Notas iniciais
Renascimento. Uma palavra que carrega um grande significado, "oportunidade". Oportunidade que para muitos dizem que só podem ser encontradas em um único momento da vida, mas que para outros, estão escondidas nos pequenos detalhes prontas para se revelarem. Sejam uma ou outra, uma coisa é certa, elas sempre estarão lá. Apenas cabe a nós sabermos como e quando usa-las... Renascendo das nossas próprias cinzas, como uma fénix. Sendo capazes de carregar cargas muito pesadas, mas que nunca venham nos impedir de voar...

Carlisle e eu partimos em direção à região de Piatră no leste da Floresta Hoia-Baciu. Estamos no antigo território que pertencia as ninfas, extintas desde o início da era do reinado de Claus.

Já se passaram algum tempo desde que o grupo se dividiu. Até o momento, não encontramos nenhum vestígio significante de possíveis ameaças... Pelo menos, eu acho... Bom, identifiquei o cheiro de dois ou três roedores... Eu não sei. Não consigo me concentrar.

—...Victor...Victor...- Uma suave voz me traz para a realidade.

—Hum... Carlisle. Oi. -volto meu olhar ao meu companheiro de viagem. Carlisle me acompanhava na corria à poucos metros de distância.

—Você está pensativo, meu amigo. — alertou. -Algo errado?

—Não, eu estou bem...

—Vamos... — ele parou. Interrompi minha corrida logo em seguida. — Eu te conheço à décadas. -completou fitando-me. — Sei que algo o incomoda.

— ...Eu... Estou preocupado com a Brie estando com.... -não consigo conter um grunhido. — Ele.

—Adrien? Bem, ele está se adaptando muito bem com a nova dieta. Não acredito que faria algum mal a ela.

—É verdade. Para um recém-nascido, ele aprendeu a controlar seus instintos rapidamente. Nós sabemos o quão difícil é no começo. Ele me surpreendeu. Mas não é com isso que estou preocupado.

—E com o quê seria? -cruzou os braços questionador.

—A Beatrice, ela... -hesitei por um instante. — Olha para ele de um jeito diferente... Ela nunca olhou para alguém daquele jeito.- rangi o maxilar incomodado. — Eles se olham como...

—Como Caleb e Cecília.- Carlisle finalizou mansamente.

Certo, ele também havia percebido. Sua expressão fora bem convincente para mim. Então eu não estava louco. Não estava vendo coisas. Estava acontecendo algo... Beatrice. A minha Brie. Ela...

Carlisle se aproximou. Uma angustia se apoderou do meu peito.

—Vejo que isso o atormenta.- constatou Carlisle.

—Carlisle, eu... Eu não quero perdê-la.

—...Meu amigo...Te afrige, porquê se trata dela e está fora do seu controle... — ele colocou uma mão sobre o meu ombro.- ... Ela te ama Victor. Você sabe disto.

—Mas... -cerrei eu punhos. — Porque ele?

—Essas coisas não se controlam. E independente disso, não é uma decisão que nos cabe.

—... Eu sei...

***

Meus olhos e cabeça estavam pesados e meu corpo doía e não conseguia me mover. Após alguns instantes, finalmente, minhas pálpebras relaxaram e consegui abrir os olhos. A princípio tudo estava embaçado, mas, aos poucos, pudi identificar o que os meus olhos tentavam focar. Eram pequenos pontos de luz no meio da escuridão, um céu, um céu noturno totalmente estrelado e sem nuvens.

Eu estava caída em uma superfície fria e lisa, era uma pedra. Com um pouco de dificuldade me sentei na rocha.

—A estranha acordou. -uma aguda voz ecoou em meus ouvidos.

Duas silhuetas se aproximaram. Duas lindas mulheres, com reluzentes pele negra, suas orelhas eram grandes e pontudas e estavam vestidas com folhas.

—Quem são vocês? -questionei ainda tonta.

—Eu sou Liana. -a jovem de volumosos cachos vermelhos se apresentou. – E essa é Alina. -a primeira apresentou a segunda mulher de longos cabelos negros.

—... Vocês sabem onde estou? Eu, eu procuro a Caverna Noapte.

