Entre Quatro Paredes
3 Capitulo 3
Não sei se tem como a minha vida patética fica pior, eu só consigo ter desgosto, raiva e ódio daquela escola. Hoje acordei cedo havia colocado o despertador ontem a noite, morrendo de dor de cabeça, bem provável causado pelas intermináveis horas chorando.
Fiz minha higiene matinal me arrumei e peguei minha mochila. Ao chega a cozinha, Vera estava terminando de preparar a mesa, eu estava sem apetite algum.
— Bom dia querido. — disse quando me viu sentar na mesa.
— Bom dia. — respondi fraco.
Sem animo algum para enfrentar mais um dia estressante.
Mexia no prato de panquecas.
— Você precisa comer algo Victor. — advertiu ela.
— Estou sem fome. — me levantei da mesa — quando chegar a escola como algo. Rodrigo já está pronto?
— Ah não, seus pais o mandaram chamar no escritório bem cedo. Hoje quem o levará é o Sr. Roberto.
— Eles estão na cidade e nem fizeram a questão de me visitarem? — Não sei como ainda fico surpreso com isso, depois de anos já deveria ter que me acostumar.
Beijei-a como sempre e deixei a cozinha rumo a garagem. Entrei no carro sem fazer questão alguma de falar com o novo motorista e o mesmo ele fez em relação a mim.
O caminho todo fomos em silencio, sem nem trocarmos uma palavra se quer. Roberto é o tipico senhor beirando os 60 anos ranzinza.
Uma coisa que está martelando em minha cabeça é o porque dos meus "pais" chamariam Rodrigo no escritório. Iriam demiti-lo? Quero nem pensar nisso.
Reparando em meu reflexo obeso hoje pela manha, notei que não consigo me reconhecer, parte de mim ficou perdido e até mesmo esquecidas no tempo. Onde se encontra aquele pequeno garoto risonho que amava nadar, esquiar, cantar. Acho que em todos os sonhos que tive, justamente esse se tornou um pesadelo. Nunca precisei me encaixar em moldes da sociedade, porque justo isso me afeta tanto?
Chegamos na escola como saímos, sem nos falar. Respirei fundo e adentrei os portões do inferno. Estava tão cheio disso tudo ( e só estou a dois dias aqui). Estou tão consumido de raiva, uma dor muito aparente que insisti não sair de mim. Todos cochichavam algo pelos corredores, risadinha, olhares destorcidos. Deus onde fui me meter!
As duas primeiras aulas passaram bem rápido. Só precisei me manter de cabeça erguida para não mostrar que as piadas constantes me afetaram. O intervalo havia tocado, musica para os meus ouvidos. Estava morrendo de fome, comprei três fatia de pizza, batata frita e refrigerante. Seria o suficiente para aguentar as próximas aulas. Me sentei distante e solitário de todos, queria ser esquecido pelo menos no momento.
— Você é o Victor certo? — Um garoto moreno parou em minha frente, tão esquisito ele vim falar comigo, vou ficar atento a qualquer movimento.
— Sim. — o olhei rapidamente e voltei a minha atenção ao lanche.
— Me chamo Mauricio. — ele sentou junto comigo na mesa.
— Alguma pegadinha? Sentou logo comigo, deve ter alguma coisa ai.
— Não sou como todos os outros.
De qualquer forma ainda vou ficar com um pé atras com esse garoto. Gente já mencionei que ele era bem bonito por sinal? Sorriso encantador, pele escura e olhos castanhos claro, bem forte e alto. Com certeza é do time de basquete suponho. A gente conversou durante o intervalo todo, o que foi suficiente para descobrir que ele sim é do time de basquete da escola, que namora uma líder de torcida e que é da mesma classe que eu ( coisa que eu não tinha notado, talvez tenha faltado ontem ). Não disse muita coisa de mim pare ele, até porque ainda não confio totalmente.
Durante as três aulas seguintes ele sentou comigo, o que atraiu olhares indesejados e risadinha, mas também as zoações pararam. O que me leva a crer que com certeza é como um lidar para essa escola, um tipo de rei que está no topo da piramide social. Mas ainda sim, como alguém tão popular iria querer ser visto comigo?
Mais um dia havia terminado, diferente de ontem foi bem melhor. Mauricio me ofereceu carona mais disse a ele que meu motorista estava me esperando. Trocamos contato e nos despedimos.
O que me surpreendeu nesse dia nem foi jeito amigável do Mauricio ou uma manhã sem Rodrigo, mas chegar em casa e ver meus pais no sofá, com Rodrigo na poltrona, bem vestido, exalando sensualidade me deixou sem reação. Eu estava em êxtase e nem sabia do principal ainda.
