Entre Eles
11 X - Confusões
Notas iniciais
Entre Eles
Capitulo X — Confusões
Ela sentou-se na cama, sua cabeça doía e era bem provável que fosse explodir. Girou o pescoço devagar e estudou o ambiente escuro ao seu redor. Aquele, definitivamente, não era seu quarto. Não, sua cama não era tão grande assim, além de também possuir ama cabeceira. Suas cortinas não eram negras e a vista da janela não dava para o centro de Londres na sua glória noturna. Sabia também que seu quarto não era tão grande e nem possuía quadros em preto e branco de paisagens... Espera, ela conhecia alguns daqueles lugares.
Levantou-se devagar, a noite caia sobre todo o cômodo. O fato de não saber onde estava lhe consumia a ponto de faze-la esquecer do pesadelo que a acordou. Sua cabeça ameaçou com pontadas, mas mesmo assim ela se pôs de pé e alcançou um jarro negro sem flor alguma ao lado do despertador numa mesinha de cabeceira branca, marcava 3h07min. Onde diabos ela estava três da manhã que não fosse em casa?
Usando o jarro negro longo e de base quadrada como arma, ela deu uma última olhada no lugar ao seu redor, iluminado pelas luzes da cidade. Com certeza estava num apartamento, era obvio pela altitude, e a vista também indicava que provavelmente era num lugar bem localizado e de luxo, pois nada menos poderia ter uma vista tão bela e tão alta como aquela. Seu corpo tremeu da ponta do dedo mindinho do pé até o fio de cabelo mais alto da sua cabeça. O sono havia ido totalmente e ela estava entrando em pânico.
Onde estava afinal?! Uma porta! É, ela tinha que achar uma porta... Droga! De onde surgiu uma poltrona?
Mas já era tarde, seu nervosismo a fez bater os joelhos direto num dos braços do acento, a lançando pra frente e depois direto pro chão, o jarro se partiu em mil pedacinhos ao tentar impedir que a mão que o segurava servisse de apoio no chão. Foi inevitável não gritar de dor, sua mão se abriu em vários fios de sangue e as lagrimas vieram em seguida.
– Mas que droga! – Ela xingou tentando ao menos sentar-se.
A porta do outro lado do vão abriu-se com urgência e então lá estava ele, vestido apenas uma calça de moletom, os cabelos, sempre alinhados, estavam todos desarrumados agora. Ele olhou para todos os cantos na altura dos próprios olhos, mas então os gemidos de frustração e dor vinha de baixo. Ele rodou a cama num segundo e a encontrou toda desalinhada tentando se por de pé com uma mão em total vermelho sangue. Algo no peito dele rascou, como se uma faca fosse encaixada ali e puxada para baixo em seguida. O impulso foi se ajoelhar e o fez, mas quando ela o percebeu seu olhar de pânico e recuo imediato até as costas baterem na parede fizeram com que uma segunda faca fosse inserida no seu coração.
Ela estava apavorada. Com medo dele.
Aquele mesmo olhar que ele a pegou nos braços no pub estava de volta e ele soube que ela não estava totalmente ali. Soube que ela não enxergava o cru e sim só a cortina de medo. Não poderia ser diferente, pensou com raiva, a garota estava em um local completamente desconhecido no meio da madrugada com um homem estranho a sua frente.
O que fizeram com você, menina?
– Granger... – Não, não era nem um pouco inteligente chama-la pelo sobrenome naquele momento. – Acalme-se, Hermione. Você está bem, está a salvo.
Ela matinha os olhos arregalados para ele, a luz da janela batendo mesmo em cima, era agonizante saber que ela o encarava, mas sem de fato focá-lo. Era como se estivesse vendo outra pessoa ao invés dele, provavelmente a pessoa que causou aqueles comportamentos.
