Entre Nós
1 Epigráfe
Mason DeLuca
Olho pela janela do aeroporto, a chuva não é novidade para ninguém que more em Seattle, eu mesmo já me acostumei com ela, e agora irei me desacostumar.
Quando meu pai ligou, há três semanas, nem eu e nem minha mãe esperávamos o convite que ele me fez. Passar seis meses com ele e sua nova família, terminar os estudos na mesma cidade onde os comecei, quem diria que eu iria aceitar. Mas é claro que não aceitei por vontade própria, foi necessária muita chantagem da parte da minha mãe, que não poupou esforços, para que eu aceitasse essa proposta ridícula.
—Mason, eu sentirei tanto sua falta!- Minha a mãe choraminga, me sufocando em seu abraço, que eu correspondo sem receio.
—Ainda dá tempo de desistir, mamãe!- Minha resposta sai abafada por seus cabelos. -Se me pedir para ficar, eu fico.
Um soluço faz com que minha mãe trema em meus braços. Aperto-a o mais forte que consigo, sabendo que ela jamais me pediria para ficar. Jamais pediria para eu não ir ver meu pai, para eu dar as costas para ele. Quando a sinto mais calma me afasto lentamente de seu abraço, encarando aqueles lindos olhos azuis, tão parecidos com os meus, mais tão diferentes também.
—Não, você precisa vê-lo, e eu preciso aceitar! -Ela sorri docemente, puxando o ar com mais força do que o necessário.
Assinto, desviando o olhar rapidamente, pois suas se ficar a encarando irei começar a chorar, e isso não é algo que eu queira fazer.
—Prometa-me algo, Mace! -Não a olho, mas assinto positivamente, ouvindo atentamente seu pedido. -Quando chegar a Siesta Key, mais precisamente na escola, você tentará se enturmar, na ao será como é aqui. Promete? -Ergo meu olhar para a mulher que me deu a luz, e agora está me pedindo algo impossível.
Socialização nunca foi meu forte, muito pelo contrário, sempre preferi o silêncio e a solidão. Voltar para Siesta Key já será um grande passo, fazer amizade com meus meios-irmãos desconhecidos e minha madrasta, ir à escola na qual um dia sonhei estudar, reatar laços com meu pai, e voltar reencontrar velhos amigos, tudo isso será difícil para mim. Ergo o olhar para o rosto da minha mãe, a mulher mais linda que eu já tive o prazer de conhecer.
—Eu prometo tentar! -Digo baixo, com medo de que se eu aumentar meu tom de voz as outras pessoas escutem, e tornar a promessa mais séria, de algum modo.
Minha mãe pula em meus braços novamente, me apertando contra ela de um jeito maternal.
“Passageiros do voo 2340, rumo a Sarasota, Flórida, por favor, se dirigirem ao portão cinco.”
Minha mãe me solta relutante. Está clara para qualquer um a dor que ela está sentindo em me ver partir, mesmo que apenas por seis meses. Eu jamais a culparia por esse medo de me perder, de me ter longe de si, pois temos sido apenas eu e ela desde os meus sete anos, e isso nos aproximou mais do que qualquer coisa.
Puxo a mochila do chão, colocando-a em minhas costas. Beijo a testa da mulher mais forte e gentil que eu conheço, me despedindo rapidamente dela.
Vejo lágrimas silenciosas escorrerem por seu lindo rosto quando me afasto, respiro fundo, me controlando ao máximo para não mandar tudo para os ares e ligar para meu pai dizendo que não irei. Dou as costas e rumo ao portão cinco.
Entro na pequena fila que se forma, lutando contra as lágrimas que parecem queimar meus olhos. Vejo mulheres sozinhas, casais e crianças pequenas passando por mim, assim como pessoas mais idosas e adolescentes, como eu, sozinho. Não demora muito tempo para que minha vez chegue, entrego os documentos para a comissária de bordo, que avalia tudo e me devolve com um sorriso, acompanhado de um educado Boa Viagem!
Ando lentamente até o avião, ouvindo o barulho reconfortante da chuva, e me despedindo mentalmente de todos que estou deixando. Minha mãe, minha avó, e Sirius, meu cachorro.
Entro no avião, encontrando meu assento mais depressa do que planejava. Vejo que minha mãe escolheu o assento ao lado da janela, rio baixo, sabendo que ela escolheu aquele lugar por hábito. Acomodou-me no banco, e puxo meu celular para fora da mochila, que jogo no chão entre minhas pernas.
