Notas iniciais
Na vida existem momentos de medos, incertezas, mas são quando nos deparamos com essas situações que podemos descobrir um outro lado de nós mesmos... Uma nova esperança.

Em 1894, em um isolado reino, formado por belas paisagens rochosas, localizado no interior de uma floresta na cidade de Cluj-Napoca, oeste da Transilvânia, vivia um justo e respeitado Conde, a quem seus súditos aclamavam e veneravam pela sua bondade. O Conde Von Vlaus Dalca, que a poucos meses havia perdido seus pais -Rei Claus e Rainha Luana, vítimas de uma epidemia que assolara a Europa naquele ano- encontrava-se sozinho e a procura de uma esposa para governar consigo o Reino de Piatră (Reino de Pedra), a qual herdara de seus antecessores.

Foi em um de seus passeios matinais pelos jardins do reino que Vlaus conheceu Caterina, a jovem mais bela e doce que seus olhos já encontrara. O jovem casal logo se apaixonou. Porém havia um empecilho entre à união dos dois. Caterina possuía uma irmã chamada Amélia, e segundo seu pai, somente poderia se casar após a primogênita adquirir matrimônio. Amélia não tinha pretendentes e o Reino não poderia esperar. Fora firmado um acordo entre as famílias- a única maneira encontrada por Vlaus para estar ao lado de sua verdadeira amada. Vlaus casou-se com Caterina, logo após haver esposado Amélia. Coroado Rei, Von Vlaus Dalca passou a governar Piatră com suas Rainhas.

Logo, a Primeira-Rainha Amélia engravidou e deu à luz Claus II, o primeiro filho do Rei.

A Rainha Caterina não estava feliz, pois não conseguia realizar seu sonho de dar um filho ao seu amado Rei. Então, para cumprir seu desejo, ofereceu sua serva e mais fiel amiga Serena para que gerasse, em seu lugar, um filho ao seu marido.

—Minha Rainha amada, como podes me pedir tal coisa?- indagou sua esposa quando a mesma revelou sua oferta.

—Meu Rei, não posso gerar-lhe filhos e sei que desejas tê-los.

—Tenho a ti, e para mim, é o suficiente.-dizia o Rei. –Ademais, fui presenteado pela sua irmã com nascimento de meu querido Claus...

—De tal forma que também desejo presentear-lhe. Case-se com minha serva Serena.- dizia firmemente.- Por favor, por mim.-reafirmou.

—Se é de tua vontade, que assim seja.

O Rei Vlaus casou-se com Serena, que gerou Carlisle, seu segundo filho. Mas para a surpresa de todos, pouco tempo depois de anunciada a gravidez de Serena, Caterina descobriu que também esperava um bebê. O Rei e a Rainha Caterina não poderiam encontrar maior felicidade. Nomearam de Caleb o mais novo príncipe do reino.

Anos se passaram, e o reino se encontrava próspero e feliz. O Rei havia vivido os melhores anos de sua vida ao lado de suas esposas e seus três jovens filhos. Contudo, uma nova epidemia -uma perigosa gripe- voltou a atormentar o reino. O Rei Vlaus, temendo pela vida de sua família e súditos, procurou uma velha senhora, conhecida como Madame Maud, uma temida feiticeira que vivia à oeste da floresta.

—A que devo a honra em receber o Rei em minha humilde cabana?

—Madame Maud, a epidemia está se alastrando a cada dia. Minhas Rainhas Caterina e Serena e o príncipe Carlisle estão de cama há dias. Muitos no reino não resistiram. Soube que é uma feiticeira muito poderosa, poderia nos ajudar?

—Não há o que ser feito.-ela disse.

—Por favor, senhora. Famílias estão morrendo!- implorou o Rei.

—...Bem, pode haver uma solução... Mas custará muito caro.

— Eu pago o que for preciso. Diga-me!

Maud ofereceu-lhe uma cura –em troca de dez vezes do seu peso em ouro- um feitiço que, depois de lançado, não mais poderia ser quebrado, mas que salvaria a todos do reino. Era último recurso para salvar seu povo. Então Vlaus aceitou sua proposta.