Ronald não era uma especialista em psicologia, mas na faculdade ele fez disciplinas o suficiente para saber o que era um trauma e ele já tinha ido a especialistas vezes suficientes para sacar as coisas, além de também possuir traumas, que o deixavam daquela forma ou pior. Deus, como ele sabia o que ela estava passando. Ele também não era um idiota pra não pensar em possibilidades especificas para Hermione está tão acuada daquela forma. O sangue não parava de jorrar da sua mão, porque ela apontava um fragmento do jarro para ele e apertava o mesmo como se sua vida dependesse daquilo.
– Hermione... – ele chamou mais uma vez espalmando as mãos no ar e ficando totalmente de joelhos, a voz era a mais suave que conseguiu fazer. – Você precisa se acalmar. Precisa saber que sou eu, Ronald. Não vou lhe fazer mal.
Ela não recuou, nada mudou na sua expressão.
– Escute – tornou ele –, você está no meu apartamento porque era o único lugar que eu poderia traze-a depois do que aconteceu. Por coincidência e muita sorte eu estava no mesmo pub que você quando um babaca te forçou a ficar com ele – Ronald sabia que explicar era o melhor, mas lembrar do que tinha acontecido estava ficando difícil porque ele ainda sentia raiva do idiota do pub. – Você disse que estava com uma amiga, mas não a achamos em primeiro momento e você estava muito perturbada para continuar lá, então eu a levei pra fora – e a raiva foi diminuindo e dando lugar ao alivio porque Hermione estava o focando agora, a mão em sangue quase no chão. – Você não foi capaz de me dizer onde morava e estava tarde pra ficarmos na rua, a única saída que achei foi traze-la aqui e deixa-la dormir. Você precisava dormir.
Os olhos dela ainda permaneciam alarmados, mas não eram mais de pânico ou do mais puro medo e sim de surpresa e confusão. O silêncio perdurou até ela soltar o material que a cortava ainda mais e agarrar o pulso, ele se aproximou mais alguns centímetros, embora muito lentamente para não assustá-la.
– Você está bem? – Ronald voltou a questionar, preocupado com o fluxo interminável de sangue.
– Onde está Luna? – Foi o que Hermione disse, puxando a mão machucada contra o peito e a cobrindo com a outra.
Ron recuou mais um pouco, Hermione ainda não era um campo seguro a se entrar ainda.
– Ginevra, minha irmã, ficou encarregada de leva-la pra casa.
Mais silêncio. Hermione, parecia estar processando alguma coisa e o que quer que fosse parecia tender para o bem, porque a suas mãos começaram a desce até seu colo em desarme.
– Eu sinto muito... – ela disse por fim, quase num sussurro. A cabeça baixa, encarando o sangue.
– O-o-o que quer dizer? – Ron nunca havia gaguejado na vida, mas ele já não era o mesmo desde que a vira tão pequena e frágil daquele jeito. Deus! Que porra fizeram a essa menina?!
– O seu carpete... Está todo sujo de sangue.
Ele não fazia ideia que também prendia o ar desde o sinto muito, também não tinha conhecimento algum do porquê.
– Esqueça a porcaria do carpete – ele se pôs de pé devagar. – Fique aqui, vou pegar um quite de primeiro socorros e vamos estancar esse sangramento. Provavelmente teremos que ir ao hospital.
– Hospital? – Ela ergueu a cabeça para encará-lo.
– Você não gosta de hospitais?
– Hm... Não muito.
– Não se preocupe, estarei com você. Não vou deixar que a machuquem – e aquilo saiu com mais facilidade e emoção do que ele gostaria.
– Por quê? – Hermione se ouvindo questionando.
– Por que o que?
– Por que está me ajudando?
Ronald Weasley era um homem inteligente. Apesar de reservado e considerado um tanto rabugento e idiota na maior parte do tempo por aqueles que só conheciam sua vida acadêmica, ele ainda era o tipo de homem que poderia ter muitas respostas, em diversos sentido e áreas. Era um cara observador e que jamais estudou por obrigação e muito menos parou de estudar depois de sua formação. Ele, de fato, poderia ter todas as respostas se alguém duvidasse, ou quase todas.
Mas, naquele momento, ele não possuía nenhuma.
