Entre Eles

3 II - Estresses


Notas iniciais
Oie galera, mais um cap para vocês e agradeceriam se comentasse, é muito importante isso pra mim no começo e sempre, okey? Bjs, boa leitura e até a próxima.

Entre Eles: II — Estresses

Dust In The Wind* ecoou pela milésima vez no banheiro feminino do terceiro andar. O celular vibrava largado em cima da pia de mármore ao passo que o refrão da música se repetia. Agoniada e desistindo de ignorar as ligações, a morena tomou uma iniciativa, saiu da cabine em que estava e alcançou o aparelho. Pensou em jogá-lo contra parede, mas o identificador de chamadas não permitiu.

– O que você quer? – perguntou ao atender a ligação.

– Onde você se meteu garota?! – a voz do outro lado chamou desesperada – A sala está uma bagunça! Você mal se retirou que ele sumiu furioso logo em seguida!

– Era só isso?

– Claro que não! Onde você está? Você esta bem? Poxa! Você não está chorando, está? Pelo amor de Vênus, ele não merece nenhum por cento do sódio que sair dos seus olhos!

– São muitas perguntas, Luna... Mas eu estou bem, só preciso ficar um pouco sozinha.

– Tá, tá. Mas não demore para aparecer. Você não pode perder as aulas só por causa daquela impertinência absurda, Hermione!

– Eu sei, eu sei... Eu só queria me concentrar. Só preciso de alguns minutos.

– Eu entendo, acredite, mas por favor, assim que der, me ligue! Quinze minutos e nada mais... Se não eu vou atrás de você! E alias, onde você está?

– Nos vemos no almoço, Lovegood.

Hermione desligou o celular no meio de mais uma frase histérica e inconformada de Luna. Olhou ao redor e apesar de ver o que tinha feito com o banheiro, não se surpreendeu. Apenas agradeceu por nenhuma menina gostar daquele banheiro, por motivos ainda não aparentes. Havia coisas suas por todos os lados, a raiva tinha sido tão grande que seus colapsos bateram o limite. Demorou um pouco para se dar conta que tinha que devolver seus pertencer a sua mochila, alcançou a mesma largada perto da porta de entrada e saiu cantando suas coisas.

O estojo com canetas estava aberto em uma das pias, a nécessaire com maquiagem perdida debaixo delas e os cadernos e livros jogados perto dos boxes. Foi recolhendo tudo devagar até finalmente devolver tudo a mochila. Ficou perplexa como tinha se deixado ir longe demais dessa vez. Desde que tinha chegado em Londres, nenhum episódio como esse havia acontecido e o que mais lhe intrigava era que um professorzinho qualquer tinha lhe tirado do sério com tanta facilidade nos últimos meses. O ápice da impertinência havia acontecido naquela manhã, quando ela se deu conta que ele estava olhando para o seu corpo.

– Como ele ousa?! – questionou pra si mesma.

Sabia que não estava com raiva e indignada só por causa disso, mas também estava incrédula com si mesma por se importar com o que Ronald Weasley faz ou deixa de fazer sendo insuportável como sempre é.

Saiu do banheiro feminino ainda bufando, andando apressadamente sem olhar pra onde ia, deixando pra trás apenas uma coisa, o livro de história enfiando o quanto possível no vaso sanitário.

.:x:.

O moreno andava tranquilamente por entre os corredores da faculdade com um grande copo térmico cheio de café na mão. Sua primeira aula tinha sido, como sempre, empolgante, porém exaustiva, especialmente quando se tinha que encontrar a Srta. Weasley logo depois. Mais um pouco de café não lhe faria mal e o manteria mais acordado e ativo, depois de mais uma longa noite acordado pensando em problemas e mais problemas. E com a cabeça tão cheia, ele não esperava que uma morena aparecesse do nada e esbarrasse com ele tão fortemente que levasse os dois ao chão.

Por sorte, o copo de café não caiu sobre nenhum dos dois, mas o liquido não perdeu a oportunidade de sujar um pouco ao lado deles. Harry tentou assimilar a situação, pois por um momento ele não sabia onde estava, até ver uma aluna muito nervosa e vermelha a sua frente.

– Desculpe, desculpe, desculpe, Sr. Potter – ela pedia tentando se por de pé, mas o fleche de sua mochila tinha se aberto e coisas estavam espalhadas por todo o canto.

– Ei, acalme-se! Essas coisas acontecem... Sinto apenas pelo meu café, estava uma delicia – ele sorriu com simpatia ajudando ela com a bagunça dos seus pertences.

– Oh, me perdoe. Eu posso pagar outro se o senhor quiser – Hermione suplicou ainda mais nervosa enfiando tudo o mais rápido na mochila, dando um pulo pra se levantar em seguida.

– Por favor, não se preocupe. Foi só um acidente – ele insistiu. – Você é a Granger, estou certo?

– Sim senhor, Hermione Granger – disse ela estendendo a mão.

Harry a apertou e sorriu para a garota. Quando seus olhos encontraram com o dela, uma coisa nova surgiu dentro dele da qual não tinha ideia de onde vinha nem como explicar o que era. Viu na menina uma expressão triste e decepcionada e uma preocupação o invadiu de imediato também.

