Capitulo 3: Estranhos

Passaram-se seis meses, desde a chegada da família Parker, Angel estava com oito meses de gravidez, sua barriga, estava enorme, tão grande que, era impossível como ela conseguia caminhar. Jade, ainda pequena, mas sua inteligência, desenvolvia muito rápido, a menina de apenas quatro anos tinha um desenvolvimento do cérebro muito grande. Lia, praticava alguns golpes nas redondezas da ilha, todos os dias. Foram oito meses ‘’ presas’’ na ilha, e elas ainda não tinham explorado nem um pouco. Do segundo andar da mansão, dava pra ver as obras da cidade.

–Jade! –gritou Lia, que estava deitada na cadeira perto da piscina, tomando um sol.

–Oi? –respondeu a menina, que veio correndo da sala.

–Vamos andar pela ilha meu bem? –Lia perguntou a menina.

–Sim vó, mas... esse sol está muito quente –disse Jade apontando para sol, que realmente estava escaldante.

–Não se preocupe, não vai fazer mal para nós, aproveite e chame sua mãe –Lia garantiu.

–Está bem –Jade aceitou.

A menina saiu correndo para chamar a mãe, passou pela sala como um foguete, e subiu as escadas ‘’ voando’’, ao chegar no segundo andar, ela parou para recuperar o fôlego, colocou as mãos sobre o joelho, e curvando-se, depois de pegar o fôlego, correu até o quarto de Angel. A porta estava fechada, Jade bateu educadamente, e ouviu sua mãe responder:

–Entre –Angel ordenou. Jade abrira a porta suavemente.

–Oi mãe... a vovó está chamando você para explorar a ilha conosco –disse Jade.

–Não sei, o sol está bastante quente, e minha barriga está tendo contrações bem fortes –Angel respondeu, alisando a barriga, estava deita na cama tomando vitamina de banana.

–Vamos mãe, por favor –Jade insistia, enquanto mexia nos objetos e, observava os quadros do quarto. –A vovó garantiu que não vai acontecer nada de errado.

–A sim, sua vó, sempre garantindo a paz –disse Angel, dando uma gargalhada.

–Ai mãe –Jade respondeu revirando os olhos, ficara nervosa com o sarcasmo de sua mãe –Você vai ou não? –a garota perguntou sem paciência.

Parou perto das janelas do quarto, e fixou o olhar na mãe.

–Hum...deixa eu ver! Só se você me prometer uma coisa? –disse Angel, querendo fazer um acordo com a filha.

–E o que é mãe? –Jade exclamou, e jogou os braços pra cima.

–Prometa que não vai ficar fazendo perguntas sobre tudo –disse Angel, colocando as duas mãos sobre o rosto enquanto exigia da filha.

–Ai, está bem mamãe. –A menina concordou, fechou a cara, mas em seguida, fez um breve e discreto sorriso.

–Então está bem, vamos –disse Angel.

Levantou-se da cama, foi ao banheiro, escovou os dentes, depois foi ao closet, olhou a roupa que poderia ser bem fresca, pegou uma bata laranja clara, um biquíni, óculos escuros, e uma sandália. Perguntou a filha se estava bem, Jade fez que, sim, com cabeça. Jade estava com um vestido branco, e sandálias amarelas. Elas desceram, passaram pela sala de estar, em seguida, já estavam no fundo da casa. Lia estava esperando-as, ela estava com uma bata azul turquesa, os cabelos estavam presos com franja.

–Pensei que iriamos quando anoitecesse –Lia foi sarcástica –Vamos logo.

–O que vamos fazer, de fato? –Angel perguntou.

–Vamos até o outro lado da ilha, explorar um pouco, já estamos aqui a oito meses, e nem sabemos o que tem nessa ilha, se não fosse a dispensa cheia de comida, como iriamos fazer, para ir até a cidade. –Lia respondeu impaciente, uma coisa que ela odiava era: pessoas que questionavam suas decisões.

–Seja mais paciente mãe, assim vai acabar tendo um infarto. –Angel respondeu e, saiu na frente. Lia pegara uma mochila com compartimentos. Jade, foi logo atrás da avó.