.:x:.
Costumava beber apenas leite e comer um biscoito de café da manhã, mas sua dor de cabeça ameaçava explodir seus miolos se não obtivesse uma xícara de café urgentemente. Não conhecia aquela cozinha, quer dizer, sabia a que residência pertencia, assim como sabia de quem era o sofá que dormira a noite todo, mas nunca havia estado ali antes. Abriu todos os armários de aço reluzente atrás do material que precisava, apertando os olhos a cada cinco minutos numa inútil tentativa de diminuir a dor.
– Sente-se no balcão, eu preparo um café pra você – disse a voz feminina ao entrar na cozinha, trajando um robe de seda rosa-bebê. A peça cobria todo o seu corpo com delicadeza, marcando cada curva com elegância. Mesmo com o cabelo amarrado em um coque alto e bagunçado e sua face ainda apresentasse as linhas do sono, Gina era bela. – Vamos, Potter, sente-se antes que se machuque. Você está horrível!
– Bom dia para você também, Weasley – Harry grunhiu, mas obedeceu.
Ele nunca se dera bem com ressaca, por isso quase nunca bebia além do seu limite. A noite anterior exigia a quebra de qualquer barreira como qualquer saída para o esquecimento. O resultado fora pior do que qualquer outra vez que acordara depois de beber até quase cair – que foram, em todo a sua vida, apenas três vezes, quatro com essa –, agora, além da dor de cabeça insuportável, ele tinha uma preocupação para lhe assombrar a cada vez que piscava.
– Você poderia ter me deixado em casa ontem – ele disse depois de um tempo.
Facilmente, Gina já tinha posto a agua para esquentar e separado pó de café o suficiente para duas pessoas. Agora cortava fatias de pão integral e os punha na torradeira. Cada movimento dela, embora simples, eram de uma elegância admirável.
– Você estava à beira de um coma alcoólico – Gina respondeu sem erguer o olhar para ele, estava concentrada demais em cortar as fatias igualmente – Ronald jamais me perdoaria se algo estivesse acontecido.
– Ron não a perdoaria, ou você não se perdoaria? – Harry ergueu uma sobrancelha. Era inevitável, mesmo com um desfile de carnaval acontecendo ao volume máximo na sua cabeça, ele não conseguia perder a chance de provoca-la.
Gina o fuzilou com o olhar por um momento, mas não disse nada. Arrumou as torradas em uma badeja de prata que veio de um dos armários do balcão. Mesmo com a respiração controlada e com a mãos sem oscilar um movimento, Harry quase podia ver a fumaça saindo dos ouvidos dela. Sua dor de cabeça diminuiu meio nível com o sorrisinho vitorioso que surgiu no canto dos lábios dele.
– Você não precisa fazer isso, sabia? – Ela disse depois de terminar de adicionar o pô de café a agua quente.
– O que? – Harry franziu o cenho, confuso por que de repente a raiva sumiu do rosto dela e deu lugar a linhas charmosas de preocupação e seriedade. – Do que você está falando?
– Estou dizendo que, tecnicamente, não é mais problema seu, entende? – Gina disse baixinho, rezando pra que ele não encontrasse nenhuma frieza na sua voz.
Ela não estava sendo fria, mas queria desesperadamente achar uma forma de livra-lo de mais aquilo. Não queria que ele pensasse que ela fosse uma megera sugerindo uma saída, melhor ainda, sugerindo a saída mais fácil. Mas era verdade, Cho não era mais problema dele, ela era uma adulta que já sabia se virar sozinha, não precisava de Harry como babá.
Harry a estudou por uns instante, Gina evitava seus olhos, se concentrando em coar o café e despejá-lo até um pouco menos da metade de duas canecas. Porém, mesmo sem encará-la, sabia exatamente o que ela queria dizer e com que sentimento o fazia. Estava preocupada, e em qualquer outra situação ele teria a provocado até deixa-la tão vermelha quanto o próprio cabelo, mas a situação era totalmente diferente.
