Entre Rosas e Espinhos

2 Capítulo 2: Prelúdios de tempestades


Notas iniciais
Fala galera!! Mais um capitulo pra vcs cheio de emoção. Hoje serão apresentados novos personagens, e será dado inicio a acontecimentos muito importantes na história. Não pensei em muitas musicas pra esse capitulo, maaas inseri duas e vou deixar a sugestão de mais uma que diz respeito a uma banda citada na história: (Ah, coloquei um link no final pra uma foto! — Here Without You (3 Doors Down) — Born to be wild (Steppenwolf) — Never let me down again ( Depeche Mode)

Londres

Era a segunda vez que andavam de avião, os irmãos Amamiya não sabiam como seria a vida daqui pra frente.

Shun aproveitava o lanche que estava sendo servido enquanto Ikki mantinha seu olhar triste fixo na paisagem. Pensava em tudo que deixou pra trás, principalmente em Esmeralda. Lembrou-se milhares de vezes da ultima vez que viu o rosto dela, das ultimas palavras, dos últimos carinhos. O rapaz estava devastado, mas nada podia fazer, ou fugia, ou morreria.

Com algumas horas chegaram à Inglaterra, na cidade de Londres. Megumi havia ligado para o Sr. Takashi contando tudo, e ele rapidamente foi até o aeroporto receber os jovens.

— Sejam bem vindos, garotos! – Disse o senhor já de muita idade com um largo sorriso nos lábios.

— Tio Takashi!!- Exclamou Shun se alegrando ao reconhecer aquela figura que os havia ajudando tanto.

Ikki tentava sorrir também, mas não conseguia, porém recebeu o abraço amistoso daquele velho conhecido.

— Você cresceu hein, rapaz! E vejo que cuidou muito bem do seu irmão desde que tive de me mudar. Venham comigo, a partir de hoje estão nascendo outra vez.

Eles entraram no carro, e logo o Sr. Takashi ligou o rádio, colocando um bom e velho rock, o que deixou Ikki empolgado, aumentando a música até o ultimo volume, pois alguma forma teria que fazer algo para esquecer momentaneamente o que estava passando.

— Esse é o meu garoto! – Disse o homem. Nessa semana mesmo estarei procurando legalizar a situação de vocês por aqui; para o Shun encontrarei uma boa escola e para você... Bem, aqui temos universidades que podem te servir, até onde sei você sempre foi um garoto inteligente, só precisa se esforçar um pouco e prestar o exame de admissão. Mas me diga, o que quer fazer da vida, Ikki?!

— Ser médico e casar com a Esmeralda. – Respondeu o jovem, muito seguro do que dizia.

— Ok! – Sorriu o velho Takashi. – Então vamos por partes, a partir de agora vai ter muito que estudar se quiser mesmo ter essa profissão, garoto.

— Sim, farei por onde conquistar isso.

Depois de quarenta minutos chegaram ao destino final. O velho morava num bairro afastado do centro, numa casa humilde, mas acolhedora. Agora seria um pouco mais complicado se sustentar, com mais aqueles dois para comer e viver sob sua guarda, mas ele havia prometido aos pais de Ikki que estaria sempre disposto a protegê-los, infelizmente teve de se mudar, mas agora tinha a chance de cumprir a promessa.

A partir de então os jovens irmãos teriam outros desafios, como o de se adaptar àquele país, àquele idioma para restabelecerem suas vidas.

—------------------ Quatro meses depois --------------

— Tio, consegui um emprego, finalmente! – Disse Ikki empolgado.

— Mas filho, eu disse que não precisava disso, falei pra que focasse apenas em estudar para ingressar na universidade!

— Nada disso, não acho certo que me sustente sem que eu mova um dedo se quer para te ajudar, tem sido muito generoso e esse é meu modo de agradecimento.

— Não precisa me agradecer por nada, é meu dever cuidar de você de seu irmão. Questão de honra, algo que nós japoneses prezamos muito!

Enquanto conversavam, Shun chegou em casa. Voltava da escola, com feição de irritação, pois ele não estava conseguindo se adaptar bem aos novos colegas, e com os cabelos molhados, o que deixou Ikki intrigado.

— O que foi irmãozinho, por que essa cara? – Olhou Ikki franzindo as sobrancelhas.

— É que... Os garotos da minha sala são insuportáveis, eles são xenofóbicos e além disso vivem a me chamar de gay!

— E por que está todo molhado desse jeito, por acaso te deram um banho? – Estranhou o mais velho.

— Quase isso. – Shun respirou fundo. — Eles enfiaram minha cabeça dentro da privada!

— O que disse?! – Ikki ficou possesso naquele momento, nunca admitiu que qualquer pessoa fizesse mal ao seu amado irmão. – E por que você não os impediu? Ao menos bateu neles?

—Ikki! Você sabe que eu não gosto de machucar as pessoas!

— Não passa de um covarde, Shun! – Exclamou o garoto enquanto seu irmão ia correndo aos prantos pra dentro do quarto. – Deixe que eu mesmo resolverei isso...

No dia seguinte ele seguiu Shun até a escola e ficou observando de longe tudo que acontecia. Em alguns momentos se distraía pensando em Esmeralda, mas logo começou a perceber atitudes estranhas de alguns rapazes com o seu irmão, então ele resolveu se aproximar sem que fosse percebido.

— E então menininha, que tal nos passar cola hoje hein?! – Disse um dos jovens.

— Isso não é honesto!- Respondeu Shun erguendo a cabeça.

Um dos garotos se aproximou e derrubou no chão os livros que Shun trazia nos braços. Quando o pobre menino se abaixou para pegá-los, o bando se acercou e começaram a chutá-lo.

— Responde agora, viadinho, grita com a gente pra você ver! Vamos te levar pra privada outra vez se você não passar a cola, hein?

