Entre Nerds e Bad
2 Capítulo 2 - Mapa escolar em Detenção
Notas iniciais
Quando entrei na biblioteca do grêmio Lizzie estava com um olhar desolado. Eu já sabia o porquê e não havia nada que alguém pudesse fazer quanto a isso.
– Eu não quero...
Ela começou, mas eu a interrompi com um olhar e um suspiro. Eu também não queria.
– Você sabe que eu gosto tanto disso quanto você. – falei sentando na cadeira em volta de uma das mesas redondas, jogando a pilha de livros em cima da mesa.
Quando a diretora veio conversar comigo e Lizzie sobre detenção eu não imaginava que teria que virar babá de algum estudante encrenqueiro, muito menos que eram dois e por isso sobraria para Lizzie também. Mas quando ela disse ninguém se atreveu a contestar, a diretora estava com uma cara tão aborrecida e cansada que qualquer esforço seria totalmente em vão. No fim, ela nem sequer me disse os nomes, e sinceramente eu já não queria mais saber para evitar sofrer com antecedência.
Lizzie pigarreou ao meu lado.
– Isso é pra eles...
– Sim, eles faram uma cópia grande hoje. Nós temos um mapa para arrumar e é melhor deixá-los bem entretidos para não incomodarem.
Ela ficou em silêncio e pude contar dez segundos antes que recomeçasse a falar.
– Michael, você pode...
– Posso o quê? – perguntei enquanto empilhava os livros novamente em ordem alfabética.
– ... parar de me interromper, por favor.
Olhei para ela surpreso. Droga, eu estava fazendo de novo.
– Desculpa, eu não queria. É só uma mania idiota, você sabe... Na maior parte do tempo eu consigo controlar, mas de vez em quando escapa.
– Tudo bem, não precisa se explicar pra mim, eu já sei de tudo isso. – ela disse e se sentou ao meu lado – Então, que horas eles vêm?
Olhei para o relógio redondo e colorido que eu tanto gostava naquela sala. Ele era bem primitivo, apesar das várias cores e dos números estarem rodeados de bolinhas coloridas. Não que eu goste de coisas muito coloridas, sou sempre básico, mas aquela era uma exceção.
– Dentro de cinco minutos. – respondi voltando a atenção para os livros.
Coloquei-os no chão, ao lado do meu pé enquanto Lizzie abria um mapa enorme de sala que nós deveríamos refazer de forma que os grupinhos formados pelos alunos não ficassem juntos, e não que isso fosse difícil, mas costumava dar uma baita dor de cabeça.
Coloquei a lista com os nomes e apontei para os circulados de amarelo que indicavam o primeiro grupinho e o mais bagunceiro. Logo abaixo dele estavam aleatoriamente nomes circulados de lilás que indicavam o segundo grupinho. Havia também os circulados de laranja, preto e verde que estavam na média da bagunça, mas que ainda assim deveriam ser separados. Não era tão chato quanto parecia.
Quando Jonathan Wayans colocou os pés dentro da sala percebi Lizzie gelar, e minha reação não deve ter sido muito diferente se considerar o fato que ele sorriu malicioso quando viu nossa cara.
Que ótimo. Um dos estudantes encrenqueiros era Jonathan, o garoto mimado e pegador, metido a bad boy que vivia causando problemas a Lizzie. Ela me olhou em desespero antes de sussurrar.
– Ele é por sua conta.
Não respondi. Me levantei e pigarreei para que ele prestasse atenção em mim. Jonathan cruzou os braços sobre o peito e me encarou.
– O que foi?
Me abaixei sério e peguei dois dos livros que eu tinha separado. Caminhei até uma mesa próxima e os joguei ali em cima cruzando os braços como ele fizera dois segundos atrás em desafio.
– Aqui estão os livros, o papel e a caneta. Você vai passar o resto da tarde fazendo uma cópia das páginas setenta e seis a oitenta e quatro e não queira bancar o engraçadinho pois posso fazer seu castigo se tornar muito pior do que já é.
– Vá em frente. – ele disse sarcástico, mas mesmo assim se sentou na cadeira que eu indiquei.
Foi o tempo de me sentar novamente, para a porta se abrir e por ela entrar um dos piores pesadelos dessa escola, Jane Hooch. Lizzie arfou do meu lado.
