Entre Grades
1 Elas & Elas
Notas iniciais
Dentro da cadeia Piper Chapman foi recebida por Wanda Bell, a que recebia as detentas e fazia a revista.
— Tire as roupas…. Erga os braços…. Abra a boca e coloque a língua pra fora…. Se vire…. Agache e tussa.
— Sério? — sua voz era fraca, nunca passara tanta vergonha.
— Não princesa, mas se quiser posso usar o dedo.
— Quer me tocar desse jeito?
— Se eu não te tocar, outras irão. TUSSA logo e cala boca.
Lhe deram roupas, cobertores e um sapatinho horrível, ela quase perguntou se não teria de outra cor, mas ao ver a cara da mulher que lhe entregou as roupas, ficou com medo.
Uma tal Lorna Morello, apresentou a cadeia para ela e mais umas quatro mulheres, quando chegou no lugar que passaria uma semana até ter um “quarto” para si. Ela disse isso usando aspas.
— Tome finja que é um belo presente. — Morello lhe entregou uma sacolinha com uma escova de dentes, pasta e um pequeno sabonete.
— Obrigada, muito obrigada.
Ela passou o resto do dia no quarto, saiu somente na hora do almoço, ficou em um canto olhando como eram as mulheres, como faziam a fila, quem sentava junto e tal.
Ela foi para a fila, quando já está indo em direção da mesa, escutou algumas mulheres falando que haviam novatas. Ela estava quase se aproximando da mesa, quando uma perna apareceu em sua frente e sem poder fazer nada acabou tropeçando e jogando a comida na detenta da frente, as outras uivavam de alegria ao ver que alguém levaria um coro logo no primeiro dia.
— Puta merda, quem foi a vadia que me sujou? — sua voz era tão grossa que Piper implorava para virar aquela meleca que chamavam de comida.
Aquilo parecia uma voz masculina, será que tinha homens naquela prisão? E ao ver a detenta se levantar e ver que era muito, mas muito maior que ela, ficou com medo de se meter em confusão.
—Me perdoe, não foi minha intenção. — sua voz saiu tão fraca e falhando.
— De boas intenções o inferno está cheio. — ela a puxou para si, segurando em seu macacão alaranjado. — O que vamos fazer com você detenta?
— Piper Chapman, não me machuque por favor, já fiquei sem meu almoço.
— Sério? Você ficou sem almoço e eu fiquei suja, acha isso justo?
— Não, não é justo para ninguém.
— Venha comigo Chapman ou vai se arrepender. — pegou sua bandeja e a esperou, ela recolheu o copinho de plástico, os talheres e a acompanhou.
Foram para fora, chuviscava um pouco, ela encarou Chapman de uma maneira tão intensa que a deixou constrangida.
— Eu mando nesse lugar, porra, me entendeu?
— Sim, em claro e bom som. E estou com muito medo, por favor não me bata, nunca apanhei, nem de meus pais.
— Loirinha, você fala demais. — Alex deu um soco direto em seu olho, a deixando desnorteada com isso caiu de bunda, soltou um grito fazendo a grandona se agachar e tampar sua boca. — Tá maluca, não pode gritar, assim nos pegam e vamos para solitária por um bom tempo.
— Ai. Você me bate e ambas vamos para a solitária. — sua mão segurava o olho, ele latejava, tentou abrir mas foi impossível.
— Sim, você acha que vou para lá sozinha? Tenho todos em minhas mãos, até guardas. fingiu que iria lhe chutar e riu ao ver ela se encolhendo de dor, ao abrir o olho bom, estava sozinha.
Se levantou, algumas detentas a olhavam torto, foi para o quarto, se perdeu duas vezes até achar o quarto e no caminho a encontrou novamente, se encolheu por inteira.
— Não vou fazer nada com você loirinha.
—Hã sim, porque um olho roxo não é nada.
— Imagina, poderia ter feito coisa pior, poderia ter esperado a noite chegar, ir ao seu quarto, subir na sua cama e te chupar, muito, você nem ia perceber, porque sou muito boa no que faço.
— Você é lésbica? — falou Piper, foi a única coisa que ela conseguiu pensar.
— Você é muito louca mesmo! Cara, esse lugar vai acabar com você. Toda princesinha, cabelinhos loiros, pele clarinha, olhos azuis, muito bonita, muito comível e quase todas aqui somos lésbicas, logo, logo você será uma vaca de sexo de alguém.