– Se ponha no meu lugar, ruiva – ele sugeriu com seriedade, porém calma. Tomando em seguida um gole moderado de café quente, sua cabeça aliviando aos poucos ao passo que o líquido esquentava seu corpo.
Ela ainda não tinha feito isso, o que a surpreendeu: não tinha se posto no lugar dele. Mesmo assim ainda não achava que o problema fosse dele, mas não era esse o ponto. Harry jamais negaria ajuda a quem o pedisse e Cho tinha o feito. Gina conhecia Harry mais do que conhecia a si mesma e por isso poderia afirmar que ele jamais viraria as costas para quem estivesse precisando, mesmo que isso o destruísse.
Gina deu a volta no balcão e se acomodou no banco alto ao lado dele e puxou a bandeja de torradas quentinhas para o meio dos dois.
– Sinto muito – foi o que acabou por dizer. – Mas ainda assim me preocupa você no meio de tudo isso, porque ela pode estar muito bem usando você. Você não merece mais tempos infelizes.
E aquilo o surpreendeu, de tal forma que a caneca rodopiou sobre o próprio eixo no balcão quando ele a soltou no espanto.
Gina quis engolir as palavras no mesmo instante. Esperava que ele brigasse e gritasse com ela por acusar Cho de algo tão sério, mas Gina não seria ela mesma se não fosse sincera sobre o que achava. Mas Harry não engasgou por causa disso, na verdade ele mesmo já pensara na possibilidade, não era cego a ponto de não ver o que Cho era capaz de fazer, ainda que ela tivesse lhe mostrado exames e laudos que acusaram a anomalia, ele esperaria até a consulta com o médico de seu plano para ter segurança dos fatos. Tinha vivido com Cho o suficiente para saber que ela era capaz de qualquer coisa pela sua atenção, foi de fato um milagre universal ela ter assinado os papeis do divórcio. O que o fez perder o folego foi Gina ter dito diretamente que se preocupava. Poderia parecer bobagem de um adolescente cheio de hormônios, mas não era. Nunca ela havia sido tão direta nesse ponto. Veja bem, ela sempre se preocupava e ele sabia, assim como ele se preocupava com ela, mas nenhum dos dois tinha expressado isso sem usar o nome e a imagem de Ron. Sempre diziam um pro outro: “Ron não gostaria que você fizesse isso...”, “Ron ficaria chateado” ou “Você não quer deixa-lo mais perturbado”, quando na verdade queriam dizer: “Não acho que você deva fazer isso” ou um simples “Eu estou preocupado com você”.
Eram amigos afinal, deveria ser simples dizer isso um para o outro quando as coisas estivessem apertadas, mas não era. Harry e Gina cresceram praticamente juntos, mas nunca foram amigos. Eles sempre fizeram parte de um nível maior que amizade, embora menor que um casal. Era um meio termo agonizante onde os dois tinham certeza do que sentiam, mas o medo de tal sentimento os tinha separado e os levado a fazer idiotices a vida inteira.
Um telefone celular gritou em algum lugar da casa fazendo os dois perceberem que estava próximos demais a ponto de pularem dos bancos.
– Acho que é o meu celular – disse Gina com a voz rouca. – E-eu, vou me arrumar, levo você em casa pra fazer o mesmo e partimos pra universidade.
Harry não teve tempo nem de ensaiar um aceno de cabeça, já que sua voz se escondera em algum lugar, quando Gina voou pra fora da cozinha o deixando com o coração acelerado.
.:x:.
Estava sentado numa poltrona em frente a cama, observando o espetáculo rodeado de pensamentos. O sol banhava a pele nua adormecida em meio aos lençóis, suas curvas bem marcadas refletiam o sono tranquilo e cheio de paz, os cabelos loiros e bagunçados sobre as costas nuas expostas brilhavam radiantes e a face junto ao travesseiro transpassava os traços de felicidade pelas lembranças inconscientes da última noite.
Era um verdadeiro anjo aquele que estava descansado tão sensualmente na sua cama e mesmo que seu corpo transpirasse um calor acolhedor, ainda sim era um tormento profundo observá-la.
