Entre Sangue e Feitiços
4 Capítulo 4 - Cry
Notas iniciais
POV — Bonnie Bennett
Fiquei em casa apenas por alguns minutos, depois fui ao hospital ver Caroline. Lá encontrei Matt e quando perguntei sobre o estado da loira ele me disse para ver com meus próprios olhos. Entrei no quarto e encontrei Caroline sorrindo radiante, nem parecia que tinha corrido risco de vida na noite anterior. Senti um alivio preencher meu peito e sorri ao mesmo tempo que queria chorar de alegria em ter minha amiga sã outra vez. De Elena, Caroline e eu, Caroline era a única que não estava diretamente envolvida nessa coisa de vampiros, feitiços e tumbas. Se ela tinha alguma memória, Damon se encarregou de apagar e de algum modo eu me sentia grata a ele por isso também. Eu gostaria que Car continuasse longe disso e tivesse a chance de ter a vida que Elena e eu não tínhamos certeza se teríamos.
POV — Damon Salvatore
Eu nunca soube lhe dar com rejeição.
Nem com solidão e de certo ponto de vista, nem comigo mesmo. Não me arrependo de minhas atitudes de hoje mais cedo. Bonnie me tirou do sério, me deixou com raiva e me descontrolei. Me desconcerta a forma que ela age como se pudesse mudar o mundo me fazendo sentir mal. Me desconcertou mais ainda o fato de ela ter me tratado daquela forma depois do que houve naquela noite.
Foi por impulso que tentei matá-la, não gostava de ficar lembrando que passei 145 anos esperando uma vadia que não dava a minima pra mim. Triste realidade. Mas ver ela indefesa foi de algum modo prazeroso, me lembrou ela gemendo debaixo de mim na noite anterior. Porém o indefeso fui eu quando ela decidiu me fazer sentir dor. Eu tive ainda mais raiva, mais ódio e vontade de esganá-la quando Bonnie executou aquele feitiço desgraçado que fazia sentir que minha cabeça estava explodindo a cada milésimo de segundo. Já não bastava a dor emocional?!
Nos encontramos na mesma manhã durante o velório do Prefeito Lockwood, e diferente do que eu esperava, ela veio falar comigo.
– Sabia que o dispositivo Gilbert afetou Tyler? – Nem se deu ao trabalho de me cumprimentar ou pedir desculpas. Olhei pra ela rapidamente; se ela pode ignorar que tentei matá-la, também posso ignorar que ela tentou me matar.
– Bom, sei que derrubou o prefeito. – fingi dar de ombros, mas ela certamente sabia que esse assunto me interessava, e estava certa se achava isso.
– E não quer saber porque?
– Sim Bonnie, eu adoraria saber. – respirei fundo e fiquei de frente pra ela com minha voz e sorriso sarcástico que tanto uso – Porque um não-vampiro foi torturado pelo dispositivo de tortura de vampiros que você deixou John Gilbert usar contra nós? – fiz uma breve silêncio notando a expressão de seu rosto vacilar por uns dois milésimos de segundo – Falando na sua culpa, como está a Caroline?
– Ela tá bem melhor. – respondeu com a voz firme, acho que tentando mostrar que não consegui atingi-la.
– Não tem de quê.
– Não, não tem de quê, você! – afirmou petulante.
– Porque tenho que agradecer? – retruquei.
– Você ganhou mais um dia de vida.
– Nenhuma boa ação é impune pra você não é?!
– Não desfaz as más. Eu sei quem você é Damon. Pode enganar a Elena, a Xerife e todo mundo, mas não à mim.
– Hm. – revirei os olhos pois eu não dava a minima pro que ela pensava.
– Um passo em falso e eu elimino você. – continuou.
– Tem que parar com esse papo de bruxa. Tá começando a acreditar. – Sorri com deboche ao que ela tinha dito.
Ela me lançou um olhar de raiva por eu ter debochado dela, depois olhou pros lado e eu pensei que tinha conseguido calar ela, mas aí senti aquela dor do inferno na minha cabeça. Ela estava fazendo aquilo outra vez, tive vontade de gritar pela dor, mas não podia chamar esse tipo de atenção. Senti uma alivio quando a dor foi cessando muito lentamente.
– Ah, desculpe. – dessa vez, ela debochou – O que foi que disse?
Tive vontade de estrangula-la, mas antes que eu tentasse, ela saiu desfilando. Tive que me controlar, tudo naquela manhã estava me deixando de saco cheio e com muita, muita raiva. Como se não bastasse, Elena veio me interrogar.
– E aí, como é que você tá? – perguntou com aquele tom angelical de sempre que naquela hora me fez ranger os dentes.
– Ótimo Elena, andando no sol. Obrigado por perguntar.
– Damon. – ela insistiu.
– Elena!
– A gente tem que conversar sobre isso, somos próximos agora, eu quero saber como é que você tá.
Sabia do que ela estava falando e certamente falar sobre esse assunto não me deixaria melhor, mas se eu não respondesse ela iria insistir. Melhor acabar logo com isso.
– Eu beijei você. Achei que tinha retribuído. Aí descubro que foi sua ancestral... Como acha que eu tô?
– Acho que tá magoado.
Revirei os olhos.
– Não, eu não tô magoado Elena.
– Você não admite que tá magoado. – afirmou convicta – Fica zangado, disfarça e depois faz alguma coisa bem idiota.
Uma parte na Elena que eu detesto é que ela sempre tenta adivinhar o que os outros sentem ou pensam, a outra parte que detesto é que ela sempre acerta. Aí lembro que é preciso um sentimental pra reconhecer outro. As vezes eu me pergunto se estou tão transparente como pareço perto dela. Não gosto disso, me parece invasão de privacidade.
