Notas iniciais
"Palavras machucam... E quem as ouve nunca esquece." Barbara Coré

A semana passou. Hanna se achegou mais ao grupo. E Isaac ficou apaixonado pela garota a ponto de falar sobre ela quase todas às vezes. No fundo, eu entendia o que ele estava passando, e até mesmo fazia igual em algumas ocasiões. Mas, como a maioria dos tipos de garotos que ele era, ainda não tinha revelado seus sentimentos para Hanna, com medo de estragar a amizade. Em uma de minhas conversas com ele, aconselhei a parar de pensar assim e entrar de cabeça, falar o que ele realmente sentia por ela e tal. O que era engraçado era que eu mesmo não fazia o que estava falando.

O final de semana chegara, e como combinado, fui a casa de Agatha ajudá-la a arrumar os preparativos para o filme que iríamos assistir naquele dia. O sol daquela tarde estava mais forte que os outros dias, e se Teresa – a mãe de Agatha – não tivesse atendido a porta rapidamente, eu teria me tornado um churrasco humano.

– Oi Anthony!

– Boa tarde Dona Teresa. A Agatha tá aí?

– Tá lá em cima ajeitando o quarto. Vamos entre.

Assim que entro na residência, logo vejo o interior da casa, que por sinal era muito bonito, com móveis brilhando elegantemente na sala, tudo muito limpo e cheiroso. Dois grandes sofás jaziam em frente a TV da Sony, enquanto um tapete vermelho marcava o espaço entre os sofás e a estante. A escada para o segundo andar se localizava na lateral da casa, o corrimão lançando uma cor amadeirada brilhosa, a cerâmica branca mostrando alguns filetes negros, modelo comum na região.

Subo as escadas e me deparo com um corredor, onde as portas dos quartos enfeitavam o local. O primeiro quarto era dos pais de Agatha, o segundo era o dela e o terceiro de sua irmã mais nova. Mais a frente tinha os quartos dos hóspedes e algumas outras coisas menos importantes. Claro e evidentemente me dirijo diretamente para o quarto de Agatha, pensando em como ela estaria naquela tarde. Feliz, triste, mal humorada? Para cada coisa eu tinha pensado uma conversa, e antes de pensar em mais alguma coisa, chego a seu quarto.

Agatha usava uma camiseta apertada, realçando seus seios a medida que um pouco da parte de cima era exposta, a pele branca demonstrando sua beleza. Seu short tinha um tecido fino e elástico, curto o suficiente para exibir suas belas coxas enquanto suas nádegas se modelavam em uma perfeita forma. Seus cabelos negros estavam soltos enquanto ela se movimentava pelo quarto, os balançando enquanto procurava por algo.

– Boa tarde princesa. – Começo falando.

– Só se for para você. – Ela responde.

– O que houve? Porque está tão estressada? – Pergunto enquanto permaneço na porta.

– Eu não to estressada tá legal?

– Tô vendo.

– Anthony vá pra merda!

Nossa! Tinha alguma coisa de errada com Agatha, pois ela não costumava ser tão estressada assim. Geralmente ela era um amor de pessoa, a não ser que...

– Entendi. – Falo pensando – 20 de janeiro. Época daqueles dias né?

– Cala a boca!

– Meu Deus Agatha, você tá que tá hoje ein! Nunca te vi assim!

– Você acertou! Eu tô menstruada, tá feliz agora? Então por favor me deixa em paz!

Suspiro. Agatha continuava indo e vindo, parecendo uma barata tonta dentro do quarto, enquanto procurava algo.

– O que tá procurando?

– Um jumento voador. – Ela olha para mim. Para – Me desculpa Anthony, é que... Essa droga de TPM acaba com a gente e ... – ela olha em volta – Já arrumei essa merda de quarto e não consegui encontrar meus brincos. Eles... – Sua voz embarga – Eles – Uma lágrima brota de seus olhos – Eles eram meus preferidos! – Caindo em choro, levando a mão as bochechas a fim de enxugar as lágrimas.

– Ah meu Deus, vem aqui vem. – Falo me aproximando.

Abro meus braços e ela me abraça quase que instantaneamente. Sinto seu delicado corpo colar no meu, sua pele lisa desejando ser acariciada. Suas lágrimas molham minha camisa, enquanto ela pousa seu rosto no meu ombro, sua respiração quente entrando em contato com minha pele. Nesse momento ouço duas passadas, logo uma voz invadindo o quarto.

– Agatha, você... – Fala Thomas, o pai dela, mas se interrompe – O que aconteceu com ela?

Os soluços de Agatha preenche meus ouvidos.

– TPM. – Falo como que um sussurro.

