Entre Revoluções
15 A jornada de Tyrion
Quando a guerra eclodiu em Westeros e Tyrion percebeu o que estava acontecendo, não demorou muito para tomar uma decisão. Sabia muito bem o que sua família estava fazendo, era isso que Tywin estava almejando, arquitetando por tanto tempo, Cersei sonhara com poder quase durante toda sua vida e o pai, sabendo muito bem disso, apoiava que ela se sentasse no trono, sob a orientação sutil dele. A Jaime não restava fazer muito, apenas calar e consentir, afinal, aquela era a sua família. Seu posto e obrigação moral era defendê-los e fazer o máximo para isso.
Tyrion era um Lannister, por seu nome, mas nunca se sentiu parte da família. Os olhares constantes de desprezo do pai e da irmã o lembravam disso. Todo o poder que eles detinham, acumulados ao longo do tempo, os fizeram extremamente poderosos e temíveis e, aproveitando-se disso, foram oprimindo o povo cada vez mais e, quando a oportunidade surgiu, Cersei se autodeclarou rainha. O poder dos Lannister era tão grande que ninguém ousava contestá-lo.
Tyrion não queria tomar partido nisso, simplesmente se despediu de Jaime, que nem tentou impedi-lo e partiu para Essos. Ali nas Cidades Livres, ele esperava que ninguém o reconhecesse, que não fosse só mais um dos tiranos que tinham tomado o poder em Westeros.
Não foi fácil se acostumar ao novo lugar, era estranho estar ali num lugar tão diferente à princípio, mas Tyrion decidiu se adaptar. Ficou primeiro em Pentos, se acomodando numa hospedaria, por mais que fosse razoavelmente barata, ele não deveria gastar a quantia que estava carregando.
Depois de tirar um cochilo, numa tentativa vã de descansar e recuperar suas energias, já que sua mente ainda estava cansada, pensando no que tinha passado em Westeros, Tyrion decidiu dar uma volta pela cidade. Não gostou muito do que viu, na verdade, toda aquela realidade o lembrava do que tinha visto em seu próprio país. O descaso dos poderosos que causava a miséria dos mais necessitados, que estavam na rua lutando por sua sobrevivência.
Tyrion se compadeceu deles, ocasionalmente deu uma moeda valiosa a cada pedinte que pôde ajudar ao longo do caminho, o que causou estranheza dos ajudados, afinal, uma coisa muito rara de se ver era um anão rico. Sua boa ação poderia acabar revelando sua verdadeira identidade, foi assim que logo Tyrion decidiu partir dali, decidindo ir para Bravos. Ele não sabia exatamente o que faria ali, mas sabia que não poderia voltar para Westeros tão cedo.
Era uma cidade portuária, que recebia notícias de todo o mundo e de todas as partes. Foi ali no porto, enquanto Tyrion andava à procura de hospedagem que ele ouviu algo muito curioso e peculiar. Um furacão tinha atingido o norte de Essos, deixando para trás morte e destruição. Porém, no meio de todo esse caos, o Lannister encontrou algo trágico e belo, o jornal local trazia um poema denominado "O Furacão", escrito por uma jovem chamada Daenerys Targaryen.
Por mais que não a conhecesse pessoalmente, suas palavras tocaram o coração de Tyrion. Ele nunca tinha perdido o lugar que chamara de lar durante toda sua vida, mas também, sua casa estava longe de ser um lar. Talvez tenha sido isso que o fez se conectar com a história do poema, o sentimento de perda, não só de um lugar para se viver, mas também do que fazer a partir dali, como deixar a tragédia para trás e prosseguir.
Era o que ele estava tentando fazer naquela terra longínqua, estava perdido e aparentemente sem ter o que fazer, mas se cruzasse os braços em Westeros, certamente pagaria com a vida por sua ousadia. Assim, sabia que era melhor ficar afastado.
Continuou vagando um pouco mais, por Astapor e Meereen, sem ter muito o que fazer. Às vezes, mantinha sua rotina de distribuir esmolas, ainda lidando com os olhares estranhados, a dúvida de como um anão poderia ter posses e riquezas. Foi quando algo pelo qual ele esperava, mesmo sem saber, aconteceu.
Por mais raro e improvável que fosse, notícias boas vieram de Westeros, a guerra finalmente tinha acabado, Tywin Lannister tinha morrido em combate, Cersei foi mantida presa e então exilada. No meio das notícias, não havia nada sobre Jaime e o coração de Tyrion ficou verdadeiramente apertado.
Se havia um motivo mais forte para voltar era o seu irmão e depois, é claro, a paz e tentativa de democracia que Eddard Stark tentava instaurar. Tyrion decidiu tomar um navio de volta a Westeros, não tendo ideia de como seria seu futuro. Tentaria não agir como sua família, colaborar com o novo governo como pudesse, foi então que ao finalmente chegar ao país do qual tinha partido, refugiou-se longe de Rochedo Casterly, crendo que a irmã não suportaria sua presença na cidade. Restou-lhe procurar refúgio em Porto Real.
Assim que se hospedou e tentou dormir um pouco, encontrou um visitante misterioso em seu quarto. Não tão misterioso quando Tyrion prestou mais um pouco de atenção.
—Não vai me assustar irmão — ele declarou e Jaime baixou seu capuz.
—Também é bom vê-lo, Tyrion — Jaime acabou esboçando um sorriso — mesmo que não tenha enviado notícias.
—Você sabe muito bem que isso seria inviável, não queria que Cersei me encontrasse — confessou o mais novo.
—Eu sei — Jaime sentou-se ao lado dele — e eu acho que fez o certo, perdemos feio a guerra, e eu prefiro uma derrota, do que perder meu irmão.
—Eu agradeço, de verdade, Jaime, também não confio na minha própria destreza — Tyrion foi sincero em sua brincadeira — então, o que pretende fazer agora?
—Não tenho muita certeza — Jaime deu de ombros — não sei como Lannisters vão se encaixar nesse reino a partir de agora, mas eu tenho negócios inacabados em Tarth.
—Tarth? O que fez lá? — aquilo despertou a curiosidade do seu irmão.
—É uma longa história, passei um tempo como prisioneiro de guerra, até que decidissem me libertar e eu devo meus agradecimentos a isso a Lady Brienne — explicou o mais velho.
—Posso imaginar que agradecimentos sejam esses... — ponderou Tyrion — mas eu fico feliz por você e desejo que continue sendo feliz.
—Eu espero que encontre o mesmo — Jaime apertou a mão do irmão e assim eles se despediram.
Tyrion tentou se acomodar da melhor forma em Porto Real, em uma hospedaria outra vez, mas nem mesmo num lugar simples conseguiu se esconder do presidente. No entanto, Stark não pretendia lhe fazer mal.
Entregaram ao Lannister uma carta do presidente, pedindo que ele fizesse parte do movo governo. As ações de sua família não implicariam em como Stark o considerava, ele gostaria de formar uma parceria, pelo bem do governo.
Assim, parecia que Tyrion tinha acabado de encontrar seu lugar na nova Westeros.
Fale com o autor