Shun engolia o choro e colocava as mãos sobre o rosto para tentar se defender, prostrado no chão, até que Ikki se revelou.

— Shun! – Gritou.

— Ikki! — Os olhos dele brilharam de esperança.

Ikki era um rapaz alto e forte, para ele não custaria força alguma em bater naqueles abusadores, e foi isso que fez. Golpeou um por um com habilidade, pois sempre foi muito bom com as artes marciais. Certamente aqueles rapazes jamais se esqueceriam da senhora surra que haviam acabado de tomar.

— E caso voltem a torturar meu irmão eu farei muito pior!

Os irmãos Amamiya saíram correndo, juntos. Shun estava empolgado com o que o irmão havia feito, era seu grande herói, e Ikki estava decidido a procurar junto com o Sr. Takashi uma nova escola para o frágil garoto.

Aquela não seria a ultima vez que Ikki iria se meter numa confusão, aliás, desde que moravam no Equador ele era conhecido por defender o irmão e também Esmeralda. O rapaz levava muito jeito mesmo para a luta corporal.

Se afastando da escola, eles decidiram passar a tarde juntos, passeando, conversando e conhecendo um pouco mais da cidade. A noite ia chegando e até então não haviam se alimentado, quando perceberam um bar, entraram e se dirigiram ao balcão. Com um inglês muito básico Ikki perguntou:

— O que tem pra comer?

— Apenas pastel. – Disse o balconista de forma seca.

— Quero dois. Um suco e uma cerveja.

— Ikki, nunca entrei num bar antes, eu ainda sou de menor idade, isso não está certo, irmão... – Falou Shun, como sempre muito correto.

— Ora, seu tolo, estamos mortos de fome e esse é o primeiro lugar que avistamos! Deixe de ser bobo e não reclame, apenas coma isso logo, por que o Sr. Takashi já deve estar preocupado com nossa ausência.

Um pouco longe dali um rapaz observava os dois cuidadosamente, era também japonês e por isso decidiu se aproximar, pois não era todo dia que encontrava com orientais por ali, e cada vez que isso acontecia ele se sentia um pouco mais perto de casa.

— Irmãos, sempre dando trabalho, né! – Disse sorrindo amistosamente o rapaz.

— Nem me diga... Mas, a gente se conhece?! – Perguntou Ikki, para sondar.

— Acho que não! – O rapaz sorria enquanto coçava a cabeça. – É, prazer, meu nome é Seiya!

— Prazer, Ikki Amamiya.

— Nome legal! De onde são, do Japão?

— Digamos que sim, nosso pai é de Tókio e nossa mãe é latina. Nascemos no Japão, mas vivemos muitos anos no Equador.

— Que legal! É bom encontrar gente da minha terra por aqui! – Seiya sorria muito entusiasmado, entediando um pouco Ikki que não era muito chegado à tamanha demonstração das emoções.

Os três passaram um bom tempo conversando e rapidamente adquiriram uma grande afinidade, como já se conhecessem de outras vidas.

Seiya era um rapaz solitário, também órfão, havia se mudado para Londres com a irmã mais velha, Marin, em busca de oportunidades. Como não conseguia ingressar numa universidade, ele fazia vários bicos para se sustentar, mas usava seu tempo também para lutar, e sempre faturava algum dinheiro em lutas clandestinas pela cidade.

— Cara, pelo que você me contou percebo que você também gosta de artes marciais. Por que não vem comigo conhecer a academia que frequento? – Sugeriu Seiya.

— Por enquanto não tenho dinheiro pra pagar uma academia, tudo que ganho é para ajudar meu tio em casa, e tenho passado muitas horas estudando pra conseguir ingressar na universidade, estou sem horário para outra atividade. – Justificou Ikki bastante pensativo.

— Mas quem disse que você precisa pagar?! Até onde sei, o velho Dohko nunca cobrou por isso, ele sempre fala que treinar alguém é o maior bem que ele pode fazer pela cultura oriental, para dar continuidade às tradições. Ele é uma figura, você vai ver! — O rapaz sorria enquanto tentava conhecer melhor seu mais novo amigo. – O velho parece ser bem sério, mas tem dias que até topa uma cervejinha!

— Acho que pode ser uma boa ideia pra você, Ikki! – Shun parecia muito empolgado com a conversa, apesar de falar pouco, por ser tímido, ele sempre prestava muita atenção e gostava de encorajar o irmão.

— Ok, ok... Eu topo cara, mas só se meu irmão também quiser treinar junto comigo. – Ele olhou com um sorriso tímido para Shun e deu uma batidinha em suas costas.

— Mas irmão, vocês sabe que eu não gosto de lutar, olha pra mim, não levo jeito! – Disse a caçula, com os olhos arregalados.

— Ora, você precisa desenvolver o seu potencial agressivo um pouco, e além do mais, já está na hora de aprender a se defender sozinho. Quando eu começar a estudar não terei tempo para ficar te protegendo toda hora.

— Tem razão. – O menino parou e pensou um pouco sobre o que seu irmão havia dito, e se levantando da cadeira tomou sua decisão. – Eu aceito, irmão, vamos entrar nessa juntos!

— Esse é o meu garoto!- Ikki também se levantou e fez um cafuné no mais novo, despenteando o seu cabelo.

Depois da boa conversa, os irmãos trocaram seus contatos com o novo amigo e seguiram para casa.

—------------------------------- Em casa ---------------------------------

Ikki tirou a camisa e se jogou na cama, olhando fixamente para o teto. Pensava em Esmeralda em tempo integral, tudo que mais queria era trazê-la para Londres também. Mas logo vinha em sua mente a figura de Guilty, e seu coração se enchia de ódio e revolta.