—Está nela. -anunciou Alina.

—Como? Eu estou confusa...

Observei ao meu redor, eu estava realmente em uma caverna. O céu estrelado, o mesmo dos meus sonhos, era o teto da caverna.

—Como eu cheguei aqui? E... Onde está o Adrien?

—Eu estou aqui. -sua voz ecoou da outra extremidade da gruta. Respirei aliviada ao vê-lo bem.

Certo, Adrien estava bem, mas... Ele estava ao lado de uma jovem mulher, uma bela e pálida mulher. Ele se aproximou acompanhado dela.

—O que está acontecendo?- indaguei-o um pouco aflita. Ele se pós em minha frente.

—Calma, está tudo bem. – afirmou. -Elas nos encontraram e nos trouxeram até aqui. Você acabou desmaiando e...Você estava certa.

—Eu estava? -massageei minha nuca confusa. -O que está acontecendo? Eu não estou entendendo nada.

—Olá Beatrice. -disse a pálida jovem.- Prazer em conhecê-la, eu sou Viorel.

***

Com um tempo, as coisas começaram a fazer sentido em minha cabeça, ou pelo menos, parte delas.

Adrien me disse que a luz que havíamos visto na floresta vermelha eram Alina e Liana. Pelo o que entendi, as moças eram ninfas e guardiãs de Maiade. A princípio, elas haviam nos confundido com servos do Rei Claus e usaram do cheiro de uma flor para nos fazer dormir, obviamente, eu fui a única afetada pelo odor e desmaiei. Então, Adrien contou a elas o nosso real objetivo de está nesse lado do reino e elas nos trouxeram até a Caverna Noapte, moradia de Viorel que nos recebeu em sua gruta.

Depois de me colocarem a par dos últimos acontecimentos ocorridos enquanto estava inconsciente, as ninfas e Adrien me deixaram a sós com a anfitriã.

— Adrien me contou quem vocês são. Quem você é. E sobre suas revelações... -disse Viorel. -Que elas te trouxeram até mim.

—Na verdade eu não sei o que elas significam, eu só sabia que deveria vir até aqui.

— Eu sei como é. -Viorel soltou uma risada baixa.- Tudo parece confuso, não é mesmo?

Assenti.

—Você...Você sabe como as revelações funcionam?- questionei.

—Sim. Eu já passei por isso.. -ela sorriu.

—Então, pode me ajudar?

—Acho que é por isso que estamos aqui. -confirmou.

Um alívio tomou conta de mim. Meus sonhos, ou melhor, minhas revelações me trouxeram até aqui, até Viorel. Ela poderia me ajudar? Ao que parece sim. E eu não vejo a hora de saber o que tudo isso significa e por que essas revelações estão acontecendo.

—Beatrice, existe um motivo para todos esses sonhos... Eles são passageiros, mas possuem uma grande importância para você agora. Eles se manifestam pelo o que você é, por sua natureza, e em um único período da sua vida, o período que marca o seu completo desenvolvimento.

—Meu completo desenvolvimento? -disse confusa.

—Você é uma espécie rara. Existem duas partes de você... Acredito que algumas habilidades do sem lado vampiro já vem se manifestando, não?.

—Ao longo da minha vida, sim. Aos oito anos, descobri o dom da cura e ontem, inesperadamente, uma supervelocidade.

—Quando se é como você, o lado meio-vampiro se manifesta aos poucos, até se atingir a idade madura. Quando esse dia chegar, você será completa nas duas formas.

—Eu serei completa? Uma vampira de verdade, é isso?

—Como eu disse, completa nas duas formas. Humana e vampira. Normalmente esse ciclo termina aos dezoito anos.

—Aos dezoito anos... — a frase me trouxe a um novo estágio de consciência. Com toda a agitação dos últimos dias, eu havia me esquecido da velocidade como o tempo passara. Meus dezoito anos! Meu aniversário, seria em dois dias...

—Depois desse dia. -a fala de Viorel tomou-me a atenção novamente.- Se souber utilizar sua capacidade com sabedoria, você será mais forte do que qualquer humano ou qualquer um do reino.

