Entre Paredes

4 Capítulo 4


Notas iniciais
Gostaria de deixar claro por aqui, que já havia me esquecido dessa fic, e que voltei a postar só por causa de ddd, que me mandou uma mensagem e me trouxe de volta! Muuuito obrigada por acompanhar, e espero que todos gostem! Vejo vocês por aqui! Beijos!

Depois de ir embora pensando em como todos aqueles momentos com ele haviam sido interessantes, memoráveis, Madara passou dias longe de Minato. Entre cuidar da agenda do clube, convencer seu pai a deixa-lo estudar na zona oeste e tantos outros assuntos, sentia-se sufocado. Era tarde da noite, sexta feira. Precisava sair um pouco e não, não era algo como ir para a maldita boate. Precisava de alguém que o ouvisse. Vestiu seu casaco cinza-chumbo e soltou os cabelos molhados. Seu cheiro doce estava se tornando irritante. Sim, estava irritado consigo mesmo. Estava irritado com todo o maldito universo.

Entrou em seu carro e depois de desviar de três batidas policiais, finalmente chegou frente ao prédio de Minato. Uma janela do apartamento estava acesa. Provavelmente estava em casa. Aproximou-se do portão deixando o carro parado alí mesmo sem se importar com nada. Apertou o interfone algumas vezes até que foi atendido por uma voz rouca que duvidou ser do amigo.

— Sou eu, Madara... Posso entrar?

Nada foi respondido. O portão apenas destravou, liberando seu caminho prédio acima. Correu pelas escadas. Era como se cada segundo contasse. Quando chegou frente a porta do apartamento, a encontrou aberta. Entrou e trancou. Havia algo suspeito no ar.

— Minato?

Questionou no meio da penumbra.

— No sofá.

— O que tá acontecendo?

Perguntou, indo até ele e só então vendo os olhos azuis apagados e a expressão cansada. Assentou-se ao seu lado.

— O que foi?

Perguntou de novo.

— Meu quarto está ocupado. Jiraya está com uma garota desde quarta aqui, não posso nem pegar uma roupa pra dormir ou coisa assim.

— Você deixou que ele fizesse isso?

— Ele disse que a amava, então deixei! Os pais dele não podem saber, caso contrário, é chutado de casa. Ao menos foi o que disse.

— Entendo... Na minha família as coisas também andam nesses passos vez ou outra. Onde está dormindo?

— Aqui...

Apontou para o sofá. Ante sua situação, as lamúrias de Madara se
transformaram em nada. Quem estava, realmente, com problemas, era o loiro.

— Cara, que droga... Isso pelo menos abre?

— Vira uma cama de casal.

— Menos mal. Quer ir dormir na minha casa?

— Não, obrigado... Acho que não seria muito prudente da minha parte. — suspirou exasperado — por que sumiu todos esses dias?

— Estou sendo mais pressionado do que o CEO de uma multinacional... Meu pai quer que eu vá pra outra escola, não quer que eu estude por essas bandas. A boate está com a agenda lotada. Até terça eu quase mandei tudo às favas, mas não pude. Meu tio mandou contratar Orochimaru outra vez, mas ele não atende... — suspirou — não sei, acho que não estou dando conta do recado.

Um silêncio confortável abateu-se sobre o ambiente por alguns instantes, até começarem a ouvir sons estranhos vindos do quarto. Se olharam e até mesmo quiseram rir, mas se contiveram.

— Vamos beber alguma coisa fora daqui?

Minato convidou. O outro apenas acenou positivamente com a cabeça, levantando-se. Logo estavam fora do apartamento, munidos de um vinho delicado que o loiro havia conseguido em seu trabalho.

— Sabe, eu estou acostumado com isso, mas não sei, perto de você eu sinto... vergonha, acho.

— Acostumado?

— Sim... Fugaku leva Mikoto pra casa praticamente todos os dias... Tá, é terrível, mas eu tento suportar..

— Acho que posso imaginar.

— Como foi sua semana?

— Foi boa, exceto pelo excesso de trabalho e por ter que estudar matemática várias vezes...

— Trabalha onde?

— Num café do shopping. Pra onde vamos?

— Não sei... Não conheço a cidade direito, mas acho que a gente deve ir de carro...

Disse, apontando para o céu fechado. O vento frio era um prelúdio da iminente chuva que cedo ou tarde cairia.

— É verdade...

E logo estavam naquele esportivo de luxo preto como o céu noturno. As luzes da cidade pareciam cada vez mais fracas ante a perfeição dos relâmpagos que cortavam de fora a fora o céu. Madara dirigia devagar, como se quisesse aproveitar o tempo ao lado de Minato. E na verdade, bem sabia que queria. Muito.

O loiro abriu o vinho, sorvendo um ou dois goles, degustando. Havia aprendido a comportar-se com bebidas delicadas e com aquela não seria diferente. Mesmo sem taças e sem o requinte que a mesma merecia, ainda seria tratada do modo certo...

— Está bom?

— Muito.

— Precisamos parar em algum lugar. Quero beber também.

Não fazia idéia de onde estava, mas mesmo assim, sequer se importou quando o carro parou num lugar alto, do qual dava para ver boa parte da cidade, as luzes, os carros e ao longe, os raios que começavam a cair.

