Entre Pixels e Pôr do Sol

1 Entre Pixels e Pôr do Sol


Kenji ajustou o microfone e iniciou o stream. Milhares de pessoas entraram no chat, mas um nome destacou-se: Aiko-chan94. O coração acelerou.

“Ainda te lembras de mim?” A mensagem brilhou no ecrã.

Ficou paralisado. Como poderia esquecer? No liceu, ela era a sua melhor amiga. Partilharam risos, segredos e tardes a ver o pôr do sol no parque. Mas o tempo afastou-os. Respirou fundo e respondeu: “Claro que sim, Aiko.” No chat, um simples emoji de sorriso apareceu.

Era pouco, mas naquele instante, soube que algo do passado renascia. Talvez algumas memórias nunca se apagassem. As conversas tornaram-se frequentes. Durante os streams, Aiko enviava mensagens, recordando momentos da escola.

“Ainda jogas aquele jogo?” perguntou ela.

Kenji riu. Quantas horas passaram juntos, lado a lado, a competir? Mas não era só isso.

Ele lembrava-se de como Aiko adorava observar o pôr do sol, das suas palavras sobre como certos momentos deviam durar para sempre.

“Tenho saudades disso,” admitiu ela.

Ele hesitou. Sentia o mesmo, mas não sabia como dizer. Então, respondeu apenas: “Talvez possamos repetir um dia.” O cursor piscou no ecrã. “Gostava disso.” Uma promessa silenciosa formou-se entre eles.

O comboio chegou à estação. Kenji olhava nervoso para os passageiros que desciam. Então, viu-a. Aiko pouco tinha mudado. O mesmo sorriso, o mesmo brilho no olhar.

“És mesmo tu,” disse ela, rindo.

Caminharam até ao parque, tal como nos velhos tempos. Falaram da escola, das suas vidas. O tempo parecia não ter passado. Quando o sol começou a descer, ela apontou para o céu. “Lembras-te? Sempre dissemos que este era o melhor momento do dia.”

Ele sorriu. Sim, lembrava-se. E ali, sobre aquele céu dourado, percebeu que nunca tinha realmente deixado de a amar. O tempo passou demasiado depressa.

“Tenho de partir amanhã,” disse Aiko, baixando o olhar. Kenji sentiu um aperto no peito.

“Mas podemos continuar a falar…” começou ele. “Sabes que não é o mesmo.”

O vento soprou, trazendo a última luz do dia. Ambos olharam o horizonte, sem saber o que dizer.

“Prometes que não me esqueces?” perguntou ela.

Ele queria dizer muito mais, mas apenas assentiu. Caminharam até à estação em silêncio. Quando o comboio partiu, Kenji ficou parado, vendo-a desaparecer. O sol pôs-se, mergulhando tudo em escuridão. Algumas despedidas doem mais do que outras.

Os anos passaram. Kenji tornou-se um streamer conhecido. Mas, em certas noites, desligava tudo e voltava ao parque. Olhava o pôr do sol e recordava Aiko. Um dia, enquanto lia mensagens no chat, algo chamou a sua atenção: “Ainda te lembras de mim?” O coração acelerou.

O nome era diferente, mas ele sabia. Os dedos hesitaram no teclado antes de escrever: “Sempre.”

O cursor piscou. Depois, surgiu uma resposta: “O pôr do sol continua bonito?” Ele sorriu.

Algumas amizades, alguns sentimentos, nunca morrem. E entre pixels e memórias, certas histórias são eternas.

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