Ligo a tela, vendo o horário. 07:48. O voo, agendado para as oito, partirá em breve. Encosto-me no banco, fechando os olhos e puxando o ar lentamente.
Minha mãe, Lydia Murphy, conheceu meu pai ainda na faculdade. Samuel DeLuca era um grande homem, ela sempre me dizia isso. Eles começaram a namorar, e na cidade em que moravam, Siesta Key, a notícia logo se espalhou, fazendo com que minha avó e meus avôs paternos ficassem radiantes de alegria.
Minha mãe e Samuel se casaram, não houve pressão ou espera, eles simplesmente quiseram, e dá noite para o dia se tornaram marido e mulher. Meu nascimento se deu dois anos após essa junção, cada um com vinte e três anos, e uma criança pequena.
Meu nascimento foi caótico, uma correria, até onde sei. Cresci em Siesta Key, sendo cuidado e protegido pelos idosos do asilo onde mamãe trabalhava, pelos policiais subordinados a meu pai, ou por qualquer pessoa que morasse naquela cidade, onde todos pareciam me conhecer.
Vivi essa vida por oito anos, até que tudo começou, aquilo foi, o início do fim. O declínio de Lydia e Samuel começou com a morte da minha avó paterna, não consigo lembrar-me bem dela, mas mamãe sempre disse que era uma grande mulher. Quando minha avó, Ivy, morreu, meu pai se afastou de tudo e todos, se focando em seu trabalho e por um longo período, sua vida foi baseada nele.
Embora não lembre muitas coisas dessa época, lembro-me que após o jantar, minha mãe me colocava na cama, mas eu não ficava. Aguardava pelo seu beijo de boa noite, fechava os olhos, mas não dormia, eu esperava. Sempre, no mesmo horário, todos os dias, eu descia as escadas, me sentava em um degrau de onde eu conseguia ver tudo através das grades, mas não era possível que me vissem. E via minha mãe se desmontando, tirando toda a armadura com a qual se vestia, e então ela chorava por horas a fio, e eu ficava vendo minha mãe chorar.
Quando meu pai chegava a casa, corria escada acima, entrava em meu quarto e fingia que dormia, apenas para que ele afagasse meus cabelos. Naquele momento, mesmo depois de ter visto minha mãe chorar, mesmo confuso e cm um pai ausente, eu permitia sentir-me amado. Essa rotina durou por pelo menos quatro meses, até que minha mãe pedisse o divórcio e se afastasse de Ryan. Mudamo-nos para Seattle, menos de três meses após o divórcio, e eu nunca mais vi meu pai, sequer falei com ele.
Tudo o que sei é que Samuel se casou, sua esposa se chama Sierra, e ela tem dois filhos de seu primeiro casamento, Hazel e Tristan, e atualmente eu possuo uma a meia irmã, de apenas três anos, Jasmine. Mas só possuo essas informações, pois a mãe de minha mãe, Mia, nunca cortou seus relacionamentos com seus ex-vizinhos de Siesta Key.
Abro os olhos, percebendo que já estamos no ar, e eu nem senti a turbulência inicial, que sempre me embrulha o estômago. Graças a Gandalf. Conecto o fone de ouvido no aparelho preto e encosto-me ao banco novamente, fechando os olhos e deixando que Ed Sheeran preencha meus ouvidos, com mais um de suas tristes melodias que eu aprendi a amar com o tempo. Obrigada mãe.
Notas finais
Sejam bem vindos a Entre Nós, a historia do nosso querido Mason e da diva, Lynn. Espero que gostem de Masynn, pois é isso que terá nessa historia!
Infelizmente, eu sou uma pessoa ansiosa, então posterei sempre que escrever, por isso não me apressem, escrever um capitulo é mais difícil do que realmente parece.
Conversem comigo pessoas, eu sou muito tagarela e adoro falar! Me digam o que acharam da capa? E o Mason? Gostaram do pouco que tiveram dele? Me contem tudo!
Estou me decidindo se o livro sera narrado pelos dois, só pelo Mason ou só pela Lynn, mas lhes mantenho atualizados, prometo!
Bem, qualquer erro que vocês encontrem na história é só me avisar, corrigirei o mais rápido possível!
Beijos da Tia Lina, e se lembrem, Masynn não é um shipp, é uma religião!
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