Entre Espadas E Varinhas
9 Capítulo 8
Sarah não estava com vontade de sair, estava preocupada demais para isso. Por que tanta demora? Eles deveriam estar sendo levados para o Ministério agora mesmo, haviam desrespeitado uma das mais importantes leis do Mundo Mágico.
– Você vai ficar sentada aí o dia todo? — perguntou Charlie. — Não tem nada que a gente possa fazer. Vamos Sarah!
– Mas... Vai você, não estou afim de sair, sério Charlie.
– Tá. Eu vou é aproveitar o que ainda me resta de vida, meu pai vai me matar.
– Ai meu Deus, é verdade! Eu sou uma péssima filha, uma péssima bruxa, eu deveria morrer.
O pai de Charlie, Leonard, era trouxa mas respeitava muito as leis mágicas, mais ainda que a mãe de Sarah, Arya, que era bruxa. Ela by Text-Enhance\">trabalha no Ministério, no Departamento de Acidentes e Catástrofes Mágicas na Central de Obliviação, foi onde viu o pai de Charlie pela primeira vez quando ele tinha sido levado para ter sua memória apagada por ver um duelo entre dois bruxos, mas ela conseguiu ocultar o caso e não precisou apagar sua memória. Um tempo depois, Leonard conheceu a bruxa com quem viria a se casar e ter um filho, Charlie. Após sete anos juntos, por ser uma auror e estar numa missão para capturar um suspeito de ser Comensal da Morte ela foi assassinada. Quando o Ministério ainda investigava o caso da mãe de Charlie, Leonard e Arya se reencontraram e estão juntos desde então.
– Sarah, fica quieta. Vou sair, tem certeza que não quer vir?
– Sim.
Charlie não tinha a mínima ideia de onde ir, só queria mesmo era sair de perto de Sarah. Não aguentava mais ela se queixando de si mesma, tudo bem que estava certa em se preocupar mas não era pra tanto. Decidiu ir até uma loja de música que tinha visto por ali quando estavam indo para o hotel.
Quando entrou ficou sem reação. A loja era enorme, havia instrumentos de todos os tipos, guitarras, violinos, pianos, baterias e ainda uma seção só para CDs e discos de vinil, Charlie era apaixonado por discos de vinil. Tinha Queen, Guns N' Roses, Rolling Stones, Led Zepellin, todas as preferidas de Charlie. Na cidade onde ele morava havia apenas uma loja de música mas nem se comparava àquela. Charlie foi em direção a parte da loja onde estavam as guitarras e pegou uma Les Paul parecida com a que Slash usava e se perguntou se não poderia tocar um pouco. Decidiu que não faria mal algum até porque a loja era enorme e ninguém estava prestando atenção nele.
Estava tocando uma dos Smiths quando alguém o interrompeu.
– Então você toca? Smiths, hein? — falou alguém atrás de Charlie. Ele se virou e viu a garota mais linda que já havia visto em toda a sua vida, parecia uma deusa do rock. Tinha cabelos vermelhos com mechas pretas no final, olhos verdes e usava uma camiseta do Iron Maiden com uma jaqueta de couro por cima.
– Ãh... Aham — Charlie é excelente para falar com garotas.
– A minha preferida é Asleep.
– É, eu... Eu...
– Você toca bem. Qual o seu nome?
– Meu nome? É... Qual o meu nome mesmo? — disse Charlie, falando com si mesmo.
A mulher deu uma risadinha, que Charlie achou ser a coisa mais linda do mundo.
– Você é engraçado. Enfim, meu nome é Penny, trabalho aqui na loja.
– Ah! O meu nome é Charlie, é, isso mesmo, Charlie. Muito prazer.
– O prazer é todo meu. Então, Charlie, vai ter um pequeno show aqui na loja para artistas amadores. Se quiser participar, vai ser hoje às sete. Você vem?
– Onde?
– No show... Hoje...
– Ah, claro. O show, venho sim.
– Legal, te vejo às sete.
Como ele podia ser tão idiota? Era uma coisa que não conseguia controlar, quando chegava perto de alguma garota travava e ficava agindo que nem um retardado. Ele ficou um tempo parado olhando para onde Penny estivera há alguns segundos atrás. Quanto tempo ele ficou nesse transe nem ele sabia mas aí uma coisa lhe ocorreu. Ele era um bruxo prestes a ser julgado por expor o maior segredo do seu mundo para dois semideuses. Com certeza não estaria mais na cidade às sete, não poderia tocar no show, e nem tentar impressionar Penny.
Ás vezes Charlie detestava o fato de ser bruxo. Perdeu a conta de quantas pessoas deixaram de ser suas amigas por causa disso. Como todo bruxo, de vez em quando ele fazia coisas estranhas acontecerem quando estava nervoso ou irritado. Talvez fosse melhor não ir nesse show mesmo, vai que acontece uma dessas coisas e Penny fica com a impressão de que Charlie é um esquisito anormal.
Ele é um esquisito anormal.
Um estampido, e uma figura alta surge no quarto.
– Senhorita Sarah e Senhor Charlie Blake. Os senhores foram acusados por exporem a magia a dois trouxas por livre e espontânea vontade. Venho aqui em nome do Ministério da Magia para ouvir o que os dois tem a dizer em sua defesa — o homem que aparecera era alto, devia ter um metro e noventa de altura, usava um terno trouxa mas os sapatos eram verdes berrantes feitos de pele de dragão.
