Entre Rosas e Correntes

9 Nicky / Penúltimo Capítulo


Notas iniciais
Nem acredito que eu terminei essa cap em tão pouco tempo (também, minusculo do jeito que ta, enfim...) Boa leitura!

Havia se passado pouco tempo quando nos tiraram de lá. Conversamos esse tempo todo, para não enlouquecermos. Trocamos histórias, acabamos nos conhecendo. Nicky me contou a história dele.

Ele havia sido criado por uma babá, pois seus pais viviam trabalhando e viajando e não tinham tempo pra cuidar de um bebê, então ele mal tinha contato com eles, viva sozinho com a babá em uma mansão.

A casa dele havia uma certa infestação de formigas e outros insetos, então era comum deixar venenos em várias partes da casa, até que um dia ele disse que decidiu brincar com os venenos, dando para seu rato de estimação comer. Era realmente um rato que ele havia achado dentro da casa, ai ele colocou em um aquário vazio.

Ele acompanhou os sintomas de envenenamento do seu animal e ficou fascinado, então a partir daí, pesquisou muito, estudou, fez testes e envenenou muitos animais, e com apenas 8 anos, ele sabia como extrair venenos de folhas e frutas. Um gênio.

Então ele decidiu que seria boa ideia testar seus venenos com sua babá e serviu uma xícara de chá envenenada pra ela. Ela passou mal e ele cuidou dela, conseguiu fazer um antídoto, afinal, ele não queria que ela morresse, ele adorava ela.

Após poucos anos, seus pais se aposentaram e foram pra casa, sem ver mais necessidade de ficar com a babá, a demitiram. Nicky se revoltou com aquilo e de tanta raiva, envenenou os seus pais, usando os dutos de ar da casa.

A polícia descobriu e logo o prendeu.

Eu também havia contado minha historia, ele pareceu um pouco surpreso quando eu falei sobre o estupro, sobre meu pai ser traficante e sobre eu morar em uma favela, como se ele nunca tivesse imaginado que eu vinha de lá.

Eu me dei conta que havia me apegado a ele, não conseguia parar de pensar nele e no que faríamos quando ficássemos livres. Havíamos prometido seguir caminhos diferentes, mas agora não fazia muito sentido se separar depois daquilo.

— Nicky, eu estava pensando... E se nós fugirmos juntos? — Hesitei muito ao falar aquilo.

— Robert, eu também gostaria de prolongar esse... Acordo. Mas só iriamos levantar suspeitas. — Ele soou triste. — Mas eu não vou te abandonar. Eu gosto de você, apesar de tudo.

Me calei, não sabia o que ele queria dizer com aquilo. Meu rosto estava quente, achei que eu estivesse ficando com febre.

— Você morreu, Robert?

— Não, não. Foi uma ideia boba. Eu também gosto de você, mesmo você sendo... Você. — Não sei de onde surgiu a coragem pra dizer aquilo, mas eu ri após dize-lo.

— Você já me disse que quem tem algo pra proteger fica fraco, lembra? Acho que não é bem assim, eu me sinto forte fazendo esses planos com você.

— Eu também... Eu estava errado.

Ele se calou e eu também, meu rosto ainda estava quente.

O silencio foi interrompido pelo barulho de uma tranca se abrindo, logo após abriram a porta de ferro, entraram lá e me algemaram. Assim que me arrastaram pro lado eu olhei pra porta ao lado, Nicky estava lá, ele estava muito pálido e mais magro ainda. Ele sorriu pra mim assim que saímos, eu também sorri pra ele.

Nos levaram para fora do corredor da solitária, o sol me cegou por um momento. Parecia que eu havia me esquecido como era sentir o sol.

Nos jogaram dentro da van do presídio. Walker e Craster também estavam lá, eles estavam mais abatidos do que o Nicky e Walker estava com a cabeça encostada no peito de Craster, parecia ter chorado muito.

Me sentei colado com Nicky também, mas ao invés de chorar, olhamos um pro outro e sorrimos, aquele sorriso cúmplice que faltava entre nós.

Notas finais
Não taquem pedras em mim pelo capítulo curto, mas o próximo vai ser fodástico e eu prometo pelo menos mil palavra ewe Comentem!