Isso seria possível? Mais forte que qualquer um do reino? Mais forte que Claus? Se isso fosse verdade, eu seria capaz de salvar meu povo e derrotar meu tio.

—Isso seria possível mesmo? Viorel, tem certeza?.

—Absoluta. Eu também passei por isso... Há quase dois séculos. -ela franziu a testa.- Mas não é algo que se esquece. Beatrice, eu sou como você.

—...Como eu?

—Uma vampira-humana.

—Sério?!- disparei eufórica.

Meio- humana, meio- vampira. Cresci imaginando a possibilidade de um dia encontrar alguém da minha espécie, depois de um tempo, já havia desistido de imaginar, afinal, nunca pensei que um dia voltaria para Piatră, muito menos pensei em encontrar alguém do reino do outro lado. Mas ali estava, bem na minha frente. Viorel. Uma híbrida. Vampira, mas humana. Alguém como eu.

Felicidade, não definiam a loucura que fluía dentro de mim. Lá fora, a lua já estava no ponto mais alto do céu. Já havia perdido a noção do tempo. Havia tanto para conversar, tanto para saber .

Viorel era tão bela, sua pele clara, refletia as luzes produzidas pelas larvas florescentes que habitavam no teto da grande caverna. Aparentava estar no auge de sua juventude. Sua voz era doce, paciente e transmitia muita sabedoria, parecia que ela sabia de tudo, sobre tudo.

—Viorel, você disse que isso aconteceu com você há quase dois séculos... Quantos anos você tem?

—Cento e sessenta e três anos. -ela sorriu.

— Cento e sessenta e três? Isso é impossível! Como, se a maldição ocorreu há cento e cinquenta anos? É muito mais...

—Magia sempre existiu. Eu nasci antes da maldição, Beatrice.- sua expressão parecia viajar no tempo. -Era início do reinado do Rei Claus I e da Rainha Luana... Uma jovem aldeã, chamada Maud, havia se apaixonado por Ezra, mas pouco antes do casamento deles, Ezra veio a adoecer. Aos poucos, ele estava morrendo. Maud não aceitava perde-lo. Por muito tempo, ela procurou por uma cura, buscou por médicos e curandeiros, mas ninguém tinha uma resposta para aquela enfermidade. Foi então, que ela buscou a última alternativa, magia. Ela procurou e estudou uma forma de impedir a morte do seu amado. Seu conhecimento pelo poder se tornou grande, ela se tornou uma poderosa feiticeira e encontrou o que tanto procurava. Uma magia muito antiga e poderosa, uma magia desenvolvida pelas primeiras civilizações da terra, a maldição para a vida eterna. Os esforços de Maud foram compensados, Ezra sobreviveu à morte, mas não voltou como antes, ele havia se tornado um bebedor de sangue.

— Um vampiro... -sussurrei pasma.

—Foi o preço a ser pago. Um preço alto e irrevogável. -Viorel suspirou. — Um preço que o Ezra não suportava pagar. Ele tentou por muitas formas se livrar daquela condição. Até que um dia ele conseguiu. Com o fogo, ele pode finalmente descansar. Mas ele deixou algo para trás, ele não sabia, mas Maud estava grávida. E eu nasci.

—A feiticeira Maud era sua mãe.

—Isso mesmo.

Maud, a feiticeira responsável pela maldição de Piatră. Era a mãe de Viorel. Maud havia utilizado a magia da vida antes. Mas na primeira vez, a magia não havia sido o suficiente para que ela tivesse o amado ao seu lado. Se, a princípio, a morte não havia os separado, o peso da eternidade o fez. Se de uma forma, ela não havia sido responsável pela morte do seu companheiro, por outro, ela se tornou.

Mas em toda essa trágica história, Viorel havia me dado uma boa notícia. Ela era o habitante mais antigo de todo o Reino. Seu corpo havia se desenvolvido naturalmente como um humano, até ela completar seu décimo oitavo aniversário, quando seu “eu”, herdado pelo seu pai, se consolidou por completo. 163 anos se passaram e ela possuía a imortalidade de um vampiro.