Elas saíram por uma pequena porteira dos fundos, que dava acesso a ilha, começaram a caminhar entre as areias quase brancas da ilha, algumas árvores tampavam o sol, porém, não adiantava quase nada, pois o calor estava intenso, os galhos das árvores, estavam completamente parados, não havia vento, a ilha era silenciosa, era distante da cidade. Dava para ouvir, apenas, o suave barulho das ondas do mar, o canto dos grilos. A ilha era diversificada de árvores, insetos, e flores. As mulheres andavam em silêncio, e atentas, não podiam se dar ao luxo de não terem cuidado, não conheciam nada naquele lugar. As areias, começaram a sumir, logo surgiram gramas, e raízes de árvores, bem antigas. Cada passo das mulheres, surgia um barulho de galhos secos se quebrando ao meio. Elas já andavam a quinze minutos, Angel não sentiu uma dor sequer. O silêncio permaneceu por todo esse tempo, contudo, Jade se manifestou:

–Vó –Jade falou, engolindo seco – Estou cansada!

–Tome um pouco de água, realmente está quente. Espere ai. – disse Lia, tirou a mochila das costas, colocou sobre a grama seca, abriu uma parte e, pegou uma garrafa térmica–Tome, pegue.

–Jade pegou a garrafa, abriu a tampa, colocou a garrafa sobre os lábios, a água veio devagar, e molhou os lábios da menina, porém, não desceu a sua garganta, pois, Jade cuspiu no mesmo instante.

–Vó, essa água está fervendo –Jade reclamou, passando as mãos nos lábios.

–Desculpe. Olha só esse sol, nem garrafa térmica está aguentando. –Lia pegara a garrafa das mãos de Jade, enquanto Angel, dava gargalhadas.

–Mãe, tem certeza que quer fazer isto? –Angel falara seriamente, encostada em um tronco de árvore, que fazia uma sombra.

–Não se preocupe, ela terá de saber, mais cedo ou, mais tarde –Lia falara, ainda segurando a garrafa.

–Saber? O que eu tenho que saber? –Jade ficou confusa e impaciente, chegou bem perto de Lia, e a olhou debaixo pra cima e, fixou o olhar.

–Você saberá logo –disse Lia, sem dar explicação.

Lia segurou bem a garrafa com a mão direita, fechou os olhos, e por alguns instantes, ela se concentrou, então, deu um leve sopro na garrafa. Parecia uma coisa idiota, Jade observou, mas não entendia o que estava acontecendo de fato. Então bastava esperar, e rapidamente, uma coisa espantosa, fez os olhos de Jade arregalarem, a respiração parou, a menina ficou em estado de choque. A garrafa, começou a ficar embaçada, gotículas de água começaram a escorrer pelo alumínio da garrafa.

–Como...como...eu...o que você fez? –Jade tentava falar, mas, as palavras não se encontravam em sua boca, começou a gaguejar.

–Apenas tome a água –disse Lia, franzindo as sobrancelhas.

Entregou a garrafa nas mãos de Jade. A menina pegou a garrafa, e sentiu que estava gelada, retirou a tampa e, virou a garrafa na boca, quando a água encostou em seus lábios, sua pele ficou arrepiada, pois, agora estava bem gelada a água.

–Vó, agora vocês vão explicar o que aconteceu aqui! –Jade exigiu. Lia e Angel, se entreolharam, e Angel fez com a cabeça, que “sim”.

–Está bem querida, já estava na hora de você saber –Lia começou a falar, enquanto Jade apenas escutava. –Isso que eu acabei de fazer, só foi possível porque possuímos poderes.

– Poderes? Tipo uma coisa sobrenatural? Claro, e eu não tenho nenhum –Jade foi sarcástica.

– Jade, não significa que você possui um poder, que você possa usá-lo. Primeiro tem que treinar sua mente, depois tem que aperfeiçoar sua habilidade. Cada pessoa nasce com uma habilidade. –Lia explicava calmamente.

– Qual é o meu poder então? –Jade perguntou curiosa.

–Hum... –Lia pensou por alguns minutos. Enquanto Angel, sentou nas raízes das árvores. –Ah sim, você não possui poderes, apenas habilidade. Igual sua mãe –disse Lia.

–Como não tenho poder? –Jade ficou nervosa.

–Você tem a mesma habilidade de sua mãe: voar. –Lia explicou a garota.

– Está bem, vamos explicar melhor essa situação –Angel entrou na conversa e começou a explicar a filha sobre a sua habilidade. –As nossas asas são dependentes da luz solar, elas desenvolvem quando somos crianças, por isso você está sentindo esse mal estar, quando elas começam a sair nós sentimos uma forte tonteira, dores de cabeça. As suas asas devem estar crescendo com a luz solar, e quanto mais calor mais rápido nós podemos voar e ficamos mais fortes também.

