Entre Dois Mundos

25 ENTRE PRESSÕES E VERDADES


Arnold guiou Isabelly para uma área mais reservada do enorme salão térreo do Hotel Malibu. Longe da música. Longe dos jornalistas. Longe dos olhares curiosos. Ela caminhava ao lado dele mantendo a postura elegante de sempre, embora por dentro estivesse claramente desconfortável.

Quando finalmente pararam próximos a uma varanda interna parcialmente vazia, Isabelly cruzou os braços discretamente.

— Podemos conversar, mas seja breve, por favor.

Arnold assentiu. Por alguns segundos apenas a observou. Como se ainda estivesse preso à imagem dela naquela festa de Margot.

— Eu realmente sinto muito pelo que aconteceu naquele dia.

Isabelly permaneceu em silêncio.

— O pedido foi precipitado — continuou ele. — Mas meus sentimentos não são.

Ela desviou o olhar. Arnold aproximou-se um pouco mais.

— Você pode pensar o tempo que precisar Isabelly. Eu não vou desistir de conquistar você.

A frase veio firme. Confiante. Quase intensa demais.

Mesmo desconfortável Isabelly tentou manter a educação.

— Arnold… noivar não está nos meus planos agora.

Ele soltou um pequeno sorriso.

— Sua mãe acredita que eu sou o homem ideal para você.

Aquilo fez Isabelly erguer os olhos imediatamente.

— Minha mãe acredita em muitas coisas que eu não acredito.

O silêncio entre eles ficou pesado. Mas então ela completou, tentando suavizar a situação:

— Não nego que você tenha uma vida estável… influência… qualidade de vida para oferecer a qualquer mulher.

Arnold balançou a cabeça lentamente.

— Mas não existe qualquer mulher quando existe você.

O olhar dele parecia sincero. Talvez até demais. E aquilo começava a sufocá-la outra vez. Quando Arnold ensaiou se aproximar ainda mais…uma voz surgiu atrás deles:

— Espero não estar interrompendo.

Lorenzo.

Isabelly sentiu um alívio tão imediato que precisou disfarçar rapidamente.

Arnold recompôs a postura no mesmo instante.

— Lorenzo.

Os dois homens se cumprimentaram cordialmente.

Arnold então comentou naturalmente:

— Confirmando nosso almoço de domingo. Meu pai está ansioso para reencontrá-los.

Lorenzo apenas assentiu com educação controlada.

— Estaremos esperando.

Isabelly permaneceu quieta. Desejando apenas sair dali.

Minutos depois, pai e filha já estavam no carro voltando para casa pelas ruas iluminadas de Seattle.

O silêncio durou algum tempo.

Até Lorenzo finalmente perguntar:

— Você está bem?

Ela assentiu levemente.

— Estou.

Ele a observou rapidamente antes de continuar:

— Arnold tentou alguma coisa?

Isabelly respirou fundo.

— Apenas conversamos.

Pausa.

— Mas ele foi bastante invasivo.

Lorenzo franziu discretamente o cenho.

— E você soube lidar com isso?

Ela virou o rosto para ele.

— Soube.

Aquilo fez Lorenzo sorrir de leve.

Orgulhoso.

— Você ficou forte.

Isabelly retribuiu com um sorriso meigo. Daqueles que só surgiam perto do pai.

Então Lorenzo pareceu lembrar-se de algo.

— Acho que conheci o tal Alex.

Ela virou-se imediatamente surpresa.

— O quê?

— Foi ele quem me ajudou hoje na avenida.

Agora tudo fazia sentido na cabeça dela. A Land Rover. O problema mecânico. A coincidência absurda. Isabelly soltou uma pequena risada nervosa.

— Ele comentou comigo mais cedo… só não sabia que o senhor era o homem do carro.

Lorenzo segurou o sorriso.

— Educado. Inteligente. Prestativo.

Ele então lançou um olhar divertido para a filha.

— Talvez sua mãe esteja com um problema maior do que imagina.

O rosto de Isabelly corou imediatamente.

— Pai…

Lorenzo apenas riu baixo enquanto o carro seguia pela avenida.

Quando finalmente chegaram à residência dos Velloci, algo parecia estranho. Um dos empregados surgiu rapidamente assim que eles entraram.

A expressão preocupada imediatamente fez Isabelly sentir o coração apertar.

— Senhor Lorenzo… senhora Isabelly…

— O que aconteceu? — Lorenzo perguntou sério.

O funcionário hesitou antes de responder:

— A senhora Helena passou mal.

O mundo pareceu desacelerar por um instante.

Isabelly arregalou os olhos.

— O quê?!

Sem esperar mais nada, subiu as escadas praticamente correndo em direção à suíte da mãe. O medo tomava conta dela agora. Porque apesar de todos os conflitos… Helena ainda era sua mãe.