Era tudo que eu poderia querer. Em poucos dias, eu me tornaria completa, completa em minhas duas partes, meu desenvolvimento cessaria minha capacidade humana para o envelhecimento. Eu seria jovem e viveria a imortalidade de um vampiro. Estaria para sempre com aqueles que amo. Victor, ele não estaria só, eu estaria lá, ao lado dele, assim como ele sempre esteve ao meu lado. Carlisle, me presentearia com o seu olhar gentil e sua bondade nas palavras... E Adrien, eu poderia contemplar aquele lindo sorriso por toda a eternidade.

***

Depois de horas de conversa, era hora de voltarmos. Logo os outros estariam chegando no local acordado. Já era dia quando Adrien e eu nos preparamos para partir.

—Espero vê-los em breve. -disse Viorel.

—Boa sorte.- desejou Liana. Alina assentiu em concordância.

—Obrigada. -sorri em gratidão. Acompanhada de Adrien, corri de volta à Hoia-Baciu.

Nossa viagem fora tranquila e bem veloz. Já era final da tarde quando reconheci a estrada que estivemos a alguns dias, à poucos quilômetros da caverna em que Carlisle ficou abrigado durante a última década. Quando percebi que logo estaríamos próximos da antiga gruta, Adrien interrompeu sua corrida e quase que imediatamente parei também. Ele havia parado alguns metros à frente, mas voltou, se posicionando diante de mim.

—Ogros?- franzi a testa passei meus olhos pela desa floresta a procura de qualquer movimento. Não havia nada.

—Não, eu... –Adrien por um momento hesitou em sua fala. – Eu só queria agradecer.

—Pelo quê? -respondi. — Eu que deveria agradecer, eu não...- minha fala fora interrompida por Adrien.

—Por você ter confiado em mim... Quero dizer, desde o inicio. Você nunca me tratou com indiferença.- seu olhar encontrou o verde da grama sob nossos pés. — ...Embora tivesse todos os motivos para isto.

Inconscientemente, levei minha mão ao seu rosto frio, levantando-o.

—Eu sempre soube que existia um coração aí dentro. -sorri, trazendo minha mão novamente junto ao meu tronco.

— Que.. -ele soltou uma risada fraca. -Irônico... Eu demorei um pouco mais para descobrir que isso seria possível.

—Eu tenho um dom para essas coisas... Talvez seja meu lado vampiro. -mordi meu lábio inferior.

—Ou humano... Você é a pessoa mais altruísta que já conheci. — Adrien deu um único passo, mas que fora suficiente para nossos rostos ficarem perigosamente perto o bastante. — ...Em todas as minhas as vidas... — Um pequeno silencio se instalou no ambiente.

—Você me ajudou com isso.– ele sorriu. Eu paralisei. Aquele sorriso me derretia por completo. Seus brilhantes olhos negros encontraram os meus.

Cuidadosamente ele pousou sua gélida mão sobre meu rosto, que involuntariamente repousou em sua palma. Com as pontas dos dedos, Adrien acariciava a minha pele, em reação, meu coração batia cada vez mais acerelado. Nossos rostos magneticamente se aproximavam cada vez mais. Seu olhar caiu um pouco, em direção aos meus lábios, simultaneamente, os meus olhos se fixaram em sua boca, que agora sustentavam um pequeno e irresistível sorriso de canto. Mordi os lábios timidamente na tentativa de conter a excitação que a sua aproximação me causava. Minha respiração se tornou irregular e meus ouvidos já não distinguiam mais nada ao meu redor. Nossos olhos, inconscientemente, se fecharam e pausadamente seus lábios frios e macios, encontraram os meus. Seus braços me envolveram em um abraço, meus dedos instintivamente se entrelaçaram nos sedosos fios do seu cabelo, trazendo sua cabeça para mais perto de mim. Nossos corpos estavam em perfeita sintonia e nosso beijo, a cada segundo, se tornava cada vez mais urgente e intenso. Tudo desapareceu ao meu redor. Para mim, o tempo havia parado, e nada mais importava. Era como se vitalmente precisasse estar ao seu lado...Como se estivesse procurando por algo por toda a vida... E finalmente havia encontrado.

