorriu pra ele com a voz irritantemente e exageradamente melosa – mas se faz bem pro seu ego posso repetir que estava com saudades de você Stefan.



– Isso vai ser divertido. – murmurou o sádico Damon antes de abrir as cortinas, permitindo o sol entrar.



Consequentemente Katherine gritou quando foi pega de surpresa pelos raios solares que começaram queimar sua pele, ela inclinou o corpo pra frente e Stefan a segurou para que não saísse dali. Os gritos continuaram enquanto sua pele fumegava, ela jogou os cabelos pra baixo fazendo os cabelos cobrirem seu rosto, porém o ato não adiantou muito quando o sol continuava a queimar seu pescoço, braços, pernas, até Damon fechar as cortinas.



– Certo, – Damon sorriu – acho que não precisamos perguntar de novo.



A vampira levantou a cabeça, revelando algumas lágrimas no rosto, respirava ofegante e fitava os dois vampiros com ódio.Não esperávamos nenhuma atitude ameaçadora dela agora que eles haviam mostrado que não estavam para brincadeira, entretanto, quando menos esperávamos ela quebrou as correntes e empurrou Stefan longe. Damon avançou usando sua velocidade vampírica para detê-la, mas ela o agarrou pelo pescoço lançando-o ao perto de Stefan no outro lado da sala. Toda ação não durou mais que cinco segundos e no segundo seguinte ela para mim ainda furiosa, vi veias roxas surgirem em seu rosto e ela me mostrou as presas se aproximando. Tremi, meu coração estava a mil.



– Com medo Bonnie?



– Deixe-a Katherine. – Damon disse já de pé com Stefan ao lado, porém ambos ainda longe.



– Vem me impedir.



Stefan avançou nela, e tão rápido quanto ele, ela avançou em mim, foi tão depressa que tudo que vi foram borrões de cores em suas corridas. Stefan desferiu um golpe contra Katherine afastando-a de mim, ela se recuperou e o chutou em direção a uma janela que foi quebrada quando o corpo de Stefan passou por ela caindo fora da casa. Ela parecia distraída quando se livrou do primeiro vampiro, Damon usou essa distração para atacá-la, mas a vampira foi rápida arrancando uma das pernas da cadeira mais próxima, obviamente para contra atacá-lo. Foi quando aquela voz desconhecida veio a minha mente e eu simplesmente pronunciei, sem saída, as palavras:



– Prohibere actus lamia.



Katherine caiu no mesmo instante e foi arrastada até a cadeira em que estava antes de se soltar. As correntes se enroscaram nos braços e pernas dela como se tivessem vida própria, ela tentava se soltar mas parecia presa por uma força muito maior. Damon me olhou estranho, como se quisesse perguntar "Por que não fez isso antes?", passei a mão na nuca meio sem graça, porque eu não sabia muito bem o que tinha feito, murmurei um "De nada".



Stefan entrou na sala correndo, pronto para começar a briga de onde tinha parado, mas parou quando viu Katherine presa outra vez tentando inutilmente se soltar.



– Nem pergunte. – disse Damon a Stefan enquanto andava até a vampira – É melhor ser boazinha Kath, Bonnie tem coisa bem pior do que ficar presa a uma cadeira pra você. – advertiu.



– É, então mostra! – ela desafiou.



– Mostra pra ela Bonnie. – ele me olhou. O encarei de volta sem expressão, pois eu mesma não entendia como havia parado Katherine.



– Vamos lá Bonnie. – a vampira sorriu com deboche como se tivesse certeza que eu não era capaz. Eu também achava a mesma coisa quando aquela voz me disse o que fazer.



– Coques sanguine lamia. – No mesmo segundo Katherine jogou a cabeça pra trás gemendo de dor, ela tinha os olhos fechados e lágrimas saindo dos olhos.



– O que é que está fazendo? – perguntou Stefan, em parte curioso, em parte cauteloso.