– Qualquer hora do dia podemos voar? –Jade perguntou, empolgada.

–Sim podemos, só que a noite nós voamos lentamente, e somos totalmente vulneráveis –explicou, Angel.

–Você pode voar agora, rapidinho –A garota começou a pedir, como era de costume.

–Não Jade, não podemos arriscar nos mostrar aqui na Terra –Angel respondeu, sem querer render assunto.

–Mãe não tem ninguém aqui, estamos sozinhas. –Jade insistiu.

–Não, Jade agora chega, vamos voltar para casa. –Angel perdera a paciência.

–Ai, está bem, que saco. –Jade ficou irritada, e deu as costas para mãe. Foi em direção a avó, que fuzilou Angel com os olhos, e ajudou a neta.

– Angel, é melhor para com esse mau humor agora –disse Lia, ficara nervosa com a filha.

–Mas...mãe –Angel tentou explicar, mas Lia não deu ouvidos. Caminhou até a filha, e ficou bem perto, falou entre dentes:

–Apenas as asas, agora.

As duas se olharam, um clima estranho ficou por ali, Angel não gostou da mãe ter tirado a moral dela na frente da filha, Jade. O silêncio permaneceu durante alguns instantes enquanto elas se olhavam, olho a olho –Angel “contou” até dez, e respirou fundo, pensou em retrucar a mãe...Mas decidiu concordar.

–Está bem, só vou mostrar as asas e pronto. –Jade sorriu assim que sua mãe concordou.

Angel se concentrou, fechou os olhos por um instante, e respirou fundo, abriu os olhos novamente e olhou rapidamente para sol, parecendo que iria pedir a ‘’ ele’’ uma ajuda. Sentiu uma pequena movimentação em suas costas, e delas surgiram asas quadrangulares, elas eram imensas, o corpo de Lia ficou pequeno ao redor delas, e segundos depois elas começaram a brilhar, um brilho intenso, os olhos de Lia refletiram a cor, ficaram da mesma cor das asas cinza.

–É lindo, mãe! – Jade ficou admirada com aquelas imensas asas. Foi uma reação meio ‘’ divino, mas espantoso’’. –E você vovó, qual a sua habilidade?

–Eu tenho apenas poderes, posso mover as coisas com o poder da mente, antes eram apenas objetos, agora posso mover pessoas também –disse Lia.

–Me mostre! –Jade pediu Lia, que não hesitou como Angel.

Então Jade sentiu suas pernas leves, quando se deu conta estava fora do chão, estava levitando, e foi subindo cada vez mais, sentiu um grande frio na barriga. Depois desceu a neta deixando despencar de altura de quase vinte metros, Jade começou a cair muito rápido, e gritando muito alto. A menina apenas sentia o vento forte indo contra o rosto dela, Lia ria “litros” lá embaixo, enquanto Angel, olhava surpresa para a mãe. Quando chegou perto do chão, Jade, foi parada com nariz quase tocando o chão e foi colocada suavemente no chão de pé.

–Ó meu Deus, mãe, o que foi isso? –Angel perguntou, estava surpresa.

–Ah eu... –Lia tentara explicar a filha.

–Isso foi demais, incrível, surpreendente...Foi demais –Angel ficou surpresa, estava completamente empolgada com a fato que acabara de ocorrer.

–Porque a surpresa mãe? –Jade perguntou.

–Por que sua avó nunca me mostrou, ou me disse que tinha poderes. –Angel falava com Jade, mas mantinha o olhar fixo em Lia.

–Alguns poderes nós temos que guardar para nós mesmos, eu sou a única de todos os mundos que possui esse poder. O líder da raça Hawk, Krunt Baner, sempre foi obcecado por esse poder, e essa obsessão foi passada pela linhagem de sua família, ele era o único que sabia, até eu matar ele. Hoje os Hawk, não sabem quem possui esse poder, mas se descobrirem, vocês não vão querer saber o que iria acontecer. –Lia explicou.

–Mãe –Angel falou –Já parou para pensar que você pode ser a pessoa mais forte do universo com essa habilidade?

–Já pensei uma vez, quando Jeffren confiou em mim para proteger vocês duas. –Lia ficou com uma expressão triste.