— Tá brincando com esse lance de vaca de sexo? E você já se olhou no espelho?
— Como?
Piper percebeu que nunca conseguiria ficar com a boca fechada, só dava mancada, uma atrás da outra e logo seria uma vaca de sexo de alguma puta.
— Com todo respeito, mas você também é bonita, pele clara, olhos verdes e tal, o que me torna diferente de você?
— Estou aqui a muito tempo, você acabou de chegar, todos me respeitam, sou a dona da porra toda.
— Entendi, me desculpe. — tomou coragem e saiu.
Na hora do banho, todas andavam de um lado pro outro, a maioria estava pelada, mas ela não conseguiu, peloo simples fato de saber que quase todas eram lésbicas, então se enrolou na toalha e esperou sua vez, a curiosidade era enorme ao escutar um som, alguém estava gritando, mais ou menos, parecia um gemido talvez e quando viu de onde vinha o som se arrependera em segundos.
Morello estava sendo chupada por uma cabeluda, ela se deliciava com cada movimento e não percebeu que alguém vinha em sua direção e lhe apalpando.
— Carne nova, que delicia. — a mulher falou, lambendo os lábios. —Prazer sou Big Boo.
— Espero que sua mão não aperte minha bunda novamente.
— Nossa, loirinha brava.
— Chapman, não loirinha, ou Piper.
— Parece que está gostando do que está vendo, não é?
— Claro que não, só pra você saber sou hétero.
— Quase todas eram quando entraram aqui.
Saiu e isso a deixou pensativa, quase todas eram quando entraram aqui….
Abriu o registro e só caiu água gelada, quando a água tocou em sua pele a deixará arrepiada e com isso seus seios se enrijeceram, e do nada Vause entra junto no pequeno cubículo, também pelada.
— O que faz aqui? — sua voz saiu falha.
— Esse é o meu chuveiro, então você que está aqui e os outros estão ocupados.
— Vou sair, pode usar esse chuveiro de água gelada.
— Não acredito! Acabou a água quente, agora você vai ficar aqui e vai me esquentar, tenho frio nas costas. — A puxou, seus corpos se chocaram, com isso Chapman a sentiu nua por completo e foi a coisa mais estranha do mundo, nunca havia tocado uma mulher. Não ousou falar nada, ficou imóvel, Alex tomou seu banho e quando estava quase saindo veio a segurança, conferindo se tudo ia em ordem, Alex empurrou ela com tudo.
— Fique quieta.
A segurança olhou em volta e saiu.
— Posso levantar?
— Se quiser pode ficar ai e fazer uma coisa muito gostosa, sabe, preciso me aliviar.
— Nojenta.
— Só perguntei.
No jantar tudo foi tranquilo, Piper se sentou sozinha, a comida era horrível, mas comeu tudo, a fome era tão grande que quase nem mastigou.
Sua cama era a de cima, haviam mais três no mesmo quarto.
A semana passou boa, se é que pode dizer boa quando se está presa. Não encontrou a grandona novamente e isso a deixou contente, conheceu algumas mulheres e outras que não desejava ter conhecido. A tal Nicky Nichols, a reconheceu que era a que estava no banheiro, ela foi gentil com ela, um pouco maluca, falava pelos cotovelos, porém a deixou em paz.
No dia que foi trocar de quarto, se deparou com a grandona deitada a olhando com um sorriso.
— Olha, que visão mais linda.
—Alex Vause deixe a novata em paz. — disse Joe Caputo com um tom bravo.
— Só estou a cumprimentando, o senhor sempre fala, que devemos ser educadas, temos que dar boas vindas, Sr. Caputo, qual o delito disso?
— Nenhum, mas você já sabe Vause.
— Sim senhor.
Piper a encarou assustada.
— Não posso trocar de quarto?
— Não e se contente com um quarto, com uma pessoa de sua cor.
— Como? — disse, tentando entender se ele estava falando sobre racismo.
— Não sabia? O povo do gueto fica em um bloco diferente.
— Nossa, que horror.
— Claro que não, foram elas que pediram assim. — respondeu ele. —Não quero briga, sejam amigas, companheiras.
— Seremos boas companheiras. — disse Alex em um tom safado.