Após mais alguns rápidos beijos, Adrien distanciou seus lábios dos meus, selando cuidadosamente sua testa contra a minha e seus braços, permaneciam envoltos em minha cintura. Aos poucos, minha respiração que estava inconstante voltou ao seu ritmo normal, mas meu coração continuava acelerado e tudo que conseguia ver eram os olhos de Adrien cerrados à poucos centímetros do meus.
— Eu precisava disso... — sussurrou ainda com os olhos fechados.- Mesmo que fosse pela primeira e última vez. — sua voz saiu dolorosa e uma tristeza me arrebatou transformando toda a excitação em aflição.
— O que você está dizendo?- disse acariciando os ombros de Adrien apreensiva.
Adrien apertou ainda mais os olhos e seu maxilar enriqueceu. E finalmente disse:

— Por favor... Me perdoe.
— ... Te perdoar?... Pelo o quê?- disse descolando-me de seu corpo, mas seu braços estavam rígidos e toda a minha força era inútil contra sua estrutura imortal, me impedindo o distanciamento.
— ... Eu... Eu menti para todos... Menti para você.- lentamente, ele abriu suas pálpebras, revelando um triste e angustiante olhar.

As palavras trouxeram uma forte angustia em meu peito.
— Como assim? — confusa, me distanciei do seu abraço, desta vez, ele não impediu meu movimento. — Do que você está falando?
Adrien permaneceu petrificado em seu lugar, seu rosto estava abaixado, com os punhos fechados, seus músculos se contraíam.

— A minha ida a Bergen não foi uma consciência... Te encontrar... Não foi consciência... -seus olhos permaneceram fechados durante sua fala.
Engoli em seco. Não conseguia falar. Ao ouvir aquelas palavras, senti uma forte pontada na boca do meu estômago, a angustia se tornou ainda mais presente, meus lábios abriam, mas nenhum som era emitido. Não conseguia falar, apenas meus olhos conseguiam sinalizar alguma reação, estavam cheios d'água, mas as lágrimas não escorriam, fazendo minha visão embaçar.
— Há alguns meses... — ele continuou. — Uma vampira, membra do Conselho do Rei Claus, teve uma visão. O nome dela é Katrina, ela possui o dom de prever o futuro... Ela viu... — ele trincou o maxilar. — Ela te viu... -ele levantou seus olhos em minha direção. — Claus ficou furioso ao descobrir a verdade omitida por tantos anos. Mas ele guardou essa informação para si. Um dia, Claus falou sobre um pequeno grupo de rebeldes que haviam saído de Piatra para o outro lado. E então, ele me deu uma missão. Matar os traidores de nosso povo. Ele armou tudo cuidadosamente. Me fez simular uma briga entre ele, para justificar minha suposta fuga, enviou os lobos atrás de mim... Tudo parte do plano. Somente nós dois sabíamos o real motivo daquilo... Pelo menos, é o que eu achava... Passei algumas semanas procurando meus alvos, enquanto era perseguido por um bando de metamorfos, guiados por uma mentira. Mas quando, finalmente os encontrei, descobri que eu também estava sendo enganado. No início, eu não entendia por que Claus se importava tanto com um grupo, aparentemente, tão inofensivo, nunca foi do feitio dele se preocupar com os aldeões. Eu não sabia quem eram realmente os que eu procurava... -ele interrompeu sua fala.

—...Éramos nós? -soltei inerte. Ele permaneceu em silencio. As lágrimas correram em meu rosto. — Éramos nós... -minhas pernas enfraqueceram, não conseguia respirar. Apoiando-me em meu joelho, sentei sobre o musgo de uma pedra.

—Eu não sabia. Eu juro. Eu não sabia o que vocês representavam para Claus... -ele aproximou estendendo a mão em minha direção.

—Não encoste em mim! — gritei em lágrimas. -Narin e Corina morreram por sua causa! -enfurecida saltei contra Adrien, dando-lhe com tapas e socos. -Por sua causa!- Minha raiva aumentava cada vez mais ao perceber que meus esforços não erram o bastante contra o seu físico petrificado.

—Beatrice, espere! — ele me segurou em um abraço, erguendo-em.