O rapaz passou a mão pelo rosto na tentativa de apagar aquela memória tão ruim, e começou a pensar que sua vida poderia estar melhorando, afinal já estava até fazendo novas amizades e o Sr. Takashi era como um novo pai para ele. Até que de repente o seu celular tocou, era uma ligação de Megumi! Ikki se levantou num sobressalto quando percebeu que o número se tratava do Equador, e atendeu a ligação.

— Esmeralda?! – Ele perguntou se precipitando, ansiando que fosse a garota do outro lado da linha.

— Vai com calma, primo! Sou eu, o Megumi, apenas troquei de número... Mas vamos por parte, me diz como estão as coisas por... – Antes de concluir sua pergunta, o rapaz foi interrompido.

— Megumi, seu idiota, faz uns dois meses que vocês não dá sinal de vida, você me prometeu que iria me informar sobre ela, e agora a vontade que eu tenho e de te esganar! – Descontroladamente, Ikki começou a gritar cada vez mais alto com o primo. – E deveria ter me ligado mais cedo, já é madrugada.

— Wow, relaxa cara, foi mal eu não me liguei nessa questão de fuso horário e tudo mais. Mas eu vou te libertar dessa ansiedade, tenho notícias da sua garota.

— Vamos, diga logo, não me esconda nada!

— Quando vocês foram embora eu decidi passar uns dias na capital, fiquei com medo de voltar e aqueles bandidos me pegarem. Mas quando retornei, eu passei a ficar na cola da Esmeralda. Ela continua na mesma escola, só que eu ainda não consegui me aproximar, por que agora... Agora tem sempre um ‘segurança’ por perto dela.

— Ao menos está viva. – Respirou Ikki aliviado.

— Primo, eu juro, juro que quando conseguir falar com a Esmeraldinha eu conseguirei o contato novo dela, vou dar um jeito pra vocês se falaram, nem que seja por carta!

Depois de um tempo falando a respeito da moça, Ikki contou para o primo tudo que havia se passado naqueles meses: falou de seus novos planos, das amizades e também das dificuldades. Depois que desligou o telefone foi tomado pelo sono e descansou, ao menos um pouco mais tranquilo, pois sabia que sua amada estava viva.

—------------------------------------ No Equador -----------------------------------

Esmeralda havia amanhecido adoentada, sentia-se sem forças e vomitava tudo que comia. Desde a partida de Ikki ela não tinha mais ânimo para nada, ia para a escola à força e evitava ao máximo cruzar com seu pai. A bela jovem loira e de olhos azuis, com a pele tão alva como as nuvens do céu em um dia de sol, passava a maior parte do seu tempo deitada, reclusa em seu quarto, apenas imaginando uma realidade alternativa em que ela e Ikki viviam juntos e felizes.

— Ah, Ikki, como eu queria poder ir até você, ou menos ouvir sua voz. – Enquanto conversava em pensamento, começou a chorar, não de forma desesperada, mas pesarosa e admirando uma foto do namorado, que guardava a sete chaves.

Então a porta abriu-se com toda força. Ela rapidamente escondeu a foto dentro da fronha do seu travesseiro e enxugou as lágrimas.

— Esmeralda! – Chamou o homem. – Venha preparar algo para eu comer, estou faminto. Ah, vista-se bem, daqui a pouco teremos visita. – Guilty sorriu de forma sarcástica, deixando a jovem pensativa.

Ela preparou uma refeição para o pai, e depois obedeceu a ordem de se arrumar. Colocou um de seus vestidos floridos, e enquanto fazia a escolha da roupa, segurou um pouco aquele que lhe trazia boas lembranças: Um vestido cor-de-rosa florido que Ikki adorava. Desde então ele é separado dos demais, guardado para o dia em que eles finalmente se reencontrariam.

Não demorou muito para que a tal visita chegasse. Esmeralda viu de longe de quem se tratava, era um homem alto, moreno e com olhar de maldade, com aspecto maduro e apresentando já uns fios grisalhos, chamado Jango, que entre os mais íntimos ficou conhecido como o chefe dos Cavaleiros Negros, uma máfia local. A jovem já o conhecia, pois ele é amigo de Guilty, sendo um dos traficantes que faziam negócios com seu pai.

— Grande Jango! Entre, meu amigo, temos muito para conversar hoje.

— Ótimo, eu gosto assim mesmo, de muito papo, apesar de eu ser um homem ocupado. – O homem sorria de uma forma esquisita, lentamente, com gargalhadas espaçadas.

— Antes de entrarmos em assuntos mais críticos, quero que veja uma coisa. – Disse Guilty de forma empolgada. – Esmeralda! Venha aqui agora! – Gritou.

A garota engoliu seco, foi andando lentamente da cozinha até a sala ao encontro deles. Por um momento chegou a planejar uma fuga, mas sabia que isso não daria certo, então respirou fundo e resolveu obedecer a seu pai, mesmo tendo muito medo de olhar nos olhos do tal Jango, pois sabia que ele era um homem de alta periculosidade.

—E-estou aqui, pa-pai. – Gaguejou a moça.

— Pronto, era isso que queria te mostrar, meu amigo. – Falou o pai, tratando a filha como se fosse um objeto qualquer.

— Minha nossa! Não me lembrava de que sua filha era tão linda assim. – Jango olhou a garota dos pés a cabeça, como se tivesse admirando uma peça em exposição. – Olá, bonequinha.

Ela deixou que o olhar vagasse um pouco para não encará-lo.

— Vamos lá, seja educada, ao menos mostre os dentes para o meu convidado!

E foi o que ela fez, deu um sorriso forçado.

— Olha Guilty, esperava uma coisa diferente...

— Como assim? Não gostou dela?

— Óbvio que eu adorei, é até mais do que imaginava, mas estou surpreso por que é a sua filha, achei que me arrumaria uma qualquer.

— É por que na verdade quero estreitar meus laços com você, meu caro, fazemos bons trabalhos juntos, e ficando em família, tudo tende a melhorar.

