Como Dallas profetizou para Montgomery, as férias estavam sendo uma mistura de tédio e carma astral. Samantha e Nicholas, os seus meio-irmãos gêmeos, dividiam o seu tempo entre viagens com os amigos de escola e a família deles pela velha Europa e os alpes Suíços (que nesta época do ano nem estavam tão congelados assim) e ficar na bicentenária mansão Winford para atazanar Dallas, quem, eles sempre faziam questão de enfatizar, não tinha amigos com a exceção do garanhão negro Anúbis, de temperamento tão arredio quanto o dela, e no qual cavalgava todo final da tarde pelo vasto terreno onde foi construída a mansão. A família Winford era dinheiro antigo, com conexões com a realeza e um ou outro título de nobreza atrelado a algum antepassado ao longo da linhagem. E Dallas? Dallas era o calo que foi comentado por anos nos altos círculos da sociedade aristocrática e nobre de Londres.

Que Albert Winford tinha o costume de pular a cerca isto não era novidade para ninguém. Neste círculo, maridos infiéis e esposas cegas eram extremamente comum, e até mesmo os filhos bastardos eram comuns. O que não era comum eram esses filhos bastardos serem trazidos da dependência dos empregados para a casa principal e serem criados como mais um dos herdeiros do tradicional nome Winford. Mas Amélia Winford era tão temperamental quanto a neta e foi uma esposa que não aguentou assim tão calada as indiscrições do marido. Todas as mulheres da alta roda da sociedade londrina sabiam que ser amante do falecido Francis Winford era correr o risco de sofrer a fúria de Amélia, pois esta era cruel e vingativa, como Hera foi com Zeus. Obviamente que Amélia tentou criar o único filho para ser melhor do que o pai, mas a maçã nunca caía muito longe da árvore e Albert saiu a Francis sem tirar nem pôr, e levar Dallas para dentro da mansão, obrigar Albert a assumi-la como filha, foi a vingança de Amélia contra a nora, Meredith.

E sim, engana-se quem pensa que Amélia fez isto para dar uma lição ao filho, ou pela absoluta bondade de seu coração. Ela fez isto para vingar-se da nora, que entrou naquela família como amante de Francis e ficou como esposa de Albert. Amélia fez isto para ferir o orgulho de Meredith da mesma forma que o seu orgulho foi ferido, e Dallas sabia de toda esta história podre porque dentro das quatro paredes da antiga mansão vitoriana, os segredos não eram escondidos nem mesmo das crianças supostamente inocentes.

Dallas chegou naquela casa na mesma época em que os gêmeos. A história oficial dada à imprensa foi de que ela era a filha de uma empregada que trabalhou temporariamente para a família, teve um caso passageiro com Albert, e então largou a consequência desta infidelidade nos braços de Amélia. Uma mulher misteriosa cujo nome era tabu dentro da mansão e tudo o que Dallas sabia dela é que depois de abandoná-la, a dita empregada ganhou o mundo para nunca mais olhar para trás, e desde então Dallas era o alvo da indiferença de Albert, do despeito de Meredith e do bullying de Samantha e Nicholas, que agiam espelhados nas atitudes grosseiras da mãe.

Em seus primeiros anos de vida e ainda inocente de sua posição e do escândalo que a sua existência causava, ela ainda tentou fazer parte daquela família, mas após a enésima patada e tirada ácida de Meredith, Amélia entrou em seu quarto à noite, com um livro sob o braço e sentou-se ao lado de uma Dallas aos prantos sobre a cama.

“Deixe-me te contar uma história.” A mulher disse com nenhum tom de conforto na voz, e abriu o livro.

A história que ela contou foi a de Cinderela e quando terminou e fechou o livro, o depositando suavemente sobre o colo, as lágrimas de Dallas haviam secado e ela mirava a avó com ávida atenção.

“Agora me diga: quem é você nesta história?” Dallas, obviamente, respondeu Cinderela, porque o perfil da Gata Borralheira que virou princesa encaixava-se bem com o seu. “Não!” Amélia respondeu em um tom duro. “Você é o Príncipe Encantado. Sabe por quê? Porque ele não fica sentado no sótão, cantando para passarinhos e esperando que alguém venha ao seu resgate. Ele vai ao resgate. Ele luta pelo que ele quer. Ele corre atrás dos seus sonhos e desejos. Ele impõe-se de modo que todos abaixam a cabeça para ele e ele não abaixa a cabeça para ninguém. Na sua vida, de agora em diante, não seja a Cinderela, não espere que alguém venha te salvar. Seja o Príncipe Encantado.”

Sua avó não era de grandes lições, mas esta foi a que mais marcou Dallas em sua curta vida e a partir daquele dia ela jurou a si mesma que não deixaria ninguém jamais reduzi-la a Cinderela de novo.