Naquela noite escura e chuvosa algo aconteceu. Gritos de dor e desespero eram audíveis em todo o reino. A partir daquele dia, tudo mudou, para sempre.

No Castelo, apenas se encontravam sombrios olhos avermelhados, peles frias e corpos imortais sedentos por sangue. Na aldeia, os camponeses não eram mais os mesmos. Ninguém mais era. Agora, nos corpos de carpinteiros, ferreiros, jovens, e senhoras encontravam-se seres que por muitos, a muito tempo, se questionavam sobre sua existência. Seres que sempre foram vistos como personagens de estórias, contos, e fantasias para assustar crianças pequenas. Dali em diante nada mais era irreal.

Tempos se passaram desde a transformação de todos no Reino Piatră – a maioria já havia se acostumado e, em partes, compreendido a difícil decisão tomada pelo Rei para salvar o seu povo. Para que se mantivesse a segurança de todos -e principalmente das pessoas que viviam além da floresta- o Rei Vlaus proclamou uma lei. Ninguém poderia ultrapassar a Floresta Hoia-Baciu- os piatrianos não poderiam ser visto pelas pessoas do ’’mundo” externo ao reino. Ninguém poderia ultrapassar o arco de pedra que separava os ’’dois mundos”- onde de um lado, existia pessoas comuns, inocentes humanos, vivendo suas míseras vidas, e do outro, um reino, habitado por metamorfos, híbridos e lobisomens. Súditos de uma poderosa família de vampiros.

O Rei Vlaus, com o objetivo de ordenar e apaziguar seu povo – e suas divergências- dividiu o reino em pequenos vilarejos, realocando as espécies e pacificando- da melhor maneira possível- seus súditos, que só poderiam caçar, conforme suas necessidades, dentro do seu espaço estabelecido.

Entretanto, haviam coisas que não se podiam controlar, de tempos em tempos, humanos ’’desavisados’ adentravam a floresta e acabavam sendo mortos por algumas espécies que, de certa forma, não conseguiam controlar seus novos instintos. Depois de algum tempo, com os frequentes ’’desaparecimentos’, a floresta passou a ser conhecida- para aqueles que se encontravam do lado de fora- como "mal assombrada’. Mas mesmo com a má fama a Floresta Hoia-Baciu não amedrontava certos humanos curiosos.

***

Oitenta e dois anos se passaram desde a grande maldição que ocorrera no Reino de Piatră. E foi na floresta, que Caleb -em busca de grandes animais (principal e único alimento consumido por parte da família real, com exceção de Amélia e Claus, que não se adaptaram às refeições ”vegetarianas”)- conheceu Cecília. Cecilia era uma jovem aventureira de longos cabelos castanhos e penetrantes olhos azuis- que fizeram, se assim fosse possível, o coração do jovem príncipe bombear novamente. Cecília era maravilhosamente bela, e logo se viu encantada pelo jovem misterioso.

Por muitos dias seguidos eles se encontraram secretamente na Hoia-Baciu e logo se tornaram dependentes um do outro, tornaram-se um só.

Mas esse era um amor impossível. Como essa estranha relação sobreviveria, se eles estavam separados por diferentes mundos? Uma frágil humana e um imortal vampiro. Só havia uma opção. Cecília teria que abandonar tudo por seu amor e viver nesse novo mundo descoberto por ela. E assim o fez. A única filha abandonou seus pais- um velho relojoeiro e uma dona de casa- "desaparecendo misteriosamente”, sendo mais uma vítima das ''assombrações” que rondavam a Floresta Hoia-Baciu.

A família real, a princípio, não concordara com a relação do jovem casal, mas já era tarde demais para intervirem. Caleb e Cecília haviam se casado às escondidas e ela estava esperando um bebê. A gestação foi muito dolorosa- e quase mortal para Cecília-sua vulnerável estrutura quase não suportava as exigências do feto ’’meio-humano”, mas a jovem optou por somente se tornar uma vampira após o nascimento do bebê – pois somente dessa maneira a criança sobreviveria — então assim que Beatrice nasceu sua mãe foi transformada.