Os dois se olharam de forma maliciosa e ela estremeceu por dentro. Começava a imaginar do que se tratava a conversa e chegou a uma conclusão: Seria forçada a ter um relacionamento com aquele bandido!

— Bom, Guilty, já que é assim, então depois resolvemos a questão do dote. Mas agora quero falar com você sobre um cara que está me dando trabalho, preciso que dê um jeito nele...

Depois de ouvir essas palavras, as conjecturas de Esmeralda foram confirmadas, ela teria mesmo de se relacionar com Jango, e pior ainda, suspeitava que iria ser vendida!

Ela quase não dormiu naquela noite. Cada vez que se revirava pensava em Ikki, depois pensava em Jango, e como muito medo imaginava planos mirabolantes para tentar escapar de tudo aquilo.

Na manhã seguinte foi para a aula, novamente acompanhada de um dos capangas do seu pai que ficava o tempo que fosse necessário por perto da escola.

Megumi estava sempre à espreita, esperando uma oportunidade para falar com a moça, mas naquele dia em diante iria por um plano em ação. Ele chegou com caderno e livros em mãos, fingindo ser um dos estudantes, e entrou na mesma sala de esmeralda, sem que fosse notado.

Quando a jovem solicitou ir ao sanitário, ele também foi, e esperou que ela fosse na frente, até que quando saíram da sala ele se revelou:

— Esmeralda! Entre no banheiro, não podemos conversar aqui, mas antes veja se tem alguma menina lá dentro! – Disse ele, sussurrando.

Ela ficou muito surpresa e seu coração se encheu de esperança. Então verificou se havia alguém no recinto, mas certificou-se de que estava vazio. Logo ela fez um sinal positivo para que o rapaz entrasse rapidamente, para não ser percebido.

— Megumi, meu Deus! Eu nem acredito que estou te vendo. — Seus olhos se encheram de lágrimas enquanto ela dava um forte abraço no rapaz.

— Temos de ser rápidos, Esmeralda. Olhe, você precisa me dizer seu novo número, pois passarei para o Ikki e assim poderão se falar novamente!

— Mas, eu não tenho mais um celular! Meu pai jogou o meu fora. E agora?

Os dois se olharam um pouco, pensando numa forma de resolver aquele impasse, até que Megumi tomou uma decisão.

— Fique com o meu. – Disse ele tirando o celular do bolso e entregando para a garota.– Não é novo nem nada, mas vai te servir bastante. Não deixe que seu pai descubra. Ah, nele já tem o contato do Ikki, também do Shun e da casa onde eles moram.

— Mas você vai ficar sem nada? E quando meus créditos acabarem? – Perguntava ela nervosa.

— Não se preocupe, eu arrumo outro, e quanto aos créditos, peça para o Ikki recarregar pra você, já que não tem dinheiro. – Disse ele, abrindo os braços.

— Megumi, eu nem sei como te agradecer!

— Não precisa fazer isso Esmeraldinha. Você é o grande amor do meu primo, então é minha prima também, e pela família eu faço tudo! – Ele se acercou da frágil garota e se abraçaram fraternalmente outra vez.

Quando o rapaz foi embora, ela não pensou duas vezes no que iria fazer. Tomou o celular e procurou o contato de Ikki, ligando imediatamente para ele.

— Oi primo, o que me contas de novidade?

— Ikki, sou eu, a Esmeralda!

Naquele instante houve um silêncio profundo, ambos estavam muito emocionados. Ikki fechou os olhos e os apertou, fazendo com que as lágrimas escorressem pelo seu rosto bronzeado. Do outro lado, Esmeralda não sabia se chorava ou sorria, fazia as duas coisas ao mesmo tempo.

— Meu amor, minha joia, eu não estou acreditando... Co-como conseguiu? – Perguntou ele, ainda sob forte emoção.

— Foi o Megumi, ele deixou o celular dele comigo, agora poderemos nos falar!

— Por favor, me conte como estão as coisas, eu sinto tanto a sua falta...a saudade está me matando um pouco a cada dia.

— As coisas estão piores, eu preciso te contar de algo que estou com medo.

— Falando assim me deixa aflito!

— É o meu pai Ikki, eu acho que ele vai me vender pra um bandido!

O rapaz congelou, se sentiu a pessoa mais impotente do mundo, pois estava há muitos quilômetros de distância, em outro continente, não poderia mais uma vez salvar a quem tanto ama.

— Ikki, eu sei que você não pode fazer nada por mim, mas saiba que eu te amo, jamais serei de outra pessoa. O meu coração pertence somente a você!

— Não sabe o quanto me dói saber disso, me sinto um inútil. Mas um dia, eu prometo, ficaremos juntos.

— Eu acredito em você, mas agora preciso voltar pra aula. – Disse ela enquanto olhava ao redor para garantir que não estava sendo observada. – Amanhã a gente se fala, eu te ligo, ou você me liga, mas precisa ser exatamente essa hora, por que aqui na escola eu ainda posso me esconder e atender a ligação.

— Tudo bem, minha querida... Esmeralda, eu amo você, pra sempre!

— E eu te amo para além dessa vida!

“Everything I know, and anywhere I go

It gets hard, but it won't take away my love

And when the last one falls, when it's all said and done

It gets hard, but it won't take away my love

I'm here without you, baby

But you're still on my lonely mind

I think about you, baby

And I dream about you all the time

I'm here without you, baby

But you're still with me in my dreams

And tonight, girl, it's only you and me”

(Here Without You — 3 Doors Down)

—----------------------------- Berlim, Alemanha -------------------------------------

— Pandora e Alone, tenho um aviso para dar. – Disse Thanatos com uma mala ao lado. – Estarei fora por um mês, preciso resolver coisas particulares.