—Me solte! -disse me debatendo entre seus braços rígidos, sem sucesso de escape.

—Por favor, me escute. -sua voz saiu séria.

Mais uma vez, tentei sair de seus braços, inutilmente.

—Melhor ? -perguntou quando me vira ser vencida pelo cansaço.

—Fale de uma vez... -respondi. Seus olhos fixaram-se nos meus e cautelosamente, ele me pôs o chão. Permaneci e silencio esperado sua fala.

—A princípio estava tudo de acordo com o plano. Os metamorfos estava distantes o suficiente para eu ter tempo de concluir a minha parte no acordo. Eu estava certo de que levaria poucos minutos para por fim em tudo. Eu só não contava que vocês tivesse água D'ente e eu acabasse sendo o prisioneiro... Mas foi aí que tudo mudou, você me revelou quem realmente era então tudo fez sentido... Claus havia me usado mais uma vez, assim como fez com os outros. Quando descobri a verdade e ao ouvir que vocês estaria dispostos a voltar para o reino, eu vi a oportunidade perfeita de usa isso ao meu favor e contra o rei. Você se mostrou forte e destemida desde o começo, estava determinada a retomar o trono e eu estava decido a tirá-lo de Claus. E foi por isso que resolvi ajuda-los... As coisas acabaram saindo do controle, os lobos me rastrearam e... Me desculpe, eu sinto muito por Narin e Corina, não foi minha intenção... — finalizou.

— ...E por que não contou antes? -disse limpado algumas lágrimas secas em meu rosto.

—Eu não consegui. Poderia colocar em risco o objetivo principal que era acabar com a alegria de Claus... E também eu acabei me aproximando de vocês... e de você. — sorriu fraco. — Nesse curto período, vocês me ensinaram muita coisa.

—E enquanto a todo o resto? Seus amigos e Dana?

—Eles não sabiam de nada... Dana e os outros realmente acreditara que eu estava fugindo... Mas a verdade é que eu estava tentando protege-los. Eu não menti sobre isso... Claus me obrigou a sair, caso o contrário ele faria mal a ela e aos meus amigos... — ele bufou irritado. — Eu não iria fazer o que ele havia pedido, e o que ele fez? Ele prendeu o Íon para me incentivar a ir.

—Milla sabia? -me aproximei de Adrien.

—Agora, sim. Eu contei a ela assim que chegamos na vila. Claro, eu não conseguiria esconder. Ela pode confirmar que, agora, estou falando toda a verdade. Ela é a única que sabe, além de você.

—E... Vamos fazer com que permaneça assim. -assenti. -O Victor te mataria se soubesse disso. -soltei um riso fraco.

—Então você acredita em mim?- permaneci em silencio. Novamente me atentei aos seus olhos, eles estava inquietos a procura de uma resposta. Envolvi meus braços em seu rígido pescoço e o abracei. Seus braços me entrelaçaram em seu corpo, correspondendo ao meu abraço. — Eu não esperava por isso. -disse acariciando minhas costas. Voltei meu olhar para seu dele, ainda próxima ao seu corpo.

—Eu acreditei antes, eu sabia que você era mais uma vitima do meu tio. Eu estava certa, então eu também acredito agora. -respondi.

—Eu quero que você saiba que estou disposto a te ajudar no que for preciso para que consiga ter seu trono novamente.-disse sério.

—Eu sei. — disse encontrando seus lábios com os meus. Dessa vez, o beijo fora mais pausado e delicado, mas tão cheio de sentimento quanto o último.

Adrien me segurou com mais força contra o peito, colocando a minha cabeça embaixo do seu queixo.

—Quando eu te vi pela primeira vez, quando senti o seu cheiro, eu te desejei. Te desejei com todas as minhas forças, só não sabia que era dessa maneira. Se não fosse impossível, eu poderia dizer que meu coração está acelerado.

—Eu sei que o meu está. — sorri, pressionando meus lábios no pescoço frio dele.

—Eu posso ouvi-lo.- ele beijou meus cabelos. -Tão forte, que suportariam dois.