Dallas girou na cama quando o sol entrando pela grande janela ficou difícil de ignorar. Com gestos preguiçosos, levantou-se, seguiu a sua rotina matinal e após trocar o pijama por roupas casuais (ou nem tanto, porque os Winford sempre tinham que estar preparados para uma eventual visita) desceu para o primeiro andar da casa e tomou o rumo da copa para o desjejum.

Todos os Winford já estavam à mesa quando Dallas chegou na copa, com Amélia à cabeceira como de costume. Albert lia o jornal e Meredith tinha a atenção em um tabloide cujas manchetes eram sempre a fofoca mais quente da sociedade britânica. Usualmente algum famoso divorciando-se ou casando-se. Os gêmeos, como sempre, dividiam-se entre brincar com a comida e dar-lhe sorrisos maldosos e Dallas puxou uma faca de serra para mais perto de si, assim que sentou à mesa, e arqueou as sobrancelhas para eles em uma ameaça velada. Samantha e Nicholas desviaram o olhar, devidamente intimidados, e os seus rostos sardentos desapareceram em favor da visão de Clarisse retirando a faca delicadamente das suas mãos.

— Não queremos uma repetição do Natal passado, não é mesmo jovenzinha? — ela disse em um tom baixo e somente para Dallas ouvir. O Natal passado não havia sido tão sangrento quanto Clarisse tinha implicado, foi apenas mais um incidente entre tantos onde os gêmeos e Dallas rolaram pela neve e lama, com as suas vestes de gala, trocando tapas, chutes e socos. A animosidade entre os três não era desconhecida de ninguém dentro e fora da família, mas foi a primeira vez que eles brigaram fisicamente e em público. Normalmente as desavenças ficavam em ameaças veladas, ofensas e xingamentos. As brigas envolvendo os punhos, Dallas reservava aos seus colegas de escola que adoravam esfregar o seu status de bastarda constantemente na sua cara.

Dallas sorriu de forma inocente para Clarisse que há anos aprendeu a não deixar-se levar por aquela carinha de anjo. A mulher retirou a faca da mão da menina e no lugar colocou um prato com ovos, torradas e frutas frescas fatiadas.

— Dallas. — o chamado fez a garota desviar o olhar de sua comida para a avó. — Iremos à Londres hoje ver o material e suas roupas para a França. — Dallas pôde ouvir os dentes de Meredith trincando do outro lado da mesa. O favoritismo de Amélia era claro e não precisava de muitas palavras para todos saberem que ela preferia a neta bastarda do que os gêmeos que ela não tinha tanta certeza serem realmente filhos de Albert.

As más línguas comentavam que Samantha e Nicholas tinham uma curiosa semelhança com Francis, um homem que em sua juventude ostentou uma graciosa cabeleira ruiva, antes desta embranquecer com o tempo. Albert herdara os cabelos negros de Amélia e somando dois mais dois na conta da genética, a soma das mechas loiras de Meredith com Albert deveria ter gerado no mínimo um castanho escuro nos gêmeos, não o tom acobreado que eles tinham e muito menos as sardas.

Dallas? Dallas era claramente filha de Albert. Ambos tinham os olhos no mesmo tom de azul, o mesmo formato de nariz, as mesmas sobrancelhas, até mesmo a mesma marca de nascença, um pinta entre o dedão e o indicador da mão esquerda. E por isso à Dallas era dado uma vaga em um caríssimo internato para meninas no interior da França, seguindo com isto a tradição de educar as mulheres Winford em uma escola de renome e garantia de um futuro de sucesso. Aos gêmeos sobrava a academia de sempre em Londres, para a qual os ricos e famosos da Grã-Bretanha enviavam os seus filhos, e que também tinha nome e prestígio, mas não tanto quanto o internato para o qual Dallas ia.

— Sim, grand-mère. — respondeu a garota no mesmo instante que um som curioso invadiu a copa, o som de um farfalhar de asas.

A enorme coruja que passou pela janela do aposento e deu um rasante sobre a mesa fez todos pularem de susto. Samantha deu um grito horrorizada e quase tropeçou na cadeira na pressa de se levantar. Meredith pôs-se de pé e trouxe Nicholas com ela, depois puxou Samantha e abraçou os filhos contra o corpo. Albert afastou a cadeira da mesa, com um arranhar dos pés desta no chão de linóleo, e Amélia permaneceu inabalada em seu lugar e somente se moveu quando a coruja pousou e largou um envelope amarelado sobre o café da manhã de Dallas.

A carta era algo que ela nunca tinha visto antes, estava selada com um brasão feito de cera e o destinatário estava escrito em caligrafia rebuscada e caneta tinteiro.

— Dallas G. Winford, copa da ala leste, Mansão Winford, Hampstead… — o envelope sumiu de suas mãos e quando piscou de novo o viu entre os dedos longos e pálidos de Amélia, que era bem ágil quando queria ser.