– Quer saber, eu fico com Jonathan, ela é toda sua.
Suspirei derrotado e me levantei novamente com mais dois livros nas mãos. Apontei para a cadeira ao lado da de Jonathan e resmunguei as mesmas palavras que disse para ele.
Para a minha surpresa e alívio ela não disse nada. Se sentou ao lado do garoto com o cabelo bronze e a jaqueta de couro, e abriu os livros. Eu parecia estar com sorte, se as coisas continuassem assim poderia dar certo.
– Então – murmurei para Lizzie – Poderíamos colocar Marlene ao lado de Olivia e mais a frente Thomas e Maggie...
– Hum... – alguém resmungou. Era Jane, ela ainda encarava os livros e fingia muito mal estar fazendo a cópia proposta. Achei melhor ignorar.
– Como eu ia dizendo, se colocássemos Marlene ao lado de Olivia e...
– Hum...
Respirei fundo e ignorei mais uma vez. Era só ter paciência. Eu conseguia aguentar.
– ... Marlene ao lado de Olivia – continuei – e mais a frente...
– Hum...
– O que foi? – perguntei rude – Algum problema?
Ela me encarou.
– Não é uma boa ideia colocar Marlene ao lado Olivia, elas se odeiam e isso resultaria em barraco. Não que eu não goste de barraco, mas você sabe, se eu fosse você não arriscaria.
Lizzie me olhou antes de eu ignorar a proposta de Jane completamente. Eu não fazia ideia se era verdade porque não era daquela classe, mas em hipótese alguma seguiria o conselho daquela garota.
– Marlene ficará ao lado de Olivia. – falei sério e anotei os dois nomes lado a lado no mapa em branco a minha frente.
– Maggie ficará na frente de Marlene e Thomas na de Olivia...
– Espera aí. – bufei e encarei a garota que acabara de me interromper novamente – Você disse que seria ao contrário, e não me olhe com essa cara, só pensei que valesse a pena lembrar.
– Obrigad... – Lizzie começou, mas eu a interrompi imediatamente.
– Faça o favor de cuidar do seu trabalho e deixar que eu cuido do meu, não sou idiota, eu sei o que estou fazendo.
Ela deu de ombros.
– Se você acha.
– É, eu acho. – respondi e ela se calou.
Pelos próximos dez minutos consegui formar duas filas sem ser interrompido, mas era claro que isso não duraria por muito mais tempo.
– Hey, Jane, não é? – Jonathan a encarou.
Fingi não prestar atenção, mas fiquei com os ouvidos atentos nas próximas palavras dos dois.
– Sim, o que foi?
Ele apontou para algum lugar no livro que segurava e então eles começaram a rir e sussurrar alguma coisa que estava definitivamente me irritando. Qual era a graça em ficar apontando para algo e rindo baixinho como se algo muito interessante estivesse acontecendo ali, considerando que afinal isso era só um livro.
– Algum problema para fazer as cópias? – perguntei ciente do tom grosso da minha voz.
– Na verdade sim – Jane disse e me chamou com as mãos.
Suspirei e Lizzie me encarou em alerta antes de eu me levantar e ir em direção a Jane.
– O que foi agora?
– Eu não entendi muito bem, essa parte aqui no livro está escrita com lápis o que significa que alguém acrescentou. Ela também precisa ser copiada?
Bufei. Sinceramente, para mim não fazia diferença nenhuma.
– É, precisa, agora vê se só me chama para coisas verdadeiramente importantes.
– Espera! – ela disse e me voltei para encará-la – Eu não tô conseguindo entender o que tá escrito, você pode ler pausadamente pra mim?
Bufei. Que garota sonsa. Me aproximei dela e encarei as letras no livro.
– Euca, gueinas, calças. – li devagar.
Lizzie riu e eu a encarei pouco antes de suspirar quando Jonathan e Jane começaram a rir descontroladamente.
– Que coisa mais infantil. – atirei – Pelo amor de Deus, vê se cresce.
Falei com raiva e me sentei bruscamente. Encarei Lizzie por dois segundos e ela voltou a ficar séria.
– E não adianta me chamar mais. Se tiver dúvida em alguma coisa problema seu.
Falei por fim e voltei a encarar o mapa. Aquela tarde seria muito pior do que longa.
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