Notas iniciais
Desculpem a demora!

Fitei-a por um tempo, tentando absorver tanta informação e imaginando que aquilo poderia ser um sonho. Por um breve instante, lembrei que havia deixado Michael sozinho, então deixei a mulher e fui ao encontro do garoto. Michael ainda estava sentado no mesmo banco, com um olhar mais calmo e pareceu aliviado ao me ver.

- Aonde você foi? – Perguntou-me.

- Fui dar uma caminhada. – Parei por um breve momento, sem saber muito que dizer ou fazer, mas considerei Michael um único amigo e o único que não foi afetado com o incidente no colégio, o que o fazia tão “estranho” quanto eu. – Michael, eu encontrei uma pessoa, ela me contou sobre algumas coisas e não sei se você está envolvido, mas acho que você deveria vir comigo.

Voltamos ao mesmo local, mas a Maga da Terra não se encontrava mais lá. Resolvi contar o ocorrido para Michael, mas ele não entrou em pânico ou me achou louca, já que já estava em estado de choque. Vasculhei a viva árvore e encontrei um papel amassado com algo escrito. “Diana, descubra a força viva dos céus como um raio ao meio-dia”.

“Isso não faz o menor sentido.” Pensei, mas resolvi guardar o bilhete. Eu e Michael caminhamos um pouco mais enquanto tentávamos decifrar tudo que estava ocorrendo, então ele me disse que o seus pais eram adotivos e ele não conhecera os seus verdadeiros. Eles se mudaram há pouco tempo para esta cidade, pois onde ele morava muitas casas estavam sendo incendiadas, inclusive florestas, mas nunca acharam os delinquentes que fizeram isso. Michael era um garoto da mesma idade que a minha, tinha os cabelos negros e lisos, a pele pálida e os olhos cor de mel-claros bastante intenso, como os meus.

Alguns dias se passaram e resolvi inventar que estava doente, para me manter afastada do colégio. Desembrulhei o bilhete do meu bolso e me senti muito frustrada por não entender o que estava acontecendo e não podia faltar o colégio por muito mais dias, mesmo sabendo que eu não voltaria mais para lá. Joguei o papel na cama depois de tanto pensar e bati o pé com força no chão de madeira, o que fez abrir uma enorme rachadura de alguns metros de comprimento. Não achava que tinha tamanha força e já estava me acostumando com os acontecimentos estranhos. Fui interrompida por um Michael entrando no meu quarto sem bater, parecia que tinha corrido uma maratona.

- Michael? – Perguntei.

- Precisamos conversar. – Disse ele ainda tentando recuperar o fôlego.

Michael havia me contado que estava distraído em seu quarto e, sem querer, derrubou sua vela em cima de alguns papéis, provocando uma enorme chama. Ele, desesperado, procurou algo para apagar, mas o fogo continuava se espalhando, até que num ato de desespero colocou suas mãos na frente para proteger seu rosto. Quando abriu os olhos, a chama havia se apagado e só restara algumas cinzas. Ele olhou para as suas mãos intactas e ficou incrédulo.

- E com isso, continuei me concentrando no que mais eu poderia fazer com as mãos. – Disse-me ele, abrindo a palma da mão e uma chama rodopiava pelos seus dedos, logo depois apagando, mas permanecendo com a pele normal.

Fiquei espantada e de repente pensei na mulher branca e na sua carta. Por um momento, pensei que poderia ser como ele. Resolvi me concentrar e usar minhas mãos, com medo de colocar fogo no meu quarto. De repente, livros e papéis voavam pelo ar, acompanhando o movimento das minhas mãos.

- Levitação. – Sussurrou Michael, sorrindo.

- Poderes mágicos. – Disse eu calmamente. – Michael, somos filhos dos Magos.