– Vish! – Ele faz uma careta – Anthony meu fih, boa sorte! Tô indo!

– Ei, não, espera! – Falo, mas ele desaparece com um fantasma.

Ao perceber que Agatha se acalmara, me afasto e limpo suas lágrimas que jaziam em seu rosto.

– Pronto, passou? Vou te ajudar a procurar, certo?

– uhum.

Dou um beijo em sua testa e olho ao redor. Logo percebo uma coisa brilhante em cima de sua estante, próximo á porta. Me afasto dela e vou em busca das peças brilhantes, os pegando e erguendo.

– Por acaso são esses aqui? – Pergunto.

Ao ver as peças em minhas mãos, ela abre os olhos e mostra um grande sorriso.

– É esses! Obrigado Anthony! – Correndo e me abraçando – Obrigado, obrigado, obrigado!

– Não esquenta. Agora, quando a gente vai começar a fazer a pipoca?

– Pipoca, pra quê?

– Pro filme, ué!

– Filme... É mesmo, a gente tinha que assistir um filme! Eu me esqueci disso. Já tá na hora?

– Não. Eu só vim ajudar pra quando Isaac e Hanna chegarem está tudo pronto.

– Pois... Vai lá pra baixo que eu tô descendo.

– Belê. Ei, mas porque esses brincos são tão importantes pra você?

– Porque eles são meus favoritos, já te disse isso.

Faço uma cara de desconfiança, mas decido não indagar, pegando o corredor e descendo as escadas. Eu ainda não entendia pra que todo aquele alarme por um brinco barato. Seria alguém que a tinha dado? Um garoto de sua sala, talvez? E se essa pessoa tivesse tentando ‘pegar’ ela? Afasto esses pensamentos. Seria um ciúme desnecessário se continuasse a pensar assim. Agatha gostava de mim, ela mesma falou isso. Foi ela quem falou que seria minha namorada. Assim que chego na sala, me jogo no sofá macio e felpudo, e alguns minutos depois, Agatha aparece.

– Cadê? – Ela pergunta.

– Cadê o quê?

– A pipoca! Porque não tá fazendo?

– Porque eu só ‘vim ajudar’.

Agatha me lança um olhar de assassino. Já falei que ela fica muito sexy fazendo isso?

– Tá bom, vamos fazer!

– Agora quer fazer né?

– Vamos logo menina!

Me dirijo a cozinha junto com ela, que me dá um soco fraco no braço. Dona Tereza estava na cozinha, limpando algo que não dei muita atenção.

– Mãe, onde está aquela panela grande? – Pergunta ela para a mãe.

– Tá no armário amor.

Ao pegá-la, Agatha acende o fogão e põe a grande panela em cima da boca.

– Vocês já se resolveram? – Pergunta Tereza.

– A gente não tava brigando. – Responde Agatha.

– Serio? Pois parecia. Vocês discutiam que nem um casal.

– Não somos um casal mãe.

– Podíamos ser. – Balbucio, mas ninguém ouve.

– Pois parecem. E vocês combinam... Não me surpreenderia se vocês casassem.

– Mãe!

– É serio!

Thomas aparece de súbito atrás do balcão da cozinha, como um fantasma que quisesse assustar alguém (não sei como ele faz isso, é serio)

– Anthony está pedindo Agatha em namoro? – Pergunta Thomas animado.

– Ainda não. – Responde Tereza, em meio a estalos de pipoca.

– Poxa, eu estava torcendo por isso. E quando é que você vai pedir?

– Eu?! É...

– Pai! – Retruca Agatha.

– Se eu fosse você Anthony, garantiria logo. Eu aprovo, não se preocupe.

– Serio? – Me animo.

– Olha só: — Agatha se estressa – Eu não vou namorar o Anthony, tá legal! Nem hoje, nem amanhã, nem nunca! Então parem de me amolar!!!

O silêncio predomina. O clima fica tenso. Até a pipoca se silencia. Thomas e Tereza ficam um pouco sem graça, ele cocando a cabeça e ela guardando uma panela. Tiro as pipocas do fogo para não queimarem.

– Agatha, foi só uma brincadeira. – Começa Tereza – não precisava ficar assim.

– A senhora sabe que eu não gosto dessas brincadeiras.

Agatha pega a panela de pipoca e despeja a guloseima branca em um grande deposito. Nesse momento, Tereza olha para mim.

– Anthony você está bem?

Agatha também olha para mim. E ela percebe.

Notas finais
Sinceramente, eu tinha meio que desistido dessa fic, mas por algum motivo eu decidi postar esse capitulo. Provavelmente eu vou continuar a escrevê-la, porém sem muita frequência.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.