– Nada acontece realmente, mas se tem a sensação de que óleo muito quente corre por suas veias. Imagine óleo fervente até nas veias mais finas do seu corpo, nos braços, nas pernas, no coração, no cérebro, nos olhos...



– Entendi. – ele me cortou.



– Nunc prohibere. – murmurei, cessando a tortura de Katherine.



Franzi o cenho. Estava me intrigando o fato de que alguém que eu não via, me dava dicas de tortura a vampiros.



– Isso está me cansando, porque não diz logo o que queremos saber? – Damon disse impaciente – Vamos logo pra parte em que você explica porque uns vampiros malvados querem matar Elena em um ritual. E é melhor falar a verdade.



– Como sabe sobre...



– Andei me informando. – Damon a interrompeu.



Ela balançou a cabeça e respirou relutante antes de começar a falar:



– Quem a procura é Klaus. Ele é um hibrido, parte vampiro, parte lobisomem. Vai acabar com vocês e com quem entrar no caminho dele.



– Não se acabarmos com ele primeiro. – observou Damon – Porque ele quer Elena?



– Uma bruxa fez um feitiço que prendeu a parte lobisomem dele e para ele ter essa parte de volta é preciso sacrificar a doppelganger em um ritual.



– Elena? – Stefan perguntou.



– Obvio. – ela deu de ombros – Ele queria a mim quando eu era humana, mas dei um jeito de acabar com os sonhos dele me transformando em vampira. Ele me perseguiu por isso durante muito tempo.



– E foge dele até hoje. – Damon completou.



– Melhor isso do que ser morta por um vampiro que não está conformado em ser apenas vampiro.



– Queria entregar Elena pra ele pra que pare de te perseguir. – deduziu Stefan – Foi por isso que voltou.



Ela revirou os olhos como se ele dissesse alguma besteira.



– Ficou decepcionado em saber que não foi por você?



Stefan a ignorou com expressão preocupada, provavelmente pensando na segurança de Elena.



– Esse ritual só pode ser executado por uma bruxa druida – a vampira me sorriu malignamente –, acho que gostaria de saber Bonnie, que é a ultima dessa linhagem. Klaus virá atrás de você também.



– Não vou participar da morte da minha melhor amiga por que um vampiro demoníaco quer. – me excedi.



– Então é melhor se preparar pra perder toda sua família porque Klaus vai matá-los se negar isso a ele, assim como fez com a minha quando me transformei. – sua voz era irritantemente calma.



De repente o sol invadiu o lugar refletindo principalmente sobre Katherine. Ela gritou e jogou a cabeça pra frente cobrindo o rosto com os cabelos porém o restante de sua pele continuava fumegando. Olhei em direção a janela, era Damon quem segurava as cortinas permitindo a passagem dos raios solares. Quando pareceu satisfeito cobriu a janela novamente.



– Ela estava começando a me irritar. – foi a justificativa que ele deu.



[...]



Quando finalmente fiquei sozinha naquele dia, era quase noite, o céu estava em um laranja abobora quase sumindo. Tranquei meu quarto e me certifiquei de que todas as janelas estivessem fechadas quando decidi descobrir quem falava comigo. Diferente de quando Elena, Caroline e eu invocamos Emily, dessa vez não acendi velas nem fiz nada parecido. Apenas chamei, sim, quem nem uma pessoa que fala sozinha.



Mesmo estando tudo trancado, uma corrente de ar rodopiou pelo meu quarto e derrubou o porta retratos de cima da comoda ao lado de minha cama. Eu tinha experiências suficientes pra saber que aquilo significava alguma coisa, fiquei parada enquanto uma imagem feminina se formava de pé a beira de minha cama.



– Vovó. – não contive o grito quando a vi. Tentei descer da cama para abraçá-la, mas ela fez sinal com a mão para que eu continuasse ali.



"Sou apenas um fantasma querida", ela disse.