— Vause não dessa maneira, sabe que não é permitido o lesbianismo.
— Sr. Caputo, não disse nessa maneira, creio que o Senhor está entendendo errado.
— Que bom. — saiu deixando as duas sozinhas.
Piper a olhou com medo, sua cama estava a poucos metros da dela, poderia dizer que tinha menos de um metro de distância.
— Não me olhe assim, não sou uma criminosa. — falou Alex .
— Imagina, como poderia pensar que era uma criminosa, você me bateu e estamos na cadeia, mas não, criminosa nunca.
— Não matei ninguém, por enquanto, mas aposto que seria uma boa sensação.
— Não quero encrenca.
Os guardas passaram fazendo a contagem e mandaram todas irem dormir.
Todos os dias, sem nenhuma folga Alex lhe dava uns tapas, empurrões, seu corpo estava marcado de roxo, quando virava os corredores ela sempre estava lá para lhe socar, passar uma rasteira. Tinha alguns ralados no joelho porque em uma tarde de sol, ela corria, o vento batia em seu rosto, estava usando shorts e tudo ia lindo, até conseguiu esquecer que estava presa, quando do nada aparece Vause e empurra a fazendo cair de joelhos nas pedras.
— Puta merda Vause, isso doí sabia? — seus olhos se encheram de água, e escorria sangue de vários lugares aonde as pedras entraram.
— Você acha que está em uma colônia de férias? Você corria de uma tal maneira, como se aqui não tivesse criminosas, tem que ter olhos atentos. —saiu correndo.
Os dias foram passando, Alex parou um pouco com a tortura, trocavam olhares e só isso, cada uma trabalhava em lugares diferentes e não se encontravam, apenas na hora de dormir. Até uma tarde que tiveram livre, Piper estava deitada na cama chorando, Alex parou na porta e a encarou.
— Aconteceu alguma coisa?
— Isso te importa? — disse ríspida.
— Creio que está entrando em depressão e você está péssima.
— Você também não está lá essas coisas, sabia?
Alex chegou perto e a puxou pelo braço, a fazendo se sentar.
— Podemos conversar, sério, não sou só uma lésbica da cadeia, sou um ser humano, mesmo te batendo, posso te escutar, sou boa em escutar, em dar um ombro amigo.
— Amigo. — soltou um gemido cansado. — Só que não aguento mais esse lugar, você vive me batendo, só porque derrubei uma bandeja de comida, mas isso já faz tempo e você continua a me torturar.
— Isso não é tortura Loirinha.
— Hã sei, olha meu corpo está manchado e dolorido, sinto dor nos joelhos por aquela vez, eu acho que tem pedras aqui dentro ainda e você acha que isso não é tortura.
Alex soltou uma risada, mas uma risada estranha.
— Fui torturada quando cheguei aqui, sete detentas me pegaram, me bateram, abusaram com objetos muito esquisitos, acho que foi por isso que virei lésbica, me marcaram de uma tal maneira que você nem nos sonhos conseguiria imaginar, bem comi um rato cabeludo, tive que procurar baratas e corri atrás de uma galinha, não consegui pegar ela e tive que pagar por isso. Você não foi torturada, estou tentando te deixar forte, eu cheguei aqui como você, toda dondoca, mas ai a cadeia te muda e eu vou mudar você. — falou Alex olhando em seus olhos. — Você não pode correr como corria naquele dia, se tivesse escutado o que as detentas do bloco C estavam falando, o que fariam com você, nossa, aposto que já estaria morta.
— O que aconteceu com as detentas? — sua voz saiu fraca, o choro estava em sua garganta.
— Mandei elas para a solitária e vão ficar lá até mofar.
— Nossa e não teve medo de eu te mandar pra lá também?
— Temos que correr o risco, tome, pegue esse remédio, hoje você ira dormir bem. — segurou o comprimido branco e grande entre os dedos.
— De onde ele veio?
— Da minha boca, eu troco os remédios por rímel, o que foi tá com nojo?Chapman a encarava com uma sobrancelha.
— Mas e você, não precisa tomar eles?
— Não, eles me deixavam constipada, ai aprendi a controlar minha mente, nada de depressão.
Piper pegou o comprimido e sem pensar duas vezes o engoliu.
— Quer contar por que está assim? Fora a parte das pancadas e tal, sério.
