Entre Sangue e Feitiços
23 Capítulo 23 - Beyond Control
Notas iniciais
POV — Bonnie Bennett
Levei uma grande susto quando acordei. Eu não conhecia o lugar onde estava, mas não demorou muito para minha ficha cair e eu saber que estava prisioneira de Klaus. E o próprio logo veio me visitar, nem bem eu tinha aberto os olhos.
Ele me examinou da porta sem muito interesse e chamou um outro vampiro para que me levasse para baixo. Não sei para onde o hibrido foi depois disso, mas aproveitei para vistoriar minhas chances de fugir dali enquanto seguia para o andar debaixo com o vampiro.
Se eu conseguisse fugir dali a tempo, conseguiria avisar os outros e assim ficaríamos em alerta enquanto esperávamos a Guardiã da Espada do Lord. E tinha que achar um jeito de avisar Stefan e Ric para que escondessem bem a Elena.
O vampiro que me acompanhava ficava de guarda na porta do quarto que seria minha prisão, que alias não tinha janelas. O corredor por onde seguíamos sim tinha janelas e por elas pude ver o lado de fora contatando um pequeno exercito de vampiros-vigias que guardavam o lugar.
Não sabia se conseguiria passar por todos, pois eram muito e eu provavelmente não conseguiria enfrentá-los numa briga. E também não sabia se ainda estava em Toronto. Eu sequer sabia onde estava.
Eu tinha aprendido poucas coisas na regressão que fiz à Idade Média para saber o que Lex era, mas as poucas coisas que aprendi eram bem uteis, como criar um portal. Eu poderia criar um portal que me levasse a qualquer lugar que eu quisesse ir. É claro que isso me tiraria muita força dependendo da distancia, quanto mais longe o local, mas energia o portal absorveria. Eu poderia canalizar uma planta, mas eu não tinha visto nenhuma árvore por perto também.
Nós chegamos ao andar de baixo mais rápido do que eu gostaria, então não pude mais calcular as chances de uma fulga, pois tive que ficar sentada, calada e quieta na mesa de jantar enquanto Klaus não voltava.
Ele demorou um pouco, mas quando apareceu o susto que levei foi maior que o que tinha tomado quando acordei ali. Elena estava com ele, o que de fato eu não esperava. Se ele já tinha todos os instrumentos que precisava, nós estávamos em desvantagem. Só faltava a lua-cheia.
Ele puxou a cadeira pra ela sentar numa cortesia que me dava arrepios e depois sentou-se na cadeira de cabeceira daquela mesa enorme. Num estalar de dedos uma garota entrou na sala segurando uma garrafa de vinho tinto para servir nossas taças e quando eu a olhei levei outro susto.
– Katherine.
– Não, não. Essa não é Katherine. – Klaus ergueu os olhos para a garota e depois sorriu pra mim. – Essa é Heather Donahue. Ela foi a última doppelganger humana antes de Elena.
Heather Donahue, lembrei do nome pela história que Elly havia me contado. Em 1984, essa garota e dois amigos tinham ido pesquisar os acontecimentos estranhos da floresta onde antes ficava a antiga Vila de Blair quando um dos vampiros mandados por Klaus começou a persegui-los. No fim das contas ela virou vampira e matou os dois amigos por não conseguir controlar seus novos instintos.
– Houve uma época em que era fácil encontrar essas cópias. – ele comentou.
– Porque você está aqui? – Elena perguntou à garota – Você está assim por culpa dele.
– Assim como? – Heather perguntou. – Pelo que sei estou muito mais forte, mais rápida, mais ágil... Se isso foi culpa dele acho que só posso agradecê-lo.
– Você ter se transformado foi um acidente, se tivesse continuado humana ele iria te matar. – Elena insistiu, ela não havia percebido que Heather havia desligado suas emoções e não iria importar o que disséssemos.
– Mas agora ele vai matar você. – a garota deu de ombros antes de se virar e sair.
Elena a seguiu com os olhos até que ela sumisse e então direcionou seu olhar para Klaus antes de começar a falar.
– Você é doente.
– Perdão? – Ele balbuciou antes de tomar um gole de vinho de sua taça.
– Aquela garota tinha uma vida...
– Bem, ela não está morta... não muito. – ele deu de ombros.
– Qual o real motivo de você estar fazendo isso? – Elena alterou um pouco a voz – Você já é a criatura mais poderosa do mundo, porque quer mais poder? Não pode ser só pra ser o mais poderoso, tem que ter outro motivo.
– Isso não é da sua conta. – ele pousou a taça sobre a mesa num baque surdo e fitou Elena com raiva, deveria ser um aviso, mas ela não se calou.
– Você não pode fazer isso.
– Porque não?
– Eu tenho uma família, eu tenho amigos e tenho uma vida! Você não pode destruir tudo isso! – Ela gritou com os olhos em lágrimas, que eu não sabia dizer se eram de raiva ou de outra coisa. – Eu tenho que escolher se quero ser uma peça no seu ritual ou não, Bonnie tem que escolher se fará o que você quer ou não. Eu deveria poder escolher se quero morrer, ou me tornar vampira, ou continuar humana, ir pra faculdade, trabalhar, casar, ter filhos, formar uma família. Você não pode simplesmente nos obrigar a fazer o que você quer! Você não tem esse direito! – ela tomou fôlego enquanto engolia as lágrimas e parava de gritar – Mas é claro que você não se importa, não é? Você nunca seria capaz de se importar. Não é sua vida que está em risco. Não é você no meu lugar!
Elena não disse mais nada, Klaus também não.
