Entre Dois Mundos

21 LIBERDADE...


Na residência dos Velloci, a noite seguia silenciosa demais.

Helena estava sentada na sala de estar quando Lorenzo encerrou a ligação com Maceli.

Ele apoiou o celular sobre a mesa antes de falar calmamente:

— Isabelly ficará mais alguns dias no apartamento da Maceli.

Helena imediatamente demonstrou insatisfação no olhar.

— Isso não me parece apropriado.

Lorenzo suspirou discretamente.

— Nossa filha precisa de espaço.

— Espaço de quê exatamente? — Helena rebateu. — De nós?

— Talvez de toda a pressão.

A frase fez Helena permanecer em silêncio por alguns segundos.

Mesmo contrariada, ela sabia que insistir naquela noite só afastaria ainda mais Isabelly.

Então respirou fundo.

— Tudo bem.

Lorenzo a observou com certa surpresa.

Helena cruzou os braços antes de completar:

— Mas isso é apenas uma fase passageira.

A convicção em sua voz era quase uma tentativa de convencer a si mesma. Porque Helena Velloci ainda acreditava que, cedo ou tarde, a filha voltaria ao caminho que ela considerava certo.

Alguns minutos depois, em uma Starbucks iluminada pelas decorações de fim de ano espalhadas por Seattle, Alex e Isabelly chegavam juntos.

E, pela primeira vez… sem medo de parecerem próximos. Sem receio dos olhares. Sem necessidade de fingir distância. Maceli já os aguardava em uma mesa próxima à janela.

Assim que viu Isabelly, levantou-se imediatamente e a abraçou forte.

Isabelly retribuiu de forma genuinamente leve em dias.

Alex aproximou-se sorrindo.

— Acho que eu realmente preciso agradecer por ontem.

Maceli apontou dramaticamente para si mesma.

— Finalmente alguém reconhecendo meus serviços emocionais de excelência. Os três riram juntos. Então Maceli observou Alex e Isabelly lado a lado por alguns segundos.

E comentou quase naturalmente:

— Vocês realmente combinam muito.

O comentário fez Isabelly sorrir de canto enquanto Alex abaixava levemente o olhar, sem jeito. Voltando a olhar dessa vez de forma mais séria para Alex. Continuou:

— Ela realmente precisava de alguém como você.

A voz saiu mais baixa. Mais sincera.

Isabelly imediatamente segurou a mão da amiga com carinho.

Maceli sorriu de leve.

De repente a porta da cafeteria se abriu dramaticamente. Adam havia chegado. E como sempre com seu jeito único.

— Desculpem o atraso, fui obrigado a conviver com trânsito e pessoas sem inteligência emocional.

Ele puxou uma cadeira sem cerimônia.

— Então vamos ao que importa.

Pegou o próprio copo de café e ergueu no ar.

— Um brinde aos apaixonados…

Alex imediatamente fechou os olhos em derrota.

Adam ignorou completamente.

— E à liberdade emocional de nossa donzela, Isabelly Velloci!

Maceli ergueu o copo primeiro.

— Finalmente alguém lúcido nessa mesa.

Os quatro brindaram entre risadas. A noite seguiu leve. Cheia de conversas descontraídas. Adam contando histórias absurdas da época da faculdade. Maceli rebatendo tudo com sarcasmo refinado. Alex observando Isabelly rir de verdade. E ela pela primeira vez em muito tempo… se sentindo livre.

Segura. Protegida. Ela olhava para Alex de tempos em tempos sem perceber. E Alex fazia exatamente o mesmo. Olhares demorados demais.

Sorrisos pequenos. Aquela conexão silenciosa impossível de esconder. O problema era que Maceli e Adam percebiam absolutamente tudo.

Em determinado momento, Adam apoiou o braço na cadeira e comentou:

— Isso aqui está ficando romântico demais pra quem só queria tomar café.

Maceli concordou teatralmente.

— Concordo. Estou me sentindo figurante da história deles.

Adam então se virou para ela com um sorriso provocador.

— Quer fazer casal comigo pelo menos essa noite?

Maceli arregalou os olhos imediatamente.

— Alguém como você que jamais grita estabilidade emocional... Passo!

Alex começou a rir. Adam colocou a mão no peito dramaticamente ofendido.

— Isso foi cruel.

Maceli tomou um gole do café antes de responder:

— Você definitivamente não faz meu tipo.

— Ainda bem. Meu psicológico não suportaria.

As risadas voltaram imediatamente.

Já perto do fim da noite, os quatro saíram da Starbucks enquanto o frio típico de Seattle tomava as ruas.

Adam observou Alex e Isabelly discretamente próximos um do outro.

Então comentou:

— Acho que está na hora de deixar os apaixonados finalmente em paz.

Alex soltou um riso baixo enquanto Isabelly escondia o rosto rapidamente, sem graça.

Maceli aproximou-se da amiga antes de entrar no carro.

— Qualquer problema, eu vou pessoalmente te resgatar outra vez.

Isabelly sorriu.

— Eu sei.

As duas se abraçaram rapidamente. E então cada um seguiu seu caminho.

Horas depois, Alex e Isabelly estavam novamente no pequeno apartamento da zona leste. A chuva fina havia voltado a cair do lado de fora.

Milu dormia profundamente no sofá, completamente alheio ao mundo.

E ali… sem as pressões da Publisher Stars. Sem Helena. Sem Arnold. Sem máscaras. Restavam apenas eles dois.

Assim que a porta do apartamento se fechou, Isabelly segurou delicadamente o rosto de Alex.

Os beijos começaram lentos. Mas carregados de saudade.

Desejo. Sentimento. Cada toque parecia mais íntimo agora.

Mais intenso. Como se ambos estivessem descobrindo um ao outro além das palavras. Alex a puxou para perto com cuidado, como se ainda existisse medo de quebrar aquele momento. Ela apenas se entregava, cada vez mais.

As mãos. Os olhares. As respirações descompassadas. Tudo entre eles parecia inevitável.

E naquela noite silenciosa de dezembro, enquanto Seattle desaparecia atrás das janelas cobertas pela chuva. Com uma conexão tão intensa e verdadeira… Eles voltaram a se amar profundamente.

Dois mundos tão diferentes finalmente haviam encontrado um no outro um lugar para existir.