— Meu namorado/Noivo está lá fora e escreveu um artigo sobre mim, mas ele escreveu de uma tal forma, que parece que sou uma vida loca dos infernos, não que merda, como se eu tivesse passando férias de verão.
— Que grande idiota, se quiser posso dar um jeito nele, alguém dar uma surra nele.
— Não precisa, obrigada, mas não.
Alex segurou na mão dela, no momento em que se tocaram Piper pensou em recusar, mas não, sentir o contato humano foi maravilhoso.
— Me desculpe pelo soco, estava péssima naquele dia.
— Imagina, nem percebi que estava mal, espera um pouco, meu olho percebeu isso e ele agradece a sombra roxeada, quase preta.
— Sério, me desculpe, não saio batendo em todo mundo, mas descobri que uma pessoa que deveria estar presa não foi condenado.
— Hã, sinto muito, foi a pessoa que te colocou na cadeia?
— Em parte, ele era o chefão da quadrilha de drogas e tal, um filho da puta miserável.
— Como você fez pra aguentar todos os dias nessa merda?
— Boquetes, punhetas.— fez uma cara de nojo ao lembrar.
— Credo, não acredito que teve coragem, mas você não é….
— Lésbica, sim, mas quando você está presa, está entrando em depressão, você faz de tudo, passei uns dois três minutos em um boquete para poder me deliciar com uma barra de chocolate e um x-burguer com muito queijo.
— Não me vejo fazendo isso, mas admiro sua coragem.
Passaram um bom tempo conversando e nem perceberam que perderam o jantar.
Os dias sem medo foram bem melhores, a convivência com Vause caiu muito bem, as detentas que mexiam com ela pararam, até Big Boo parou, e agora conversavam numa boa.
Uma detenta ganharia sua liberdade depois de passar três anos presa, então decoraram o salão de visitas com papel higiênico e juntaram alguns petiscos, algumas detentas reclamavam ao terem que gastar seus dinheiros, mas sempre ajudavam com medo.
Algumas dançavam e Piper fez o mesmo, mas não sabia que não podia tocar e encostou em Pennsatucky que fez um maior escândalo falando que estava sendo atacada sexualmente e isso a mandou diretamente a “SHU”. Ela reclamou falando que não havia feito isso em intenção a assediar a tal mulher e sim sem querer, mas nada adiantou.
Alex botou tanto medo nela que a fez ir retirar a queixa, dizendo que havia pensado direito e que ela só havia lhe tocado sem querer, mas isso demorou uma semana. Piper já estava bem diferente quando a tiraram de lá e a primeira coisa que fez foi procurar pela Alex.
Havia uma multidão reunida na sala de TV, davam parabéns para alguma detenta que conseguira sua liberdade
— Quem é a sortuda da vez? — perguntou olhando em volta a procura da grandona.
— Nada menos de que Alex Vause, ei saiu da “SHU” em menos de um mês que sortuda. — disse Nichols
— QUE MERDA. — sua frustração bateu lá no teto.
— Legal, amei sua reação Loirinha, mas não esperava por isso, vou aceitar como se estivesse feliz por minha liberdade. — falou Vause.
— Não quis dizer dessa maneira, estou feliz. — saiu da sala, seus olhos ardiam e em segundos lágrimas explodiram com uma força que a fez soluçar, correu para o quarto, pulou na cama de Vause, ainda havia cheiro dela no travesseiro e isso era maravilhoso, suas mãos alisavam o cobertor desgastado.
Já no domingo Alex Vause foi embora sem de despedir dela, pois ela deu um jeito de se esconder e não a ver partir.
Passaram cinco meses e agora ela sabia se defender, sabia impor respeito, criara um contrabando de calcinhas usadas, mandara uma detenta para a “SHU” ao roubar seu dinheiro, sua reputação crescera, era respeitada, era temida, ela era a nova Alex Vause.
Recebeu uma visita inesperada.
— O que faz aqui? — perguntou.
— Piper eu tenho que ir embora, não posso mais ficar aqui, Kubra não foi preso.— Alex disse com a voz amedrontada.
Todo aquele poder havia ido embora, agora era apenas uma mulher com medo de morrer, sua pele antes um pouco com cor agora estava pálida e com olheiras.
— Ei, ele não pode fazer nada com você e não pode ir embora, tem que prestar contas ainda.