Concordei com a cabeça, ao mesmo tempo que estava feliz em vê-la também estava meio aérea. Sempre achei que morreria de medo se visse um fantasma na minha frente e agora que isso aconteceu eu só faltava dançar "Where Have You Been" de tão alegre.



– É você quem está me ajudando?



"É uma amiga minha", falou enquanto outra imagem feminina se formava ao lado dela.



Pronto. Dois fantasmas no meu quarto.


Uma mulher de longos cabelos enrolados e pele pálida estava ao lado de minha avó.


– Quem é você? – perguntei curiosa.



"Sou Elly Fredward", ela disse calma. Arregalei os olhos ao ouvir esse nome.



"Pode confiar nela Bonnie?", vovó pediu.



Eu estava assustada, sempre morri de medo com as histórias que ouvia sobre ela quando era pequena, agora minha vó estava me pedindo para confiar nela.



"Sabe minha história?", Elly perguntou e assenti. "A verdadeira?", enfatizou.



– Você matava crianças. – disse cautelosa.



"Acalme-se Bonnie. Elly te contará a verdade.", minha avó disse calma, então Elly começou.



"Em 1771 sai da Irlanda para morar em uma pequena vila dos EUA chamada Blair. Quando cheguei, o lugar estava começando a ser infestado por uma epidemia desconhecida que afetava as crianças. Por ser bruxa, eu sabia como usar ervas e flores da natureza para curá-las. Nessa vila vivia um homem chamado Klaus que observou minhas habilidades e acabou descobrindo que eu era uma bruxa, eventualmente descobri que ele era um vampiro. Fiquei muito preocupada e afastá-lo do lugar e um pouco sem tempo para me concentrar em cuidar das pessoas. A epidemia aumentou, saindo do meu controle. Klaus queria que eu lhe ajudasse em um ritual para libertar sua parte lobo e se tornar completamente hibrido. Quando me neguei ele hipnotizou as crianças para dizerem aos pais que eu tirava sangue delas e fazia coisas estranhas. Os moradores me acusaram de praticar magia-negra e me expulsaram da vila no meio do inverno. Morri no meio da mata naquele lugar, mas meu espirito continuou ali para proteger as pessoas. Klaus também continuou."



Minha mente processava muito rápido aquelas informações, pois eu já sabia um pouco daquela história só que na versão em que ela era vilã.



"Um ano depois, também no inverno, Klaus se interessou por uma jovem. Ela era uma doppelganger, antes de morrer eu havia lhe dado um colar contendo verbena. Ele não conseguiu hipnotizá-la. Então a pediu em casamento a seus pais, mas ela já era comprometida. Ele queria a todo custo tê-la para poder sacrificá-la, e então ameaçou matar todos os que ela conhecia, ela não achou que ele fosse capaz, mas ele foi. Metade das crianças da vila e outros adultos sumiram, vários eram familiares da garota, ela preferiu se suicidar do que ter qualquer coisa com Klaus. Os que restaram na cidade culparam a mim novamente, disseram que eu havia lançado uma maldição sobre a vila e juraram nunca mais mencionar meu nome."



"Em 1824, Burkittsville foi fundada no velho local da cidade de Blair, que fica localizada no município de Frederick em Maryland, aproximadamente uma hora da capital Washington. Em Agosto de 1825, Ellen, uma menina de 10 anos, morreu afogada no riacho Tappy East. Ela não morreu no riacho como todos pensavam. Ela também era uma doppelganger, estava tomando banho e foi atacada por um vampiro mandado por Klaus, a garota ficou apavorada e acabou se afogando. Mesmo assim o vampiro a levou até Klaus, porém ela era frágil demais, acabou morrendo com águas nos pulmões em outra cidade, por isso o corpo dela não foi encontrado."



