Voltamos para casa e Katarina, a mãe do Erick, já estava nos esperando.

— Pelos deuses, o que aconteceu com você? Ela pergunta se aproximando de mim e toca no meu rosto, me analisando. — Onde você estava por todo esse tempo?

— Eu cai em uma vala no meio da floresta, me machuquei um pouco, mas o doutor Ruan me tratou, estou bem. Falo me afastando um pouco, eu não conseguia vê-la como mãe.

Ela entrou na minha família tão de repente, nem mesmo esperou o enterro de minha mãe para se casar com meu pai, tentado me comprar com pequenos gestos, mas falando mal de cada ação pelas minhas costas.

— Precisa de algo? Estar com dor? Ela fala dando espaço para a gente entrar.

— Não, eu estou bem. Falo entrando rapidamente em casa. — Só preciso dormir um pouco.

Quando entro dou de cara com o meu pai, ele estava sentado em sua poltrona na frente da lareira, ele se levanta rapidamente quando me ver.

— Onde diabos você estava garoto?! Eu te dei uma missão simples, era só para pegar alguns troncos e voltar para casa! E onde está o meu machado?

— Sinto muito, eu perdi. Falo abaixando a cabeça, eu conseguia sentir o ódio dele exalando e me esmagando.

— Você faz algo certo, garoto? Ele pergunta segurando meu pulso, eu me encolho com seu toque, não havia doido, mas eu sabia que era devido às marcas, já que as faixas em volta do meu pulso estava sangrando. — O que aconteceu com você?

— Houve um pequeno acidente. Sussurro tentando soltar a minha mão, mas isso só fez ele ficar mais forte. — Eu já estou bem agora.

— Ótimo, agora vá tirar todo esse sangue antes que você suje a casa toda. Ele me solta e se afasta limpando sua mão no meu ombro.

— Certo. Falo me afastando rapidamente, indo em direção ao meu quarto.

Ele ficava no fim do corredor, perto do banheiro. Era um quarto simples, com apenas minha cama e uma cômoda, eu não me importava com decorações ou qualquer coisa do tipo.

Eu pego uma pesa de roupa e vou para o nosso banheiro, nunca desejei tanto um banho quente. Paro na frente do nosso pequeno espelho, rosto estava inchado e com alguns arranhões, deveria estar doendo, eu deveria estar sentindo algo, mas não conseguia sentir nada além do medo.

— Vicent, trouxe algumas bandagens para você. Erick fala batendo na porta.

— Deixe no meu quarto, por favor... Sussurro me apoiando sobre a pia.

— Mas as marcas... Ele sussurra mais perto da porta.

— Apenas deixe lá. Falo olhando para a porta, ele não poderia me deixar em paz pelo menos um minuto?

Ele não fala mais nada, depois de uns minutos eu retiro as bandagens, ligo o registro de água e entro na banheira, ficando embaixo da calha, a água estava tão quente que fazia tudo ficar embaçado. Não sei quanto tempo fico lá, mas após um tempo saio e encaro o meu corpo nu na frente do espelho embaçado.

— Merda... Sussurro levantando meu pulso para socar o espelho, mais paro antes de colidir, eu precisava me acalmar. Pego minha toalha e me envolvo.

Vou para o meu quarto e me tranco lá, precisava ficar sozinho. Mas o quarto estava tão escuro e frio comparado ao banheiro que quase me faz mudar de ideia sobre ficar ali, mas a escuridão era estranhamente acolhedora, então eu apenas me enfeixo novamente e me deito, me envolvendo nas cobertas.

Acordo no susto com um barulho na minha porta, no começo eu não conseguia entender o que elas diziam, mas depois de um tempo eu conseguia distinguir a voz do meu pai.

— O que vocês estão escondendo de mim? Ele pergunta praticamente gritando.

— Querido, não estamos escondendo nada de você. Katarina fala. — Ele está machucado, deixe-o descansar um pouco.

— Houvemos muitas perdas graças a ele.

— E quase perdemos ele, você não se importa com ele? Erick sussurra.

Não ouso sua resposta, mas o silêncio que ficou o corredor já me dizia o que ele queria dizer. Eu mal havia chegado em casa e já queria ir embora, talvez tenha sido um erro não ir com o Marion.

Espero um tempo antes de sair do quarto, a casa ainda estava um silêncio, nem mesmo barulho que panelas batendo ou algo do tipo. Desço as escadas e saio de casa, pelos fundos e olho para a floresta, eu sentia que ela me observava também. Ando até a mais próxima e toco em seu tronco.

— Onde ele está agora? Pergunto suspirando, imaginando uma vida totalmente diferente da que eu tinha ate agora, mas era tarde de mais para me arrepender.

— O que você está fazendo aí? Erick pergunta se aproximando de mim, já próximo de mim, ele joga um manto sobre meus ombros.

— Nada, só observando a floresta. Falo o encarando.

— Como você está se sentindo?

— Após dormir boa parte da tarde, me sinto melhor.

— Me diga, Vicent, aquele cara que te salvou, te ofereceu algo? Ele pergunta me encarando, tentando ler a minhas feições.

— Não, por quê?

— Acho que é porque eles normalmente te oferecem algo.

— Tipo o quê? Pergunto curioso.

— Seguir a religião deles, por exemplo.

— Como você sabe de tudo isso? O encaro surpreso.

— Ah bem, acho que isso é obvio, não?

— Não. Falo me afastando dele, cada vez que ele abria a boca, mais eu desconfiava dele. Talvez seja só minha cabeça, mas eu não podia contar nada mais a ele.

— Vicent... Ele fala tentando me parar.

— Eu não quero falar sobre isso, por favor, pare.

— Precisamos de um plano, para enganar seu pai.

— E saber dessas informações vai nos ajudar em algo? Só vai me trazer mais dor, não quero me lembrar do que aconteceu. Eu me afasto dele rapidamente, eu sabia que a partir da li as coisas não iam ficar fácies, eu só podia tentar fugir daquelas perguntas.