Notas iniciais
Oie, leitores. Quero pedir desculpas pela demora, tanto por essa fanfic quanto pela outra (Scorpius & Rose) que receio que ainda possa demorar um pouco a ser atualizada. Aproveitem o capitulo e bjs!

Entre Eles

Capitulo IV – Eles

Desde pequena, Hermione Granger aprendeu a se virar sozinha, mas não por falta de dinheiro ou coisa parecida, ela sempre foi uma garota que teve tudo do bom e do melhor na mesa, porém, faltava-lhe o quesito mais importante: o amor. Hermione é a mais nova de dois filhos de um casal de dentistas altamente ligado ao trabalho.

Quando nasceu, primeiro a mostrar problemas com sua presença foi seu irmão, Edgar, sete anos mais velho que ela. Ainda crianças, até dentes de leite foram arrancados antes do tempo da sua boca por acidentes domésticos que se envolvia por culpa do irmão, ele chegou a forçar a mão da garotinha contra o ventilador ligado quando ela tinha apenas três anos, foram meses para os seus dedinhos se curarem. Os pais nunca desconfiaram de nada, já que não tinham babá e Hermione, uma menininha, nunca tinha voz de defesa quando seu irmão a acusava de se uma monstrinha, alegando que ela mesma se machucava por danação.

Quando completou sete anos, ela finalmente decidiu se rebelar e entregar o que Edgar aprontava para ela, mas com a lábia e poder de persuasão que o irmão possuía seus pais nunca acreditaram nela. Edgar estava sempre como vitima — “Era um irmão esforçado”, “Que cuida muito bem da irmã”, “Hermione é que tem o gênio difícil”, “Hermione tem tudo e vive a reclamar”, “Seu irmão é um santo, siga seus exemplos”.

Aos 14, as coisas só pioraram. Com uma expressão de prazer, Edgar submetia a própria irmã a coisas horríveis e para garantir que ela as fariam sem nunca falar nada a ninguém, as ameaças foram as piores possíveis. Seus pais chegaram a interna-la por influencias do filho mais velho.

Foram anos e anos sofrendo calada e frustrada por não saber de onde vinha esse ódio absurdo que o próprio irmão tinha por ela. Quando completou 18 anos houve uma briga entre a família, Hermione implorava que seus pais acreditassem no seu depoimento, mas, como se estivessem hipnotizados, sempre intersediam para o lado de Edgar. A confusão foi tão grande que ela foi expulsa de casa, porém, mesmo triste e desacreditada, Hermione encontrou sua libertação.

Sem pensar duas vezes foi atrás da sua emancipação, pegando tudo que era seu por direito e fugindo da Austrália antes que a impedissem. Nenhum de seus parentes sabe seu atual endereço ou que ela está em Londres. Para os familiares, Hermione havia sumido do mapa desaparecido, virado pó na penumbra. Pelo menos era assim que ela esperava que estivesse, era para que continuassem assim que ela rezava todas as manhãs ao acordar. E especialmente naquela manhã que sucedeu o fracasso que foi seu “encontro” com o Prof. Potter.

Depois de tudo que sofreu dentro da própria casa, ela fez a si mesma uma única promessa antes de começar uma vida nova: a que jamais se submeteria a nenhum tipo de humilhação.

A confusão da noite passada havia lhe deixado um pouco desligada naquela manhã, completamente perdida dentro da própria cabeça. Estava lutando para que as lembranças não a atormentassem no mesmo passo que lamentava por ele ser tudo que ela queria evitar. No fundo ela sabia que por trás daquela armadura de durão, o Professor Ronald Weasley escondia algo que talvez fosse bom. Sabia que não sentia raiva dele pelo o que houve, o ruivo estava visivelmente bêbado e fora de si, algo o atormentava. Na verdade, algo sempre parecia atormentá-lo, mas o que?