– Você não parece bem, senhorita – Harry observou.

– Está tudo bem comigo, senhor Potter, obrigada – Hermione mentiu corando ainda mais.

Harry não se convenceu, mas não havia porque insistir, afinal ele mal conhecia a garota. Porém, isso não o impediria de tentar ver um sorriso sincero dos lábios dela até o fim do dia.

– Você sabe onde fica o Pin-Up? – ele perguntou.

– Um barzinho no centro da cidade? – ela franziu as sobrancelhas.

– Esse mesmo! Pegue um táxi e chegue lá as 20h em ponto, eu pago. Esteja lá, você vai gostar.

– Mas professor... Eu.. É... – Hermione se viu no meio de uma grande confusão mental diante aquela pergunta inesperada – Eu... Eu não entendo. Isso é permitido?

– Ah! Não se preocupe com o regulamento, sairemos como bons amigos. Você precisa de uma bebida. Só esteja lá, okey?

E dando o assunto por encerrado ele se virou maroto e se mandou pelo corredor, deixando Hermione pasma congelada no mesmo lugar.

.:x:.

– Ronald! Você precisa sair! Chame aquele imprestável do Potter e vão tomar umas cervejas em um pub qualquer de Londres! – Gina sugeriu com as mãos na cintura. Olhava perplexa para o irmão, sentado no fundo do sofá dos professores com a cabeça entre as mãos.

– Eu me descontrolei na frente da minha turma! Meu Deus, o que diabos aconteceu? – ele perguntava rangendo os dentes.

– Se você não sabe, eu que vou saber? O que eu acho é que você precisa de uma bebida!

– Foda-se o álcool, Ginevra!

– Não me chame assim, eu já falei! Você veio atrás da minha ajuda, mas se sua intenção é me fazer de saco de pancada com sua ignorância, vá se fuder você!

– Gina...

Mas não adiantou, a ruiva já se retirava da sala com fumaça saindo dos ouvidos, deixando o irmão atordoado e sozinho.

Ele achava que não seria capaz, não seria capaz de nada, de sentir nada. Mas estava errado, terrivelmente errado e não queria enxergar isso, só de pensar sua cabeça doía, seu corpo doía e os pontos em seu coração arrebentavam. O que ela tinha demais? Era só uma aluna do superior, como qualquer outra, era só mais uma pessoa que obrigatoriamente teria que lhe dar no dia-a-dia. Onde ela se destacava? Meu Deus! O que diabos ele estava vendo nela? Por que ela estava fazendo isso com ele? Por que ELE estava fazendo isso com ele?

O pior não era nem o fato de um professor, que há anos construiu uma reputação fria, mas competente, estar se despedaçando lentamente. O pior era o fato dele estar se despedaçando sem motivo, sem querer assumir que sabia as respostas de todas aquelas perguntas que atormentavam sua cabeça. Porque a dor faz isso com as pessoas, ela as deixa cegas, sem rumo... Com medo de encontrá-la, sem saber que já estão com ela, porque essa é a dor, a dor de um coração que nunca se permitiu a cura.

.:x:.

– Tem alguém sentado aqui? – o loiro perguntou já se sentando na cadeira vazia a frente de Luna.

– Agora tem – ela respondeu desconfiada – Mas essa cadeira esperava outra pessoa e não você.

– Eu vou ser rápido, não se preocupe, tudo bem? – Draco perguntou com um canto do lábio elevado.

– Okey... – Luna respondeu confusa.

– Você aceitaria sair comigo?

– Oi?

– Amanhã, é só me dar seu endereço e eu te pego depois da 19h.

– E é logo assim? – Luna não pode deixar de rir em deboche, acomodou-se melhor na cadeira de plástico, decidindo se entrava ou não na brincadeira – Você pelo menos sabe o meu nome?

– Luna Lovegood – Draco respondeu prontamente, sorrindo vitorioso – Cursa História e Literatura, que na minha opinião é muita coisa para uma garota como você.

– O que você quer dizer com “uma garota como você”? – ela ergueu a sobrancelha – Não é porque você sabe meu nome que me conhece... Afinal, quem é você?

– Isso é confidencial, por hora... Mas então, vai aceitar o convite ou não?

Luna sorriu involuntariamente para aquele maluco na sua frente, sabia que não negaria o convite, mesmo que não o conhecesse, mas fez uma ótima cara de paisagem, rindo por dentro da ansiedade que crescia cada vez mais nos olhos acinzentados dele.

De longe, os dois eram observados por grandes, curiosos e venenosos pares de olhos. Gravavam tudo da conversa, como os sorrisos; os olhares; tudo. E se divertiam perdidamente com aquilo, a ingenuidade de Luna causava a eles cosquinhas na barriga. Tiveram o contentamento quando a viram anotar algo em um pedaço de papel e entregar a Draco, ela com certeza aceitara o convite.

Estavam satisfeitos por hora.

.:x:.