Com um telefone em mãos, Draco discou o número e levou o aparelho até o ouvido, em nenhum momento ele tirou os olhos da bela Luna dormindo na sua cama.
– Alô? – uma voz preguiçosa murmurou no outro lado da linha.
– Não vou mais fazer isso! – rosnou Draco, baixo o bastante para não incomodar Luna.
– Do que você está falando? Pelo amor de Deus, Draco! São seis da manhã e eu nem tenho aula hoje!
– Pro inferno com seu sono! Eu não vou mais fazer isso!
Um longo silêncio se fez do outro lado, até que um suspiro presunçoso surgiu.
– Escuta aqui, seu mauricinho! Você nunca levantou um dedo pra nada nessa irmandade e agora nós só te damos uma tarefa, uma única tarefa, e você tá amarelando?
– Então me dê um motivo pra fazer isso, um único motivo pra fazer isso com essa garota incrível?! – E na mesma hora, Draco quis engolir as últimas palavras.
– Você dormiu com ela, não foi?
– Isso não é da porra da sua conta!
– Talvez não, mas os garotos vão adorar provar daquilo que amarrou Draco Malfoy!
– Não ouse... – A mão de Draco tremia ao segurar o celular, se continuasse gritaria e não queria acordar Luna, não sem antes terminar o telefonema. Fechou os olhos e tomou bastante ar.
– Será que ela vale tanto a pena assim, Malfoy? Vale o esforço?
– Ele vai acabar descobrindo de um jeito ou de outro!
– Mas se isso acontecer agora, você não termina sua querida faculdade. Será deserdado e ficará sem dinheiro. Será que o rabinho quente dela vale tanto assim?
– Por que ela?
– Quando você parar de babar talvez eu te conte, agora desligue essa merda e me deixe dormir!
– Eu vou continuar com isso, mas escute aqui, Parkinson! Quando eu pôr as mãos em você é melhor me dar um motivo, ou a palhaçada vai acabar! Estou me fodendo pro meu pai, entendeu?
– Sim, amorzinho, eu entendi. Lhe darei um bom motivo e pode ter certeza que mais prazer do que ela quando suas mãozinhas tocarem em mim.
E então o outro lado da linha ficou mudo.
Luna se mexeu na cama, em eminência de despertar. Cada movimento era preguiçoso, mas tão incrivelmente sexy e igualmente delicado que Draco quase esqueceu da conversa que acabara de ter ao telefone... Mas ainda assim ela estava lá.
Os dois tinham saído do pub na madrugada sem rumo, até que ele ofereceu o seu apartamento e ela simplesmente disse um sim meio bêbado e o seguiu. Terminaram na cama dele e seu corpo esquentava só de lembrar o quão incrível ela tinha sido desde aí, ela era uma deusa. Jamais diria que por de trás daquele aspecto delicado e inocente, houvesse a mulher mais quente e sexy que já conhecera. Deus, aquilo estava o matando, porque ele estava indo destruí-la e não cuidar dela como mandava o figurino, não iria construir um relacionamento com ela – o primeiro em sua vida – como desejava, estava ali para iludi-la depois descarta-la. Era a primeira vez em toda a sua vida chata que ele se interessava por alguém e não podia tê-la.
Por um momento naquela manhã, enquanto a observava despertar, ele se questionou se valia a pena jogar toda a merda da mentira que contava pro pai para o alto.
Luna abraçou o travesseiro e deu um longo bocejo, se mexendo como uma gatinha entre os macios lençóis ao seu redor, quando ela abriu os olhos Draco a encarou e esperou pelo chilique, pelos gritos de confusão e arrependimento. Ele estava acostumado com as mulheres fazendo isso toda hora, mas estranhamente sentia um medo daquilo se repetir com Luna, dela lhe xingar por usá-la, a ideia lhe atormentou como nenhuma outra. Mas era inevitável não era? Ela mesmo disse que não era dessas de uma noite só, não foi?