– Ah, bom dia senhor. Meu irmão não está aqui mas daqui a pouco acho que ele chega... Eu espero.
– Tudo bem, eu aguardo. Quero falar com os dois juntos — disse o homem, sentando-se na poltrona ao lado da cama.
– O senhor aceita, hm... — Sarah arrependeu-se tanto de não ter comprado nenhum café quando estava naquele Starbuks. — Uma coca-cola?
– Uma o quê?
– Uma bebida trouxa. O senhor nunca experimentou um refrigerante antes?
– Ah, sim. Mas não, obrigada, não simpatizo muito com esses... como é mesmo o nome?
– Refrigerante?
– Isso mesmo.
– Bem, temos isso e água.
– Aceitaria uma água, obrigado. Onde está seu irmão?
– Acho que deve ter ido dar uma volta por aí, me desculpe, eu disse pra ele ficar... Senhor — disse, enquanto o entregava um copo d'água.
– Não precisa se desculpar, mas bem, então esperemos.
Charlie demorou uns vinte minutos para voltar. Ficou assustado quando viu um homem sentado ao lado de Sarah, os dois conversavam como se fossem velhos conhecidos.
– Ãh... Oi?
– Charlie! Finalmente. Onde você estava? — disse Sarah, levantando-se e encarando o irmão com aquele olhar que ela usava sempre que Charlie fazia alguma coisa errada.
– Eu passei numa loja aqui perto. Quem é esse cara?
– Esse cara, é do Ministério Charlie.
– Ah, me desculpe senhor. Não sabia, me desculpe, não quis desrespeitá-lo, não me mande pra Azkaban, por favor — disse Charlie, ajoelhando-se aos pés do homem que ainda estava sentado olhando com certa irritação para Charlie.
– Levante-se garoto.
Assim que Charlie se sentou ao lado de Sarah, o grande homem levantou-se a frente dos dois.
– Bem, agora que os dois estão aqui acho que devo me apresentar, meu nome é Alfard Groy e trabalho na Seção de Controle do Uso Indevido da Magia. Os dois estão sendo acusados de terem exposto a magia à dois trouxas, desrespeitando uma das maiores leis bruxas. Algo a dizer em sua defesa?
– Na verdade, sim — Sarah começou a contar tudo o que havia vivido nas últimas horas, mas para sua surpresa o homem não demonstrou nenhum espanto, pelo contrário, sua expressão continuou a mesma do início ao fim da história.
– Já temos conhecimento sobre os deuses, o Ministério e o Olimpo concordaram em manter segredo dos dois mundos mas parece que seus filhos por outro lado não são tão cuidadosos assim. Fico surpreso por saber que conseguirem ver através da tal névoa, a maioria dos bruxos não consegue. Foi um grande erro o que cometeram, tanto vocês quanto eles.
– Sabemos, mas eles prometeram não contar a ninguém — disse Charlie.
– E vocês acreditaram nisso? Olhem crianças, os deuses são seres traiçoeiros e mentirosos. Não se importam com ninguém além deles mesmos, e acredito que seus filhos sejam iguais.
– Mas eles não são assim! Nós sabíamos as consequências de falar que somos bruxos. Eles salvaram a vida de um garoto, quer prova maior que essa?
– Salvaram um semideus você quer dizer, um deles. Vejam, eu não me importaria em deixá-los partir agora mesmo e voltar para a minha leitura mas isso não é escolha minha e sim da corte que irá julgá-los. Agora vamos, teremos que desaparatar... já fizeram isso antes?
Os dois balançaram a cabeça negativamente.
– Ah, ótimo. Vocês podem sentir algum enjoo mas é normal nas primeiras vezes, mas por favor, se ficarem enjoados engulam, esses sapatos são novos.
E assim foram, o Sr. Groy os segurou pelos braços e sem avisar desaparatou. Nem Charlie, nem Sarah conseguiam explicar a sensação, mas era muito, muito ruim. Quando achavam que aquilo nunca ia acabar, se viram parados no meio de uma grande sala de estar escura que cheirava á charuto. As paredes eram inteiramente cobertas por estantes cheias de livros, havia uma escrivaninha num canto e duas poltronas no centro, de frente à uma lareira.
– Desculpem mas me lembrei que esqueci uns papéis importantes e resolvi aparatar aqui. Sejam bem-vindos à minha casa. Sentem-se enquanto procuro aquela maldita papelada.
Os dois se sentaram nas poltronas que aliás eram bastante confortáveis.
Depois de alguns minutos procurando Sr. Groy finalmente disse que não precisariam desaparatar pois usariam a rede de flu, o que deixou os dois bem mais contentes.
– Por que o senhor simplesmente não usou o feitiço de convocação? — perguntou Charlie.
– E agora que você me diz isso garoto? — disse Sr. Groy irritado. — Vamos logo.
Os três entraram juntos na lareira, que por sinal era bem grande, e desapareceram em chamas verdes após o Sr. Groy deixar cair o pó e dizer o destino.
Sarah e Charlie já haviam estado no Ministério muitas vezes mas nunca tão longe do Departamento da mãe de Sarah. Andaram por tantos corredores que não tinham mais como saber onde estavam. Os dois já estavam cansados de tanto andar, quando o Sr. Groy finalmente disse que haviam chegado eles desejaram nunca ter saído daquela lareira.
A mãe de Sarah estava parada a alguns metros de onde estavam, e ela não estava nada feliz.
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