Entre Mundos

4 O que é real e o que não era!


Notas iniciais
Esse capítulo ficou meio curto, mas agora começam a aparecer os misterios que mañana terá de enfrentar. A partir de agora, vocês vão acompanhar todos as dificuldades e problemas que ela terá em compreender o que é e onde está! Boa leitura a todos.

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Todas as cores mudaram, até os cheiros mudaram. Antes estava quente, e nem havia vento, agora, uma leve brisa me soprava os cabelos. Meus cabelos mudaram, notei que estavam mais compridos e sem as múltiplas cores que sempre uso. Mas como isso era possível?

Andei por aquele estranho lugar. As cores das flores eram incríveis, o cheiro que vinha das árvores era tão puro que eu podia distinguir cada uma enquanto passava por elas. Eu avistava às vezes penas orelhas por entre as folhas, a principio pareciam orelhas de coelho, mas como coelhos iriam estar no topo das arvores? Continuei andando e ouvi um barulho estranho, pareciam asas, mas eu não conseguia enxergar a cima das árvores, então não sabia de onde vinha aquele barulho.

Mais a frente eu encontrei uma clareira, e fiquei deslumbrada com a enorme cachoeira que eu vi. Fiquei olhando por tanto tempo que não percebi, que a minha esquerda, parado sobre os galhos de uma arvore, estava o ser mais lindo que eu já havia visto. Seu longo cabelo de um tom prata, tremulava com o vento, e como eu não havia notado antes, um sol, que fazia com que sua pele branca, ganhasse um tom perolado e um leve brilho. Foi ai que vi seus olhos. Verdes tão profundos que era como se eu me perdesse em meio à copa de uma arvore bem viva! Fiquei vermelha, parecia que ele podia ver minha alma, podia ver meus pensamentos, podia ver toda a minha vida, apenas olhando dentro dos meus olhos.

Sempre me disseram que os olhos são a janela de nossa alma, mas eu nunca poderia acreditar o quanto isso era real. Resolvi quebrar o contato visual e olhei para baixo, notando o quanto macia a grama parecia. Abaixei-me e toquei-a, senti como se ela acaricia-se minha mão, me fazendo cocegas nos dedos. Tudo neste lugar parecia ter vida própria. Então me lembrei do elfo parado me observando. Confesso que estava com um pouco de medo dele, afinal de contas, eu via seres como ele em meus livros, nunca pensei que existisse um de verdade.

– Olá – disse ele com uma voz gutural — me chamo Eihren, e eu estava a sua espera.

Fiquei em choque por um momento. Aquela criatura mágica estava mesmo falando comigo! Eu não podia acreditar. Era como se eu realmente tivesse caído dentro de um livro, eu me sentia Alice no País das Maravilhas, quando ela cai dentro do buraco enquanto ia atrás do colho e descobre o País das Maravilhas, mas diferente dela, parecia que eu era esperada neste mundo.

– Filha dos Mundos, a sua chegada foi aguardada por milhares de anos. O poder do amor entre seus pais lhe deu a vida, para que você pudesse salvar a todos de nosso mundo. — Eu não entendia o porquê ele falava comigo daquele jeito. E era mais um ser me chamando de Filha dos Mundos. Eu queria saber por quê.

– Olha, já é a segunda vez que me chamam disso, eu realmente não sei o que significa. Eu não sou nenhuma feiticeira nem guardiã de sei lá o que. Nem tenho poder algum, como me disse a árvore falante antes. Eu nem sei quem é Kheranos. Por favor, pode me explicar onde estou e o que significa tudo isso?

– Mañana é seu nome certo?! – Ele não precisou que eu respondesse – Eu vejo que não tem medo de mim, do que eu sou e nem deste lugar. Eu lhe contarei tudo o que desejar. Responderei todas as suas perguntas e questionamentos, mas antes peço que me acompanhe até Mirfan, nossa cidade aqui.

Eu pensei seriamente em sair correndo e gritando. Seguir um elfo em um lugar desconhecido me parecia uma tremenda de uma fria. Mas algo me fez mudar de ideia, não sei se foi aqueles olhos profundos, ou o modo como ele pronunciava meu nome. Algo me fez ir atrás dele, e eu pude notar o quanto ele era alto.

Seu cabelo era muito longo, ultrapassava os joelhos, e era muito claro, tinha um tom realmente quase prata, e eu acreditava que poderia ser. Ele usava uma espécie de roupa de luta, uma calça de tom dourado cobria suas pernas, ela era justa por todo o comprimento e se prendia a seus tornozelos. Usa nos pés uma espécie de sandália, mas parecia ser feita de pedaços de plantas e galhos. Ergui o olhar e prestei atenção em sua camisa, era uma túnica não muito longa, cobria uma parte dos quadris e tinha mangas curtas. Pequenas penas estavam desenhadas, e pareciam ter vida, eu não poderia dizer de que cor que era, pois a cada momento parecia mudar. Pequenos botões fechavam com cordinhas a frente da túnica.

Enquanto caminhávamos, pude observar mais o lugar. Notei que realmente cada arvore tinha uma flor diferente, e que conforme eu passava pela arvore, já não podia sentir o cheiro da anterior. Altas, baixas, com copas cheias, com folhas coloridas, algumas tinham uma espécie de pena no lugar das folhas. Notei também que todas possuíam uma espécie de marca, um símbolo no seu tronco, e me sentia atraída a toca-los para saber o que acontecia.