— É, parece que vai ser brava, não?

Minato constatou enquanto estendia a garrafa ao amigo.

— Sim. Há muito tempo não vejo uma ameaça assim. Provavelmente vai chover durante todo o final de semana...

— Isso é ruim pros seus negócios não é?

— Não totalmente, porque tem como as pessoas entrarem sem nem mesmo uma gota de chuva acertá-las. É na rua lateral.

— Quem vai se apresentar lá?

— Temos algumas bandas para amanhã, mas ninguém notável como aquele arrogante da semana passada. Mas sabe, vai ser bom porque não vou precisar colocar meus pés no meio daquela baderna. Ao menos um sábado pra fazer o que quero. E no início da semana eu começo a frequentar a escola, então já sabe... toneladas de coisas para preparar, materiais...

O moreno suspirou exasperado enquanto devolvia a garrafa e ligava o som num volume sutil. Permaneceram calados por um tempo.

— E sua namorada?

— Touka?

— Sim...

— Não é minha namorada... é apenas um casamento arranjado pelos meus pais. Eu não pretendo me casar, sabe, eu quero ser livre para sempre. Acho que não nasci pra fazer as honras de perpetuar a família...

— Boêmio...

Minato riu.

— Boêmios não amam, mas acho que sou capaz de amar, sim. Só não quero o mesmo destino de todos os que eu conheço.

— Eu pretendo sim me casar, mas num dia bem distante, sabe, quando eu souber que vou precisar de uma companhia para o resto de meus dias.

— Por que o clima ficou triste de repente?

— Acho que são os problemas que fizeram tudo parecer cruel demais.

— É verdade... Mas não, eu não quero desperdiçar meu tempo ao seu lado falando dessas coisas ruins... Já basta a semana que tive e já basta Jiraya estar te dando todo o trabalho que não devia te dar.

— Ele é um cara de sorte... Tem uma garota com ele, tem pais por perto, muito dinheiro... não precisa de mais nada.

— Se não precisasse não estaria desde quarta na sua casa.

Riram. O tempo foi passando e quando a chuva começou a cair, a garrafa já se via pelo meio. Estavam levemente ébrios. O rádio estava ficando ruim demais. Todas aquelas músicas falando de nada com nada, sentimentos ou o poder de ser superior aos outros estava enchendo a paciência de ambos.

— Sinto falta do seu DJ...

— Eu também. Essa chuva me dá sono. Os bancos deitam... mas.. espera, deixa eu me lembrar... — aproximou-se de Minato, tocando o banco enquanto procurava por uma alavanca — Eu...

Disse, olhando em seguida para o loiro, perto demais... Aqueles olhos azuis conseguiam brilhar mesmo no escuro... e.. o cheiro dele era tão doce quanto o do próprio vinho.. vinho que havia deixado seus lábios mais avermelhados. Lembrou-se do que realmente queria na primeira vez que o vira. Era impossível não desejar ao menos prova-lo. Era impossível se conter, refrear.

Tocou o rosto dele com uma das mãos e se surpreendeu quando viu que não seria impedido, não. Pelo contrário. Pôde vê-lo fechando os olhos pouco a pouco, pôde sentir a respiração tão próxima, tão ofegante... e então, pôde sentir os lábios dele contra os seus. Não sabia por que havia tomado tal iniciativa se sequer sentira atração por garotos em toda a sua vida... Sua mão foi parar na nuca, dentre os fios loiros, acariciando, enquanto sua outra mão finalmente encontrara a alavanca, deitando o banco, deitando-se praticamente por cima dele, quem correspondia, acariciando-lhe a língua com a própria. Deliciosamente estranho. Sentia seu coração disparado, como se estivesse cometendo um erro, o maior erro do mundo. Por um instante pensou no que aconteceria se alguém ficasse sabendo, se sua família ficasse sabendo. Não, isso não importava de todo agora.

Quebrou o contato ansiando por ar, ansiando pela reação dele. Quando viu os orbes azuis novamente, detectou uma expressão temerosa na face daquele quem havia acabado de tomar os lábios e também o fôlego.

— Madara...

— Pshhh; não diga nada.

Abaixou também seu banco, acariciando mais uma vez a face tão macia quanto à de um anjo. Enquanto a chuva caía do lado de fora, sentia mais e mais vezes o beijo daquele quem havia desejado à primeira vista.

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— Eu quero ir pra casa.

— Tudo bem.

Sérios demais depois que Minato o afastara, ofegante, tentando parecer contrariado, deixaram aquele lugar que decerto ambos jamais esqueceriam. As ruas passavam rápido demais e o medo de perder o loiro até mesmo como amigo tomava Madara de assalto. Quando parou frente ao prédio simples, tentou mais uma vez. Foi contido por ele.

— Me desculpe, mas... Eu não posso. Adeus.

Foi tudo o que disse antes de deixar o carro. Sim, agora tinha certeza depois de vê-lo entrar quase que de modo desesperado, debaixo de uma chuva torrencial que o havia perdido.

— Droga! — praguejou golpeando o volante — Por que tem que ser tão imbecil, Madara?

Deu partida. Não havia mais nada que pudesse fazer. Se sentia destruído.

Notas finais
Continua...