Ao ouvirem essa notícia, os irmãos vibraram por dentro, iriam passar uns tempos sozinhos, sem aquela figura incômoda. Pandora sentiu que iria sorrir, mas conteve-se.

— Porém, vocês não ficarão sozinhos de modo algum. – Ele abriu o sorriso sarcástico de sempre. – Hypnos está chegando, ele tomará conta dos dois na minha ausência. E por falar nele...

A campainha tocou, era Hypnos, uma figura um tanto sombria. Ele entrou na mansão e se pôs junto ao amigo de longa data.

— Olá crianças, cuidarei de vocês, acho que Thanatos já explicou. Pois bem, será divertido. – Nesse momento ele sorriu para o amigo, que consentiu balançando a cabeça.

Após a saída de Thanatos, o tutor substituto dos Heinstein sentou-se no sofá, ficou olhando para todos os lados, admirando a grandiosidade da mansão. Enquanto isso, a jovem e o menino estavam sentados esperando que ele desse alguma ordem, ou algo do tipo, quando finalmente Hypnos decidiu quebrar o gelo.

— Bem, o que gostam de comer? Digam que eu mandarei preparar.

— Eu quero panquecas recheadas com chocolate! – Disse Alone, bastante empolgado e surpreso.

— Está falando sério?! – Pandora perguntou, incrédula.

— E por que eu não estaria? – Ele fixou os olhos na jovem.

— Está querendo ser legal com a gente, mas isso não combina com você.

— Até onde lembro, eu nunca os tratei mal. E Pandora, eu não sou um monstro como você está pensando agora. – Hypnos abaixou a cabeça e deu um sorriso tímido.

— Tudo bem, tentarei acreditar, mas por hora vou para o meu quarto. Eu não estou com fome.

A garota subiu de pressa a escada e se trancou no quarto. Ela respirou forte e deitou na cama com o celular e um fone de ouvido nas mãos, para relaxar um pouco escutando músicas, mas foi surpreendida com uma mensagem.

“Oi minha rainha das trevas, rsrs, será que poderemos nos ver hoje à noite? Eu e o pessoal marcamos de nos aventurar um pouco, queria muito que você viesse conosco. Quando ler, me responde de volta. Amo você.”

Por um momento ela pensou: “será que Hypnos permitiria uma saída, afinal ele está tentando ser amistoso”. E então decidiu falar com o tutor substituto antes de responder a mensagem de Radamanthys.

Quando ela chegou à sala de jantar viu Alone se lambuzando todo com as panquecas, de fato Hypnos havia falado sério, e por sinal estava deixando o menino bem à vontade, coisa que o tio jamais havia feito.

— Hypnos, quero falar com você.

— Tudo bem, pode falar.

— É que. – Ela parou e respirou um pouco, abaixando a cabeça. – Uns amigos meus estão me chamando pra sair à noite, então quero saber se você permite, já que está tomando conta de mim agora. – Disse ela frisando bem a ultima frase.

— Ainda que não tenha maior idade, já está bem grandinha pra sair só. Acho que Thanatos não gostaria de saber disso, mas, ok eu permito que vá! – Ele olhou para Pandora com uma feição de alguém que realmente não se importava com tal proibição.

— Está me surpreendendo! – Ela colocou a mãos no peito, olhando para os lados e respirando aliviada.

— Já disse que não sou um monstro, poderemos ser amigos, se você quiser... Ah, aceita panquecas? Estão muito boas, não é mesmo, Alone?

— Vai sair com aquele seu namorado estrangeiro? – Perguntou o menino sem ao menos prestar atenção no que Hypnos havia falando, deixando Pandora constrangida.

— Quer dizer que você namora? Pois bem, quero muito conhecer esse rapaz! E outra coisa, pode pegar a chave reserva hoje, aproveite bem a noite com ele.

Ela deu as costas e fingiu que não tinha escutado nada daquilo, não estava disposta a dar satisfação sobre sua vida amorosa para Hypnos, alguém que ela ainda desconfiava bastante, afinal, para ser amigo do seu tio deveria ser no mínimo uma pessoa tão doentia quanto ele.

Não deu nem tempo de subir as escadas, ela já se antecipou para responder a mensagem que havia recebido.

“Tudo certo, pode vir me buscar hoje. Estou com saudades, bjs.”

Após enviar a mensagem, ela colocou um sorriso ousado no rosto, estava disposta a se divertir aproveitando o seu período de liberdade. Há muito tempo não fazia passeios com os amigos.

Pandora abriu o guarda-roupa e começou a montar seu visual: Um corset preto rendado, com uma saia curta igualmente preta combinando, e para acompanhar, uma bota de cano longo.

Seu cabelo permanecia o de sempre, liso escorrido, mas muito brilhoso, e para o rosto preparou uma maquiagem escura, com um batom vinho. Usava também um par de brincos bem desenhado, uma gargantilha de veludo no pescoço e luvas rendadas.

Estava pronta, usando seu visual dark que realçava a sua beleza, ofuscando seu aspecto de garota frágil e fazendo com que ela mostrasse seu lado sombrio, sedutor e dominador.

Dentro de pouco tempo, Radamanthys chegou num carro preto esportivo, acompanhado dos amigos Minos, Aiacos e Violet, a melhor amiga de Pandora.

Ao ouvir a buzina de um carro, a garota desceu apressadamente, se quer olhando para Hypnos, que estava sentando no sofá brincando com Alone, e que ficou apenas sorrindo com a situação.

— Cheguei! – Disse ela já puxando a porta da frente do carro, para sentar ao lado do namorando, que estava comandando o volante.

— Espera, espera. Não entra ainda, deixa eu te admirar meu amor!

Ela parou um momento, colocou uma mão na cintura e arqueou uma das sobrancelhas, olhando para o rapaz.

—- Agora posso entrar?!

— Sim, minha princesa do submundo! – Ele abriu a porta, como bom cavalheiro que sempre foi.