Nós não havíamos caminhado muito quando percebi que ouvia novamente aquele barulho de asas, e como já não estava mais em meio as arvores com copas cheias. Resolvi olhar para cima. E cai, literalmente despenquei no chão de bunda. Eu não podia acreditar no que eu via sobre mim.

– UM DRAGÃO! – Gritei ao cair, eu não conseguia acreditar. — Eu tenho que estar sonhando. Dragões não existem, só em sonhos, ou livros, mas não vivos.

Eu estava em choque, nem me preocupei em levantar do chão, nem em fechar a boca que estava escancarada, muito menos notei que Eihren estava me olhando com um sorriso no rosto. Quando olhei de volta para ele, apavorada, vi o quanto ele era realmente bonito, e o quanto seu nome combinava perfeitamente com ele.

– Calma, não é preciso ter medo. Todos os seres, que vocês do mundo humano, pensam existir apenas nos sonhos realmente existem, e seus sonhos não são nada mais que uma visão deste mundo. Neste lado do mundo, todos nós vivemos em harmonia, cada um tem a sua tarefa e seu dever com o ambiente.

Ele esticou sua mão em minha direção, e eu pude ver mais de perto sua pele. Era de um branco perolado com um leve brilho, quando a toquei, senti imediatamente um arrepio e uma certeza, a de que não importasse o que fosse eu faria tudo por todas aquelas criaturas. Senti também uma ligação estranha com aquele elfo, como se eu precisa-se dele, como se ele precisa-se de mim, e eu soube que tudo havia mudado, para sempre.

Senti algo estranho quando me levantei, fiquei meio tonta e automaticamente ele me segurou em seus braços, fortes e longos, braços. Parecia que ele sabia que eu havia ficado tonta, mas como? Eu ainda nem tinha mostrado qualquer reação. E enquanto estava em seus braços, tive a impressão de ouvir algo, como uma musica, mas de onde vinha aquela musica? Tive a sensação de ouvir alguém corar, e isso é impossível, as pessoas coram por vasos faciais que se dilatam e não há como ouvir isto acontecer. Algo tinha mudado algo estava diferente e eu não sabia o que era.

Nós continuamos pela trilha, e eu ficava maravilhada com a quantidade de seres que vinham perto nos ver. Eles não tinham medo, chegavam bem pertinho e me observavam com olhos que me apareciam felizes, olhos que de esperança. Eu já não entendia mais nada, eu estava ouvindo coisas estranhas, estava vendo seres, que até algumas horas atrás não deveriam existir, sorrindo para mim, correndo ao meu encontro. Cheguei a me beliscar para saber se não era um sonho.

A trilha tinha varias aberturas, vários outros caminhos subsequentes saiam da trilha principal, e eu me perguntava onde poderiam dar aquelas outras trilhas. Notei que as espécies de arvores se modificavam conforme caminhávamos, e que a temperatura do lugar também mudava. Hora quente, como em um deserto, hora frio como nos trópicos polares. Eu não conseguia compreender como podia existir aquilo tudo. Aquele lugar era a parte perfeita de um sonho. Era a parte bonita e iluminada de um sonho perfeito.

A trilha começou a se modificar. Uma clareira se abriu e eu pude ver além das arvores. Notei bem ao fundo da planície uma área escura, uma área totalmente diferente de todo o resto, me perguntei o que haveria lá. Minhas perguntas teriam de esperar, pois outros elfos apareceram, dançavam e cantavam, como em uma celebração. Havia vários tipos de elfos.

Uma elfa de cabelos pretos veio em minha direção e dançou em minha volta, jogando flores sobre mim. Fiquei boquiaberta, nunca havia visto um elfo com cabelos pretos, isso era uma novidade até pra mim, que devorava livros como se fosse comida. Sua pele era de um tom mais âmbar, não tinha a mesma brancura que meu elfo. E percebi que já pensava em Eihren como meu, como se ele me pertencesse, e senti uma pequena risadinha em meu consciente, de onde viria aquilo?

Os elfos me levaram em meio a seus uivos de alegria e cantorias para um lugar que parecia uma cidade, não digo aldeia, pois realmente parecia uma cidade, com prédios e casas bem distintas, com ruas e lojas, como se fosse uma metrópole qualquer do mundo humano. E aqui estava eu, novamente separando os mundos, humano e não humano. Eu queria saber logo as respostas para minhas perguntas, estava impaciente já, onde eu estava? Que lugar era aquele? E porque todos me chamavam de filha dos mundos e celebravam minha chegada?

Ouvi mais uma vez em minha mente uma pequena canção, como uma canção de ninar, baixa e melancólica, e logo depois as palavras “tenha calma”. De onde vinha isso? Eu devia estar ficando louca.



Notas finais
Gente, por favor, eu preciso de comentários! Os comentários de vocês me fazem continuar escrevendo. Eu sei que demorou a sair este capitulo, pois eu tive um pequeno bloqueio, já que não recebo opiniões. Então por favor, vou abrir uma ask pra perguntas e posto aqui depois. Obrigada a quem acompanha a história! Beijos
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.