Notas iniciais
boa leitura

China 1000 D.C.

O vento naquela manhã soprava contra as arvores fazendo suas flores dançar nos galhos enquanto formava leves ondas no lago imperial. O céu estava calmo e o sol se mantinha escondido sob suas nuvens de algodão que enfeitavam a imensidão azul.

Ao contrário do clima, um soldado se via mais aflito do que nunca. Suas fortes e ásperas mãos seguravam o portão a fim de estancar sua ansiedade que começava a atacar todos os órgãos de seu corpo. Não sabia como se portar, apenas tinha que contar a seu mestre o que estava acontecendo, porém, não sabia como dar aquela notícia que nem de longe seria boa. Exausto de brigar consigo mesmo resolveu dar-se por vencido, e saiu se arrastando de seu posto rumo ao castelo. Passou por suas escadarias de pedras cinza e adentrou a enorme porta de madeira com o consentimento dos demais soldados. Logo o enorme e estreito corredor pouco iluminado apareceu em seu campo de visão e ele o cruzou cauteloso. Ainda não sabia o que dizer para seu imperador e isso o indignava ao ponto de indagar-se se teria sido uma boa escolha ter vindo até aqui. Parou diante da enorme porta dourada e encostou sua testa, tomou coragem e seguiu adiante. Bateu três vezes na porta assim como era ensinado quando fossem falar com seu mestre e esperou. Ela fora aberta e ele, receoso, adentrou o luxuoso cômodo parando em frente seu pequeno “trono”. Seu Imperador tinha os olhos fixados no nada, a barba estava por fazer e trajava roupas brancas e simples.

—Olá... Vossa Majestade. — O senhor de olhos cor de ônix, estreitou seu olhar em sua direção enquanto o analisava, o soldado sentiu um arrepio na espinha, mas mesmo assim prosseguiu. — nossos espiões dizem que a nação do fogo está produzindo armas poderosas. — A cada palavra proferida por ele, viu seu mestre ficar atônito, ele também não esperava por isso. Assim que concluiu sua missão ajoelhou-se em sua frente como lhe fora ensinado. Entretanto havia ficado perturbado pois seu líder se mantinha em silencio, como se não tivesse processado a informação.

— Como é que é? — o grito agudo entrou por seus ouvidos forçando seus tímpanos a se contraírem, logo despertou de seus devaneios e passou a encará-lo. Seu olhar enigmático e sua expressão de puro pavor. —Já não basta os poderes, agora os malditos estão produzindo arma? Não pode ser.

—O que fará senhor? — indagou o jovem soldado já com medo da resposta.

—Me diga o que exatamente essas armas fazem? — Meticuloso, o soldado ponderou a resposta, vendo seu Imperador ficar impaciente.

—Não sabemos muita coisa, a única informação que temos é que pode aumentar o poder da nação do fogo.

—Oh não! Isso não é bom mesmo. — O mestre se sentou sob olhar curioso de seu vassalo e se pôs a pensar, será que havia algo a ser feito? Daria tempo? “Oh céus!” — Chame o Oráculo, é única coisa que consigo pensar. — Ele não tinha muita convicção de que isso daria certo, porém seguiu as ordens de seu mestre e se retirou. Logo se via correndo por entre os demais em uma velocidade assustadora. Ele tinha em mente que não tinha tempo para perder e se fosse rápido o suficiente talvez conseguisse fazer algo a respeito. O castelo e sua paisagem rustica logo ficou para trás e ele se via dentro da natureza, seu caminho preenchido por árvores e flores, galhos e troncos caídos ao chão e o som do vento cortante. Logo ouviu o barulho das aguas e soube que estava perto. Ao passar o arvoredo deu de cara com a trilha que levava a gruta. Se arrastou por seu estreito caminho e adentrou o recinto. Tudo estava na penumbra graças a inúmeras velas espelhadas, aos poucos uma silhueta emergiu da escuridão. Trajava o típico qipao, um vestido vermelho de gola alta e fendas nas laterais, com estampa floral em preto. Sua pele era bem pálida e quando se aproximou, o soldado notou que suas ores eram amarelas. Antes mesmo que ele pensasse em relatar o motivo que o trazia ali, ela se aproximou e sentou-se em sua frente.

— Eu sei o que veio fazer aqui. — O jovem ficou estático e sentiu seu peso esmorecer e ele ir de encontro ao chão, assim como estava ela.

— Mas como você poderia...

— Vá e diga a seu imperador que... — antes que pudesse continuar a frase sentiu algo contra sua garganta e respirar se tornou complicado por um instante. Ela tentou dizer novamente e apenas emitiu um grunhido, como o som de algo se partindo. O soldado assistia a cena incrédulo e com certa curiosidade, sempre ouviu falar dela, mas jamais imaginou estar em sua frente algum dia. A mulher logo se recompôs cravando seu olhar duro sob ele.

“Entre fogo e água

Uma criança será concebida

Ela decidira a destruição ou salvação do mundo

Mas só acontecera no seu décimo oitavo aniversário. ”

O soldado tremia de medo, porém conseguiu disfarçar e continuou a encará-la. Assim que terminou de proferir tais palavras, ela foi até uma mesinha de madeira rustica com gavetas e tirou dali um papel, pelo que julgou o soldado era uma espécie de papiro envelhecido, ela calmamente escreveu algumas coisas e o dobrou entregando para ele em seguida que guardou em um dos bolsos da calça que trajava.

—Acho que era isso que seu Imperador queria. Agora volte, ele precisa de minha sentença. — Muito obediente o soldado lhe fez uma reverencia e saiu. Novamente correndo com a mesma velocidade que veio, ele chegou a seu castelo, cujo seu mestre o esperava no portão impaciente. Cansado e ofegante parou por um instante para recuperar o ar que lhe faltava nos pulmões.

— A Oraculo pediu para lhe entregar isto. — Com certa fúria o Imperador puxou das mãos do servo o papel quase que o rasgando, logo o desdobrou e leu a mensagem escrita por ela numa caligrafia perfeita. Ele se aproximou do soldado e o pegou pela gola do casaco que trajava.

— Esse herói já nasceu? —Vendo seu vassalo ponderar como se não tivesse resposta, ele se pôs a pensar. Tinha que ter algo que pudesse fazer em relação a isso, essa profecia não podia se concretizar. Passou-se um longo tempo até que ele chegou a uma conclusão.

— Crie uma organização e ela deverá encontrar o garoto e mata-lo. — Ele sabia que não poderia contestá-lo, mas a curiosidade estava o matando por dentro.

—Porque fazer isso a uma criança?

—Simples, do mesmo jeito que ele pode salvar o mundo ele pode destruir. — A rigidez de sua fala o incomodou um pouco e logo chegou a conclusão de que ele estava certo. — Eu não posso permitir isso.

O Imperador com os outros soldados que o acompanhava o deixaram sozinho e le se indagava o que seria mais correto em fazer, porém a cada alternativa se via mais perdido e sem noção do que surtiria efeito. Cansado de brigar consigo mesmo e tentar achar novos caminhos para essa questão, ele se viu indo para o outro lado do castelo onde ficavam os mais fortes homens do Império e ali se deu origem o pedido de seu mestre. Porém, ele a manteve em segredo e ninguém a descobriu por anos.

Diz a lenda que a organização só ressurgirá quando o herói nascer, e então ele a destruirá.

Notas finais
espero que gostem foi so o enredo msm