Essa curiosidade de Hermione é que não a deixava ir naquela manhã mesmo na universidade para cancelar sua matricula ou transferir seu curso para outra instituição. E não era só isso, ela sabia muito bem, só não havia necessidade de admitir. Nunca se iludiu com nenhum brinquedo ou personagem animado quando criança, não seria agora que começaria, ainda mais por uma coisa que o universo repetisse tantas vezes que era errado possuir.

Dust In The Wind ecoou pelo quarto arrancando a morena dos seus devaneios um tanto confusos. Ela alcançou o aparelho na mesa de cabeceira, analisando a tela e as letras brancas que dizia: “Número Não Identificado”. Ponderou um pouco sobre atender ou não a ligação. Escolheu por atender e se arrependeu amargamente assim que reconheceu a voz do outro lado.

– Olá coelhinha, sentiu saudades?

.:x:.

Um sábado ensolarado como aquele não poderia ser ignorado de forma alguma, com certeza era uma ocasião perfeita para um passeio no parque. A loirinha até pensou em chamar a amiga, mas como não viu a hora em que ela chegou ontem, imaginou que estivesse de ressaca e não queria incomodá-la. Iria sozinha, sem problemas.

Luna pegou o elevador com um vestido de verão e sapatilhas vermelhas para aproveitar aquela manhã no parque arborizado que ficava em frente ao seu prédio. Não demorou muito para ela estar no interior do ambiente, caminhando de olhos fechados, tentando sentir ao máximo a brisa macia e o cheiro de folhas verdinhas que acariciava suas narinas. Sentou-se debaixo de uma árvore e ficou observando o movimento, um pouco surpresa por encontrar poucas famílias passeando com seus filhos naquele sábado maravilhoso.

Lembrou-se de quando passeava ali com o pai e a saudade lhe apertou fortemente o peito. O Sr. Lovegood que dedicou todo a sua atenção a filha depois que a mãe morreu. Era um homem bem sucedido, dono e fundador de um dos grandes jornais de Londres, O Pasquim, que oferece ótimas informações sobre os mais diversos assuntos. Infelizmente veio a óbito depois de um câncer no pulmão, deixando seu império para a única filha.

Atualmente, Luna cursava duas graduações na universidade, História e Jornalismo. Sua empresa já tinha uma equipe responsável e preparada para dirigir tudo até que ela estivesse pronta, por isso ela poderia se dar ao luxo de fazer esses passeios descontraídos sem preocupação alguma.

Como sempre morou com uma companhia muito agradável como a do seu pai, foi ainda mais difícil superar a morte dele quando se viu tendo que morar sozinha naquele apartamento enorme. Para sua sorte Hermione, uma garota nova, não tinha lugar para ficar naquela cidade grande e desde que a viu colando anúncios sobre divisão de aluguel em vários murais do campus foi muito com sua cara. Não se enganou em trazer a morena pro seu apartamento, logo as duas viraram melhores amigas e não há segredo nenhum entre elas, nada abala a paz de ambas, pelo contrário, as duas fariam qualquer coisa uma pela outra e estavam mais que felizes em terminarem a faculdade juntas – pelo menos a de História.

– Posso sentar? – uma voz grave quis saber trazendo Luna para a realidade. A loirinha olhou rapidamente para cima com curiosidade e se espantou com quem encontrou.

– Draco?!

– Meu nome!

– O que faz aqui?

– Vim passear, como qualquer outra pessoa.

– Tem certeza?

– Bom... Acho que sim, ué! Por que o espanto? – Draco se fez de ofendido.

– Não sei! Talvez porque seja mais provável que você esteja me seguindo.

– Pirou de vez, garota? Eu lá tenho tempo pra seguir alguém?

– Mas tem tempo pra passear. – Luna ergueu a sobrancelha, aquilo não era uma pergunta.

– Posso sentar ou não?

– Fique a vontade.

De bom grado Draco sentou-se ao lado de Luna, com uma distancia equivalente a uma pessoa entre eles. Riu pelo nariz antes de voltar a falar.

– Então, o que faz aqui? Poderia estar dormindo não acha, é sábado de manhã.

