Entre Revoluções

11 Soldado em Formação


Jon cavalgou durante muito tempo, até não conseguir mais enfrentar a neve. Parou um pouco numa hospedaria à beira da estrada, decidindo por fim descansar, e passou a noite ali. Ao primeiro raiar do dia, continuou sua jornada. Demorou boa parte do dia até que chegasse ao posto de alistamento, nas extremas fronteiras de Porto Branco.

Ao declarar suas intenções, passou por uma rápida avaliação dos comandantes superiores, o que o fez se sentir mal, ser inspecionado daquele jeito o fez se sentir como um objeto qualquer. Em sua mente, se esforçou para se convencer de que não era por isso que avaliavam suas qualidades e defeitos, era apenas para testar suas aptidões e, com sorte, usá-las da melhor maneira possível dentro do exército.

Jon tentou não demonstrar alívio quando recebeu o documento atestando que estava oficialmente recrutado à Defesa do Norte, acreditava que devia manter a pose séria de soldado, mostrando que levava a sério sua missão, o que era realmente verdade.

Jon então se uniu a seus colegas recrutas num treinamento pesado, coordenado pelo Comandante Jeor Mormont. Por enquanto, sua rotina era formada por maratonas de corrida até seu fôlego cessar, montar e desmontar a baioneta, sua única amiga no exército, segundo o Comandante, atirar, se arrastar e escalar. À noite, embora deixasse o cansaço o fazer adormecer, Jon tinha tempo de observar os companheiros ao seu redor, mais os observava do que falava com eles. Era o jeito de Jon, tinha uma desconfiança natural, demorava até confiar plenamente em alguém e, para ele, agora que estava junto a estranhos, tinha que escolher bem em quem confiar.

Foi então que sua tropa foi definida e lhe foi designado partir para o campo de batalha, na região da Muralha. Era uma região cheia de refugiados, pessoas que fugiram e deixaram tudo para trás, porque nada mais tinha sobrado, tudo havia sido devastado pela guerra. Essas pessoas sobreviviam como podiam, infelizmente entre eles haviam revoltosos que causavam alvoroço, roubando dos pobres que mal tinham como suprir seu alimento. Era por essas vítimas que a tropa de Jon estava ali.

Mesmo sendo quieto e observador, ele teve que aprender a cooperar com seus colegas soldados, descobrindo neles novos amigos e, até mesmo, irmãos em armas. Pip, Grenn e Ed eram os companheiros de Jon, que sempre estavam com ele enquanto a tropa patrulhava o fluxo de refugiados.

Aos poucos, os três conseguiram se aproximar de Jon e fazê-lo se abrir mais. O Stark contou a eles sobre sua família, como sentia falta dos irmãos todos os dias, mas estava contente consigo mesmo em seus feitos como soldado. No seu tempo livre, Jon treinava esgrima com os companheiros, era uma das suas melhores habilidades, aperfeiçoada desde a infância.

Embora Jon fosse um espadachim habilidoso em ação, sua discrição também era notável. Observador e atento a tudo a sua volta, ele podia prever os ataques do oponente, essa era a primeira regra do combate que havia ensinado aos amigos. Foi por essa habilidade principalmente, que ele fora designado para se infiltrar como espião no meio dos refugiados. Ali no meio de todos havia pessoas vindas de todo canto de Westeros, o que significava que havia tanto pessoas apoiando os Stark e o Norte como simpatizantes da causa do Sul e dos Lannister. Assim, o Sargento Yarwick incumbiu Jon dessa missão.

Ao ouvir a ordem, o jovem Stark sentiu o pânico tomar conta de si. Não achava certo tomar informações daquela maneira, era uma atitude traiçoeira em si, porém era necessário, precisava fazer sua parte para que seu lado vencesse e a guerra acabasse. Em suas condições de soldado obediente, apenas aceitou sua missão, embrenhando-se entre os refugiados.