— Você está lindo hoje!- A garota elogiou o rapaz que trajava um casaco de couro e uma camisa do Rammstein por dentro, uma das bandas que ela gostava muito. – Bela camisa.

— Uhu! – Gritou Minos do banco traseiro enquanto batia palmas pela cena.

— Pra onde vamos agora, hein Rada? – Indagou Aiacos.

— Vamos... Abastecer. – Disse o loiro, dando uma piscadela para Pandora.

Os jovens seguiram para uma loja de conveniências, onde compraram muitas bebidas para aquela noite, e alguns mantimentos para não ficarem com fome. Dalí seguiram para uma boate alternativa que havia aberto há pouco tempo na cidade.

A pista de dança estava lotada, naquele momento tocava um dos sucessos de Depeche Mode, uma banda que fazia muito sucesso entre aqueles jovens, principalmente para Radamanthys, por ser tratar de uma banda inglesa.

Havia muitas luzes e fumaça preenchendo aquele lugar escurecido, mas todos estavam contagiados pelo ritmo dançante. Pandora que, já havia bebido um pouco, sentia sua cabeça girar e estava ficando fora si. Às vezes se agarrava ao namorado, que não gostava muito de dançar, mas adorava vê-la fazendo isso, outras vezes dançava com Violet, ambas provocando os rapazes e chamando atenção de todos ao redor.

— Me dá um beijinho amiga! – Brincou Violet enquanto estava abraçada com a morena.

— Claro que sim! – Pandora puxou a amiga mais pra perto de si e a beijou ardentemente, deixando Aiacos um pouco enciumado, afinal já tinha presenciado esse tipo de brincadeira entre elas algumas vezes.

— Sua louca! – Gritou a ruiva, e juntamente com Pandora, deram boas gargalhadas da situação.

— Não vai fazer nada, Rada? – Perguntou Aiacos, encabulado.

— Cara, eu confio no meu taco. – O loiro respondeu e em seguida agarrou Pandora pelas costas enquanto ela dançava com a amiga.

— Vem Aiacos, se junta com a gente!- Chamou a outra garota, sorrindo.

— Se você está chamando, minha deusa, lógico que eu vou.

— Ué, acho que eu fiquei sobrando agora. Adiós amigos!- Disse Minos em tom de brincadeira. O rapaz costumava não se envolver emocionalmente com ninguém, preferia curtir sua solidão.

Passaram algum tempo se divertindo ali. As meninas foram até o meio da pista onde havia um pequeno palco e começaram a dançar para os seus pretendentes. De forma muito provocante elas conseguiam muitos aplausos, pois eram garotas muito encantadoras. Não era somente Pandora que estava deslumbrante naquela noite, Violet estava no mesmo patamar. Usava uma blusa preta decotada e justa, com mangas longas que continham várias aberturas laterais, uma saia de vinil e um par de coturnos.

Até que então se gerou um tumulto, pois alguns homens começaram a soltar comentários abusivos e tentaram agarrar ambas as garotas.

— Já que vocês não se pegam, eu mesmo vou até ai aproveitar, suas vadias! – Disse um deles, já segurando o braço de Pandora.

Rapidamente, Radamanthys, que via tudo bem de perto, se aproximou do homem e desferiu um soco tão forte que ele precisou ser amparado para que não voasse longe. O jovem tinha um temperamento muito forte e não perdia uma oportunidade se quer para entrar numa confusão, principalmente se fosse por conta de Pandora.

Aiacos e Minos, que também não gostaram nada das atitudes daqueles homens, entraram na briga e daí em diante o caos estava instalado. Os três amigos levaram vantagem por serem muito bons em combate corporal, mas tiveram de sair às pressas antes que a polícia fosse chamada, porque Radamanthys havia quebrado uma garrafa de cerveja na cabeça de um dos meliantes, o deixando inconsciente.

Os cinco entraram no carro e partiram em alta velocidade para o parque mais próximo. Depois sentaram na grama e continuaram bebendo, fumando e jogando conversa fora. Mas o jovem loiro permanecia um pouco sério.

— Não gostou quando eu dancei pra você? – Pandora perguntou, encostando a cabeça nos ombros do namorado.

— Não gostei daqueles caras ridículos te atacando. Deveria ter sido mais prudente. – Respondeu seco.

— Eu estou pouco me fodendo para àqueles caras. Qual é? Agora vai me censurar? Você nunca fez isso! – Disse a jovem alterando o tom de sua voz e o mirando nos olhos.

— Não estou te censurando, Pandora, eu gosto que dance pra mim, apenas não gostei da situação e acho que aquele não era o lugar apropriado pra você ter feito aquilo. Fora que quase nos demos mal depois... E meu pai disse que eu tenho que parar de me meter em confusões.

— Quer dizer que não quer mais fazer as coisas por mim devido a seu pai? – Enquanto ela perguntava, o rapaz abaixou a cabeça desviando o olhar. – Idiota! – Pandora deu-lhe uma tapa no rosto. – Quando vai provar de verdade o seu amor por mim?!

Pandora constantemente exercia um papel dominador sobre o namorado, era ela quem sempre comandava a situação e ele se comportava como um mero servo apaixonado.

Um pouco mais afastados deles estavam Violet e Aiacos, deitados na grama aos beijos e carícias. E Minos estava encostado no carro, tragando um cigarro enquanto pensava numa pessoa em especial que não via há muitos anos.

— Demônios, parem de brigar, estão cortando o clima aqui! Vão se amar, que saco! – Disse Aiacos virando-se para trás, irritado, enquanto a ruiva que estava deitada a sua frente apenas sorria.

— E vocês dois, parem de obscenidades, eu não estou disposto a passar minha noite vendo isso. Lamentável. – Retrucou Minos. – São todos uns bêbados safados, vocês quatro!