–Vocês falam do meu pai, como se ele estivesse morto! – disse Jade, fazendo com que Angel e Lia, cortasse a conversa imediatamente.

–Está bem, vamos caminhando. –Lia tomou a dianteira, e seguiu a caminhada.

As mulheres descansaram um pouco depois de minutos paradas, continuaram se deparando com árvores gigantes, com raízes que perdiam de vista. Depois de trinta minutos caminhando (alguns a menos ou alguns a mais) começaram a escutar o som das ondas aumentando, o mar estava próximo. Mais alguns metros caminhados e, enfim chegaram ao outro lado da ilha, que por ali parecia mais uma praia. Elas caminharam até a água cristalina, sentiram a água gelada tocar seus pés, e a maciez da areia úmida. Assustaram com uma voz meio roca que falou por cima dos ombros de Angel:

–Vocês são os novos moradores da mansão, não são? –disse uma mulher.

Ela era um pouco magricela, cabelos ruivos, pele branca, sua cara era um pouco redondinha, estava acompanhada com um homem e um menino. O homem era careca, branco, muito alto, parecia estar com humor bom. O menino que parecia ter a mesma idade de Jade, tinha os cabelos lisos e pretos, que chegavam até a nuca, os olhos azuis, a pele era branca, mas um pouco corada pelo sol, como se o menino ficasse quase todo tempo tomando fortes raios de sol, a sua boca era pequena e estava seca, seu nariz era bem afilado.

–Ah sim –Angel respondeu depois de observar a família desconhecida.

–E vocês, quem são? –Lia rapidamente interrogou.

–Eu sou Moira Cary, e esses são o meu marido Victor, e o meu filho Jack. Devem estar se perguntando, como estamos aqui –disse a mulher estranha.

–Então, vão nos contar? –Lia perguntou mais uma vez, e segurou a mão de Jade bem forte.

–É nossa obrigação darmos explicações para vocês –disse o homem alto, sua voz era grossa, mas bonita.

–Como assim, é a obrigação de vocês? –Angel retomou a voz, e perguntou.

–Jeffren... –disse o homem, como se quisesse resumir uma longa história.

–Jeffren? –Angel ficou espantada ao ouvir o nome do seu marido. –Espera, eu ouvi isso? Você falou: “Jeffren”.

–Sim, foi isso mesmo que ele acabou de dizer, mas não a porque se preocupar. Jeffren nos mandou para cá, para cuidar da casa –Moira começou a explicar. –A muitos anos, quando Jeffren decidiu fazer projetos na Terra, ele pediu a Victor que tomasse conta dos projetos enquanto ele ficasse no “Novo Mundo” ...

–Anos? –interferiu Angel. –Há quanto tempo estão aqui?

–Eu estou aqui há onze anos –disse Victor, deixando Angel, Lia e, Jade espantadas. –Já a minha mulher está aqui há seis anos.

–Mas como vocês sobreviveram esse tempo todo, nem comida tem direito! –questionou Lia, interessada na história.

–Ou você pode estar enganada com seu pensamento, venham, quero mostrar uma coisa –Victor falou e virou-se para trás e seguiu em frente.

Moira chamou as mulheres mais uma vez, elas estavam tão focadas nos fatos que esqueceram completamente onde estavam. Victor seguiu na frente, Moira ficou um pouco atrás; junto as mulheres. Moira e Angel, seguiram conversando o percurso (que só Victor, e Moira conheciam), estavam falando sobre casamento, e os filhos. Lia observava as árvores, e ondas calmas do mar, que chegavam até areia branca da ilha, e então ela avistou uma “casa”, não uma casa de fato, parecia mais uma cabana abandonada, tinha uma aparência horrível. Victor parou ali na frente, antes das mulheres. Logo Moira, chegou acompanhada de Angel. Porem Lia, não chegou, estava parada, olhando para trás, como se estivesse procurando algo que estava escondido, continuou olhando atenta, agora com a mão sobre as sobrancelhas, para tampar os raios do sol. Angel fez um comentário rápido com Moira:

–O que é que ela está fazendo- disse Angel, e depois amarrou os cabelos acima da nuca, com um coque.

–Ei... –gritou Moira.

–Mãe... o que está fazendo, venha logo –ordenou Angel.

–Jade –berrou Lia. –Onde ela está Moira, onde? –Lia ficou nervosa, e foi até Moira, para saber o que estava acontecendo.