— Eu sei, mas tem homens na minha janela, me vigiando, vou fugir, ir para outro lugar que ele nunca possa me achar.
— Não pode me deixar! — sua voz saiu baixa, sentiu um formigamento na barriga e um calor na zona T de seu rosto.
— Eu ando armada e me desculpe, só vim para ver como você está, ainda está viva e forte, bem diferente.
— Alguém me bateu, me deixou forte e sou grata por ela. — Estendeu suas mãos e pegou nas dela, seus dedos se entrelaçaram.
—Adeus Loirinha. — soltou os dedos, depositou um beijo em sua testa e foi embora para nunca mais se verem.
— Alex espere! — Mas foi tarde demais, ela já havia cruzado a porta.
Uma semana depois.
O almoço estava sendo servido e Nichols falava alguma coisa sem importância até que se virou para trás e abriu um sorriso encantador.
— Ei calcinha usada, sua tanga preferida acabou de chegar!
— Você não pode falar assim comigo, lembra “SHU”.
— Você não me dá medo, olhe logo para trás.
Quando se virou viu Vause, com o tal macacão alaranjado, deixou a bandeja e foi de encontro com ela.
— Alex. — a abraçou, pegando até a grandona de surpresa.
— Detentas sem tocar! — falou o guarda.
— Sem tocar detenta. — disse Alex sem nenhuma comoção na voz.
— O que faz aqui? O que houve?
— Não sei, estava no apartamento e quando consigo cair na real, já estava vindo para a prisão, MERDA.
— Não fique assim.
— Estava livre Piper, mas agora, que merda!
— O que houve com seu olho?
— Esqueci que não pode se meter com as cracudas, levei um belo soco de esquerda, como dei em você na primeira vez.
— Você não revidou, revidou?
— Não, como vim parar aqui?
— Essa é a minha pergunta.
— Eu não sei Piper, eu não sei. — começou a chorar, Chapman a pegou pela mão e a tirou do refeitório, as outras já olhavam para ela e cochichavam.
Entraram no salão, aonde se chamavam de Igreja.
Alex não parava de chorar e negava com a cabeça, tentava imaginar como conseguira cair ali novamente.
— Piper, tive a chance de reconstruir minha vida, mas….
— Cala boca!
— Como? — disse confusa.
Piper a puxou com força, seus corpos se chocaram, arrancado um suspiro de Piper, seus lábios se aproximaram dos dela e roçaram de leve. Ela sentia o gosto de suas lágrimas, sentir aquela pele macia de sua boca foi maravilhoso, mesmo ao ser tocada rapidamente, ela sonhara com isso por muitos dias.
— Te desejo a muito tempo, sonho em te beijar, em arrancar sua roupa, e isso é muito confuso. — disse ela com os olhos fechados, segurava o rosto da grandona como se fosse algo frágil, algo que estava prestes a se despedaçar.
— Eu também. — sussurrou. —Mas esse não é o momento, o dia não está muito bom.
— Ei, tudo bem, não me importo se está com o gostinho salgado de suas lágrimas.
Essas palavras arrancaram um pequeno sorriso dela.
— Me encontre a meia-noite em ponto, lá na lavanderia. — falou Vause, lhe deu um selinho e saiu.
Piper contou nos dedos cada minuto, o jantar foi tão estendido, a hora não passava e não a encontrou em nenhum lugar do refeitório. Foi para o quarto, saber que ela estava ali e não repartir o mesmo quarto era estranho, agora quem repartia com ela era Red.
Dez horas…. onze horas…. meia-noite…. meia-noite e cinco….meia-noite e quinze…. meia noite e vinte e nove….
Saiu do quarto, foi desviando dos guardas, a lavanderia era proibida a entrada a noite, o lugar estava bem escuro, Piper trombou em uma das máquinas fazendo muito barulho.
— Cuidado, quer que nos descubram aqui? — perguntou Alex.
— Não estou enxergando nada. — reclamou, passando a mão no lugar da batida.
Alex foi até ela, andava como se tivesse claro, pegou na mão dela e a guiou, passaram por um longo corredor.
— Aonde estamos indo?
— Espere, estamos quase chegando.
Abriu uma janela, o ar gelado de inverno tomou conta do corredor, Alex ajudou a loirinha a pular e foi logo em seguida, estavam em um cubículo, parece que esqueceram daquele lugar e deixaram uma escada que dava até o terraço.