"Em Março de 1886, Robin Weaver, outra menina de 8 anos é também reportada como desaparecida. Alguns dias depois, em Coffin Rock na floresta de Black Hills perto de Burkittsville, cinco homens estiveram procurando pela desaparecida Rohin Weaver e foram encontrados com seus membros atados junto aos seus corpos. O que ninguém sabia é que aqueles homens eram caçadores de vampiros e sabiam dos planos do hibrido, conseguiram pegar a garota e esconderam-na em uma velha cabana na floresta, Klaus e seu exército de vampiros matou a todos os caçadores, a menina estava muito machucada e morreu na cabana antes que Klaus a encontrasse."



"Em 1913 um menino chamado Rustin Parr mudou-se para Burkittsville. Os dados levantados indicam que entre os anos de 1925 a 1930, Rustin muda-se para a floresta de Black Hills. Ele era um bom garoto, mas Klaus o transformou. É claro que a essa altura o hibrido não vivia mais naquela localidade, mas tinha informantes ali. Em 1840 oito crianças desapareceram, entre elas estavam Margarett Lowell, uma doppelganger. Klaus usou Rustin para capturá-la, a garota brincavam com outros sete amigos que seguiram seus rastros até a cabana de Rustin quando a garota sumiu da brincadeira. Com instintos vampiros Rustin matou todas as crianças inclusive Margarett, porém um garoto conseguiu fugir Kyle Brody. O menino ficou traumatizado por toda vida com o que viu e ninguém acreditava quando ele falava de vampiros e em 1971 ele se matou."



"Em 1994 três estudantes entraram naquela floresta para estudar aqueles acontecimentos. Heather Donahue, Joshua Leonard e Michael Williams. Heather era uma doppelganger, o trio foi perseguido por um mandante de Klaus, quando perceberam que o vampiro queria apenas ela, fizeram de tudo para salvar a amiga. Por acidente Josh derrubou Heather de cima de uma das montanhas e a garota ficou muito machucada, o vampiro deu seu sangue a ela pra que não morresse, mas ela morreu. Virou vampira e matou Josh e Michael, seus amigos. Tudo de ruim que acontecia era tido como resultado da maldição que diziam que eu havia lançado, ninguém duvidava do real motivo. Essa é a verdadeira história, eu nunca matei nenhuma daquelas pessoas".



– Nossa. – foi tudo que eu consegui dizer quando ela acabou.



"Precisa confiar em Elly, Bonnie. Klaus é o perigo", minha avó pediu. Eu confiava na minha avó pois ela jamais faria algo para me por em risco.



– Eu confio vovó.



"Elena é a ultima doppelganger viva que ainda é humana, e você é a única bruxa que pode realizar o ritual. Tem que sair da cidade", disse Elly. "Klaus matará qualquer um que ficar em seu caminho, tem que prometer que não fará o que ele quer."



– Eu não farei, eu prometo.



"Ótimo, eu confio em você querida", disse vovó com seu tom maternal. "Era isso que tínhamos a dizer".



– Não pode ficar mais?



"Sinto muito".



Eu queria poder abraçá-la, mas isso não era possivel, tudo que havia ali seu fantasma que eu não podia tocar. Suas imagens foram ficando menos nítidas, seu rosto começou a desaparecer. Era como se eu a estivesse perdendo outra vez. Minha avó e Elly se despediram com um sorriso antes de sumirem e restar apenas eu em meu quarto.


Notas finais
Espero que não tenha ficado tão macabro quanto a história da bruxa de Blair me parece, desde pequena eu morro de medo dessa história e juro que nem sei o que me deu pra adaptar essa história a fic.
Falando nisso, essa parte da bruxa de Blair é MINHA adaptação, ou seja, não segue a risca a lenda original. E eu não sei se a lenda é real ou uma invenção do filme. Só sei que me dá medo até os ossos, sou medrosa pra caramba.
Espero sinceramente que tenham gostado do capitulo.
Agradeço a todos que leem e deixam seus reviews, e também aos que não deixam. Obrigado ao apoio de todos, fico muito alegre quando algum de vocês me diz que estou me saindo bem
Obrigado e até o próximo.