–Acalme-se, ela está com o Jack na praia, devem estar sentados em uma sombra –disse Moira, acalmando Lia.

–Sinceramente, eu não confio em vocês, acabamos de nos conhecer, se algo acontecer com minha família, de preferência com a minha neta, eu vou matar vocês –grunhiu Lia.

–Pode ter certeza, ela está bem, o meu filho mais velho já deve estar com os dois –confirmou Moira, mas teve um pouco de medo, após Lia ter ameaçado.

Victor acabou com aquele momento tenso, e chamou as mulheres para entrar na “casa”, elas obedeceram, entraram na casa, não tinha nada, apenas palhas por todo lado, sujas, o cheiro era sufocante, mas uma coisa surpreendeu as mulheres que nunca estiveram ali antes (Lia e Angel). O chão de madeira amarela, estava perfeito, lustrado, como se alguém fizesse faxina todos dias, impecavelmente. Então, Victor sem cerimonias, começou a explicar, queria uma coisa rápida:

–Venham para cá. –Victor chamou.

O chão onde Victor pisava, tinha uma textura quase igual ao resto do piso, mas era diferente, assim como a cor, que era um pouco mais escura, tinha uma medida certa. Uma área que cabiam umas oito pessoas de uma só vez. Moira, percebeu que Angel estava desconfiada de algo, então tentou acalmar a mulher:

–É divertido, fiquei com medo da primeira, achei que era uma coisa assustadora, mas é tranquilo –disse Moira, tentando aliviar a tensão.

–É, então está bem. –Angel não estava muito afim de conversava, realmente estava com “medo”.

–Isso, é um elevador, que leva ao subterrâneo da nossa casa, esconderijo, refúgio, como quiserem achar ou chamar –disse Victor, sério.

–Como conseguiram criar isso? –Lia perguntou, espantada.

– “Conseguiram” não, como ele conseguiu, podemos dizer assim –disse Victor. –Toda a tecnologia que virá daqui alguns anos, o que já temos pronto em papeis, o que temos agora, tudo, foi o Jeffren que criou, que aperfeiçoou. Ele já mudou o universo, não só a Terra. Os papeis dos projetos, só não podem cair em mão erradas.

–Como? –interrogou, Lia.

–Explicarei depois, primeiro vamos ver o que há de interessante lá embaixo –disse Victor, dando uma breve risada.

–Vamos, é claro –Lia concordou.

– “Montanha do Medo’’ –disse Victor, em latim.

Angel realmente não entendia a língua; mas a frase que Victor falou como uma senha, ela entendeu perfeitamente. Angel sentiu calafrios ao escutar a frase, por um momento ela lembrou de algo do passado, surgia apenas borrões em sua mente, e gritos. Após falar a senha, a parte do piso onde a madeira era mais escura, começou a se movimentar, eles se desequilibraram e retomaram o equilíbrio rapidamente, Victor deu um leve sorriso. O piso do elevador começava a descer lentamente, todos permaneciam calados, mas o ambiente não estava em silêncio (não totalmente), Angel respirava ofegante, as imagens não desapareciam da sua mente. Enfim, depois de alguns instantes, chegaram a uma sala luxuosa, uma sala de estar. Victor e Moira, andaram pela casa, que não era grande, possuía seis cômodos; sala, dois quartos, banheiro, cozinha e, dispensa. Angel e Lia, ficaram ‘’ imóveis’’, nem sequer piscaram os olhos, observaram por alguns instantes, admiradas, a mesma reação que apresentaram ao chegar na mansão. Moira voltara a sala, e chamou as mulheres para apresentar a pequena casa:

–Venham, vou mostrar a vocês o que temos aqui –disse Moira, mas reparou algo: que as mulheres não prestaram atenção. –Ei, estou falando com vocês –chamou a atenção, balançou as mulheres.

–Hum... ah, sim, desculpe-me –lamentou Lia.

–Está bem –Moira desculpou Lia, e deu uma risada.

–É, um sonho isso aqui, as vezes acho que ainda estou dormindo –disse Angel, admirada.

As mulheres começaram a andar pela casa, saíram da sala direto para um corredor, que dava acesso ao quarto e ao banheiro. Moira mostrou primeiro o quarto dos filhos, tinha duas camas, e muitos brinquedos, as paredes eram vermelhas, com luminárias. Depois olharam o banheiro, o cômodo continha as paredes de cerâmica de cor marfim, com uma banheira, e uma ducha. Depois saíram dali e foram olhar o quarto do casal, a primeira visão foi o tapete de veludo preto, por todo o quarto, a cama era bastante grande, as armações marrons, e o acolchoado preto, as paredes eram brancas. Em todo cômodo tinha um ar condicionado, pois a casa era subterrânea, e não circulava quase ar nenhum.