Ele não queria que fosse e não por causa do plano, era simplesmente porque ele queria que durasse.
Luna terminou por fechar os olhos e dá uma gargalhada. Aquilo pegou Draco desarmado, não era o que ela esperava. Não esperava que ela risse dele... Não, ela não parecia rir dele... Parecia rir de si mesma.
– O-o que? – Ele tentou dizer.
– Meu Deus, eu sou uma vadia não sou? – Ela riu.
– D-do que está f-falando? – Ele se ajeitou na cadeira, se inclinando pra frente. O corpo de Luna tremia pelo riso.
– Eu quase fiz um escândalo na biblioteca pra lhe garantir que não era uma moça de ums noite só, agora veja eu aqui... – Ela riu encarando o próprio corpo, seu sorriso congelou, depois ela se voltou pra Draco. – Deus! Eu dormir com você! Sou uma hipócrita!
– É isso que te incomoda? – Draco franziu o cenho, muito confuso. – Tipo, não vai fazer escândalo comigo?
– E por que eu faria? Eu não estava tão bêbada assim para não lembrar de nada.
Ao se sentar inabalável e sem se cobrir, os seios firmes de Luna, agora expostos a luz do sol, causou um efeito na obra de arte que Draco não pode evitar em admirar: Ela era linda, perfeita da forma que veio ao mundo, sem nenhum pano, nem tinta, sem nada, ela era magnifica.
Sem perceber, Luna se viu se deliciando com a expressão de desejo que tomou o rosto de Draco. Por incrível que pareça, ela não teve o instinto de se cobrir com o primeiro pano que viu pela frente, ela simplesmente fico ali sob o calor dos olhos dele se sentindo a mulher mais poderosa do mundo. Não que ela já não se sentisse assim todos os dias, mas um olhar daqueles depois da primeira noite de sexo mais incrível de sua vida tinha seu charme.
– Você não me disse que era virgem – ele disse depois de um tempo, ainda sentado na poltrona, a encarando.
– Não achei uma oportunidade – ela lhe mostrou um meio sorriso. Nunca tinha se envergonhado do fato de ainda continuar virgem quase no fim da faculdade, mas a verdade é que ela nunca se interessou por ninguém de verdade e por mais que achasse que pra essas coisas se levava tempo para se conhecer e criar confiança, com Draco havia sido diferente, ela simplesmente soube que deveria viver aquela noite como se fosse a última.
– Houve várias – ele lhe lembrou calmo. – Não era pra ter acontecido desse jeito.
– Está me vendo reclamar? – Foi a melhor noite da minha vida, pensou em acrescentar, mas Draco parecia estranhamente preocupado, decidiu não arriscar.
– Estávamos bêbados. Você é o tipo de garota que merece tudo planejado, nos mínimos detalhes, com alguém que ame você.
– E quem aqui está dizendo que eu não gostei?! Além do mais, coisas planejadas não tem a menor graça... Tudo bem, podemos até não sermos o amor da vida um do outro e daqui a meia hora nem nos falemos mais, mas você não pode me dizer que minha primeira vez foi um lixo. Eu não achei, então assunto encerrado.
Draco Malfoy estava de queixo caído. Ficou tão perplexo com a simplicidade e sinceridade da declaração de Luna que não pode se mexer enquanto ela andava tranquilamente nua pelo quarto atrás de suas próprias roupas. Foi só então quando ela se abaixou na sua frente para pegar o próprio vestido que disse algo que o despertou do choque.
– E a propósito – disse ela – deixe de usar esse termo: “tipo de garota” comigo. Eu não faço parte nem de um grupo nem de outro, sou apenas eu, Luna Lovegood.
Draco nem se viu avançando sobre ela e a prendendo nos braços, os rostos quase colados um nos outros, as respirações de repente bastante aceleradas. Ele só se viu dizendo alguma coisa parecida com “Você é minha Luna” e a arrastando para cama logo em seguida durante um beijo apaixonado de tirar o folego de qualquer ser humano.
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