Entre Memórias
1 Entre Memórias
O sol queimava as ruas de Tóquio, e as cigarras cantavam sem cessar. No terraço da escola, ríamos como se o tempo não existisse. Os nossos olhares encontravam-se, e eu sabia que aquele verão seria eterno. Mas nada é eterno.
Os dias encurtaram, o outono aproximava-se. Ainda assim, guardei cada momento, cada sorriso. Prometemos encontrar-nos ali todos os anos. Mas será que promessas feitas ao vento resistem à passagem do tempo?
O outono chegou e levou-te com ele. Disseste que era melhor assim, que seguiríamos caminhos diferentes. Eu não entendi. Como é que algo tão forte podia simplesmente desaparecer?
O pátio da escola parecia vazio sem ti. Os nossos lugares na biblioteca continuaram ali, intocados. As nossas vozes ainda ecoavam nos corredores, mas só para mim. Todos disseram que era apenas um romance de verão. Mas para mim, foste tudo.
Os anos passaram, e a escola tornou-se apenas um edifício antigo. Voltei ali sozinho, esperando encontrar vestígios do que fomos. Mas as paredes não guardam memórias. Só o coração. Sentei-me no banco onde costumávamos conversar.
Fechei os olhos e, por um instante, pude ouvir a tua voz. Mas quando abri, só havia silêncio. O tempo leva tudo, menos a dor daquilo que não foi.
A neve cobria o chão quando soube da tua morte. O mundo pareceu parar. Não houve despedidas, apenas o peso de tudo o que ficou por dizer. Encontrei a nossa foto antiga, um verão capturado para sempre. Sussurrei o teu nome, mas o vento levou-o.
Se tivesse sabido que seria o último verão, teria segurado a tua mão por mais tempo. Mas já era tarde. Sempre foi.
Fiquei no terraço até ao amanhecer. A cidade despertava sob um céu dourado. Talvez, algures, tu estivesses a ver o mesmo sol. Fechei os olhos e sorri, porque percebi que nunca estiveste realmente ausente.
Vivias nas memórias, nos risos que ecoam na minha mente, nos dias de verão que guardo no peito. A solidão não era ausência, mas sim a presença do que foi. E, pela primeira vez, senti paz.
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