Entre Espadas E Varinhas
5 Capítulo 4
Sarah e Charlie acordaram cedo naquela manhã, pois tinham muita coisa pra fazer e muito lugar para visitar. Segundo a guia Sarah, os dois iriam primeiro ao Museu, porque segundo ela pela manhã quase ninguém ia, depois, iriam dar uma volta pelo Central Park e ver o Empire State. Pela tarde, visitariam a Estátua da Liberdade e na volta comprariam algumas lembrança para seus pais.
Quando os dois terminaram de se arrumar já estavam deixando o hotel rumo a sua primeira parada, e parece que Sarah tinha razão quanto a manhã ser o melhor o horário para se visitar o Museu porque não havia quase ninguém quando chegaram. Passaram quase a manhã toda lá, ficariam mais se dependesse de Sarah, mas Charlie a lembrou do seu plano de viagem e como tudo seria um desastre se não seguissem o plano. Depois de pensar bem, Sarah concordou em deixar o museu.
No caminho ao Central Park, enquanto estavam no Central Park, quando estavam indo ao Empire State e admirando a Estátua da Liberdade, Sarah não parou de falar sobre as coisas que viu no Museu por um segundo sequer, "Que lugar mais maravilhoso! Você viu aqueles quadros? E as estátuas? Mas nada se compara as de cera, são tão reais. Queria voltar. Que tal irmos amanhã de novo? Posso dar um jeito no meu cronograma. O que você acha?". Ela ficava perguntando o que Charlie achava mas sempre que ele abria a boca para falar algo ela o interrompia com mais exclamações sobre como o Museu era perfeito.
– Sarah, fica quieta! — disse Charlie finalmente, quando estavam saindo da loja de lembranças.
– Ah, desculpa. Eu não percebo que estou falando muito até me mandarem calar a boca.
– E você acha que eu não sei? Agora vamos comer alguma coisa porque te ouvir todo esse tempo me deixou com fome.
– Tem um Starbucks bem ali na esquina.
– Perfeito.
Os dois sentaram-se a uma mesa no fundo do café, e enquanto Charlie devorava um cookie de chocolate, Sarah estava distraída com um garoto que acabara de entrar. Ele tinha cabelos escuros e desgrenhados que batiam na altura do ombro, era alto mas não magro, dava pra ver que tinha alguns músculos mesmo estando com moletom. Estava acompanhado de uma garota que sentou umas duas mesas a frente deles. Tinha cabelos castanhos com uma by Text-Enhance\">aparência de que foram cortados por ela mesma com uma faca, mas mesmo assim conseguiam ficar estilosos. Estava usando uma camiseta laranja, calça jeans e um all star que conseguia estar mais detonado do que o de Charlie.
Charlie desviou o olhar do seu cookie que agora já não era mais nada pois ele já havia comido tudo, e percebeu para quem Sarah estava olhando.
– Hmm maninha, não sabia que se interessava por esse tipo de cara, estilo bad boy, né? To sabendo — disse ele, só para provocar a irmã.
– O quê? N-Não, eu não estava olhando pra ninguém! Aquele cara? Pff... Não, nunca. Quer mais um cookie? Eu pego pra você.
– Tentando mudar de assunto, hein? Mas já que ofereceu, quero sim.
– Já volto — disse ela, dirigindo-se ao balcão.
Sarah ficou ao lado do garoto que estava olhando. Ele cheirava a desodorante masculino e cavalo. Sarah estava tentando bolar um jeito de puxar assunto com ele quando a garota com quem estava, saiu correndo pela porta chamando por ele. Sarah viu todas as suas chances irem por água abaixo, mas também ficou preocupada com o tom de voz que a garota usou. Pediu o cookie de Charlie e foi se sentar junto a ele. A sorte era que onde estavam sentados tinha uma janela que dava para ver exatamente o ponto onde os dois tinham ido. Sarah não entendia o motivo de tanto desespero, até agora eles só estavam conversando, mas aí ela viu para onde os dois olhavam. Era enorme, e esquisita, Sarah não conseguiu reconhecer o que era aquilo até que se lembrou dos seus livros de Mitologia Grega, capítulo 5, Criaturas Antigas, Quimera.
Mas não podia ser, Quimeras não existiam. Bem, a maioria das pessoas também acham que bruxos não existem mas veja só, Sarah e Charlie são a prova de que isso não está totalmente certo.
– Charlie, — disse Sarah num tom meio estranho para ela, apontando para onde a criatura estava — olhe naquela direção e me diga o que vê.
– Hmm... Eu vejo, o seu namoradinho, a amiga dele que é uma gata e, — disse Charlie, espantando-se ao ver a criatura — o que é aquela coisa?!
– Venha.
E os dois saíram juntos do café, deixando o dinheiro em cima da mesa.
O garoto e a garota estavam correndo atrás da criatura a toda a velocidade, passando pelo meio da rua, esbarrando em pedestres, derrubando os jornais das bancas, e Sarah e Charlie fazendo o mesmo para acompanharem os dois. Viram-nos virarem em um beco na quadra seguinte e quando chegaram lá ficaram boquiabertos. O garoto empenhava uma longa espada negra e a garota uma faca em cada mão, havia ainda outro garoto encolhido em um canto, Sarah foi até lá e o tirou do meio da confusão que estava acontecendo ali.
Os dois lutavam como verdadeiros gladiadores, como se tivessem feito aquilo a vida toda. A Quimera ricocheteava os golpes mas não era rápida o bastante para os dois, em pouco tempo estava reduzida a pó. Pó mesmo, pois quando a garota fincou suas duas facas na nuca da criatura ela guinchou de dor e se desfez em um pó dourado.
– Bom trabalho — disse a garota de camiseta laranja.
– É, você também — disse o garoto, ofegando.
Os dois pareciam não ter notado a presença de Charlie e Sarah, que no momento estavam muito perplexos para dizer qualquer coisa mas Sarah se arriscou a ver o que sairia de sua boca.
– Com licença, espero não estar atrapalhando nada mas, o que exatamente foi aquilo?
Os dois a olharam assustados como se aquela fosse uma pergunta absurda. A garota dirigiu-se a ela e perguntou num tom estranhamente calmo para quem estava lutando com uma Quimera a alguns segundos atrás:
– Aquilo o quê?
– A criatura eu reconheci mas, como conseguiram derrotá-la? E da onde essas facas surgiram?
– Ela viu... — disse o garoto, que ainda estava com um olhar assustado.
– Claro que vi, era enorme. Como alguém não veria uma coisa daquelas?
– Temos que sair daqui, agora – exclamou a garota de laranja.
– Mas espere. Você ainda não me respondeu.
– Vocês vêm com a gente.
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