Pandora estava um pouco furiosa, mas resolveu ficar em silêncio, até que o namorado voltou a se acercar.

— Me sinto mal quando fica brava comigo, me desculpe, Pan. – Disse o jovem enquanto ajeitava uma mecha do cabelo da morena. – Sabe que eu sou capaz de qualquer coisa por você, pra provar o meu amor e a minha lealdade, tanto que nem me importa que me castigue! Eu mato até seu tio, se você quiser isso como prova.

— Isso não! – Ela parou e olhou fundo nos olhos dele. – Tudo bem, já passou, eu te amo muito, não quero mais brigar e me desculpe pela tapa.

— Você tem brasa nos olhos quando fica nervosa, se torna ainda mais linda, minha dona!

Pandora o puxou pela gola da camisa e os dois caíram juntos na grama. E ficaram todos ali, até o raiar do sol, namorando, brincando, ouvindo música, apenas não bebiam mais, por que todas as bebidas que compraram já tinham sido esgotadas. Eram jovens muitas vezes decadentes quando se reuniam e se mantinham sempre unidos, como um verdadeiro clã. Eles gostavam de aproveitar a vida ao máximo.

“Get your motor runnin'

Head out on the highway

Looking for adventure

In whatever comes our way

Yeah, darlin'

Gonna make it happen

Take the world in a love embrace

Fire all of your guns at once

And explode into space

Like a true natures child

We were born

Born to be wild

We can climb so high

I never wanna die

Born to be wild

Born to be wild”

(Born to be wild – Steppenwolf)

—------------------- Berlim, pela manhã-----------------

O carro parou em frente à Mansão Heinstein por volta de 6:00 horas da manhã. Pandora estava muito cansada, naquele dia havia pegado uma chave para entrar em casa a hora que quisesse, pois recebeu carta branca para isso.

Ao fechar a porta com cuidado, para não chamar atenção, ela se deparou com Hypnos sentando no sofá, lendo uma revista.

— Bom dia, Pandora! – Disse ele, fechando a revista e sorrindo. –Isso é hora de uma mocinha chegar?

Nesse momento, o homem mudou de feição, ficou sério, e ela se assustou pensando no que ele poderia fazer.

— Des-culpe, Hypnos, eu achei que poderia chegar a qualquer hora e... – Ela parou de falar enquanto ele se aproximava.

— Xii!- Fez ele enquanto tocava os lábios da jovem com o dedo indicador. – Relaxe, eu já disse, não sou um monstro, não contarei nada para o seu tio. Esse vai ser o nosso segredo! Mas... Quer tomar o café da manhã comigo? – Rapidamente ele mudou a conversa e voltou a sentar no sofá, confortavelmente.

— Não, eu prefiro dormir agora. – Ela deu as costas e subiu as escadas apressada, fazendo a madeira ringir, esquecendo que poderia acordar Alone com o barulho.

A jovem estava confusa. Há poucos dias sentia um pouco de asco pela figura de Hypnos, pois sempre o vira maquinando coisas com o seu tio. Afinal de contas, quem é de fato aquele homem tão misterioso? Não fazia muito tempo ele era um completo mistério, e agora se mostrava tão amigável que até já estavam compartilhando um segredo! A partir de então, Pandora começou a considera-lo uma pessoa mais favorável do que supostamente ruim, mas ainda lhes restavam dúvidas.

Depois de entrar no quarto, ela foi até o banheiro para tomar um banho relaxante. Despiu-se completamente e passou a se observar em um grande espelho.

— Sou tão sem graça... Mas será que é apenas isso que todos querem de mim? – Se perguntou enquanto apontava para o próprio corpo pálido e muito bem feito.

Por questão de segundos viu a figura de Thanatos atrás de si, e tomou um susto, cerrado fortemente os olhos. Foi apenas uma ilusão, mas que a perturbou muito. Logo ela resolveu entrar de cabeça embaixo do chuveiro para espantar qualquer pensamento ruim. Enxugou-se e foi para a cama, sonhar que era livre e feliz.

—--Em outra parte de Berlim-----

Radamanthys chegou ao apartamento que morava com seus pais já pela manhã. Ele esperou para entrar em casa por volta das 8:00 horas, pois acreditava que seus pais já estariam trabalhando, desse forma não iriam perceber que ele estava fora, pois era de costume que dormisse até mais tarde em dias que fosse fazer algum trabalho.

Estava muito cansado e cheirava a álcool. Quando entrou em seu quarto foi surpreendido: Lá estava seu pai, sentado em um sofá, com uma expressão fechada.

— Definitivamente você não-tem-jeito! – Disse o Sr. Richard de Wyvern, de forma severa.

— Pa-pai, eu tive insônia essa noite e resolvi dar uma volta, me desculpe. – O loiro abaixou a cabeça para não encarar o olhar recriminador do pai.

— Teve insônia essa noite e em todas as outras não é mesmo?! Estou farto de suas desculpas e de sua irresponsabilidade. Por acaso esqueceu que hoje você ficou de ir comigo ao escritório? Não é a primeira vez que faz isso, sempre falta ou não cumpre direito seus compromissos. – O homem falava de forma tão alta que poderia acordar toda a vizinhança.

— Realmente, eu estou errado... – Ele apenas consentia, não conseguia bater de frente com o seu pai.

— Já não confio mais em você, e também estou cansado de vê-lo torrando o meu dinheiro com farras e com aquela sua namoradinha desvairada! Não me agrada nenhum pouco essas companhias que você anda.

— Tenha certeza que eles não me influenciam a nada, faço tudo por mim mesmo.

— Olhe pra você, meu filho, está com o semblante péssimo, só pelo cheiro sei que encheu a cara. Não passa de um playboy rebelde, mas eu vou dar um jeito nisso!

— Faço o que o senhor quiser para receber sua confiança outra vez meu pai. – O jovem ajoelhou-se de frente ao pai, para mostrar total submissão.