– Sabe que essa mesma dúvida me assombra sobre você. – ela se virou para ele – Um típico estereotipado de universitário popular deveria estar no sétimo sono uma hora dessas, as sextas-feiras costumam ser excitantes para você, imagino.

– Ah, Luna! Dei-me algum crédito, eu não sou esse cretino que todo mundo pinta.

– Quem falou para você que fico ouvindo fofocas, ainda mais sobre você? O que eu acabei de dizer não é, nada mais nada menos, que a visão que eu tenho sua – o ar de Luna era divertido – Ou vai me negar que preferia estar dormindo agora?

– Bem, eu preferia estar dormindo mesmo...

– Então por que está me seguindo?

Draco balançou a cabeça com um sorriso tímido, mas ainda maroto. Luna nem precisou piscar em acusa-lo, ela já estava certa mesmo.

– Só preciso confirmar se sairemos mesmo hoje a noite – foi o que ele respondeu.

– Isso parece coisa de psicopata – a loirinha riu um pouco – Você sabia que celulares existem?

– Não zombe de mim, Lovegood...

– Não estou zombando. Estou um tanto surpresa e intrigada por de repente eu ter ficado interessante ou artigo curioso aos seus olhos.

Foi só uma brincadeira de Luna, mas estranhamente aquela sua ultima fala tinha pegado Draco de surpresa. Ele lembrou-se da aposta/acordo que tinha feito com os “amigos” e olhando para Luna ali, tão sorridente e simpática, ele se questionou se valia a pena. Luna não parecia ser alguém capaz de fazer mal a alguém e era de longe uma garota que não merecia sofrer algum mal, principalmente da forma que ele faria.

.:x:.

Sua cabeça latejava de tanta dor, o quarto parecia estar cheio de baterias tocando em ritmos descontrolados. Qualquer posição na cama era insuportavelmente desconfortável. Nenhum remédio fazia efeito, a ressaca o pegara de jeito.

Tentou levantar-se para beber água, ir ao banheiro ou até mesmo abrir a porta quando teve a impressão de que alguém a batia, mas sua cabeça pesava toneladas, o melhor seria continuar debaixo das cobertas na penumbra constante do quarto, mesmo com centenas de fantasmas rondando sua cama trazendo memórias indesejadas que só pioravam cada vez mais sua dor.

Ronald Weasley desejava mais que tudo que nunca tivesse experimentado uma gota de álcool na vida.

.:x:.

– Não sabe o quanto fico grato por ter aceitado esse convite – o professor Potter sorria agradecendo a Gina enquanto os dois sentavam-se em uma mesa redonda em um dos cafés de Londres.

– Vim porque você disse que precisava falar algo comigo e porque não há nada de interessante na minha geladeira para uma manhã de sábado. – ela forçou um sorriso de volta.

– Você poderia ser mais simpática, não acha? Principalmente em belos dias como esse.

– Sou uma mulher muito simpática, professor Potter, mas como tudo nesta vida, há exceções.

– Posso saber por que logo eu sou essa exceção? Ou melhor, por que eu não sou merecedor da sua simpatia?

Gina abriu a boca para responder, mas não o fez por interrupção de um garçom sugerindo que pedissem. Harry não demorou a decidir que queria um capuchino e torradas, enquanto Gina optava apenas por um suco de laranja e uma salada de frutas.

– Então, o que queria falar comigo? – a ruiva tornou a falar quando o garçom se retirou.

– Ah, sim! Não consigo falar com seu irmão desde ontem à noite. Liguei uma porção de vezes, fui ao apartamento dele antes de vir para cá, mas nenhuma resposta. Estou ficando preocupado, por isso imagino que você possa me ajudar, você tem uma copia da chave do apartamento dele não é?

– Tenho sim... Mas o que houve? Me parece que não é só isso.

– E não é mesmo – Harry engoliu em seco, ponderando se contaria ou não o que houve na noite passada.

– Vamos, Potter! Não me enrole, o que houve?

– Você deve saber que saímos ontem, não é? – ele conferiu e continuou depois que ela assentiu – Pois bem, houve problemas... Eu convidei mais alguém para sair conosco, alguém que também precisava de algumas bebidas e até ai tudo bem, o caso é que Ronald não foi muito com a cara dela...