— Oque vocês fazem aqui? — cuspi as palavras com puro ódio.
— Não seja tão grosseiro, tenha respeito com os seus pais. — meu pai me olhou serio.
— O que fazem aqui, queridos pias? — ironizei.
— Resumindo tudo, viemos trazer o contrato do Rodrigo para ele assinar. Fico contente em lhe dizer que ele é o mais novo modelo da marca Santiago.
A minha primeira reação foi de rejeitar aquela ideia, como o meu "irmão" vai sair de perto de mim, como vou viver sem seus conselhos, carinho e seu cuidado, meu porto seguro. Ele se tornou tudo e até um pouco mais para mim, imaginar daqui por diante sem ele na minha vida só pode ser uma pesadelo.
As lagrimas começaram a sair sem as minhas ordens e aquilo me deixo com cara de ridículo e infantil na frente deles. Corri para o meu esconderijo (meu quarto), afundei meu rosto no travesseiro e chorei como uma criança acabará mima esperando ele vim saber o meu real estado. Mãe Vera até veio bater na porta para saber como estou, mais não queria ver ninguém. Fiquei deitado até pegar no sono.
Parece criancice né? Você não querer o melhor daquele que você ama, eu me sinto egoísta a quanto isso. Estou um pouco chateado por ele não ter me contado assim, descobri de uma maneira desagradável.
Sabe quando alguém te acorda e você pensa que é um sono? Pois é, ouvi a voz do Rodrigo me chamando e fui acordando lentamente, a luz do abaju estava acessa e o relógio marcava 2:00 da manhã.
— Oi. — ele disse com a voz doce.
— Oque você quer? — minha grosseira tomando conta de mim. — Já não é o suficiente me abandonar e se quer me contar antes dos planos, que tipo de irmão é esse! — eu cuspia as palavras com tanta raiva, nunca me vi desse estado.
— Cala a boca e me escuta, deixa de ser uma criança mimada. — Naquele momento eu sabia que ele tinha perdido a paciência comigo, então só fiz o que ele disse ainda sim com a cara emburrada. — Você não pode ser tão egoísta ao ponto de não ficar feliz por uma coisa boa que aconteceu em minha vida, acha que eu queria passar a vida dirigindo carro por ai?
— E por que não me contou antes?
— Era uma coisa que nem eu mesmo sabia se iria dar certo, mas aconteceu. Não precisa aceitar como uma partida. — ele fez uma pausa esperando que eu dissesse algo, mas fiz um gesto para que ele continuasse. — Vou sair por ai desfilando como modelo pra os seus pais, não quer dizer que vamos perder o canto ou vou deixar de vim visitar você.
— Você não pode ir. — implorava já chorando. — não me deixa.
— Victor tá escutando oque tá dizendo cara? — ele se levantou da cama com raiva .- não me peça pra escolher entre você e essa oportunidade de...
— Eu te amo! — as palavras sairão espontaneamente e nem eu mesmo acreditei no que estava dizendo.
— Eu também te amo, você sempre vai ser meu irmãozinho do coração. — ele se ajoelhou próximo a mim.
— Você não entende né? — seus lhos demonstravam confusão. — Saia do meu meu quarto agora! Pode ir embora, vá, vá, faça oque bem entender. — chorava descontroladamente enquanto gritava.
Ricardo levantou surpreso com a minha explosão, eu estava fora de mim.
— Eu te odeio, faça o favor de nunca mais voltar.
Eu o vi partir. Oque é essa dor que me consome agora, eu estava seguro, eu tinha meu porto seguro, como do nada eu perdi tudo. Como palavras de amor pode se transformar de ódio em questão de segundos. Agora eu entendia tudo, eu o amo, em todos os momento de alguma forma eu só pensava nele, mas ele nunca me deu motivos para isso, foi tudo ilusão da minha cabeça. Então é tudo culpa minha? Se é uma amor maior do que de irmãos, então eu sou gay? Como eu nunca percebi isso, como nunca notei os sinais a minha frente, eu era tão burro assim. É por isso que eu nunca me interessei por garota qualquer ou me sentia atraído por elas.
Queria ter a garantia que a vida é fácil, estou tão consumido por dentro, é como se meu mundo estivesse caindo aos pedaços. Meus olhos ardiam de tanto chorar, minha cabeça rodopiava, e precisa dormir. Fiquei chorando até pegar no sono.
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