A matriarca abriu a carta com um arrebentar do selo, franziu os lábios em uma expressão que Dallas não pôde interpretar direito e saiu da mesa com um empurrar da cadeira.

— Clarisse. — avisou a mulher ao canto da sala, parada em sua usual posição de “pronta para servir”. — Avise à Montgomery para preparar o carro, vamos sair. — ela deixou a mesa com a carta amassada entre os dedos. — Dallas! — chamou quando já estava sob o arco que ligava a copa a sala. — Você vem comigo!

Dallas deixou a mesa de forma apressada, porque o tom de Amélia não deixava espaço para argumentações. Quando alcançou a avó, ela já tinha Monty ao seu lado e terminava de dizer-lhe algo.

Grand-mère, o que estava escrito na carta? — Amélia crispou os lábios e olhou Dallas por alguns segundos antes de estender a dita carta para a menina.

— Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts… — era o que estava escrito no cabeçalho do que era obviamente um tipo de papel que ela nunca tinha visto. Ele era mais grosso que uma folha, um pouco molenga e tinha a curiosa textura de couro velho. — Oie?! — ela desviou os olhos da carta para a avó na soleira da porta, onde aguardavam Monty aparecer com um dos carros da vasta coleção da família.

— Continue lendo. — Amélia ordenou e Dallas fez como mandado.

“Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts
Diretor: Alvo Dumbledore
(Ordem de Merlin, Primeira Classe, Grande Feiticeiro, Bruxo Chefe, Cacique Supremo, Confederação Internacional de Bruxos)
Prezada senhorita Winford.
Temos o prazer de informar que vossa senhoria tem uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Estamos anexando uma lista dos livros e equipamentos necessários.
O ano letivo começa em 1° de setembro. Aguardamos a sua coruja até o dia 31 de julho, no mais tardar.
Atenciosamente, Minerva McGonagall,
Diretora Substituta.”

— É brincadeira? — Dallas soltou a pergunta no ar, com um tom desacreditado.

— Eu estou com cara de quem está brincando? — a expressão de Amélia era tão azeda como a de alguém que havia comido ou cheirado algo desagradável.

— E como a senhora pode ter a certeza de que esta carta é verdadeira? — porque se Dallas havia interpretado aquelas linhas de forma correta, ali dizia que ela era uma bruxa, o que explicava muita coisa.

Aberração era outro apelido maldoso que os seus colegas de escola e os gêmeos haviam lhe dado devido aos curiosos incidentes sem explicação que ocorriam ao seu redor. E agora, lembrando bem, cada vez que algum incidente deste acontecia, Amélia costumava fazer a mesma cara azeda que fazia agora.

— A sua mãe. — Amélia declarou e Dallas abriu a boca para fazer várias perguntas sobre a sua mãe, sobre o que era verdade ou mentira na história desta ser uma empregada temporária, que trabalhou para os Winford quando estes viveram na França por alguns anos antes de Dallas nascer.

— A minha mãe… — Dallas foi interrompida pelo som do motor do carro comprido e preto que estacionou na frente delas. Montgomery desceu do veículo a abriu a porta traseira para avó e neta e Amélia deslizou por sobre o banco de couro e lançou um olhar indagador para Dallas que demorou alguns segundos para reagir, antes dela própria entrar no carro.

oOo

A primeira parada delas havia sido o banco, de onde Amélia sacou uma boa quantia de dinheiro. A segunda parada foi um bar maltrapilho, escondido na região mais desprovida de Londres, e com um interior velho e sujo que destoava completamente da elegância que eram as duas mulheres Winford. O atendente atrás do balcão arqueou uma sobrancelha para elas e Amélia estendeu uma mão para Dallas.

— Dê-me a carta. — ordenou e Dallas estendeu para ela a carta que Amélia levou até o balcão e mostrou ao atendente. Ambos trocaram algumas poucas palavras, baixo demais para a menina ouvir, e então o homem abandonou o seu posto e dirigiu-se para os fundos do bar. Amélia o seguiu. — Dallas! — e chamou com severidade quando viu que a neta não os acompanhava.

Dallas apertou os passos e chegou aos fundos do bar a tempo de ver a parede de tijolos retrair-se e abrir-se em um arco, cedendo passagem a uma visão fantástica. Uma placa pendurada a poucos metros da entrada formada na parede tinha escrito “Beco Diagonal” e pessoas em vestes estranhas circulavam pela rua que parecia não ter fim e era ladeada por lojas com produtos dos mais variados e curiosos expostos em suas vitrines. O Beco estava tão cheio que em um gesto raro, Amélia segurou a mão de Dallas e a guiou por entre as pessoas como se soubesse exatamente o que fazia e para onde ia. E ela sabia mesmo, porque poucos minutos depois ambas estavam dentro de uma enorme construção de mármore branco e ouro, onde criaturas menores do que Dallas, de pele murcha, narizes grandes e olhos pequenos e maldosos escreviam e carimbavam coisas em suas mesas.