—Então agora ele também é seu. -disse encontrando os lábios dele novamente. Depois de algum tempo, não sabia dizer quanto, soltei os meus lábios dos de Adrien, à procura de ar.

—Algo errado? –questionou ainda com os braços em torna da minha cintura.

Respirei fundo.

—...Eu só preciso respirar... –ri baixo.

—Eu tinha esquecido desse detalhe. –riu em conformidade.

—Acho que...- minha fala foi interrompida por uma pontada no meu coração. Uma fraqueza se apoderou de mim, eu não conseguia controlar meu corpo, meus olhos se fecharam, e cai nos braços de Adrien.

—Beatrice? Beatrice!- a voz de Adrien estralou em meus ouvidos. Senti meu corpo ser carregado. — Você está me ouvindo?!- sua voz estava nervosa.

“Eu... Eu estou...”

—Brie, acorda!- sua mão, levemente, batia em meu rosto.

Eu podia sentir suas mãos, eu podia ouvir sua voz.

“ Adrien, eu estou acordada! ”. O que está acontecendo? Minha voz não sai! Eu não consigo me mexer... Não consigo abrir meus olhos!

—Droga! –ele disse, senti um forte vento no meu rosto. Ele estava correndo rápido, muito rápido.

“ Adrien, eu não consigo, não consigo me mexer! Mas... Ah!!!”. Uma insuportável e aguda dor percorreu o meu peito. Um zumbido propagou-se em meus ouvidos.

“Eu estou tremendo, mas... Está quente... Muito quente! Ahhh!!! Meu sangue está queimando! Ahhh!!! Está tudo queimando! Adrien... Adrien, socorro! Socorro!!!

Poucos instantes se passaram. O ardor havia aliviado um pouco. Talvez seja influência do meu dom. Pudi sentir uma luminosidade diferente sobre minhas pálpebras.

—Brie? Brie!- uma voz ecoou.

“É a voz de Victor! Ele está aqui?”. Senti meu corpo ser posto sobre uma lisa superfície.

— O que ela tem!? O que você fez com ela?!- Victor bradou.

— Não seja estúpido! –disse Adrien. Ouvi um rosnado, seguido de um estridente barulho de batida.

“O que está acontecendo?!”

—Rapazes, calma! – uma doce voz se manifestou. Outro rosnado e outra batida ecoaram. –Adrien, pare! Victor!

“É a Milla? Milla é você?

—Meninos, esperem! – ela gritou.

“ Milla! Está me ouvindo?! Milla!”

A voz dela se silenciou. –Beatrice? –Automaticamente, um silencio se instalou. Senti a presença de alguém perto de mim.

“Milla, está me ouvindo?”

—Sim, Brie, eu te ouço! –ela disse. -

—Ela está nos ouvindo? – disse Adrien.

—O que está acontecendo? Ela está bem?- disse Victor ansiosamente. –Brie? Fala comigo!

“Eu não posso, eu não consigo controlar meu corpo!”

—Ela disse que não pode. –Milla anunciou.

—Como assim? – Victor indagou.

“Eu não...Droga!”. A dor está voltando... Está queimando de novo... Meu sangue, está queimando. “Ah!!!”. Meu coração acelerou descontroladamente.

— O que está acontecendo? –disse Victor.

—SILENCIO, por favor! . –disse Milla. –Brie, o que você tem?! Me diz!

“ Milla eu... Eu sinto... ARG!Está queimando... Acho... Acho que estou mudando...Comple... AGR!... Completando...”. — Um zumbido mais uma vez soou em meus ouvidos.

—Como assim você está mudando? -ela perguntou. Sua voz estava baixa entre o agudo ecoado. –Completando o quê?

—Ela está mudando? –era Adrien. — Agora?- as vozes ao meu redor se tornavam cada vez menos audíveis. Eles estavam sumindo. Mas a dor também... A queimação estava aliviando novamente.

—Do que vocês estão falando? -disse Victor, eu acho.

“ Eu... Milla... Eu, estou... Franca...”

— Tudo bem, vai ficar tudo bem. — a voz de Milla já estava desaparecendo...- Descanse, estaremos aqui quando...

E tudo se apagou.

Notas finais
Continua...