– Ela, Potter? – Gina o interrompeu erguendo a sobrancelha. – Vai me contar quem você levou para conhecer meu irmão?

– Quem disse que foi pra conhecê-lo? É só uma aluna, ficou maluca?

– Aluna, Harry Potter?! – Agora a face da ruiva tinha ficado da cor dos seus cabelos. – Quem ficou maluco foi você! Não sabe o quanto as regras da faculdade são rígidas?!

– O que estou tentando dizer pra você, Ginevra?! Eu só a chamei porque ela parecia mal e precisava de uma bebida, não houve nenhuma segunda intenção. Deus me livre!

– Mesmo assim, seu sem noção! Ela é uma aluna, se isso cai na boca do reitor vocês estão perdidos!

– Você não entende que eu só quero amizade com essa garota!

– Não me importa o que você quer ou não com ela, só estou tentando lhe alertar sobre a sua carreira.

– Bom, eu agradeço, mas não precisa, okey? Estamos fugindo do assunto que lhe trouxe aqui, podemos voltar?

O garçom havia retornado naquele momento com os pedidos. Depois de serem servidos e o garçom se retirar, Gina assentiu para Harry para que ele continuasse.

– Se você esta preocupada com a minha carreira, esqueça, seu irmão está em piores lençóis. – Ele fez uma pausa para um gole no café. – Eu não vejo problema algum em ter levado Hermione para sair, o problema é que eu não sabia que seu irmão sente algo por ela, algo que o deixa descontrolado até dentro da própria sala de aula.

– O que você está me dizendo? – Gina quase cuspiu o suco – Isso é impossível!

– É o que ele diz também, mas acredite em mim, Gina; ele está se apaixonando.

Ela ficou um pouco perdida com aquela revelação. Sentia um misto de surpresa, felicidade e preocupação.

– Seria ótimo se o alvo em questão não fosse uma estudante – ela gaguejou um pouco – Hermione é o nome dela?

– Sim e é o que penso também... E talvez não devêssemos deixar que ele se interessasse mais a um ponto de não ter volta, mas...

– É claro que não pode acontecer! É contra as regras!

– Pense bem, Gina! – Harry se inclinou um pouco mais sobre a mesa – Depois do acidente ele se condenou a uma vida de infelicidades, agora pode ser a chance dele de recomeçar.

– Você está sugerindo que o ajudemos com essa garota? Harry, pelo amor de Deus, é muita loucura! E a carreira dos dois? Se a universidade descobrir estarão perdidos.

– Que se danem essas regras, estamos falando de algo mais importante. Estamos falando do Ron, aquele que sempre nos contava piadas, aquele que sempre saia com a gente, aquele que sorria, Gina! Aquele Ron que não conseguimos ver há uma década!

– Tá, tá, tá! Mas e se essa garota não gostar dele? E você ainda não me contou o que aconteceu no pub.

– Bom, talvez tenhamos um problema. Ele a xingou ontem, ficou descontrolado, não disse nada com nada, estava completamente bêbado... Mas senti que ela ficou muito mais chateada do que deveria. Sem contar que o motivo de eu tê-la chamado para um pub foi que ela estava muito mexida com uma briga que teve com ele na sala na manhã passada.

– Então era por isso que ele estava tão alterado antes de ontem? – Gina franziu as sobrancelhas.

– Bingo! – Harry piscou.

– Tem certeza que isso pode funcionar?

– Pense nele, Gina. Vai dar certo.

– E a reitoria? – Ela ainda estava preocupada.

– Vamos focar primeiro neles, depois na reitoria, tudo bem?

Ela não respondeu, apenas se voltou para o seu suco e para sua salada de frutas, precisava pensar mais um pouco sobre aquela ideia um tanto mal formada e cheia de perigos. Harry recebeu o sinal e também se concentrou no seu café, esperando pacientemente pela resposta.

Notas finais
E ai, pessoas? O que acharam? Comentários, please!