Ele tirou do bolso um lenço branco e estendeu pra ela, mas ela não fez o menor movimento para pegá-lo, então Niklaus o guardou novamente. Eu não o fiquei encarando, mas partindo do principio que “quem cala consente” e o olhar baixo que ele lançou em seu prato, não sei se foi apenas impressão minha que ele estava se sentindo culpado.
[...] Dia seguinte [...]
POV — Damon Salvatore
Não dormi.
Vampiros não precisam disso, claro, mas algumas vezes é relaxante deitar e ficar apenas em estado de inconsciência, descansando a mente. Mas nem isso consegui, embora precisasse. Além de ficar por toda a noite de guarda pra que ninguém derrubasse a casa pra tirar Lex de dentro, tinha também o fato de Bonnie estar no pior lugar onde poderia estar, lugar este que eu não sabia onde ficava.
Ric e Stefan chegaram assim que amanheceu e logo quiseram saber à que arma eu me referia quando falei por telefone com Alaric. Contei aos dois tudo o que me foi contado por Bonnie, sobre Lex, os poderes que o sangue dele tinha, a espada e a Guardiã, que já estava a caminho.
Depois sai e andei por quase toda a cidade usando meu poder para rastrear algum outro resquício de poder sobrenatural que houvesse por ali, mas minha busca não deu em nada.
Quando, quase a noite, voltei para casa, encontrei quem eu menos esperava e nem estava procurando: a prima de Bonnie, Jasmine. Ela estava ferida e inconsciente num beco. Muitas marcas profundas no pescoço me disseram que o vampiro que a atacou não se importava em deixá-la viva, então ela sobreviveu por milagre.
Quando entrei com ela em casa, Ric se espantou e correu até nós perguntando quem ela era e o que havia acontecido. Stefan ficou no canto, se controlando por causa do sangue da garota, ele nem ousou se aproximar.
– Ela é prima da Bonnie. Deve ter sido atacada quando saiu daqui ontem. – expliquei deitando-a no sofá.
– Não foi você que fez isso? – Ric perguntou.
– Claro que não.
– Foi a vampira que veio aqui ontem, aquela loira. – Lex disse enquanto apoiava a cabeça de Jasmine em uma almofada. – Ela disse que havia machucado Jasmine e se eu não fosse com ela, ela faria o mesmo comigo. Mas eu me neguei, então ela foi embora.
– Ela simplesmente foi embora? – Ric estranhou o fato.
– Ela disse que tinha ferido Jasmine e que ela morreria porque estava num lugar onde ninguém poderia socorrê-la. Eu vi como essa garota chorou ontem quando eu fui despertado, fiquei com raiva da vampira por ter causado ainda mais sofrimento nela e me opus. Se eu me oponho, o que é raro, eles não podem me levar.
– Porque não? – perguntei.
– Simplesmente não podem fazer nada comigo quando me oponho, eu não tenho serventia. Sou uma criação mística. Tive que ser morto em minha primeira vida para que pudesse encarnar em outras. Porém cada encarnação teria um propósito. Minha última encarnação foi durante a segunda guerra mundial e o lado vencedor foi o que me sacrificou. Eu encarno para morrer e não me oponho a isso e não posso escolher um lado.
– Nós não vamos te matar. – eu disse – Só precisamos do seu sangue.
– Isso é uma batalha. Se vocês não vão me matar, o outro lado vai. E se nenhum dos dois fizer isso é porque haverá outra batalha onde eu morrerei. Eu nunca sobrevivo.
– Esqueceram a garota? – Stefan perguntou, ela estava com algumas poucas veias escuras no rosto, lutando para não soltar o estripador dentro de si. Não sei se ele conseguiria por muito tempo.
– É melhor alguém tirar o Stefan daqui. – falei voltando minha atenção à Jasmine.
– Eu vou. – Lex estava pronto para levantar, mas o segurei antes que fizesse isso.
– Ric vai. – falei. – Stefan está quase perdendo o controle e o cheiro do seu sangue perto dele seria muito pior.
– Acha que Ric vai conseguir me segurar? – Disse Stefan.
– Ele vai ter que conseguir. – respondi – Se eu for te segurar, quem é que vai dar sangue de vampiro a ela para curá-la?
– Damon... – Stefan grunhiu.
Eu estava impaciente, só queria que ele saísse dali para que não perdesse o controle e acabasse fazendo algo que fosse se arrepender depois e quando o olhei, sua situação era pior do que eu imaginava, suas presas já estavam pra fora e as poucas veias que antes estavam em seu rosto, agora já eram muitas, as íris estavam vermelho-escuras, ele já não se segurava em nenhum lugar para tentar manter o controle e arfava fitando o ferimento de Jasmine por onde já havia jorrado e ainda jorrava sangue.
Depressa, mordi meu pulso e empurrei na boca da garota, torcendo pra que o sangue que ela engolisse fosse suficiente para mantê-la viva até que eu pudesse voltar ali, depois de levar Stefan para longe.
Quando achei que já era suficiente, me ergui rápido e fui até onde meu irmão estava. Mas era tarde. Ele desviou de mim e pulou sobre a garota, enterrando as presas no pescoço da mesma, fazendo o sofá virar e ambos foram parar do outro lado do chão. Na queda, o pescoço de Jasmine pendeu para baixo, como se o cabelo estivesse pesado demais, e eu ouvi o ruído inconfundível de osso quebrando.
Stefan arregalou os olhos, voltando a si enquanto olhava a garota morta em seu braço.
– Eu... eu... – ele gaguejou. – Eu não... Não queria. Eu juro!
Ele deitou Jasmine no chão e, transtornado, começou a tocar o rosto dela enquanto repetia que não queria ter feito aquilo, como se por algum milagre ela fosse voltar à vida. Bom, talvez ela volte... Se o sangue que ela tomou for suficiente.
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