Notas iniciais
Aí está mais um capítulo e mais cedo! E mais uma vez, obrigada pelos comentários! Espero conseguir continuar postando assim nas férias, umas duas vezes por semana... Boa leitura!

– Eu… O quê? — me levantei e olhei nos olhos dele de cima, sem entender muito bem.

– Me desculpe, não queria chatear. Mas você tem algo diferente, não sei explicar.

– Está me chamando de esquisita?

– Não! Eu não sei como explicar melhor, é como se você tivesse algo diferente em você, algo que as outras pessoas não tem…

– Não estou entendo, Se você for continuar fazendo piada de mim eu vou embora agora mesmo!

– Por favor, me escute! — ele se levantou também, ficando na minha frente. — Eu não estou tentando te ofender nem nada. Eu tenho algo como uma intuição, não sei, tenho uns sonhos estranhos e vejo coisas que as outras pessoas não vêem. E você tem algo que, não sei, as outras pessoas não tem, talvez por isso elas te ignoram.

– Mas se você vê coisas que mais ninguém vê, como as pessoas poderiam saber que tenho essa coisa e me ignorar?

– Elas podem não ver, mas sim sentir. Eu não sei explicar.

– E por que você fala comigo então? Você deveria ser o que mais se afasta…

– Não sei, talvez fiquei curioso para saber quem você é. Sabe do que eu estou falando?

– Não, não faço ideia. Sou apenas uma bruxa comum e acho que orfã de mãe, só isso.

– Pode me contar, tudo o que falarmos aqui vai ficar aqui. E por favor, não conte para ninguém o que lhe contei, você é a única que sabe…

– Você está me zoando, não é? Me deixe em paz, ok?

Antes que ele pudesse fazer alguma coisa, saí correndo. Sem perceber para onde ia. Parei na beira do lago e sentei no chão. Por que ele havia feito isto? Se aproximar de mim para depois dizer aquelas coisas… Ele só podia estar me zoando. Não havia como ser verdade. Eu era apenas uma bruxa comum, só um pouco tímida…

Fui tomar um banho para esfriar a cabeça. Lavei meu cabelo e saí, um pouco mais calma. Se fosse verdade o que ele havia falado, o que eu tinha de diferente? Pensei em tudo o que acontecera comigo até ali. O fato de eu não saber nada sobre minha mãe. Meu pai não me deixar sair sozinha quase nunca. Meus pesadelos cada vez mais frequentes. O TDAH. As aranhas… Não havia relação entre estas coisas, nada que me fizesse ser tão diferente como ele havia dito.

Resolvi deixar esse pensamentos de lado e fui para a biblioteca fazer algumas lições. Não iria deixar acumular nada. Em seguida, escrevi uma carta para o meu pai contando os principais acontecimentos da semana, mas achei melhor não falar nada sobre o Grim nem sobre o fato de eu ser ignorada. Fui para o corujal e enviei a carta em uma pequena coruja manchada. Fiquei lá por um tempo, tentando organizar o local que estava uma verdadeira bagunça. As corujas ficaram quietas me olhando e deixavam que eu brincasse com elas a vontade. Isso me deixou bem melhor.

Não estava com fome, portanto fui direto para a sala comunal. Não estava com sono, então fiquei sentada em uma mesa desenhando. As pessoas passavam na minha frente como se eu não estivesse lá. Vi quando o Grim entrou e se sentou na minha frente, mas fingi não perceber.

– Ei, não me ignora, por favor. Me desculpa mais cedo, eu não queria te magoar. Tudo o que eu te falei é verdade, acredite em mim.

– Eu estou um pouco ocupada, não sei se você não percebeu…

– Por favor, me escute. Eu sempre estive sozinho em relação a isto. Acredite em mim. Você tem algo, uma aura, não sei direito, mas tenho a sensação de que você tem sim algo de diferente. Não de esquisito, mas algo único, que só você tem. Se você deixar, podemos tentar descobrir isto juntos.

– Pode por favor me deixar em paz? Eu estou tentando me concentrar.

– Sou seu único amigo aqui, vai mesmo me abandonar assim?

– Já ouviu aquele ditado? Antes só do que mal acompanhada. Agora, se me der licença, eu vou pro meu quarto. Boa noite!

Levantei de qualquer jeito e saí. Estava na metade das escadas quando percebi que havia deixado minhas coisas na mesa. Voltei correndo, torcendo para que ele não tivesse visto. Mas infelizmente, ao chegar lá, vi que o garoto estava com meu desenho na mão.

– Não te ensinaram que é feio mexer nas coisas dos outros? — disse, pegando a folha da mão dele.

– Você que desenhou? Ficou muito bom. Não sabia que desenhava tão bem…

– É, tem muita coisa sobre mim que você não sabe, e tomara que continue assim! — juntei minhas coisas e subi mais uma vez. Sentei na minha cama e olhei para o desenho. Uma onda de tristeza me invadiu. Desde pequena sempre sonhara em vir para cá. E agora que estava aqui, me perguntava se iria me acostumar rapidamente. Olhei mais uma vez para a folha. Eu realmente desenhava bem. Desta vez era a escola, com todos os detalhes, do jeito que eu a havia visto pela primeira vez. O lugar dos meus sonhos. O lugar em que eu estava totalmente sozinha.

Notas finais
O que acharam? Espero que tenham gostado. Eu sei que é chato ficar pedindo, mas por favor, comentem, assim eu posso saber o que estão achando e como posso melhorar...