Ao entrar na sala dos professores atrás de um novo copo de café, ele não esperava encontrar o melhor amigo em uma situação tão delicada. Ronald andava de um lado para o outro arrancando os cabelos, o brilho no rosto indicava que ele suava e ao se aproximar se pondo na frente do ruivo, Harry levou as costas da mão a testa do mesmo e sentiu seu suor frio.

– Você tomou seus remédios, não tomou? – perguntou o moreno preocupado.

– Quem liga para aquelas drogas? Não estão me ajudando em nada! – Ronald respondeu desviando o caminho e voltando a andar de um lado para o outro.

– Ron! Não faça isso consigo mesmo! É suicídio! – Harry o repreendeu.

– Suicídio? Como se mata alguém que já morreu, James?

– Não fale asneiras! Pense na sua irmã, na sua mãe, na sua família... Foi por eles que você decidiu continuar, não pode desistir agora.

– Eles? – Ron se virou para o amigo perplexo – Eu só os decepciono. Perdi o controle na minha aula, Harry, na minha aula! E a quem eu descontei?! Gina, coitada, ela não merece isso!

– Você quer parar um pouco e me contar o que aconteceu? – o moreno se cansou e sentou-se no sofá de couro barato que a universidade se preocupou em arranjar para decorar aquela sala.

Rony não conseguia parar, sua cabeça estava muito perturbada para se manter em um lugar só. Preferiu por continuar andando, mas falaria mesmo assim, precisava conversar com alguém de qualquer forma.

– Eu perdi a cabeça com uma aluna hoje... Eu perdi a cabeça na frente de uma turma inteira! Fui indiscreto, eu a constrangi e eu gostei daquilo, mas depois odiei... Odiei a mim e a ela – ele tentava falar, mas tudo saia muito rápido.

– Ron, essas coisas acontecem – Harry foi paciente.

– Não! Não acontecem! Ela tinha que estar vestida daquele jeito?! Estava tão apertada, eu nunca senti tanta raiva ao ver o quanto aqueles virgens idiotas olhavam pra ela...

– Opa! Opa! Opa! Ronald Weasley, você estar me dizendo que esta tendo um caso com uma aluna?! Francamente! Depois de todo esse tempo você decide recomeçar quebrando as regras? Se a reitoria descobrir, você vai ser demitido e a carreira dela fudida antes mesmo dela pensar em começar uma!!!

– Você ficou maluco?! Claro que não! Eu nem mesmo gosto dela... Eu nunca senti nada depois daquilo, Harry. Eu prometi! Eu não quero e nem posso!

Harry massageou as têmporas com os mindinhos, Rony nunca tinha ficado tão complicado.

– Escute – ele disse ainda circulando a cabeça usando os mindinhos – Eu, mais do que ninguém, quero que você arranje uma pessoa pra recomeçar. E não me venha com essa história de que prometeu e que não pode mais viver, estou pouco me lixando pra isso tudo. Você tem que viver, Ron! Mas comece uma história sem obstáculos, você não merece sofrer mais e se levar isso tudo adiante, não sei o que pode acontecer.

As palavras demoraram na cabeça de Ron e estabilizaram sua mente. O ruivo sentou-se numa poltrona próxima e encostando a cabeça em um dos ombros, fechou os olhos e respirou fundo.

– Eu não tenho nada com ninguém, Harry... Mas ela surgiu e eu não sei o que está acontecendo comigo, faz tanto, tanto tempo que eu não sentia algo como isso... E eu sei que é insano. Eu só queria poder esquecer... Esquecer de tudo, porque tudo está voltando pra minha cabeça, como tiros. Já faz um tempo e eu acho que estou enlouquecendo. Devagar, mas estou.

– Quando parou de tomar seus remédios? – Harry perguntou sereno.

– Já faz um tempo também – Ronald respondeu derrotado.

– Vamos fazer o seguinte, vamos a um pub hoje, okey? Descontrair um pouco, eu convidei uma amiga e acho que vamos nos divertir...

– Mas e a medicação? – o ruivo abriu os olhos, arregalando-os, não esperava que o amigo o influenciasse a beber, logo Harry que sempre foi o mais cuidadoso do que ele mesmo na questão da própria medicação.

– Amanhã, quando você já estiver sóbrio, retoma com a rotina – o moreno respondeu tranquilo – Hoje precisamos de uma bebida, meu caro, eu pago... E amanhã enviaremos um e-mail ao reitor sobre nossa indisposição, simples.

– É, acho que estou precisando de uma bebida – Ron concordou, já visivelmente mais calmo – E uma dúvida...

– Prossiga...

– Quem é sua convidada? – Tinha até um pouco de malicia na voz do Weasley.

– Ah! É só uma amiga, acho que vamos nos dar bem. Ela parece um doce. – o Potter disse despreocupado.

– Parece? – Ron franziu as sobrancelhas.

– É, faz pouquíssimo tempo que nos conhecemos, mas uma bebida não nos fará mal. Oportunidade maravilhosa para o conhecimento, não acha?

– De fato...

Notas finais
* Música de sucesso da banda de rock norte-americana, Kansas. Opiniões?