– Você tá com medo. Acha que a Katherine vai me levar pro fundo do poço, não acha?! Não preciso dela pra isso. – me afastei pra ir embora, mas antes de ir tive que pergunta – Mas me diz uma coisa, porque acha que seria surpresa eu te beijar? – quer dizer, já que ela conseguia adivinhar o que eu sentia, porque não via aquele pequeno sentimento que estava brotando por ela?!
– Não, não seria surpresa. Surpresa seria achar que eu retribuiria.
Como tá o placar?
Elena: 2 x Damon: 0
Fiz silêncio por alguns segundos processando outro fora que levei em menos de 24horas, dois deles, pela Elena.
– É, me magoou.
Me virei para sair de vez e de repente Bonnie apareceu assustada e ofegante perto de nós dizendo que tinha uma outra garota ali que era a cópia exata de Elena. Elena e eu nos olhamos no mesmo instante já sabendo quem era: Katherine.
[...]
Se eu fosse mulher, diria que aquele dia era um daqueles da TPM. Mas sendo realista era como se tudo estivesse conspirando contra mim. Stefan veio com uma história tão fraternal a tarde que me calou. Também fiquei sabendo que John não disse nada sobre a volta de Katherine que pudesse nos ajudar e meu irmão o ameaçou em um estilo Damon para que saísse da cidade.
Para melhorar meu estado de depressão privada, o motivo de 145 anos de desperdício da minha eternidade veio me visitar. Meu interior ficou mais confuso que nunca quando Katherine apareceu, mesmo que eu negue ou tente esconder, não posso mentir pra mim. Meus sentimentos por ela ainda eram fortes. Eu a amei por mais de um século, não dava pra deixar de gostar dela de uma hora pra outra. Só me restava saber se ao menos uma vez isso foi reciproco. Eu seria capaz de perdoar tudo e começar tudo outra vez se fosse.
Pra minha coleção de decepções não foi. Ela afirmou me olhando nos olhos que seu amor sempre foi o Stefan. Senti meus olhos marejarem, um nó na minha garganta quase me impedia de respirar e meu coração latejava debaixo de minhas costela como se quisesse parar de bater. Não consegui dizer nada enquanto ela ia embora, minha voz não saia e minha visão já estava embaçada. Mas eu não derramaria uma lágrima.
POV — Bonnie Bennett
Era bem tarde, eu estava à pé voltando pra casa e avistei de longe Damon deitado na calçada enfrente ao Grill. Cheguei mais perto e pude notar uma garrafa de tequila jogada ao seu lado, ela estava quase no fim, seu carro estava estacionado e com a porta aberta, tocava uma música da Rihanna em um volume ensurdecedor. Seu estado era de dar pena, até em mim.
Cheguei mais perto e vi que ele estava de olhos fechados, o cutuquei com a ponta da sapatilha mas ele nem se mexeu. Agachei ao sei lado e cutuquei seu peito com a ponta dos dedos chamando sei nome. Ele abriu os olhos e pude ver que eles estavam vermelhos. Damon me ignorou, virou a cabeça pro lado pegando sua garrafa de tequila e virando na boca.
– Damon. – insisti.
Ele cantou um trecho da música que tocava me ignorando novamente, seu estado era deplorável.
– Damon, o que houve? – insisti novamente.
Ele virou o rosto pra mim me fitando por longos segundos, depois fitou o céu.
– Quem se importa?! – quase não houvi sua voz por causa da música alta que tocava.
– Aconteceu alguma coisa? – perguntei quase preocupada.
Ele me olhou de novo e sorriu.
– Todo o mundo me odeia.
Ele estava exageradamente bêbado, e isso não me importava, mas infelizmente meu bom senso jamais me deixaria largar uma pessoa desse jeito. Mesmo que fosse o Damon. E o ajudei a levantar e o apoiei no meu ombro, ele resmungou algumas coisas sem sentido sobre o Jeremy, mas não dei importância. Coloquei ele no banco do passageiro de seu carro e dirigi até a casa dele. O ajudei a entrar também, já que ele mal conseguia ficar de pé sem dormir.
Era estranho estar ali com ele outra vez. Pelo que aconteceu na noite anterior e pelo nosso desentendimento naquela manhã. Passamos pela sala e alguns cacos de vidro perto da lareira me chamaram atenção, ajudei-o a subir as escadas, e ao entrar no seu quarto ele apenas caiu sobre a cama. Deixei ele daquela maneira, tirei seus sapatos e joguei no chão.
Olhei seu rosto antes de eu sair, ele piscava lentamente como se suas pálpebras estivesses pesadas. Seus olhar estava triste e vazio.
– A Elena me odeia. – ele sussurrou com pesar.
Fiquei imaginando o porque de ele dizer aquilo, chegando a constatação de que devia ser alucinação de bêbado.
– Elena não te odeia Damon.
– Ela me odeia sim. – falou se acomodando na cama e fechou os olhos – Eu matei o Jeremy e agora ela me odeia.
Meus olhos se arregalaram quando ouvi isso, tentei processar a informação, mas parecia que meu cérebro se recusava a acreditar, meu coração começou a bater muito forte eu eu quis imediatamente ligar pra Elena e confirmar que aquilo não era verdade. Juro, juro que não responderia por mim caso Damon causasse mal a mais alguém.
– Mas é melhor assim. – sussurrou com frieza enquanto parecia cair no sono.
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