— Vem, vamos subir as escadas e logo estaremos no lugar.
Subiram, lá de cima era lindo a vista, dava pra ver o lago que ficava atrás das cercas, as estrelas brilhavam com intensidade, já na cidade não podia se ver assim, por causa das luzes.
— Alex que lindo .— Piper olhava para o céu, quando Alex a envolveu pela cintura, ela sabia o que viria pela frente e ansiava por isso.
— Sabe o que me faz suportar ficar nessa merda? Você Piper, mas sem te bater.
— Eu agradeço muito, meu corpo agradece.
Seus corpos estavam tão próximos que respiravam o mesmo ar, foi então que Alex a soltou e se sentou, cruzando as pernas, Chapman não entendeu, ao certo o que acabara de acontecer.
— Pensei que iria me beijar! — disse fazendo um bico enorme e se sentou.
Ela caiu na risada, de repente parou bruscamente e a encarou.
—Você não gosta de mim, é isso, só queria me ajudar, mas nunca me viu como uma mulher, que merda e eu aqui sonhando com você.
— Sonhou comigo? — ergueu seus óculos, seu nariz estava ficando vermelho, aquele rosto tão lindo debochava de Piper.
— Ai, me desculpa pelo beijo, mas eu pensava que sentia algo por mim.
— Cala boca Piper, sua menina mimada, é claro que penso em você como mulher, penso em tirar essa sua roupa e te comer como nunca foi comida, te fazer gozar como nunca gozou, mas eu ainda não sei se isso é fogo de palha, não saio trepando com qualquer uma.
— Gostei da parte que me faz gozar.
Piper se sentou em seu colo e envolveu seu rosto, a olhando bem no fundo de seus olhos disse.
— Isso não é fogo de palha, eu te quero, bem nunca fiquei com uma mulher antes, mas sempre tem a primeira vez e se não gostar vou falar bem na sua cara, se não me fizer gozar como prometeu. Então me coma logo, porque não aguento nem mais um segundo, quero sentir seu gosto.
Alex a beijou com força, chupou a língua dela com fervor, só no beijo Piper já estava quase gozando, nunca tivera tanto jeito pra coisa em si. Teve uns três namorados que beijavam muito mal, ai conhecera o Larry, mas seus beijos eram cheios de carinho, já os da Alex eram cheios de pegada, beijava tão bem que poderia ficar ali com ela pro resto da vida, vivendo só de beijos e carícias. Com um impulso rápido Alex a virou, a deitando, ela soltava gemidos um atrás do outro, isso deixava Alex com mais vontade de despi-la rapidamente.
— Não aguento mais Alex, me toque! Por favor , me toque! Quero te sentir dentro de mim.
Com uma agilidade enorme, ela tirou suas calças e deslizou a mão entre sua calcinha e a tocou, ela já estava preparada para recebê-la. Alex a masturbou e em poucos segundos ela gozou, soltando um gemido mais alto, Alex levou os dedos até a boca e os lambeu.
—Muito deliciosa.—Beijou novamente seus lábios, desceu para seu pescoço e foi deslizando até chegar na sua intimidade, ela a chupou com vontade, Piper não conseguia respirar, a pressão que estava sentindo era enorme e queria ser liberada, o calor subiu para seu rosto, e a única coisa que conseguiu fazer foi levar suas mãos a cabeça dela e a apertá-la contra si e alguns minutos ela gozara duas vezes, isso foi maravilhoso, seus pulmões pediam por ar, Alex deslizou para cima novamente e depositou um beijo em sua testa.
—Foi horrível, não foi.—Disse soltando uma risadinha.
—Nossa, Alex o pior.—Tomou folego e agora ela que procura os beijos da grandona.—Posso te chupar?
—Não precisa pedir.
—Você me ensina?
—Claro.
Piper se deliciou com seu gosto, nunca pensara que poderia fazer isso, sempre achou estranho essa vontade de homens de cair de boca nas mulheres, mas naquela noite ela conheceu a experiência e conheceu a experiência de uma experiente, e foi maravilhoso.
—Alex Vause eu te amo, esse será o nosso lugar.
Alex a olhou, deslizou os dedos em sua face avermelhada e sorriu.
—Também te amo Piper, sim esse será o nosso lugar.
Fale com o autor