Amélia aproximou-se da mesa principal ao final do corredor formado pelas outras mesas, com a confiança de quem fazia este tipo de transação todos os dias.

— Câmbio. — foi a única coisa que ela disse para a criatura que a olhou com desconfiança por cima dos óculos pequenos. Quando Amélia lhe estendeu o bolo de libras, a expressão fechada dele suavizou um pouco, mas não o suficiente para deixá-lo menos feio. Enquanto Amélia estava ocupada no que era claramente uma troca de dinheiro, Dallas rodou mais uma vez os olhos por aquele salão. Ela queria saber o que eram aquelas criaturas, mas desconfiava que perguntar à eles sobre isto seria ofensivo. Assustou-se quando sentiu sua avó pegar-lhe a mão novamente, mas deixou-se guiar automaticamente para fora dali, e arregalou os olhos quando viu um homem enorme e barbudo vir em sua direção, acompanhado de um menino que parecia minúsculo ao lado dele, embora garoto tivesse o mesmo tamanho de Dallas.

— Globins, Harry. — Dallas ouviu o homem dizer em um sussurro que mais soou como um trovão no saguão silencioso. — Não os encare, eles não gostam. — completou e quando os seus caminhos cruzaram, Dallas e Harry trocaram olhares, olhos verdes prenderam-se em azuis por alguns segundos, antes de cada um seguir o seu caminho, guiados pelos seus respectivos guardiões. A próxima parada delas foi a loja de varinhas e um bruxo que parecia animado demais para alguém que tinha trazido a loja praticamente abaixo, porque nenhuma maldita varinha escolhia Dallas.

Depois de uma hora de agitar, sacudir ou apenas ficar segurando varinha atrás de varinha sem sucesso, até mesmo Olivaras parecia estar se cansando daquelas demonstrações fracassadas de magia.

— Tente esta. — ele estendeu à ela mais uma caixa, abrindo a sua tampa de forma teatral. — Carvalho com miolo de pena de Veela, vinte e cinco centímetros, flexível. — Dallas recolheu a varinha de dentro da caixa e ficou olhando para a mesma, não achando que esta fosse diferente das outras. Ela parecia mais leve e tinha um brilho curioso contra a luz e vibrava levemente em sua mão, como se estivesse cantarolando uma canção de ninar.

— Dallas? — Dallas piscou, virou-se para Amélia, que tinha uma mão repousada em seu ombro, e então para Olivaras cujo rosto enrugado continha um sorriso de orelha a orelha.

— O que foi, o que aconteceu? — porque Amélia a estava olhando com curiosidade e Olivaras parecia feliz demais quando tirou a varinha de suas mãos, a recolocou na caixa e a embrulhou para levar.

— Você ficou um minuto encarando a varinha como se estivesse em transe. — Amélia respondeu ao recolher a sacola da mão do senhor Olivaras e pagar pela varinha. Dallas deu de ombros.

— Ela era… diferente. — justificou-se e quase levou uma portada na cara quando esta abriu no mesmo momento em que ela levou a mão à maçaneta para abri-la. O sino ecoando sobre a porta abafou a exclamação de susto que as duas crianças deram e, pela segunda vez naquela manhã, íris verdes encontraram azuis.

— Desculpe. — Harry murmurou e Dallas recuou um passo, dando passagem para o garoto entrar na loja. Ela não teve tempo de dizer nada, nem ao menos um oi, porque Amélia já a guiava para fora do Olivaras e deixava a porta bater às suas costas.

A parada seguinte foi na loja de roupas para medir e comprar o uniforme, e então foi a livraria e a loja de material escolar. E então, quando percebeu, Dallas via que o sol já se punha atrás do Gringotes e que passaram o dia inteiro no Beco Diagonal, lugar que ela ainda não conseguia acreditar que existia. Quando retornaram para a mansão já era noite e Amélia ordenou aos empregados que vieram ajudar a descarregar o carro que levassem tudo para o quarto de Dallas usando a porta de serviço. Aparentemente a mulher não queria que o restante da família descobrisse o que realmente estava acontecendo, porque ela não esclareceu nenhuma pergunta curiosa dos gêmeos durante o jantar e ignorou os olhares intrigados de Meredith e Albert.

E, quando deu-se conta, 1° de Setembro havia chegado e o Expresso de Hogwarts conseguiu bater o fascínio que ela ainda carregava do Beco Diagonal.

— Todos a bordo! — o grito ecoou pela plataforma e Dallas apressou-se para dentro do trem, acomodando-se na primeira cabine vazia que encontrou e intrigada pelo que a esperava neste novo mundo que acabara de entrar.