A pequena Beatrice era um dos seres mais belos que existiam no secreto reino. Era a perfeita fusão de seus pais. Sua pele era tão pálida quanto a de Caleb, seus cabelos eram castanhos escuro e seus olhos pareciam pequenos céus de uma noite estrelada- seu coração era forte e batia como o de um cavalo em meio à corrida. Seu desenvolvimento era de uma criança normal- embora preferisse se alimentar de sangue — acostumada a ver sua família se alimentar de tal forma, ainda que fosse somente sangue animal- satisfazia-se também com comida tipicamente humana- e ao cair da noite, somente os olhos da pequenina princesa adormeciam no grande Castelo dos Dalca.

Tudo poderia ser perfeito, se a inveja e o rancor não tivesse encontrado as grandes portas do Castelo. Após o nascimento de Beatrice, a Primeira-Rainha e seu filho, o príncipe Claus II, encontraram-se receosos sobre a futura coroação do príncipe primogênito. Com o surgimento de uma nova geração na família, seu futuro possível reinado mostrava-se ameaçado- a partir do momento em que o Rei Vlaus decidisse dá ao seu reino um novo soberano- e sendo Caleb, embora o caçula, o primeiro e o único, a possuir um legítimo herdeiro- o reinado do "Rei Claus” se encontrara em risco.

***

Era hora de agir. Beatrice havia acabado de completar seu sexto aniversário e o tempo não estava correndo a favor do príncipe Claus. A cada dia o Rei Vlaus apresentava indícios de que Caleb, o filho de sua mais amada esposa, seria o escolhido para ser coroado Rei de Piatră, e isso ele não poderia permitir.

Claus então reuniu os lobisomens e a matilha dos metamorfos -homens que se transformavam em grandes lobos- para atacar o Castelo, e matar todos aqueles que se opusessem à liderança de Claus como Rei.

E foi em uma noite de lua cheia, que uma grande batalha se iniciou no Castelo dos Dalca. O Rei Vlaus lutou contra seu primogênito, mas seus esforços não foram suficientes contra Claus- este era muito mais forte que os outros, pois se alimentava de sangue humano, e seu ódio o tornara implacável- e em meio à luta entre pai e filho, Claus saiu vencedor, decapitando- com um só golpe- a cabeça daquele que o amava, seu pai.

Os integrantes do exército de Claus acabaram sendo delegados para destruir dos demais familiares do príncipe, matando as Rainhas Caterina e Serena e os demais fiéis servos do Rei Vlaus.

Em meio ao massacre, Carlisle, Caleb e Cecília, juntamente com Beatrice e alguns amigos, conseguiram fugir até a floresta na esperança de escaparem dos metaformos que os perseguiam desde o Castelo.

—Querido, eles estão nos alcançando....-disse Cecília com um olhar desesperado.- ...Beatrice, ela...

—Ela ficará bem, eu prometo.-disse Caleb firmemente.

—Não temos muito mais tempo.-afirmou Carlisle observando fixamente a escuridão da floresta.

—Narin, Corina, vocês precisam leva-la daqui.-implorou Caleb.

—Mas senhor, não podemos deixá-los? – relutou Corina.

—Ela estará segura com vocês, protejam-na.- ordenou o príncipe caçula.

—Com nossas vidas. — afirmou Narin.

—Victor, por favor, vá com eles!- disse Cecília.- Ela precisa de você.

—Estarei com ela.-jurou Victor.

—Mamãe...-a pequena menina disse tomando a atenção para si.

—Querida, você precisa ir com o Victor, tudo bem?.- disse Cecilia abraçando a menina uma última vez.- Eu te amo, para sempre.-disse retirando um medalhão que se encontrava em seu gelado pescoço. Entregou para a filha.

—Para sempre.- repetiu Caleb juntando-se ao abraço.

—Eles estão aqui. -atentou Carlisle.- Seja uma boa garota.- disse abraçando Beatrice.

E assim, Corina- com Beatrice em seus braços- Narin e Victor seguiram em direção à saída da floresta. Em meio a corrida na silenciosa floresta, ouvir–se apenas um agudo grito de Cecília.

—CALEB!!!- ecoou a condessa, anunciando a vitória de Claus sobre a imensa escuridão da Floresta Hoia-Baciu.

Notas finais
Continua...