— Tenho planos pra a nossa empresa e vou aproveitar a situação para encaixar você neles. Levante-se, está ridículo assim. – Richard se levantou e começou a andar pelo quarto com as mãos unidas para trás. – Agora que terminou o ensino médio chegou a hora de entrar numa universidade e trabalhar um pouco mais.

— Sim, pai, eu pretendo fazer isso. Iniciarei quando possível meu curso de Direito, como o senhor sempre quis!

— Mas se continuar nesse país eu presumo que não começará nada, afinal, já faz um tempo que se formou e não procurou dar continuidade nos estudos aqui.

O rapaz cerrou os olhos e sentiu gelar por dentro quando ouviu aquelas palavras. O que seu pai estava querendo dizer? Queria ele afastá-lo da Alemanha?

— Co-como assim?

— Radamanthys, não vou deixar que você ponha o nome de nossa família na lama, temos muita história! Nossos antepassados trabalharam arduamente para construir nossa fortuna. Eu só quero fazer de ti um homem de bem, como eu sou e seu avô foi!

— Tudo bem, eu serei assim como o senhor, apenas não estou entendo aonde quer chegar...

— Tome um banho, se vista decentemente e me acompanhe. Temos uma reunião muito importante no meu escritório hoje. Lá você entenderá tudo.

—---------------- Escritório Wyvern em Berlim--------------

— Bem, a todos os presentes eu desejo um bom dia. Hoje teremos um assunto muito importante para tratar, e como não gosto de rodeios irei direto ao ponto: Nossos negócios aqui na Alemanha estão indo muito bem, nos fixamos em Berlim há muitos anos e por isso já conseguimos uma base sólida aqui, por isso eu não me preocupo tanto mais como antes... No entanto, fui informado que estamos tendo complicações na América, mais especificamente nos Estados Unidos, por isso. – Nesse momento ele deu uma pausa e sorveu um pouco de água. – Como o presidente geral dessa empresa eu precisarei me mudar para lá, levarei comigo o meu filho, que dentro de alguns anos será o nosso representante do setor jurídico.

— Pai...não acha melhor que eu fique mais um pouco aqui? – Radamanthys estava chocado com o que acabara de ouvir, e queria de alguma forma barganhar sua permanência em Berlim.

— Gibson, você ficará tomando contas dos negócios aqui em meu lugar. – Disse Richard ignorando completamente a fala do filho. – E Alfred, quero você na nossa central, em Londres, até que eu volte para lá.

Tudo ficou decidido daquela forma, eles assinaram algumas procurações para formalizar a situação e permaneceram por mais algum tempo resolvendo outras questões da empresa.

Enquanto isso o rapaz sentia que tudo estava desmoronando. Há quatro anos morava na Alemanha, onde fez amizades verdadeiras e conheceu Pandora, por quem era perdidamente apaixonado, e com ela fez muitos planos. Teria que deixar para trás tudo que planejou? Deixaria Pandora nas mãos de Thanatos, abandonada?

Passou-se várias vezes em sua cabeça a ideia de se rebelar contra sua família, mas depois voltou a si e percebeu que era extremamente dependente deles. Ainda por cima ele venerava o pai, como um Deus, jamais poderia decepcioná-lo, mas estava dividido: Deveria honrar a família, obedecendo a seu pai, ou deveria continuar sua história com Pandora?

Do escritório ele seguiu com aquela dúvida para o apartamento que Minos e Aiacos dividiam. Talvez com a ajuda dos amigos conseguisse pensar numa terceira alternativa para aquele impasse.

— Rada, entra aí! – Disse Minos, enquanto abria a porta. – Que cara é essa, meu irmão? Parece que veio de uma guerra! – O rapaz sorriu.

— Chega a ser pior que uma guerra a minha situação. – Ele estava com o semblante sério e com um olhar perdido. – Cadê o Aiacos?

— Tá dormindo há essa hora ainda, com a Violet... Ah cara, e se você veio almoçar, me desculpa, não preparei nada ainda. – O rapaz quase albino deu um sorriso amarelo e coçou a cabeça.

— Não, não. Eu vim aqui pra outra coisa. Mas vou esperar o Aiacos acordar por que eu quero falar com todos vocês.

Não demorou muito e Violet e Aiacos apareceram. Todos sentaram juntos no sofá, percebendo rapidamente que Radamanthys estava aflito.

— E então, qual é a boa? – Perguntou Aiacos.

— Meu pai vai se mudar pra os Estados Unidos e praticamente vai me obrigar a ir junto!

Os três amigos se entreolharam enquanto pensavam em alguma resposta para dar.

— A Pan já está sabendo disso? – Violet questionou.

— Não, ela não pode saber disso ainda e, Violet, eu sei que vocês são muito amigas, mas, por favor, não conta nada pra ela, deixa que eu mesmo farei isso. – O loiro encarou a amiga, quase implorando.

— Odeio esconder as coisas dela, mas tudo bem. Ficarei calada, aliás, ficaremos todos calados. – Mas o que pensa em fazer?

— Eu me sinto perdido, até agora não consegui pensar nada que pudesse resolver tudo e ficar bem com os dois lados, tanto pra o meu pai quanto para ela.

— Casa com ela antes de ir embora! – Disparou Minos. – Daí você a leva contigo, que tal?

— Pode ser uma saída, mas eu preciso esperar ela completar dezoito anos... Será no próximo mês, e pelo que eu entendi, essa mudança vai ser urgente!

— Então você precisa fazer algum esquema. – Sugeriu Aiacos.

— Eu já sei o que vou fazer: Fugirei com ela até que complete a maior idade e então nos casaremos de imediato!

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Notas finais
Então, gostaram? Pois é...muita confusão vindo por ai! Deixem nos comentários as opiniões sobre o capitulo!