Então, Victor, chamou as mulheres, ele estava na cozinha bem moderna e arrumada, as três chegaram rápido. Finalmente, Lia teve sua resposta, uma dispensa cheia, comida para muito mais de dois anos, frutas, comida enlatada, laticínios, vegetais. Depois de verem uma coisa surpreendente, Angel e Lia, sentaram para conversar com o casal.

Fora da casa, e um pouco longe, as crianças brincavam na praia, agora eram três, o irmão mais velho de Jack, Logan, embora fossem gêmeos, eles não eram idênticos, Logan veio três minutos antes de Jack. Logan tinha o cabelo curto, a pele bem clara, olhos azuis, iguais ao do irmão, Logan era mais alto.

–Jack, não, você não está trapaceando –disse Jade.

–Não estou não, você não dita as regras –retrucou o garoto.

–Ela não dita, mas você está errado, aceite –disse Logan, concordando com Jade.

Naquele momento ouve uma troca de olhares, parece que um clima ficou por ali, entre Jade e Logan, que sorriram um para o outro.

Eles estavam brincando de subir nas árvores, quem subisse mais rápido ganhava. Como os garotos já viviam na ilha a mais tempo, eram mais experientes, subiam mais rápido, mas Jack, podia voar, mesmo não tendo asas, e estava usando sua habilidade para ganhar.

–Quer saber, eu não estou mais afim de brincar –disse Jack, indignado.

–É porque você é fraco –disse Logan, insultando o irmão. Jade riu.

Jack não tinha dado a mínima para o irmão, até Jade ter zombado dele também.

–O que você disse? –Jack virou, encarando o irmão.

–Não começa, está bem. –disse Logan, evitando confusão.

Jack mordeu os lábios, seu sangue ficou quente. Logan virou-se de costas e foi até Jade, mas sentiu o impacto em suas costas que o fez cair na areia quente. Jack pulou agarrando o irmão, os dois começaram a rolar na areia, dando socos, um no outro, Jack conseguia acertar Logan. Jade começara a gritar, para tentar separar a briga. Mas como? Era impossível.

–Logan...Jack...para, para –a garota gritava.

Logan conseguiu travar Jack, dando um mata leão.

–Chega, você é ridículo –Logan tentava parar a briga, mais ao invés disso, estava só provocando o irmão.

Jack tentou resistir, mais Logan era mais forte, tinha os braços mais largos. Então Jack, desistiu, e Logan o soltou. Jack quase desmaiou, ficara passando a mão sobre a garganta.

–Patético –disse Jack, jogando areia no irmão.

–Fraco –disse Logan, retrucando.

–Vocês...Perderam o juízo –disse Jade, assustada. –Eu...Quase, quase morri de preocupação, e vocês terminam assim…Amigos.

–Não precisa se preocupar, nós brigamos todos os dias –disse Logan. –Papai disse que se nos pegar brigando, que vai nos dar um terrível castigo.

–E o que é? –Jade perguntou.

–Ele não contou! –respondeu, Jack.

–Então tá, mudando de assunto –disse a garota. –Quantos anos vocês tem?

–Eu tenho seis.

–Eu também.

–Mesma idade? –Jade perguntou curiosa.

–Mamãe disse que somos gêmeos. –disse Jack.

–Gêmeos? –Jade questionou curiosa.

–É, também não sabemos muito o que é –disse Logan.

–E você quantos anos tem? –Logan perguntou.

–Quatro anos –Jade respondeu –Irei fazer cinco este ano.

–E como você e sua família vieram morar aqui? –perguntou, Logan.

–Eu não sei explicar muito, apenas houve uma correria, as pessoas estavam desesperadas, todos corriam para dentro do reino, crianças, idosos, mulheres. Eu lembro que estava no meu quarto, quando todos ouviram uma explosão, depois saímos do castelo... não lembro de muita coisa, lembro de uma luz branca, e em um piscar de olhos estávamos todas aqui na Terra.

