Eddard esperava com apreensão a chegada dos Tully e, por estar aflito, usava Jon como uma espécie de escudo, sempre segurando o menino nos braços. Lyanna veio ao encontro do irmão e, ao vê-lo naquele estado, se preocupou ainda mais.

—Ned — ela chamou delicadamente — me dê o Jon aqui só um pouquinho, vai precisar receber os Tully e sabe que é melhor que ele não esteja presente.

—Eu sei — relutantemente, Eddard entregou o menino a Lyanna — não acho que serei totalmente capaz de lidar com essa visita.

—Mas sabe que é preciso — Lyanna tocou o rosto do irmão afetuosamente-eu vou estar ao seu lado está bem?

Ned só assentiu, tristemente. Jon que estava dormindo, acordou de repente, sentindo toda a agitação do momento.

—Tia...? — murmurou ele.

-Estou aqui, meu amor — Lyanna respondeu ao sobrinho.

—O que o papai tem? — perguntou o menino.

—Coisas de adulto — Lyanna sorriu e o tomou dos braços do irmão — Só encare isso como um dever e tenha o coração aberto, Eddard. Talvez seja capaz de encontrar felicidade novamente.

—Não sei sobre isso — disse Ned com tristeza — mas como filho do meu pai farei o que for necessário e honrarei o compromisso que ele fez por mim.

Sozinho, Eddard tentava lutar contra os próprios pensamentos. Era difícil seguir os conselhos da irmã ou deixar tudo o que tinha acontecido. Respirou fundo, pela milésima vez naquele dia, se colocou de pé e esperou pela família de sua noiva.

A mansão dos Stark impressionou um pouco a Catelyn. Não era maior que a de sua família, mas era maior do que ela esperava. Começou a pensar como seria viver ali, de um jeito melancólico. Desceram de sua carruagem, ela e o pai, que conduziu Catelyn pelo braço até a entrada. Criados abriram-lhes as portas e, imediatamente, encontraram Eddard, alto e quase imóvel, o rosto lívido de seriedade.

—Lorde Hoster, seja bem vindo a Winterfell e à minha casa — Ned os recebeu, quebrando um pouco da tensão que sua postura trouxe.

—Obrigado, Lorde Stark — agradeceu o sr. Tully — esta é Catelyn, minha filha mais velha, espero que tenham uma união muito feliz.

—Cuidarei dela com todo zelo e respeito, senhor — respondeu Eddard e cordialmente ofereceu seu braço para Catelyn.

—É um prazer conhecê-lo, senhor-disse ela ao aceitá-lo.

Apesar da seriedade, logo Catelyn percebeu que seu futuro marido era honesto e honrado, porém uma pessoa extremamente triste.

—Eu vou deixar que se instalem — disse Ned, já desconfortável com toda a situação — por favor fiquem à vontade e se necessitarem de algo, não hesitem em me chamar. Nos veremos mais tarde no jantar.

Assim, o dono da casa deixou os Tully sozinhos, o que os deixou um pouco incomodados.

—Ele é... reservado demais — comentou Catelyn.

—Terá que ter paciência, minha filha — Hoster tomou as mãos dela — creio que as coisas mudarão quando se conhecerem melhor.

—Se ao menos ele quiser me conhecer — ela suspirou — pelo menos sei que ele é um bom homem.

—O que já é um bom começo — o pai tentou animá-la novamente — venha, vamos descansar um pouco.

Nisso, Catelyn e Hoster deixaram a entrada e se dirigiram aos seus aposentos. Ela tentava se habituar ao lugar, já que logo aquele se tornaria seu lar.