Entre Irmãos

4 Capítulo 4


Notas iniciais
Aqui vai mais um capítulo!

Ela praticamente caiu para trás. Como ele conseguira o endereço dela? Ou melhor, como o porteiro havia deixado ele subir? Ela não sabia o que fazer, e enquanto pensava a campainha tocou novamente.

—Já vou, já vou! — Ela disse impaciente.

Quando ela abriu a porta e Matheus a olhou, a primeira coisa que ele reparou foi que ela havia chorado, seus olhos estavam vermelhos e inchados, mas de alguma forma, para ele ela continuava linda.

—Oi. — Ele disse entrando e fechando a porta.

—O que você quer? — Ela disparou secamente. — Não conseguiu o que queria com aquela moça?

—Consegui exatamente o que queria. — Ele disse em um tom levemente irônico, tom que ela não entendeu muito bem.

—Como conseguiu meu endereço? — Ela perguntou ignorando o que ele havia acabado de dizer.

—Liguei para meu irmão e disse que você havia deixado cair um colar no carro, ele acreditou e me passou o endereço, aí o Raul me trouxe até aqui. E o resto você já sabe.

—Não. Eu não sei. — Ela continuava seca. — Como soube o andar que eu moro, e como o porteiro o deixou entrar?

—Hum, você pergunta demais. — Ele se sentou confortavelmente no sofá e se espreguiçou. — O porteiro deve ser novo, simplesmente cheguei e ele me deixou subir. E quanto ao andar, também perguntei ao Alex.

—Babaca. — Ela disse quase sussurrando. Mas ele ouviu.

—O que disse? — Ele perguntou se levantando.

—Babaca. — Ela disse novamente, dessa vez levantando o tom de voz. — O que pensa que faz na minha casa? Seja qual for o joguinho que você está querendo jogar, saiba que eu não estou a fim!

—Joguinho? — Ele parecia sério. — A única que está jogando aqui é você.

—Eu? Então me diga, o que você faz na minha casa depois de ter beijado outra garota na minha frente?

—Ah, agora chegamos ao ponto. Você então se importa se eu beijo ou não outra garota?

"Sim" — Ela pensou. — Não. — Ela disse. — Só pensei que você iria preferir estar com ela agora.

Ele riu.

—Depois eu que estou jogando. — Ele disse irônico.

—O que você está insinuando? — Ela perguntou.

Ele se aproximou.

—Olhe nos meus olhos e diga que não me quer mais, que não pensa mais em mim, e que eu não significo... — Ele olhou nos olhos dela, depois abaixou a cabeça e deslizou suavemente até o ouvido dela e disse suavemente, quase tocando seus lábios em sua orelha. — ... nada para você.

Um arrepio percorreu todo o corpo dela, suas pernas estremeceram.

Ela fechou os olhos e respirou fundo. Precisava pensar calmamente no que ia dizer agora.

—Eu...

Ele a olhou nos olhos novamente e colocou o dedo indicador em cima dos lábios dela.

—Não precisa responder. — Ele disse suavemente. — Seus olhos já dizem o que seu coração sente e você tenta esconder.

Ele era encantador. E ela, uma garota dividida entre os dois irmãos.

Ela suspirou e ele se afastou.

—Era só isso que você ia dizer? — Ela perguntou tentando se recompor.

—Não sei, me diga você. Eu preciso dizer mais alguma coisa?

—Que? — Ela estava confusa.

Ele riu.

—Nada. Nos vemos por aí linda. — Ele deu um beijo na testa dela e se dirigiu a porta.

Ela se virou para ele.

—Espera aí! — Ela gritou. — Sinceramente... Sinceramente não sei o que você está pensando! Você acha que pode transar com uma garota e dois anos depois vai falar com ela e ela simplesmente vai voltar para você!? — Ela estava furiosa.

—Eu não sei. Você vai?

Ela parou. Ele SEMPRE conseguia deixa-la sem palavras.

—Vá para casa. — Ela disse.

—Tudo bem. — Ele respondeu. — Mas pense em tudo o que conversamos. Eu ainda a quero para mim Mayara, e não vou desistir.

—Então vai. Fala pra ele. Conta tudo pro Alex. — Ela desabafou repentinamente.

Matheus a olhou, de todas as coisas, essa era a que ele menos esperava que ela dissesse.

—Que? O que você está dizendo? Hoje mais cedo você disse que não queria que ele soubesse de nada, porque está falando isso agora? — O tom irônico que ele tivera quase a noite toda havia sumido. Ele parecia confuso.

—O que acha que ele vai pensar de você Matheus? Quando ele me fala de você seus olhos brilham, você não faz ideia do quanto seu irmão te admira! Quer mesmo decepciona-lo desse jeito?

A excitação inicial dos dois havia dado espaço para uma conversa mais séria e profunda.

—Eu... Eu não sei Mayara... — Ele passou as mãos nos cabelos. — É claro que me sinto mal pelo que estou fazendo, mas... É horrivel ve-lâ com meu irmão, quando você o beija, tudo o que consigo pensar é em como eu queria estar no lugar dele.

—Porque está dizendo isso? Eu... Eu sei como você se sente. — Ela desabafou lembrando de Matheus com a garota no clube noturno. — Senti isso hoje. — Ela finalizou.

—Acho que aquilo foi infantil, mas precisava saber o que você sentia por mim, e pelo jeito que você me olhou quando eu a beijei. — Ele fez uma pausa, e terminou. — Eu não sou o único que está sofrendo.

Os dois falavam tudo o que há muito guardavam para si mesmos.

Matheus se aproximou dela e a olhou nos olhos.

—Eu sinto sua falta May.

Ela passou a mão suavemente pelos cabelos dele.

—Eu também...

Os dois se calaram. Aos poucos seus corpos começaram a se aproximar mais, Matheus pegou na cintura de Mayara com firmeza e ao mesmo tempo suavidade. Ele a puxou para mais perto e ela finalmente cedeu aos encantos daquele homem.

Pouco a pouco seus lábios começaram a se aproximar e seus olhos se fecharam. Agora Mayara conseguia sentir o calor dos lábios de Matheus, até que em um impulso ele a beijou. Foi um beijo ardente e intenso, ainda melhor do que os de dois anos atrás, ele a apertava com vontade, passava as mãos por todo o seu corpo como se quisesse sentir novamente cada parte dela.

Os beijos começaram a se intensificiar e os dois se dirigiram para o quarto, onde tudo o que estavam nutrindo um pelo outro tomou forma e propiciou momentos de prazer que estavam guardados há dois anos. Algum tempo depois o barulho que vinha do quarto cessou e Mayara foi tomar uma ducha.

—Deita um pouco comigo? — Mayara perguntou já de pijama; uma camisola branca de seda que ia até o joelho.

Ele se deitou e os dois trocaram mais alguns beijos e carícias, e após algum tempo adormeceram ali mesmo, juntos.

Naquela noite os dois dois se esqueceram de tudo e todos, a única coisa que importava era o sentimento que eles nutriam um pelo outro e, tanto ele quanto ela queriam que aquela noite nunca tivesse fim.

Notas finais
Até a proxima!! Beijos