Jade explicou, e ficou em silêncio por um bom tempo, os meninos também. Eles ficaram sentados olhando para o mar, nuvens começam a aparecer pelo céu, formandos sombras por vários lugares, mas o calor continuava intensamente, o sol se escondeu entre as nuvens, o brilho da luz saiu, causando um grande contraste. As crianças voltaram a conversar, Logan voltara a fazer mais perguntas para Jade:

–Qual daquelas mulheres é sua mãe Jade?

–Ora, como assim qual delas é a minha mãe, a mais nova é obvio –disse a menina.

–Qual delas é a mais nova, por que nenhuma delas são velhas, pelo menos foi o que eu pude perceber quando estava entre as árvores –disse Logan.

–Verdade Jade –disse Jack, concordando com o irmão. –As Angel e a Lia, parecem irmãs, não tem jeito de diferenciar quem é a mais velha, se esse for o objetivo.

–Ai meninos, eu consigo diferenciar facilmente –disse Jade.

–Então fale, e pare com esse ‘’ Ai’’ –disse Logan, um pouco irritado.

–Preste atenção, não vou explicar novamente. Minha mãe, Angel, está de bata laranja clara, e a minha vó está de bata azul. –disse Jade, calmamente.

–Ah sim, agora entendemos, quer dizer, tentamos –disse Jack, tentando mostrar seu humor.

–Ai, vocês me cansam –disse a garota, nervosa.

–Olhe lá, eles estão voltando –disse Logan.

Adiante eles avistaram os quatro adultos voltando, pareciam amigos de épocas, contudo, Lia não demostravam alegria, embora estivesse gostando do ambiente e da conversa. Enfim chegaram até as crianças.

–O que estavam fazendo? –Moira perguntou.

–Competição dos Galhos –disse Logan.

–Jack trapaceou? –Victor perguntou, olhando para diretamente para Jack.

–Ele...

–Ele, caiu muito feio –disse Jade, interrompendo Logan, e logo deu muitas risadas.

–Jade, não ria –disse Angel, chamando atenção da filha.

–Angel, que isso, deixa a menina, não tem problemas –disse Moira. –Esses dois estão mesmo precisando se machucar, para quietar um pouco.

Os garotos ficaram sem graça, deram um sorriso tímido para disfarçar. Todos ficaram conversando por um longo tempo, eles nadaram e fizeram piquenique com a comida que Lia trouxe da mansão, e com as que Victor trouxe do refúgio. Foi ficando tarde, o sol já estava ficando fraco, o céu ficava alaranjado, fazendo aquela imagem linda com o mar. Angel sentiu algumas dores na barriga, então Lia decidiu que fosse embora, se tivessem que caminhar até a mansão, só chegariam ao anoitecer, mas Lia fora esperta, trouxe o olho-vivo.

As mulheres começaram a despedir dos novos conhecidos, que não eram humanos, eram da raça delas.

–Foi muito bom passar o dia com vocês, espero que venham frequentemente –disse Moira.

–É claro –Lia concordou alegremente.

–Venha pelo olho-vivo, está bem LIA –disse Victor, chamando atenção da mulher. –Não vai querer ficar explorando ilha né.

–Ah, é claro que não, nunca mais –disse Lia.

Eles deram risadas bem altas, estavam felizes. Lia tirou o olho-vivo de dentro da mochila, ordenou e as mulheres foram embora.

–Vamos meninos –disse Moira.

–Mãe a Jade é muito legal, e muito bonita –disse Logan, enquanto caminhavam pela a praia.

–Tá escutando isso Victor? –exclamou Moira, dando gargalhadas.

–É só que ela vai ser minha namorada Logan –disse Jack.

–Não, vai ser minha.

–Não, minha.

–Eu vi primeiro –disse Jack.

–E ela gostou mais de mim –disse Logan.

–Chega, vocês são uns bebês, e querem namorar a filha do Rei Dourado, esqueçam –disse Victor nervoso.

Todos calaram a boca, Moira andou mais rápido para acompanhar o marido, e seguiram de mão dadas até chegarem na casa subterrânea. Do outro lado da ilha, as mulheres já tinham chegado, estavam tomando banho. Angel tomou bem rápido e logo deitou para ficar de repouso. Lia preparou um chá e subiu para o quarto para ler o livro ‘’ Hawk – Os primeiros’’. Jade dormiu de roupão mesmo, estava muito cansada. As luzes de dentro da mansão se apagaram, somente o quarto de Lia ficara acesso. E a noite foi passando.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.